Cinema e Argumento

Melhores de 2008 – Ator

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Não adianta, impossível alguém conseguir superar Daniel Day-Lewis esse ano. Apresentando o melhor desempenho masculino em muito tempo (provavelmente o melhor visto nessa década), o ator arrasou em Sangue Negro. Não que os outros atores dessa lista devam ser subestimados, mas nenhum deles chega sequer perto do nível alcançado por Day-Lewis. O filme de Paul Thomas Anderson tem muito setores impressionantes, mas é na figura de Daniel que se encontra o ponto alto – é um retrato de como a cobiça pelo poder pode afundar o ser humano que não sabe controlar suas próprias ambições. Vencedor incontestável do Oscar esse ano, ele teve um retorno triunfal depois de um certo tempo desaparecido realizando longas pequenos, como O Mundo de Jack e Rose. Tudo pode ser falado de Sangue Negro, mas o único ponto que em hipótese alguma merece crítica é a atuação de Daniel. Perfeito em cada minuto de aparição. Simplesmente impecável.

Emile Hirsch como Cristopher McCandless em Na Natureza Selvagem

Sempre gostei do jovem Emile Hirsch, desde os tempos de Heróis Imaginários, onde já mostrava ser um talento extremamente promissor. Felizmente o sucesso sorriu para ele, que conseguiu criar uma carreira sólida, além de possuir um nome confiável. Claro que ele teve que realizar algumas produções comerciais desnecessárias para chegar onde está, como Speed Racer. Mas foi em Na Natureza Selvagem que Hirsch encontrou o papel de sua vida, que mais lhe deu credibilidade como ator. É de se estranhar que tal excelente interpretação tenha sido tão preterida, já que ele entrou de cabeça no projeto. Nada de maniqueísmos típicos de jovens atores; ele já apresenta interpretação de gente grande e uma habilidade única. Um talento que vai longe.

Gordon Pinsent como Grant Anderson em Longe Dela

actgordonMuito se fala da interpretação da Julie Christie em Longe Dela, mas quase ninguém reconheceu o desempenho do companheiro de tela dela, Gordon Pinsent. O desconhecido ator é a verdadeira figura protagonista do longa de Sarah Polley e também a que tem o melhor teor dramático. Através de sua figura, assistimos toda a dor de um homem que está perdendo o seu grande amor para a própria vida. Suas expressões contidas ao ver sua mulher permanecendo como era apenas em sua memória são de dar dó, uma legítima representação de tristeza. Além disso, sua química com Julie Christie é impecável e o ator achou os tons certos para compor seu personagem. Merecia mais reconhecimento, sem dúvida alguma.

Johnny Depp como Sweeney Todd em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

actdeppJohnny Depp não precisa provar mais nada – é extremamente versátil e já é cheio de credibilidade. Tanto, que escolhe à vontade seus projetos e nunca cai em ciladas (excluindo as continuações de Piratas do Caribe). Em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, Depp retoma a parceria com o diretor Burton e realiza um longa no mínimo inusitado. Em uma primeira análise o trabalho parece ser uma avaliação de seu Edward Mãos-de-Tesoura (o visual é extremamente parecido), mas Depp se renova, soltando a voz em canções complicadas e difíceis. O mérito de sua interpretação se deve mais ao visível empenho do ator com o longa do que por si próprio. Afinal, já não é mais novidade que Johnny consegue criar excelentes personagens.

Philip Seymour Hoffman como Jon Savage em A Família Savage

acthoffÉ impressionante a velocidade com que Philip Seymour Hoffman se transformou em um dos atores mais bem estimados do cinema. Também não é para menos – é praticamente impossível encontrar excelentes atores que escolhem projetos com precisão e conseguem agradar a todos. Hoffman é um deles e já chamava a atenção muito tempo antes de seu Oscar. Em A Família Savage ele tem mais uma presença magnética, mesmo que um pouco ofuscado por sua companheira de tela Laura Linney. Seu papel não ganha grandes profundidas em relação a atriz, mas Hoffman aproveita cada minuto de seu Jon Savage, agindo exatamente como o esperado – maravilhosamente. Nada de espetacular e nem de longe o melhor desempenho dele, mas brilhante dentro do possível. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Ator em 2006 por Capote.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Sangue Negro como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:

