Cinema e Argumento

Os indicados ao Oscar 2020

Coringa é o filme recordista de indicações ao Oscar 2020. Longa de Todd Phillips estrelado por Joaquin Phoenix concorre em 11 categorias.

Estatisticamente, o Oscar, nos últimos anos, foi um prêmio muito mais autêntico e espontâneo em comparação a qualquer outro da temporada. Além de ter bancado sozinha indicações como a de Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) e Charlotte Rampling (45 Anos), a Academia, que não está isenta de falhas, frequentemente desviou a rota de cerimônias que consagravam sempre o mesmo filme. Quando Boyhood reinava soberano, o Oscar optou por Birdman. No ano de Três Anúncios Para Um Crime, a Academia premiou A Forma da Água. E há também, claro, a clássica vitória de Moonlight em cima de La La Land.

Tendo em vista tudo isso, era de se esperar que a lista de indicados revelada hoje (13) garimpasse algumas novidades. O que aconteceu foi apenas um ajuste aqui e outro ali em possíveis indicações já consideradas desde sempre. Não é inesperado, por exemplo, Kathy Bates (O Caso Richard Jewell) e Florence Pugh (Adoráveis Mulheres) figurarem entre as atrizes coadjuvante em detrimento de Jennifer Lopez (As Golpistas), uma das ausências mais surpreendentes do ano, ainda que justa, pois ela é tão protagonista quanto Constance Wu no longa de Lorena Scafaria (é preciso terminar com a cultura de fraudes de categoria).

Mesmo a indicação de Antonio Banderas (Dor e Glória) em melhor ator não é uma raridade: o Globo de Ouro e o Critics’ Choice já haviam indicado o espanhol, que, após ter faturado o prêmio de melhor ator em Cannes, foi amplamente elogiado mundo afora. Igualmente previsível era o Oscar seguir a mesma batida de prêmios como o BAFTA no que se refere à celebração de cineastas mulheres e atores negros. Indicando apenas uma atriz negra em 20 vagas nos segmentos de atuações, a Academia segue com dificuldades em selecionar qualquer nome que não seja branco e estadunidense. Não é desmerecer quem está indicado, mas sim lançar um importante olhar para aqueles que não foram (e que também fazem trabalhos dignos de lembrança).

Talvez o movimento mais curioso da seleção 2020 seja o amor incondicional por Coringa. Justiça seja feita: das 11 indicações que o filme de Todd Phillips recebeu, algumas são injustificadas, como figurino, maquiagem, edição de som e mixagem de som. Com isso, voltamos à discussão da indústria olhar somente para os mesmos filmes e não procurar algo além das fronteiras da zona de conforto. Por outro lado, a liderança de Coringa representa algo muito maior: uma sinalização de que, talvez, o Oscar esteja mais aberto aos sucessos de bilheteria que representam o ganha-pão da indústria Hollywoodiana. Sucessos que a Academia sempre insiste em minimizar, premiando, por exemplo, Guerra ao Terror no lugar de Avatar e Spotlight ao invés de Mad Max: Estrada da Fúria.

Para os brasileiros, uma alegria imensa: estamos de volta na disputa, agora na categoria de melhor documentário. Citado pela imprensa internacional desde a época de seu lançamento, Democracia em Vertigem, de Petra Costa, investiga os bastidores do golpe parlamentar de 2016 que tirou a então presidenta Dilma Rousseff do poder. Está disponível para ser assistido na Netflix. A indicação é um belo presente para os anos tão conturbados que temos vivido no cenário político nacional. Se Democracia conquista ou não a estatueta, é outra história. Saberemos, aliás, no dia 9 de fevereiro, quando o Oscar revela sua lista de vencedores. Por enquanto, fiquem abaixo com a lista completa de indicados:

MELHOR FILME
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
Ford vs Ferrari
História de Um Casamento
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

MELHOR DIREÇÃO
Bong Joon-ho (Parasita)
Martin Scorsese (O Irlandês)
Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Sam Mendes (1917)
Todd Phillips (Coringa)

MELHOR ATRIZ
Charlize Theron (O Escândalo)
Cynthia Erivo (Harriet)
Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres)
Scarlett Johansson (História de Um Casamento)

