Cinema e Argumento

Últimas Trilhas Sonoras

Angels in America, por Thomas Newman

45

Procurei essa trilha sonora por pura curiosidade, porque gosto muito de Thomas Newman e dessa ótima produção feita para TV. Acabei me surpreendendo muito. Não esperava um trabalho tão impecável e memorável como esse, que sem dúvida alguma está entre o melhor que o compositor já realizou em toda a sua carreira. O que mais chama a atenção é a grande técnica de Newman em criar composições que misturam melancolia, suspense e até ação. Mauve Antartica, The Great Work Begins e Quartet são excelentes exemplos que mostram toda a qualidade desse álbum que é obrigatório para quem é fã do compositor.

Hairspray, por Vários

4

Toda simplicidade do musical de Adam Shankman está expressa nessa contagiante trilha sonora que possui os mais diversos tipos de canção – inocentes (Good Morning Baltimore), contagiantes (The Nicest Kids In Town) e melacólicas (I Know Where I’ve Been). O elenco canta bem e as músicas funcionam dentro e fora do filme. Mais um mérito desse singelo musical que conquista com a sua inocência que nunca chega a ser irritante. A minha favorita do álbum é You Can’t Stop the Beat.

Charlie and the Chocolate Factory, por Danny Elfman

35

Mais uma vez Danny Elfman entrou completamente no clima dos filmes de Tim Burton e realizou uma trilha à altura do diretor. A trilha de A Fantástica Fábrica de Chocolate é bem divertida e ao mesmo tempo cheia de qualidade, especialmente nas canções-tema dos personagens. Mesmo que Elfman crie uma trilha com características infantis – por causa da temática do filme – nunca abandona as características musicais que lhe fizeram ser reconhecido. É outra parceria de Tim Burton que sempre dá certo.

Angels & Demons, por Hans Zimmer

3

Hans Zimmer não teve muita originalidade ao fazer essa trilha de Anjos e Demônios. O estilo das canções é totalmente derivado da trilha de O Código Da Vinci. Inclusive, a canção 503 é praticamente uma cópia de Chevaliers de Sangreal em sua melodia. Zimmer, como sempre, entrega um trabalho consistente, mas que fica devendo justamente por ser um produto derivado de outro trabalho do compositor. Um pouco de originalidade não faria mal para a trilha de Anjos e Demônios.

The Illusionist, por Philip Glass

3

De tudo que já ouvi de Philip Glass até hoje, esse é o que menos gostei. Não porque a trilha seja ruim ou porque Glass faça um trabalho irregular, mas porque parece um trabalho apressado – soa como uma reciclagem de tudo que o compositor já fez. Por mais que a trilha funcione muito bem no filme, separadamente não chega a empolgar, o que é uma pena. Não tem nenhuma faixa memorável nem técnicas mais interessantes. Mas ainda assim é Philip Glass, o que significa que sempre merece uma espiada, independente do resultado.

Harry Potter and the Goblet of Fire, por Patrick Doyle

25

Primeira – e até agora única – vez que a série perdeu a mão nesse setor. Se John Williams cumpriu a sua missão de criar composições memoráveis para a série, Patrick Doyle fez o oposto. O compositor parece nem se esforçar nesse álbum, que beira o óbvio e não tem graça alguma. Pode até ter um efeito ok nas cenas do filme, mas quando analisada perde muitos pontos. Sorte que Doyle só fez esse trabalho e foi substituído por Nicholas Hooper, que recuperou de forma excelente o clima musical da série em A Ordem da Fênix.

Ao Entardecer

Direção: Lajos Koltai

Elenco: Claire Danes, Vanessa Redgrave, Toni Collette, Patrick Wilson, Eileen Atkins, Mammie Gummer, Meryl Streep, Glenn Close, Natasha Richardson, Hugh Dancy

Evening, EUA, 2007, Drama, 110 minutos, 12 anos

Sinopse:Ann Lord (Vanessa Redgrave) decide revelar às suas filhas Constance (Natasha Richardson) e Nina (Toni Collette) um segredo há muito guardado: que amou um homem chamado Harris (Patrick Wilson) mais do que tudo em sua vida. Desnorteadas, as irmãs passam a analisar a vida da mãe e delas mesmas a fim de descobrir quem é Harris. Enquanto isso Ann relembra um final de semana ocorrido 50 anos antes, quando veio de Nova York para ser a madrinha de casamento de sua melhor amiga da escola, Lila (Mamie Gummer). Lá ela conhece Harris Arden, amigo íntimo da família de Lila, por quem Ann se apaixona.