1. Daniel Day Lewis – Sangue Negro (10 votos, 43%)

2. Johnny Depp – Sweeney Todd (9 votos, 39%)

3. Emile Hirsch – Na Natureza Selvagem (2 votos, 9%)

4. Gordon Pinsent – Longe Dela (2 votos, 9%)

5. Philip Seymour Hoffman – A Família Savage (0 votos, 0%)

uma estréia nada revolucionária

Hoje entrou em cartaz o longa Foi Apenas Um Sonho, de Sam Mendes. O filme já foi avaliado pelo Cinema e Argumento, que não achou o resultado empolgante. Enfim, só uma citação para relembrar que o filme já passou aqui no blog. Para ler a opinião, clique aqui.

ps: essa foto aí não lembra As Horas?

Filmes em DVD

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Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles (revisto)

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Não mudou muita coisa assistir Ensaio Sobre a Cegueira na telinha. O filme continua excelente. É uma pena que essa cuidadosa produção de Fernando Meirelles tenha tido uma recepção tão fria, tão inferior do que realmente merecia. Dessa vez fiquei mais satisfeito com a interpretação da Julianne Moore, que é uma atriz de respeito e que aqui tem um desempenho exemplar – mesmo que não seja nem de perto um de seus melhores. Ensaio Sobre a Cegueira é para poucos, com uma estética ousada e uma história difícil. Isso afasta o público. Mas nada justifica a má vontade dos especialistas com ele. O filme tem grandes aspectos sim e foi um dos melhores do ano de 2008.

FILME: 8.5

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Batman – O Caveiro das Trevas, de Christopher Nolan (revisto)

4

O filme continua o mesmo, mas infelizmente perde metade de seu impacto na TV. Sorte teve quem assistiu o longa no cinema, onde podia-se notar melhor o estupendo espetáculo auditivo e as ótimas cenas de ação. De qualquer forma, Heath Ledger permanece impecável e assustados; o longa, maduro e sério. Apesar de todos os elogios, Batman – O Cavaleiro das Trevas tem sim alguns defeitos. Critico o roteiro – sim, adulto, mas ainda assim longo demais e com tramas que não precisavam ser exploradas aqui (Harvey Dent se transformando em Duas-Caras, por exemplo, ficou muito superficial). Contudo, permanece como uma grande evolução no mundo das adaptações de quadrinhos.

FILME: 8.5

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A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz

Com Bette Davis, Anne Baxter e George Sanders

4

A Malvada é um luxuoso retrato sobre os bastidores do teatro e sobre como é a convivência das estrelas nessa arte. Recordista de indicações ao Oscar, o filme de Joseph L. Mankiewicz exala competência em todos os setores, especialmente na notável qualidade de atores que conseguiu reunir. A estrela, sem dúvida, é a perfeita Bette Davis como Margo Channing. Anne Baxter, como Eve Harrington, não fica atrás. É surpreendente a reviravolta envolvendo a personagem de Eve e o roteiro deixa tudo muito explícito, bem processado. Nada parece solto ou sem conexão. Por ser um filme tão bem cuidado, A Malvada se tornou um marco no cinema. E com todos os méritos.

FILME: 8.5

hellodolly

Alô, Dolly!, de Gene Kelly

Com Barbra Streisand, Walter Matthau e Michael Crawford

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É a direção do competente diretor Gene Kelly (do clássico Cantando Na Chuva) que confere qualidade a esse pouco musical pouco conhecido chamado Alô, Dolly!, que recentemente recebeu maior conhecimento por ser a principal diversão do robozinho WALL-E. Porque, realmente, o filme não é grande coisa, tendo algumas visíveis falhas – tem uma história simples demais para ser tão comprido e seu desenvolvimento é previsível. Mas Alô, Dolly! funciona. Os números musicais são impecáveis, alguns até mesmo empolgantes. E as vozes que ouvimos são extremamente adequadas, com destaque para uma inspirada Barbra Streisand. Encerrado com uma linda música chamada It Only Takes a Moment, Alô, Dolly! pode até não ser uma maravilha, mas entretem e é excelente como musical.