MELHOR ATOR
Adam Driver (História de Um Casamento)
Antonio Banderas (Dor e Glória)
Joaquin Phoenix (Coringa)
Jonathan Price (Dois Papas)
Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez Em… Hollywood)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Florence Pugh (Adoráveis Mulheres)
Kathy Bates (O Caso Richard Jewell)
Laura Dern (História de Um Casamento)
Margot Robbie (O Escândalo)
Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Al Pacino (O Irlandês)
Anthony Hopkins (Dois Papas)
Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Joe Pesci (O Irlandês)
Tom Hanks (Um Lindo Dia na Vizinhança)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
1917
Entre Facas e Segredos
Era Uma Vez Em… Hollywood
História de Um Casamento
Parasita

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Adoráveis Mulheres
Coringa
Dois Papas
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Corpus Christi (Polônia)
Dor e Glória (Espanha)
Honeyland (Macedônia)
Os Miseráveis (França)
Parasite (Coreia do Sul)

MELHOR ANIMAÇÃO
Como Treinar Seu Dragão 3
Klaus
Link Perdido
Perdi Meu Corpo

Toy Story 4

MELHOR DOCUMENTÁRIO
The Cave
Democracia em Vertigem
Honeyland
Indústria Americana
For Sama

MELHOR FOTOGRAFIA
1917
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
O Farol
O Irlandês

MELHOR MONTAGEM
Coringa
Ford vs Ferrari
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
1917

Era Uma Vez Em… Hollywood
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

MELHOR FIGURINO
Adoráveis Mulheres
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR TRILHA SONORA
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
História de Um Casamento
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“I Can’t Let You Throw Yourself Away” (Toy Story 4)

“(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
“I’m Standing With You” (Superação: O Milagre da Fé)
“Into the Unknown” (Frozen 2)
“Stand Up” (Harriet)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
1917
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
Ford vs Ferrari
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR MIXAGEM DE SOM
1917
Ad Astra: Rumo às Estrelas
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
Ford vs Ferrari

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
1917
Coringa
O Escândalo
Judy: Muito Além do Arco-Íris
Malévola: Dona do Mal

MELHORES EFEITOS VISUAIS
1917
O Irlandês
O Rei Leão
Star Wars: A Ascensão Skywalker
Vingadores: Ultimato

MELHOR CURTA METRAGEM
Brotherhood

Nefta Footbal Club
The Neighbor’s Window
Saria
A Sister

MELHOR CURTA-METRAGEM (DOCUMENTÁRIO)
In the Absence
Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)
Life Overtakes Me
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

MELHOR CURTA-METRAGEM (ANIMAÇÃO)
Dcera (Daughter)
Hair Love
Kitbull
Memorable
Sister

“Adoráveis Mulheres”, uma refilmagem capaz de reverenciar e oxigenar o seu material de origem na mesma medida

I believe we have some power over who we love.

Direção: Greta Gerwig

Roteiro: Greta Gerwig, baseado no romance “Little Women”, de Louisa May Alcott

Elenco: Saoirse Ronan, Florence Pugh, Timothée Chalamet, Emma Watson, Eliza Scanlen, Laura Dern, Meryl Streep, Louis Garrel, Chris Cooper, Tracy Letts, Bob Odenkirk, James Norton, Jayne Houdyshell, Maryann Plunkett

Little Women, EUA, 2019, Drama, 135 minutos

Sinopse: As irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) amadurecem na virada da adolescência para a vida adulta enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil. Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras. (Adoro Cinema)

Há duas razões plausíveis para uma obra querida por gerações ser revisitada de tempos em tempos. Em primeiro lugar, gosto de pensar que há o fator da reverência: quando bem feita, uma nova adaptação pode homenagear determinada história com todo o respeito e o refinamento merecidos, mesmo quando os pontos e as vírgulas do roteiro são iguais entre um trabalho e outro. Afinal, é um prazer reencontrar conhecidos personagens se eles renascem com encanto (o imperdoável é ficar entre as fronteiras do desastre e da indiferença). A segunda razão vem da necessidade de atualização, quando um diretor ou uma diretora busca, na raiz de uma história clássica, motivos para interpretá-la a partir do olhar de novas gerações.

Escrito em 1868 pela autora estadunidense Louisa May Alcott, o romance Mulherzinhas já foi adaptado para o cinema, para o teatro e para a TV. A versão mais célebre, talvez, seja a cinematográfica de 1994, que reuniu nomes como Winona Rider, Susan Sarandon, Kirsten Dunst, Claire Danes, Christian Bale e Gabriel Byrne. Era simpática, mas não marcante. Pois agora chegamos a uma versão de elenco ainda mais estelar e comandada por uma cineasta que, recém saída de indicações ao Oscar de melhor roteiro e direção por Lady Bird: A Hora de Voar, adapta o material de Louisa May Alcott com reverência e atualizações pontuais que justificam a releitura.

