Cinema e Argumento

Melhores de 2009 – Canção Original

Austrália não é um filme muito digno de elogios. Contudo, se existe algo de muito belo no épico de Baz Luhrmann é a canção originalmente feita para o longa. Não sei se é porque eu tenho um fraco por músicas melancólicas e românticas, mas By the Boab Tree me conquistou completamente. A canção, que aparece de forma bem ligeira nos créditos finais, ganha uma sonoridade muito especial pela voz de Angela Little e traz tudo aquilo que o romance entre o casal principal deveria trazer: sinceridade, sentimento e verossimilhança. Quase ninguém sequer ouviu falar de By the Boab Tree. O que é uma pena, já que, para mim, é a melhor música cinematográfica do ano de 2009. Anteriormente: 2008 – “Falling Slowly”, Apenas Uma Vez (escolha dos leitores: idem), 2007 – “Come So Far (Got so Far to Go), Hairspray – Em Busca da Fama e 2006 – “You Know My Name”, 007 – Cassino Royale

“I THOUGHT I LOST YOU” (Bolt – Supercão)

I Thought I Lost You ganha uma sonoridade excessivamente infantil na voz de Miley Cyrus. O que nos leva a pensar que a música, de certa forma, pode ser desprezível. A verdade é que a canção é um excelente guilty pleasure que esconde uma coisa que poucos notam: a profunda letra. É analisando trechos como “I felt so empty out there and there were days I had my doubts / I thought I lost you when you ran away to try to find me” que dá pra se notar onde reside a excelência dessa música

“THE WRESTLER” (O Lutador)

É de se admirar que uma música tão bonita como essa (e cantada pelo mestre Bruce Springsteen) não tenha sido valorizada da maneira como deveria. É aquele tipo de canção que me atrai bastante: a que sintetiza o protagonista de um determinado filme. The Wrestler narra, com grande precisão, a jornada do personagem de Mickey Rourke, sendo, portanto, um retrato fiel da história narrada pelo diretor Darren Aronofsky. Letra e melodia se unem em uma excelente canção.

“JAI HO” (Quem Quer Ser Um Milionário?)

Jai Ho já virou baladinha na voz das Pussycat Dolls e, inclusive, virou hit instanâneo, o que tira um pouco da essência da canção. É fato que ninguém se importa com o que está sendo dito na letra (eu, até hoje, não sei o que ela quer dizer), mas ela é tão empolgante que dá pra se esquecer desse detalhe. Mais do que isso, ainda é coreografada por todo elenco em um excelente número musical que toca nos momentos finais do filme – deixando o finale ainda mais interessante.

“O… SAYA” (Quem Quer Ser Um Milionário?)

Toda a correria e a agilidade da câmera de Danny Boyle ganham um fluxo ainda mais dinâmico quando começa a tocar O… Saya nos momentos iniciais de Quem Quer Ser Um Milionário?. É outra canção muito empolgante de A.R. Rahman – que não mereceu o Oscar (já que eu tenho relutância em premiar essas trilhas que não são instrumentais) – mas que deve ser valorizado pela excelente compilação de sonoridades indianas e que aqui ganharam tratamentos extremamente empolgantes

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Escolha do público:

1. Jai Ho, Quem Quer Ser Um Milionário? (17 votos, 43%)

2. The Wrestler, O Lutador (12 votos, 30%)

3. By the Boab Tree, Austrália (5 votos, 13%)

4. I Thought I Lost You, Bolt – Supercão (4  votos, 10%)

5. O… Saya, Quem Quer Ser Um Milionário? (2 votos, 5%)

2009 argumentado

2009 foi um ano cinematográfico extremamente complicado para mim. Nunca me senti tão deslocado em relação ao público e à crítica. E essa sensação já tomou conta de mim logo no início do ano. Enquanto todos vibravam com os oito prêmios de Quem Quer Ser Um Milionário? no Oscar, eu assistia ao evento muito incomodado. Não gostava de ver um filme sendo tão celebrado enquanto outros, que eram igualmente competentes, ficavam preteridos por completo.

O ano passou e essa situação não mudou. Enquanto todo mundo venerava certas obras, eu apenas assistia a tudo de camarote, desaprovando a maioria das opiniões. E 2009 se encerrou assim. Bastardos Inglórios e Avatar foram louvados até o último fio de cabelo e eu fiquei aqui apenas apreciando um aspecto ou outro desses dois filmes. Mais uma vez, fui contra a maioria e desaprovei o resultado desses longas.

Mas, refletindo um pouco nesses últimos momentos de 2009, comecei a me perguntar se o problema não é comigo. Ora, não admirei Tarantino, Cameron nem Almodóvar e achei 2009 um dos anos mais fracos dos últimos tempos. Tá certo, já me falaram que sou crítico demais e que eu não consigo apreciar um filme de cabeça mais aberta ou de um jeito mais acessível. Talvez esse ano eu concorde um pouco com essas pessoas. Acho que o problema é realmente a minha exigência excessiva.