“Mesmo que não seja a promissora produção que sugeria, Ao Entardecer consegue ser um agradável filme, com talentosos atores em cena.

Já aprendi a desconfiar de filmes que carregam uma enorme quantidade de nomes de peso. Lembram daquele fracasso chamado A Grande Ilusão? Na época eu até chava que ia ganhar Oscar… Esse Ao Entardecer segue mais ou menos a mesma linha daqueles filmes que prometem mas não chegam a lugar algum. Contudo, apesar de ser um trabalho bem simplório – tanto na narrativa como na parte técnica, consegue ser simpático o suficiente para satisfazer. O destaque, claro, fica por conta do elenco, que termina por ser o principal motivo para se assistir esse longa-metragem.

Todo mundo já viu esse tipo de história – velinha à beira da morte resolve contar uma história de seu passado, de preferência um amor do passado que não deu certo. Ao Entardecer é isso, um vai-e-vem cronológico, com duas histórias simultâneas que nunca chegam a empolgar. Mas não é por causa disso que não funciona. Dá pra aproveitar bastante a simplicidade da produção e simpatizar com os personagens em cena – que são bem representados pelos atores. Destaque para uma bonita aparição de Meryl Streep contracenando com Vanessa Redgrave. Outra notáel aparição é a de Mammie Gummer (filha de Streep e incrivelmente parecida com ela fisicamente), ótima.

O roteiro adaptado é de Michael Cunningham e Susan Minot (autora da obra original). O primeiro já havia se aventurado nesse terreno anteriormente, no irregular A Casa do Fim do Mundo e aqui mais uma vez prova que o seu talento de escritor não serve também para roteiros. A trilha de Jan A.P. Kaczmarek é um dos pontos altos, dando boa emoção para o resultado. No final das contas, por mais que Ao Entardecer tenha as suas irregularidades e a sua falta de força, é fácil perdoar esses detalhes e aproveitar o filme, que pode até emocionar pessoas mais sentimentais e que se tocam facilmente com histórias contadas nesse tipo de esquema.

FILME: 7.5

3

Filmes em DVD

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O Segredo de Vera Drake, de Mike Leigh (revisto)

Com Imelda Staunton, Philip Davis e Sally Hawkins

4

É impressionante a verossimilhança do desempenho de Imelda Staunton nesse filme do ingês Mike Leigh. A atriz, indicada ao Oscar por sua atuação – e que, na minha visão, merecia a estatueta – é a grande força sentimental desse doloroso filme. Leigh, como sempre, utiliza um ritmo bem detalhista e lento para contar a história de uma humilde e feliz família inglesa que é devastada após a matriarca ser descoberta com um segredo criminoso. Relizado com um baixíssimo orçamento, é surpreendente ver um filme tão bem realizado com pouco dinheiro. Se existe um porém em O Segredo de Vera Drake, essa é a sua primeira metade. O longa só ganha notoriedade a partir de sua metade, quando as atitudes da generosa protagonista trazem grandes consequências para diversas pessoas.

FILME: 8.5

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Harry Potter e a Pedra Filosofal, de Chris Columbus (revisto)

Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson

35

Logo que Alfonso Cuarón tomou as rédeas da série, Chris Columbus começou a ser meio que desprezado pelo tom infantil que adotou nos dois primeiros filmes do pequeno bruxo. Heresia. Porque, ao menos na minha opinião, esse tom era mais do que necessário para o começo da saga cinematográfica de Harry Potter. Era preciso que o filme atraísse as crianças de imediato, para que depois fosse possível uma evolução estética. Harry Potter e a Pedra Filosofal pode ser tudo isso que muita gente aponta, mas é inegável que, para quem leu os livros, foi uma experiência muito encantadora. Por mais que seja longo e que tenha informações demais, o longa conquista e foi um começo muito positivo.