“Eu passei por muitas dificuldades, por isso escrevo histórias felizes”. Abrindo Adoráveis Mulheres com essa frase da própria Louisa, Greta Gerwig já dá um pequeno spoiler de como será o seu filme: luminoso, espirituoso e afetuoso, ainda que, no caminho, as protagonistas enfrentem desamores, perdas e frustrações. Melhor diretora aqui do que em Lady Bird, Gerwig compreende o quanto o carinho presente na obra da escritora é essencial para o diálogo com o espectador, e o amplia em todas as frentes, como no gracioso trabalho de elenco, nos delicados figurinos de Jacqueline Durran e na encantadora trilha sonora de Alexandre Desplat. É preciso estar disposto a abraçar essa atmosfera para tirar o melhor da refilmagem.

Entre o drama, o bom humor e o romance, Adoráveis Mulheres conta, claro, uma história muito feminina, a partir de um ambiente familiar onde é fácil nutrir simpatia e torcida por cada uma das personagens, todas com seus próprios sonhos e objetivos, mesmo quando umas são melhor trabalhadas do que outras (Emma Watson, que já costuma ser uma atriz limitada, não tem muito o que fazer ao dar vida para a filha mais desinteressante). Em papeis menores, há espaço, por exemplo, para que Laura Dern, com sua ternura habitual, traga todo o calor materno tão necessário ao papel da matriarca ou para que Meryl Streep, em pequenas aparições como alívio cômico, represente a interessante tia rica que optou por não se casar e que tenta planejar um destino equivalente para as sobrinhas.

Enquanto isso, o coração mais pulsante de Adoráveis Mulheres fica com o trio Saoirse Ronan, Florence Pugh e Timothée Chalamet. A primeira, em outro desempenho que comprova as razões de ser considerada o nome mais versátil e interessante de sua geração, conduz o papel da independente e inteligente Jo com múltiplas dimensões, principalmente quando ela se parece mais com as sentimentais irmãs do que está disposta a admitir. Já Pugh, que há pouco esteve em Midsommar, segue com grande presença, explorando as oscilações de uma jovem apaixonada por um garoto que, na verdade, deseja a sua irmã. E, por fim, Chalamet dá uma arejada em tiques frequentemente repetidos em filmes como Um Dia de Chuva em Nova York para criar um Laurie carismático, espontâneo e com excelente química tanto com Ronan quanto com Pugh.

Na novela radiante e sentimental que é Adoráveis Mulheres, Gerwig, também autora do roteiro, busca, enfim, fazer os comentários capazes de conferir o sentimento de atualização para o enredo. Dessa vez, por exemplo, a história da protagonista Jo ganha questionamentos pertinentes para o presente. Um deles é a própria questão mercadológica, responsável por um dos melhores momentos do filme: por que todas as mulheres precisam casar no final de uma trama, seja ela literária ou cinematográfica, para que o público saia satisfeito? Vale a pena bater pé para quebrar estereótipos ou é justo se vender desde que a um bom preço e mediante a exigências? E, na vida, o que acontece com aqueles destinados a viver sem um grande amor? A paixão é o que dá sentido à existência, inclusive quando todo o resto está no seu devido lugar? É mais importante amar ou a sensação de ser amado? 

Algumas dessas questões já estavam presentes nas outras adaptações, mas Gerwig, agora ciente do seu lugar de fala em uma época muito mais aberta a reflexões do gênero, pincela cada uma delas até de forma bastante direta. A vontade de levantar bandeiras eventualmente corta um pouco a sutileza do filme a cena envolvendo um lacrimoso desabafo de Jo com a mãe sobre aquilo a sociedade espera das mulheres soa um tanto artificial para a época encenada pelo filme , o que não diminui as boas intenções que, na maior parte de Adoráveis Mulheres, funcionam tão bem junto a outros singelos, mas importantes detalhes, como o fato de todas as personagens terem alguma vocação artística ou aspiração profissional, escapando do mero ofício de belas, recatadas e do lar.