Espero que isso mude em 2010.

Encerro, então, o ano de 2009 aqui no Cinema e Argumento com esse pequeno desabafo.

Que o próximo ano seja repleto de bons filmes para nós, cinéfilos.

Mas que, principalmente, eu também possa participar mais desse ciclo de opiniões.

Feliz 2010!

Matheus Pannebecker.

Melhores de 2009 – Atriz Coadjuvante

Alguns consideram Kate Winslet como lead actress em O Leitor. Já eu a considero uma personagem secundária – mesmo que a trama se desenvolva por causa das suas atitudes. Comparada ao protagonista, ela tem um espaço bem mais limitado em cena e, em determinados momentos, fica muito em segundo plano. Independentemente disso, Winslet tem um desepenho visceral como a misteriosa e complicada Hanna Schmitz. Ela se entregou de corpo e alma para a personagem, despindo-se de qualquer beleza para mostrar ao espectador como Hanna era uma mulher verdadeira. Winslet poderia facilmente cair no lugar comum ao vitimar a personagem ou até mesmo deixar de humanizá-la. Mas, faz justamente o oposto: ela provoca o espectador. Ao mesmo tempo em que sentimos pena da personagem, também não deixamos de puni-la pelo que ela fez. Uma personagem extremamente complicada, mas que nas mãos de uma atriz do calibre de Winslet recebeu uma abordagem sensacional. É a segunda indicação da inglesa aqui no blog (concorreu antes como protagonista por Pecados Íntimos) e a primeira vitória. Em anos anteriores: 2006 – Meryl Streep, por O Diabo Veste Prada, 2007 – Imelda Staunton, por Harry Potter e a Ordem da Fênix e 2008 – Marcia Gay Harden, por O Nevoeiro (escolha dos leitores: Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona)

VIOLA DAVIS (Dúvida)

É necessária uma presença muito forte para roubar a cena em poucos minutos de aparição. Mais do que isso, Viola Davis ainda conseguiu brilhar mais do que a veterana Meryl Streep quando ambas contracenaram juntas. Desconhecida e emergindo para o cinema com um papel contundente, Davis emociona ao mostrar toda a força amorosa que uma mãe tem pelo filho. Ajudada por um texto excepcional, ela conseguiu uma indicação ao Oscar de coadjuvante – e deveria ter saído da festa com a estatueta em mãos.

ROSEMARIE DEWITT (O Casamento de Rachel)

Subestimada pelas premiações – e também pelo público – Rosemarie DeWitt é uma das figuras mais interessantes do mosaico familiar apresentado por O Casamento de Rachel. Ela, que pode muito bem estar no nível (e até melhor) que a protagonista Anne Hathaway, tem uma atuação digna de elogios, onde fica visível o entendimento que tem sobre a sua personagem e sobre o contexto em que ela esta inserida na história. DeWitt é, realmente, uma ótima atriz e que aqui está em um momento iluminado.

ELSA ZYLBERSTEIN (Há Tanto Tempo Que Te Amo)

A principal marca da atuação de Elsa Zylberstein é o completo oposto que ela exerce sob a sua companheia de tela, Kristin Scott Thomas. Enquanto Kristin é a reclusa e a sileciosa, Elsa encarna a sentimental e a comunicativa irmã. O que é algo muito interessante, pois traz um certo alívio em relação ao papel gélido da protagonista. Zylberstein aparece muito a vontade em cena, conseguindo provar uma notável maturidade que a transforma num dos melhores pontos de Há Tanto Tempo Que Te Amo.

AMY ADAMS (Dúvida)

Não sei se a palavra coadjuvante é apropriada para definir a participação de Amy Adams em Dúvida, mas ela se encaixa mais nessa categoria do que na de protagonista. Adams mais uma vez faz o papel da menina meiga e ingênua, mas aqui o personagem é mais complexo e bem trabalhado do que o habitual. Como a freira indecisa que fica no meio do confronto entre Aloysius (Meryl Streep) e Flynn (Philip Seymour Hoffman), ela demonstrou que continua sendo uma das atrizes mais interessantes da sua geração.

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Escolha do público:

1. Kate Winslet, O Leitor (47%, 17 votos)

2. Viola Davis, Dúvida (22%, 8 votos)

3. Amy Adams, Dúvida (14%, 5 votos)

4. Rosemarie DeWitt, O Casamento de Rachel (8%, 3 votos)

5. Elsa Zylberstein, Há Tanto Tempo Que Te Amo (8%, 3 votos)

008 – Marcia Gay Harden, por O Nevoeiro (escolha dos leitores: Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona)

Lua Nova

Direção: Chris Weitz

Elenco: Kristen Stewart, Taylor Lautner, Robert Pattinson, Michael Sheen, Dakota Fanning, Jamie Campbell Bower, Peter Facinelli

New Moon, EUA, 2009, Romance/Aventura, 130 minutos, 12 anos

Sinopse: Bella Swan (Kristen Stewart) está devastado com a partida repentina de seu namorado, Edward Cullen (Robert Pattinson), após um incidente durante sua festa de aniversário. Mas seu espírito é reanimado pela crescente amizade com Jacob Black (Taylor Lautner). De repente, ele se vê atraída pelo mundo dos lobisomens, inimigos ancestrais dos vampiros, e vê sua lealdade e sua verdadeira paixão, sendo testadas.