FILME: 8.0

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O Rio do Desespero, de Mark Rydell

Com Sissy Spacek, Mel Gibson e Scott Glenn

3

O Rio do Desespero deu mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz para a ótima Sissy Spacek. Ela é uma das poucas razões que fazem com que o filme de Mark Rydell seja assistido, porque, no final das contas, o resultado não é grande coisa. O longa apenas narra a batalha de uma família para manter a sua fazenda depois de um rio inundar toda a propriedade. Além disso, ainda vão ter que enfrentar os políticos que querem acabar com a fazenda para realizar uma construção. Dotado de uma narrativa sem surpresas ou momentos dramáticos que marquem, O Rio do Desespero é simples e até efetivo, mas não chega a empolgar.

FILME: 7.0

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O Passado, de Hector Babenco

Com Gael García Bernal, Analía Couceyro e Paulo Autran

3

Realmente não é grande coisa esse trabalho de Hector Babenco. A história podia ser trabalhada de outr maneira (mais sentimenal ou mais humana, quem sabe?) e o roteiro tem várias passagens desnecessárias, especialmente quando se encaminha pro final. Erros à parte, O Passado é um filme bem cuidadoso em sua estética, com os atores bem fotografados e com situações interessante. Dá pra se assistir tranquilamente, sem grandes reclamações. É até possível se envolver com a história e com o protagonista, interpretado por Gael García Bernal em um excelente momento. O filme tem até um toque melancólico, exaltado pela bonita trilha sonora de Ivan Wyszogrod. Simples, mas eficiente.

FILME: 7.0

decemberboys

Um Verão Para Toda Vida, de Rod Hardy

Com Daniel Radcliffe, Lee Cormie e James Fraser

2

Não dá pra culpar totalmente Daniel Radcliffe por sua péssima atuação em Um Verão Para Toda Vida. Que ele é péssimo isso não é novidade (sempre tentando provar – inutilmente – que é bom ator, inclusive protagonizando a polêmica peça de teatro chamado Equus), mas foi uma jogada horrível dos produtores da fita o terem colocado no filme. Não inteiramente pelo fato da atuação, mas simplesmente porque ele não se encaixa – é grande demais para o papel (para se ter uma idéia, Freddie Highmore era o contratado original). Mas de qualquer forma, Um Verão Para Toda Vida é ruim em todo o conjunto. Consegue o feito de não despertar interesse algum, com uma trama simplista e sem atrativos. Assim é difícil ter boa vontade com um longa que também exige inocência demais do espectador ao trabalhar dramas baratos. Se vale alguma coisa, ao menos o filme é bem cuidado, com uma trilha sonora adequada e boas locações. Mas isso não basta. E Radcliffe não ajuda em nada.

FILME: 4.0

Marley & Eu

Direção: David Frankel

Elenco: Owen Wilson, Jennifer Aniston, Alan Arkin, Kathleen Turner, Eric Dane, Haley Bennett, Tom Irwin, Sandy Martin, Alec Mapa

Marley & Me, EUA, 2008, Comédia, 112 minutos, Livre

Sinopse: John (Owen Wilson) e Jennifer Grogan (Jennifer Aniston) casaram-se recentemente e decidiram começar nova vida em West Palm Beach, na Flórida. Lá eles trabalham em jornais concorrentes, compram um imóvel e enfrentam os desafios de uma vida em conjunto. Indeciso sobre sua capacidade em ser pai, John busca o conselho de seu colega Sebastian (Eric Dane), que sugere que compre um cachorro para a esposa. John aceita a sugestão e adota Marley, um labrador de 5 kg que logo se transforma em um grande cachorro de 45 kg, o que torna a casa deles um caos.

“Mesmo que correto e simpático, Marley & Eu não consegue evoluir por causa de seu roteiro sem personalidade.”