Ao diminuir o melodrama no sentido de não se ater tanto a pesos dramáticos ou problemas familiares (e tratá-los, vejam só, como amadurecimento e aprendizado), Adoráveis Mulheres também tem, em comparação com o longa de 1994, uma escolha narrativa diferenciada, abandonando a estrutura linear para ir e vir no tempo. E a montagem de Nick Houy, que colaborou com Greta em Lady Bird, trabalha a temporalidade sem parecer um artifício dramático para fazer revelações ou alardear alguma explicação. Sempre que Adoráveis Mulheres salta no tempo, a atmosfera parece ganhar um novo cunho afetivo. São detalhes muito simples e que, assim como aconteceu em Lady Bird, podem ser recebidos com descaso justamente por conta disso (que injustiça!). Prevendo essa equivocada percepção, de repente me flagro com a necessidade de defender Greta mais uma vez da seguinte forma, reproduzindo a última frase que escrevi sobre o seu filme anterior: “não é todo mundo que encontra a fibra da emoção e da inteligência na simplicidade”.

Os indicados ao BAFTA 2020

Coringa lidera a lista do BAFTA 2020 com 11 indicações. Cerimônia acontece no dia 2 de fevereiro.

Já expressei em diversas ocasiões o quanto gosto do BAFTA, uma premiação que, durante muitos anos, foi autêntica e surpreendente (para quem duvida, há provas cabais aqui e aqui), mas, com a lista divulgada hoje (07) fica difícil defender a academia britânica, mesmo com muito esforço. Não é de hoje que o BAFTA vem se descaracterizando, tentando, assim como tantas outras premiações, ser somente mais uma prévia do Oscar. No entanto, é mesmo preocupante a seleção de 2020, onde não há qualquer vestígio de representatividade em um ano com elogiadas performances de atores negros no radar (Cynthia Erivo com Harriet, Lupita Nyong’o com Nós, citando as mais cotadas) e também vários filmes dirigidos por mulheres (Lulu Wang com The Farewell, Greta Gerwig com Adoráveis Mulheres). Tudo é muito branco e masculino, reafirmando o consumo cinematográfico de viés machista e racista de um eleitorado que coloca todos esses filmes em categorias técnicas ou de produção em língua não-inglesa, mas nunca na disputa de melhor filme, direção ou de interpretações.

É péssima também a estreia da categoria de melhor elenco, antes uma novidade a ser comemorada. Como, por exemplo, Dois Papas e Coringa concorrem munidos de somente dois ou três atores de destaque enquanto outros títulos que são claramente melhores definições de um excelente trabalho de elenco são sequer citados? Onde foi parar a ideia de celebrar o coletivo e não apenas uma dupla ou um trio, facilmente contempláveis em categorias individuais de interpretação? Com Coringa liderando a lista com 11 indicações, seguido de longas que já vimos em tantas outras seleções e de ajustes preguiçosos (Margot Robbie com indicação dupla?), o BAFTA logo antecipou a polêmica e emitiu um comunicado dizendo que o problema da falta de representatividade é anterior e que o prêmio só reflete um enorme buraco da indústria. É uma desculpa com seu fundo de verdade, mas incapaz de eximir a culpa de uma premiação que, como parte de celebração à indústria, também tem papel fundamental na missão de disseminar mudanças.

Os vencedores do BAFTA serão conhecidos no dia 2 de fevereiro. Confira abaixo a lista completa de indicados:

MELHOR FILME
1917
Coringa
Era Uma Vez Em… Hollywood
O Irlandês
Parasita

MELHOR DIREÇÃO
Bong Joon-ho (Parasita)
Martin Scorsese (O Irlandês)
Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Sam Mendes (1917)
Todd Phillips (Coringa)

MELHOR ATRIZ
Charlize Theron (O Escândalo)
Jessie Buckley (As Loucuras de Rose)
Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres)
Scarlett Johansson (História de Um Casamento)

MELHOR ATOR
Adam Driver (História de Um Casamento)
Joaquin Phoenix (Coringa)
Jonathan Pryce (Dois Papas)
Leonardo Dicaprio (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Taron Egerton (Rocketman)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Florence Pugh (Adoráveis Mulheres)
Laura Dern (História de Um Casamento)
Margot Robbie (O Escândalo)
Margot Robbie (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Al Pacino (O Irlandês)
Anthony Hopkins (Dois Papas)
Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
Joe Pesci (O Irlandês)
Tom Hanks (Um Lindo Dia na Vizinhança)