FILME: 8.0

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Harry Potter e a Câmara Secreta, de Chris Columbus (revisto)

Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson

35

Quem não aprovou o resultado de A Pedra Filosofal, provavelmente também não irá aprovar A Câmara Secreta. Tudo permanece a mesma coisa, ainda que o diretor tenha inserido um tom mais de suspense – mas isso se deve ao mistério da obra original. O destaque, porém, é do coadjuvante Kenneth Branagh impecavelmente impagável como Gilderoy Lockhart. Esse também foi o último filme de Richard Harris como Alvo Dumbledore. A Câmara Secreta é ligeiramente melhor que seu antecessor. A partir do próximo filme, a série muda completamente de tom com a saída do diretor.

FILME: 8.0

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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, de Alfonso Cuarón (revisto)

Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson

4

Uma bruca – e necessária – mudança aconteceu em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Com a entrada do mexicano Alfonso Cuarón, a série amadureceu bastante e só teve a ganhar com isso. Harry Potter passou a ser um entretenimento mais respeitável – principalmente esteticamente – e o resultado desse terceiro filme surpreendeu a todos com sua maturidade. Por mais que não seja um longa tão movimentado, o roteiro sabe lidar bem com todas as storylines, nunca deixando de ter a magia habitual ou de ficar sério/infantil demais. Um grande avanço para a história do jovem bruxo.

FILME: 8.5

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Harry Potter e o Cálice de Fogo, de Mike Newell (revisto)

Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson

4

Esse é o meu filme favorito de Harry Potter. Isso se deve ao fato de que esse volume é, provavelmente, o mais fiel a obra de J.K. Rowling. Além disso, tem um incrível balanceamento entre as histórias. O humor, a ação, o suspense e o drama estão presentes aqui. Os jovens atores nunca pareceram tão à vontade – até porque boa parte do foco da história é na adolescência que está aflorando neles. Existem alguns defeitos, claro, como a nada inspirada trilha de Patrick Doyle e a caricatura de Brendan Gleeson, mas esses deslizes são perdoáveis perto do resultado do filme, que foi absurdamente ignorado no Oscar, onde merecia indicações fáceis nas categorias de maquiagem e efeitos especiais.

FILME: 8.5

sentinel

Sentinela, de Clark Johnson

Com Michael Douglas, Kiefer Sutherland e Kim Basinger

2

Chamada de Sessão da Tarde: “Ele era um veterano agente federal, mas após uma conspiração acabou se tornando o principal alvo do serviço secreto. Acusado injustamente de algo que não cometeu, agora ele vai unir todas as suas forças e correr contra o tempo para provar sua inocência. Mas no seu caminho existe um outro agente que será seu grande obstáculo e ainda terá que lidar com uma paixão proibida pela primeira-dama dos EUA que poderá arruinar seus objetivos”. Sabe aquele dia de tarde que você não tem nada pra fazer e está atirado no sofá topando assistir qualquer bobagem? É, assim dá até pra engolir Sentinela. Mas em um momento mais sério, é um filme bobo e desnecessário, formulaico em sua essência e com um elenco inapropriado – Eva Longoria (em um papel incrivelmente inútil) e Kiefer Sutherland não foram competentes sequer para se livrarem de seus trejeitos  que fizeram sucesso com seus personagens da TV.

FILME: 5.0

Jogo de Cena

Direção: Eduardo Coutinho

Elenco: Andréa Beltrão, Marília Pêra, Fernanda Torres, Mary Sheyla, Débora Almeida, Lana Guelero, Marina D’Elia

Brasil, 2007, Documentário, 105 minutos, 12 anos

Sinopse:Atendendo a um anúncio de jornal, 83 mulheres contaram sua história de vida em um estúdio. 23 delas foram selecionadas, em junho de 2006, sendo filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano várias atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas por estas mulheres.


Se existe um gênero de cinema que os brasileiros sabem fazer de forma segura, esse é o documentário. O Cárcere e a Rua, Doutores da Alegria e Do Luto à Luta são apenas alguns dos bons exemplos já produzidos pela indústria cinematográfica nacional. Entretanto, nenhum se compara a esse Jogo de Cena, um emocionante longa-metragem que fala sobre as dores da vida, as frustrações amorosas e outras tantos desafios emocionais que somos obrigados a enfrentar durante a nossa estadia aqui na Terra.