Até hoje não entendo como Stephenie Meyer alcançou um tremendo sucesso com a tal saga Crepúsculo. Tá certo, nunca li sequer um livro da escritora, mas, baseado no que se pode encontrar na série cinematográfica, é muito sensato dizer que o êxito de Meyer pode ser considerado totalmente inexplicável. A história é de uma obviedade absurda, os personagens são comuns (leia-se, sem qualqer abordagem interessante) e faltam acontecimentos sólidos.

Tudo o que acontece em Lua Nova, assim como em Crepúsculo, parte de situações bobas e que não justificam os efeitos que aparecem logo em seguida. Superficialidade é uma palavra que pode definir o roteiro. Ou seja, os conflitos dramáticos da história partem de situações inverossímeis, que parecem ter sido escritas somente para que algo acontecesse no insosso romance entre Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson). Nem mesmo a entrada de Jacob (Taylor Lautner), compondo um triângulo amoroso, traz ar de originalidade aos conflitos.

No entanto, a boa notícia é que o diretor Chris Weitz conseguiu criar um filme mais evoluído que Crepúsculo. Lua Nova é uma produção de maior pretensão cinematográfica e isso se pode notar em diversos momentos – como na acertada escolha  da trilha sonora de Alexandre Desplat, por exemplo. Weitz, que está tentando se reerguer depois do fracasso comercial e artístico de A Bússola de Ouro, tem uma direção correta, mas que não consegue rivalizar com o enredo raso.

O elenco continua sendo um caso a parte. Uma atuação pior que a outra. Kristen Stewart está vesga e tapada como sempre enquanto Robert Pattinson aparece inexpressivo e sem qualquer brilho. O “melhor” deles é Taylor Lautner, mas ainda assim é muito pouco para sequer merecer elogios. Esse é um dos maiores problemas da saga, nenhum dos atores consegue ser digno de bons momentos.  Temos, também, participações de nomes como Michael Sheen e Dakota Fanning integranto o elenco.

Mas, apesar de tudo que já foi citado, Lua Nova não é um filme  ruim. Tem seus erros, é verdade, mas essa segunda parte da saga é bem mais assistível que Crepúsculo. Talvez pelo fato de que a equipe parece ter aprendido a não se levar a sério, colocando até doses de humor em alguns momentos – algo que não existia antes. Mas, na realidade, se a série não alça vôo, a culpa verdadeira não é dos profissionais e sim da autora dos livros – que criou uma história limitada e que não permite inovações. Meyer deveria assistir True Blood para aprender algumas coisas…

FILME: 6.0


Melhores de 2009 – Animação

Não sei até quando a Pixar vai lançar animações maravilhosas. Up – Altas Aventuras segue o notável ritmo da produtora que, desde Ratatouille, vem ganhando todos os prêmios consecutivamente. Nada mais justo. E não é diferente com essa nova animação do estúdio. Tá certo que não tem toda a grandiosidade de WALL-E, mas Up aposta completamente na emoção, apoiando-ne nas ternas memórias do protagonista Fredericksen para montar sua atmosfera emocional. Temos aqui um roteiro muito especial unindo-se com uma maravilhosa trilha sonora para, mais uma vez, entreter o espectador. É uma acertada mistura de comédia, aventura e drama que consegue conquistar qualquer um.

VALSA COM BASHIR

Seguindo o estilo Persépolis de animação adulta e com conteúdo, Valsa Com Bashir é um filme para poucos, já que, além de ter tratamento documental, aposta em assuntos politizados. Somente quem aprecia filmes assim vai entrar nessa maravilhosa viagem visual, onde o lado estético é simplesmente excepcional. A animação pode até perder o ritmo diversas vezes e ser um pouco cansativa, mas isso não chega a afetar o magnetismo simbólico de Valsa Com Bashir.

BOLT – SUPERCÃO

Fazia tempo que nenhum outro estúdio além da Pixar conseguia divertir tanto. Bolt – Supercão é um excelente exemplar de coo se fazer animações sem cair nas obviedades de desenhos já saturados como Madagascar ou qualquer outra produção que envolva bichos falantes. Não são apenas os personagens carismáticos que conquistam, mas também o roteiro satisfatória, as canções e tambem a aventura.

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Escolha do público:

1. Up – Altas Aventuras, 80% (24 votos)

2. Bolt – Supercão, 10% (3 votos)

3. Valsa Com Bashir, 10% (3 votos)