MELHOR ELENCO
Coringa
Dois Papas
Era Uma Vez Em… Hollywood
História de um Casamento
The Personal History Of David Copperfield

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Entre Facas e Segredos
Era Uma Vez em… Hollywood
Fora de Série
História de Um Casamento
Parasita

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Adoráveis Mulheres
Coringa
Dois Papas
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR TRILHA SONORA
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
Jojo Rabbit
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHOR FOTOGRAFIA
1917
Coringa
O Farol
Ford vs Ferrari
O Irlandês

MELHOR MONTAGEM
Coringa
Era Uma Vez em… Hollywood
Ford vs Ferrari
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
1917
Coringa
Era Uma Vez em… Hollywood
O Irlandês
Jojo Rabbit

MELHOR FIGURINO
Adoráveis Mulheres
Era Uma Vez Em… Hollywood
O Irlandês
Jojo Rabbit
Judy: Muito Além do Arco-Íris

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
1917
Coringa
O Escândalo
Judy: Muito Além do Arco-Íris
Rocketman

MELHOR SOM
1917
Coringa
Ford vs Ferrari
Rocketman
Star Wars: A Ascensão Skywalker

MELHORES EFEITOS VISUAIS
1917
O Irlandês
O Rei Leão
Star Wars: A Ascensão Skywalker
Vingadores: Ultimato

MELHOR FILME BRITÂNICO
1917
Dois Papas
Bait
For Sama
Rocketman
Você Não Estava Aqui

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA
Dor e Glória
The Farewell
For Sama
Parasita
Retrato de uma Jovem em Chamas

MELHOR DOCUMENTÁRIO
American Factory
Apollo 11
Diego Maradona
The Great Hack

For Sama

MELHOR ANIMAÇÃO
Frozen 2
Klaus
Shaun, o Carneiro: Aliens
Toy Story 4

MELHOR ESTREIA DE UM DIRETOR, PRODUTOR OU ROTEIRISTA BRITÂNICO
Bait (Mark Jenkin, diretor e roteirista; Kate Byers; Linn Waite, produtor)
For Sama (Waad Al-Kateab, diretor e produtor; Edward Watts, diretor)
Maiden (Alex Holmes, diretor)
Only You (Harry Wootliff, roteirista e diretor)
Retablo (Álvaro Delgado-Aparicio, roteirista e diretor)

MELHOR CURTA BRITÂNICO
Azaar
Goldfish
Kamali
Learning To Skateboard In A Warzone (If You’re A Girl)
The Trap

MELHOR CURTA BRITÂNICO (ANIMAÇÃO)
Grandad Was a Romantic
In Her Boots
The Magic Boat

EE RISING STAR AWARD – Estrela em ascensão
Awkwafina
Jack Lowden
Kaitlyn Dever
Kelvin Harrison Jr.
Micheal Ward

Três atores, três filmes… com Maria Clara Senra

Formada em jornalismo pela UFRJ e pós-graduada em jornalismo cultural pela UERJ, Maria Clara Senra trabalha como repórter e editora no Canal Brasil, cobrindo festivais, pré-estreias, bastidores e participando de transmissões ao vivo direto dos maiores eventos cinematográficos do país. Nossos caminhos se cruzaram no Festival de Cinema de Gramado, onde, vocês podem perceber, conheci tantos dos queridos convidados dessa coluna. Por toda bagagem profissional da Maria Clara e também pelos anos em que convivemos profissionalmente em pequenas temporadas cinematográficas na serra gaúcha, fiquei curiosíssimo em saber quais seriam as escolhas que ela faria após aceitar esse convite. Fiquei apaixonado pela lista: o trio de mulheres selecionado para a coluna representa, sem dúvida alguma, todo o poder e a pluralidade das atrizes brasileiras, aqui representadas por intérpretes grandiosas, em papeis marcantes. E, para quem mora no Rio de Janeiro, fica a dica: desde julho de 2019 a Maria Clara conduz, ao lado de duas amigas, o Cine Dádiva (@cinedadiva), cineclube que acontece um domingo por mês em uma casa em Ipanema acompanhado de uma aula com uma diretora sobre algum aspecto específico da construção do filme exibido e uma festinha pensada especialmente para cada evento. Todo lucro obtido com o valor dos ingressos é revertido para projetos de capacitação de mulheres. Uma prévia de toda a expertise que ela compartilha nesse projeto já pode, de certa forma, ser conferida aqui na coluna. Gracias, Maria Clara!