Na realidade, esse trabalho de Eduardo Coutinho não chega bem a ser um documentário na sua essência. O que assistimos na tela são histórias das mais variadas sendo narradas por algumas mulheres. Algumas são simples desconhecidas e outras atrizes de calibre, como Marília Pêra. O que acontece é que ficção e realidade se misturam, construindo assim, uma situação muito interessante envolvendo as figuras em cena. Quem está interpretando? Quem está contando realmente uma história pessoal?

O maior mérito de Jogo de Cena é apresentar histórias muito emocionantes, que são contadas de forma verdadeira – tanto por quem está dizendo a verdade ou por quem está interpretando. No final das contas, isso é o que menos interessa no resultado final. O interessante são as histórias e o que esses acontecimentos podem trazer de lições para o espectador. Além de ser muito bem conduzido pelo diretor, Jogo de Cena é uma jornada exemplar sobre como fazer drama e brincar com uma narrativa num estilo original. O longa, portanto, quer mostrar que, em certos casos, a realidade é mais emocionante que a ficção. Porque ali tudo é verdade, mesmo que seja apresentado com uma estrutura embaralhada.

Maravilhoso a cada minuto e totalmente sincero, o produto final é extremamente recomendável. Inclusive, o filme pode ser considerado um dos melhores já produzidos na história do nosso cinema. É refrescante, emocionante e ao mesmo tempo realista, além de conter tudo aquilo que se pode esperar dentro de um tradicional documentário. É um filme a ser reconhecido e muito aplaudido. Fazia bastante tempo que o cinema nacional não me empolgava tanto. Fico feliz de ter sido surpreendido.

FILME: 9.0

45

Tinha Que Ser Você

Direção: Joel Hopkins

Elenco: Dustin Hoffman, Emma Thomspon, Eileen Atkins, Kathy Baker, Daniel Lapaine, Richars Schiff, James Brolin

Last Chance Harvey, Inglaterra, 2008, Drama Romântico, 92 minutos, Livre

Sinopse: Harvey Shine (Dustin Hoffman) está em Londres por causa do casamento de sua filha. É quando o inesperado acontece e ele conhece Kate Walker (Emma Thompson), uma inglesa que desperta no protagonista sentimentos há muito tempo esquecidos.

É bem apropriado afirmar que Tinha Que Ser Você é somente mais um filme sobre estranhos que se conhecem e acabam se afetuando ao longo dos momentos que compartilham. É difícil alguém se empolgar um longa tão simples como esse, onde cada segundo é de uma grande previsibilidade. O que acontece é que temos dois grandes atores como protagonistas. Dustin Hoffman e Emma Thomspon – ambos vencedores do Oscar – são o que dão para história um charme todo especial. É exclusivamente por causa dele que vamos torcer do início ao fim para que tudo dê certo no final.

Se não fosse pelos dois atores, estariamos diante de um filme corriqueiro, onde praticamente nada seria admirável. Até porque Tinha Que Ser Você, além de óbvio, tem algumas falhas. A primeira dela é a de juntar os protagonistas só depois de meia hora de filme (vale constatar que a duração não chega nem a 90 minutos). Depois, cria histórias que não vão a lugar nenhum (Eileen Atkins, por exemplo, está incrivelmente perdida em cena) e não tem diferencial significativo no seu jeito de contar a história. Nós sabemos o que vai acontecer e como tudo vai terminar, exatamente como constantamos na maioria de filmes desse estilo.

Tinha Que Ser Você, portanto, é simpático e funciona – mas pelos motivos errados. É uma típica situação em que, se tirarmos o principal coringa do longa-metragem – nesse caso Hoffman e Thompson – o castelo inteiro de cartas cai.  Não conseguiria se sustentar sozinho. No entanto, com atores tão talentosos e competentes, fica fácil perdoar os defeitos do filme. A verossimilhança do relacionamento dos dois é tão sincera que, no final das contas, o espectador até esquece que a história comandada por Joel Hopkins é simples como qualquer outra da Sessão da Tarde.

FILME: 7.0

3