“Clichê” é uma palavra que define Marley & Eu, adaptação do best-seller de mesmo nome. O que vemos é mais uma produção que fala sobre uma família e um cachorro engraçadinho. O longa comandado por David Frankel (que obteve pleno êxito no seu primeiro filme, O Diabo Veste Prada, que também era adaptação de um sucesso literário de vendas) é uma das coisas mais simples que andam perambulando pelo cinema atualmente. Com um total clima de Sessão da Tarde – ajudada pela enfadonha trilha sonora de Theodore Shapiro – Marley & Eu não tem mistério algum; trilha um caminho óbvio. Culpa do roteiro e da direção, indiferentes ao fato de que filmes comuns como esse necessitam de algo a mais. Algo que o próprio diretor Frankel fez em O Diabo Veste Prada – imprimiu um tom pop, comandou atuações impecáveis e transformou o clichê em algo muito divertido. Aqui ele consegue fazer com que Marley & Eu tenha alguns diferenciais, mas tudo é muito pouco perto da previsibilidade imposta pela história.

O filme tem pontos postivos, claro. Jennifer Aniston – principalmente ela – e Owen Wilson, por exemplo, apresentam tom certos, nunca destoando de seus personagens. A emoção, apresentada com competência nos momentos finais, também é digna de elogios. E a própria construção da família consegue ser efetiva. No final das contas, Marley & Eu decepciona por ser um produto sem personalidade. Diverte e pode até emocionar, mas não tem profundidade alguma e nem deixa maiores impressões. É esquecível e dispensável. Há quem goste e quem morra de chorar no final. Eu, infelizmente, não fui movido pelo que vi. Muita gente deverá estranhar a nota que dei para tanta reclamação. É que simplesmente não poderia deixar de mostrar no texto a minha grande decepção com esse longa absurdamente elogiado por tantas pessoas.

FILME: 6.5

3

Melhores de 2008 – Roteiro Original

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A Pixar conseguiu pela segunda vez consecutiva se sair vencedora nessa minha categoria. Se Ratatouille era uma maravilha em sua história, WALL-E conseguiu ir além – discursou sobre solidão, romance e alienação humana com uma habilidade absurda. Tudo isso temperado com muita aventura e momentos inesquecíveis. Além de todo o apuro técnico do longa, WALL-E também possui um roteiro espetacular, de dar inveja a muito filme por aí. É animação na essência, mas o filme tem um tom muito intelectual e uma trama adulta que as crianças talvez nem compreendam. Por unir tantas maravilhas em noventa minutos, o roteiro de WALL-E se sai vencedor nessa categoria. Simplesmente espetacular! Vencedor do ano passado: Ratatouille.

savagessA Família Savage / Convenhamos, o roteiro de A Família Savage não tem nada de muito original, mas conduz de forma excelente todos os conflitos dramáticos existentes no longa. Sem falar de dar espaços ideais para que as atuações brilhem e para que a dramaticidade nunca fique de lado. O resultado, então, é extremamente satisfatório para um filme de drama que procura discutir feridas familiares.

junnoJuno / O filme de Jason Reitman só foi lembrado nessa categoria na minha premiação. E não é citação de consolação, Juno tem uma história muito acessível para um tema tão difícil. O roteiro é agradável, compente em suas emoções e iluminado em suas originalidades. É de se admirar que uma novata nesse setor tenha se saído tão bem. Afinal, são poucos os filmes cômicos que conseguem ser tão pop como esse.

bareadingQueime Depois de Ler / Uma excelente aula de como se fazer uma comédia inteligente e com muita agilidade. Por mais que o resultado seja simples, Queime Depois de Ler funciona muito bem. É cheio de tiradas inteligentes e situações originais que são incorporadas com grande qualidade pelas figuras do elenco. Mais um presente dos irmãos Coen, que a cada dia se tornam mais interessantes.

vcbarcelonaVicky Cristina Barcelona / Woody Allen continua falando sobre relacionamentos e continua acertando. É excelente a forma como ele consegue criar um roteiro charmoso e inteligente, onde praticamente todos podem se identificar com as situações ou com os personagens. As figuras criadas são verossímeis e as questões sentimentais impecáveis. Só faltou um pouco mais de ousadia na estrutura. Mas isso é mero detalhe.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram WALL-E como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:

1. WALL-E (10 votos, 42%)

2. Juno (5 votos, 21%)

3. Queime Depois de Ler (5 votos, 21%)

4. Vicky Cristina Barcelona (3 votos, 13%)

5. A Família Savage (1 voto, 4%)