•••

Quando Matheus me convidou para participar da seção “três atores, três filmes”, fiquei muito alegre, mas soube que teria que encarar minha relação de amor e ódio com listas. Adoro organizar informações, encontrar ordem, mas acho dificílima a tarefa de rankear ou enumerar o que quer que seja, pelo desconforto gerado por todas as exclusões.  Como trabalho direta e diariamente com cinema nacional, decidi que escreveria sobre filmes e profissionais brasileiros. Defini também que selecionaria atuações femininas, já que tantas me chamaram atenção ao longo dos anos.

Pensei primeiro nas personagens que marcaram não só a mim, como a todos que conhecem a nossa cinematografia: a Dora de Fernanda Montenegro; a Xica da Silva de Zezé Motta; a Sueli de Marília Pêra e tantas outras. Mas elas já estão gravadas nas nossas memórias e, definitivamente, presentes em muitas listas. Por fim, escolhi intérpretes de três longas-metragens bastante recentes — um lançado em 2018, outro em 2019 e um ainda inédito no circuito comercial. Olhares autorais em produções novas que eu gostaria que fossem vistas por muita gente.

Magali Biff (Pela Janela)
Magali Biff é paulistana e um grande nome do teatro no Brasil. Atuou no longa “Jogo das Decapitações”, de Sérgio Bianchi, mas seus trabalhos de destaque no cinema são “Deserto”, de Guilherme Weber, “Açúcar”, de Sergio Oliveira e Renata Pinheiro, e “Pela Janela”, de Caroline Leone, no qual interpretou sua primeira protagonista. No enredo, Biff vive Rosália, uma operária de uma pequena fábrica de reatores em São Paulo. Ela dedica a vida ao serviço, mas é demitida de repente. Sem o trabalho, fica perdida e é consolada pelo irmão José, que resolve levá-la junto com ele em uma viagem de carro até Buenos Aires. No road movie com pouquíssimos diálogos, tudo na personagem fala: olhos, gestos, postura corporal. Não há eloquência, mas muito sentimento. Vivemos com Rosália uma jornada íntima de descobertas e reinvenção. E como é importante ver um roteiro nada óbvio e tão interessante sobre uma mulher de 65 anos. O filme é uma coprodução entre Brasil e Argentina. A estreia mundial aconteceu no Festival de Roterdã, onde o título conquistou o prêmio Fipresci “pela forma como mistura as esferas emocional e política sem ser excessivamente demonstrativo”. Passou ainda pelo Festival de Gramado e foi laureado em Washington e Havana.

Grace Passô (Temporada)
Grace é atriz, diretora e dramaturga de Minas Gerais. A primeira vez que a vi na tela grande foi em “Praça Paris”, de Lúcia Murat, que lhe rendeu o Troféu Redentor no Festival do Rio 2017. Fiquei hipnotizada pela ascensorista Gloria, naquela trama que expunha a relação entre duas mulheres e as tensões — em diversos níveis — entre elas. Mas foi conhecendo Juliana, sua protagonista em “Temporada”, de André Novais Oliveira, que me pareceu que a atriz estava cravando seu nome de vez na história do cinema brasileiro. Em uma entrevista ao Cinejornal, do Canal Brasil, ela revelou que com a turma da produtora Filmes de Plástico encontrou o que considerava difícil achar na sétima arte: papéis femininos fortes, complexos e interessantes. No coletivo teve espaço para construir junto, exercer sua potência criativa e foi assim que a personagem — uma agente de combate à dengue e suas questões cotidianas — conquistou público, crítica e a minha completa afeição. Pelo papel, recebeu os prêmios de melhor atriz no Festival de Brasília e no Festival de Turim, na Itália. Lembrando que Grace também integra o elenco de “No Coração do Mundo”, de Gabriel Martins e Maurílio Martins e é a narradora de “Enquanto Estamos Aqui”, de Clarissa Campolina e Luiz Pretti.

Marcélia Cartaxo (Pacarrete)
Marcélia é uma consagrada atriz paraibana. Em 1985, recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim por “A Hora da Estrela”, de Suzana Amaral. Atuou em diversos outros filmes como “Madame Satã” e “O Céu de Suely”, de Karim Aïnouz; “Baixio das Bestas” (2006) e “Big Jato”, de Claudio Assis; “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcante. Em “Pacarrete” interpreta a personagem homônima. O longa, baseado em uma história real, é ambientado em Russas, no interior do Ceará, e conta a história de uma mulher que sonhou a vida inteira com ser artista e bailarina, em uma cidade pequena e super conservadora. Era vista como louca, mas, na verdade, era revolucionária. O convite para fazer o papel surgiu em 2010, quando a atriz atuou e fez preparação de elenco do primeiro curta-metragem de Allan Deberton, “Doce de Coco”. Para viver a inesquecível Pacarrete — que em francês significa margarida —, Marcélia teve aulas de voz, canto e dança. Em diversas coletivas nos festivais por onde passou, contou que teve medo de ser caricata, de não encontrar o tom correto. Acredito que o receio tenha ido embora na sessão de estreia em Gramado em que ela foi ovacionada e depois ainda levou o Kikito para casa. Com a produção, Marcélia realizou a vontade de infância de fazer ballet e o desejo maduro de seguir tocando o coração das pessoas com seu trabalho. Tentei somar quantos prêmios ela conquistou, mas é bem fácil perder a conta.

Os vencedores do Globo de Ouro 2020

Joaquin Phoenix foi o melhor ator por Coringa no Globo de Ouro 2020. Renée Zellweger, Laura Dern e Brad Pitt também se consolidam como favoritos para as próximas premiações.

Entre títulos dirigidos por cineastas consagrados (O Irlandês, Era Uma Vez Em… Hollywood) e outros que ecoaram com grande impacto junto a público e crítica (Parasita, História de Um Casamento e Coringa), o Globo de Ouro optou por uma via aparentemente mais imparcial: premiar 1917 como melhor filme. Dirigido por Sam Mendes, o épico de guerra sequer estreou comercialmente nos Estados Unidos, passando em branco nas listas de tantas associações de críticos que se dividiam entre O Irlandês e Parasita. Foi a maior surpresa de uma noite que, no geral, confirmou vários caminhos já ensaiados na temporada de premiações.

Há pelo menos dois grandes tombos registrados no Globo de Ouro 2020. O primeiro é o de O Irlandês, que não se beneficiou de uma lista altamente distributiva e saiu de mãos abanando. O segundo é o da Netflix, que ostentava 34 indicações e acabou levando somente duas (atriz coadjuvante em cinema para Laura Dern com História de Um Casamento e melhor atriz em série dramática para Olivia Colman com The Crown). Por outro lado, estão confirmados os favoritismos de nomes como Renée Zellweger (melhor atriz por Judy), Joaquin Phoenix (ator por Coringa) e Brad Pitt (ator coadjuvante por Era Uma Vez Em… Hollywood), além da já citada Laura Dern.

Não é difícil imaginar o Globo de Ouro já sinalizando uma ampla consagração para 1917 no Oscar. Épicos ainda mobilizam a Academia, especialmente aqueles repletos de virtuosismos técnicos e artifícios como o uso de planos-sequência. Em um ano onde é difícil achar uma métrica para diretores tão unânimes em diferentes espectros, essa parece ser uma saída bastante lógica. Na próxima semana, o longa de Sam Mendes volta a concorrer a um prêmio: o Critics’ Choice Awards, que costuma ser confuso e de relevância menor do que a do Globo de Ouro. Fica, entretanto, a curiosidade em relação a como o filme performará junto a um novo grupo de votantes.

Confira abaixo a lista completa de vencedores do Globo de Ouro 2020:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA: 1917
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR DIREÇÃO: Sam Mendes (1917)
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
MELHOR ATOR – DRAMA: Joaquin Phoenix (Coringa)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Awkwafina (The Farewell)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Taron Egerton (Rocketman)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ROTEIRO: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR ANIMAÇÃO: Link Perdido
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Parasita (Coreia do Sul)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
MELHOR TRILHA SONORA: Coringa

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE – DRAMA: Succession
MELHOR SÉRIE – COMÉDIA: Fleabag
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Chernobyl

MELHOR ATRIZ – DRAMA: Olivia Colman (The Crown)
MELHOR ATOR – DRAMA: Brian Cox (Succession)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Ramy Youssef (Ramy)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Michelle Williams (Fosse/Verdon)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Russell Crowe (The Loudest Voice)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Patricia Arquette (The Act)
MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Stellan Skarsgård (Chernobyl)

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