Cinema e Argumento

Apostas para o Screen Actors Guild Awards 2021

O Screen Actors Guild Awards marca hoje (04) mais um capítulo desta que é a temporada de premiações mais longa de que temos notícia, uma consequência, claro, dos tempos de exceção que vivemos com a chegada da Covid-19. A cerimônia não será ao vivo, já que os organizadores do SAG optaram por um pré-gravação que será compactada em um programa de uma hora de duração. Ou seja, nessa altura do campeonato, os atores já sabem se venceram ou não o prêmio. Para o público, o resultado será revelado a partir das 22h, sem transmissão aqui no Brasil.

As vitórias do SAG serão importantes para esclarecer os caminhos de categorias bastante divididas, como a de melhor atriz coadjuvante, por exemplo, onde a vencedora do Globo de Ouro (Jodie Foster, por The Mauritanian) sequer concorre aqui. Teria Maria Bakalova, portanto, o apoio dos atores por um filme de comédia tão específico e lançado diretamente em streaming? Parece que sim, mas tudo pode acontecer nessa categoria. Também é hora de saber a real aderência de Carey Mulligan, que, por Bela Vingança, ganhou apenas o Critics’ Choice até agora, perdendo o seu esperado Globo de Ouro para Andra Day em The United States vs. Billie Holiday, outra atriz ausente na lista do SAG.

Entre os homens, a situação parece melhor definida, ainda que fique a dúvida: será que Chadwick Boseman fatura mesmo o prêmio como protagonista por A Voz Suprema do Blues? Ou o SAG optará por premiá-lo como coadjuvante por Destacamento Blood para, enfim, dar a sua primeira estatueta Anthony Hopkins? É possível. Por fim, o prêmio de melhor elenco que até pouco tempo atrás parecia certo para Os 7 de Chicago perdeu tração nas últimas semanas considerando a má performance do filme de Aaron Sorkin nas premiações, o que pode abrir caminho para Minari, filme amplamente abraçado pelo Oscar e que pode repetir o feito de Parasita no ano passado ao faturar a categoria principal.

Confira abaixo a nossa lista de apostas:

CINEMA

MELHOR ELENCO: Minari / alt: Os 7 de Chicago
MELHOR ATRIZ: Carey Mulligan (Bela Vingança) / alt: Viola Davis (A Voz Suprema do Blues)
MELHOR ATOR: Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues) / alt: Anthony Hopkins (Meu Pai)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte) / alt: Olivia Colman (Meu Pai)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Daniel Kaluuya (Judas e o Mesias Negro) / alt: Chadwick Boseman (Destacamento Blood)

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR ELENCO – DRAMAThe Crown / alt: Ozark
MELHOR ELENCO – COMÉDIA: Schitt’s Creek / alt: The Great
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Emma Corrin (The Crown) / alt: Gillian Anderson (The Crown)
MELHOR ATOR – DRAMA: Josh O’Connor (The Crown) / alt: Jason Bateman (Ozark)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Catherine O’Hara (Schitt’s Creek) / alt: Kayley Cuoco (The Flight Attendant)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Jason Sudeikes (Ted Lasso) / alt: Eugene Levy (Schitt’s Creek)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Anya Taylor-Joy (O Gambito da Rainha) / alt: Michaela Coel (I May Destroy You)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Mark Ruffalo (I Know This Much is True) / alt: Hugh Grant (The Undoing)

O que aprendi tendo aulas de interpretação com Helen Mirren

Já fazia bastante tempo que eu estava de olho nos cursos do Masterclass antes de finalmente tomar a decisão de me matricular em um deles. Não pensei duas vezes ao escolher a minha primeira investida: um curso sobre interpretação com ninguém menos do que Helen Mirren. Não sou ator. Nem tenho a pretensão de ser. Mas, como alguém que ama atrizes e escreve sobre cinema, achei que essa seria a oportunidade perfeita para ampliar meu olhar e entender um pouco melhor sobre vários processos de criação que vemos se materializar em frente às câmeras. E, após 28 aulas, o que tenho a dizer é que eu deveria ter apostado antes nos cursos do Masterclass. Certamente farei outros pela frente.

Não estou aqui, no entanto, para fazer propaganda da marca e sim para compartilhar com vocês um pouco do que aprendi com Helen Mirren sobre ela, sobre ser atriz e sobre os bastidores de um longa-metragem a partir de um ponto de vista particular. Mirren diz que essa é a primeira vez que fala sobre seu ofício de forma tão sistemática. Ela começa, aliás, dizendo que não existe nada mais difícil o que ser ela mesma em frente às câmeras. Bobagem. Ao longo das 28 aulas, a atriz é muitíssimo autêntica, natural e inspiradora em todos os tópicos que pontua, refletindo sobre leituras de roteiro, audições, escolhas de papeis, construções de personagens e as relações que precisam ser estabelecidas tanto com outros atores quanto com qualquer profissional no set de filmagens.

De Bette Davis a Al Pacino, passando por Hamlet, Shakespeare e tantos outros escritores, roteiristas, atores e diretores, Helen Mirren não poupa elogios e menções a todos aqueles que lhe inspiram desde o momento em que se viu em um caminho sem volta quando foi pela primeira ao teatro. Ela incorpora todas as suas vivências e relações a aulas com tópicos específicos e também aos estudos de caso de sua carreira, passando por obras como Elizabeth I, Prime Suspect e A Rainha. É fascinante descobrir os segredos de interpretação de uma atriz tão respeitada e premiada. Obrigado, Helen Mirren! Daqui para frente, como espectador e crítico, me sinto muito mais enriquecido para testemunhar uma interpretação. Abaixo, compartilho com vocês, em 20 tópicos, o que aprendi sobre interpretação a partir de uma perspectiva “mirreniana”.

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1. Uma atriz precisa fazer todos os seus trabalhos com a mesma dedicação. Ela própria diz ter feito Red e A Tempestade, por exemplo, sem distinguir seu nível de interesse ou comprometimento com os respectivos filmes;

2. Não há nada melhor do que ouvir os instintos e encontrar liberdade naquilo que se faz. Somos pessoas únicas, e não há ninguém nesse mundo com quem possamos nos comparar;

3. Uma atriz não deve “desaparecer” em seus papeis, mas sim se revelar;

4. Antes de uma atriz entender se é a pessoa certa para determinado papel, ela deve descobrir se consegue trabalhar com o diretor em questão, sem ter medo de compartilhar suas ideias;

5. A melhor forma de uma intérprete avaliar um roteiro é o lendo de trás para frente: frequentemente, se a personagem aparece nas cenas finais, o papel vale a pena, pois significa que ela foi marcante para a trama. Quanto mais cedo e de maneira mais displicente a personagem sai de cena, menos ela importa;

6. As primeiras reações ao ler um roteiro são sempre as mais confiáveis. Uma atriz é sempre a primeira espectadora do filme que ainda está no papel;

7. Não existe texto mais difícil para interpretar do que qualquer um escrito por Shakespeare. No entanto, o fascínio de interpretá-lo é que, a cada novo espetáculo ou filme, sempre surgem novos significados, incluindo aqueles que, a princípio, só você descobre;

8. Se puder, pegue o metrô ou o ônibus para imaginar as histórias das pessoas que você encontra. A realidade é sempre mais interessante do que qualquer roteiro que possa ser escrito;

9. Vá além do que lhe é entregue: imagine o background do seu personagem e imagine aquilo que ele possa ter vivido e que não está no roteiro. Detalhe importante: não compartilhe com ninguém esse exercício de imaginação e use apenas na sua interpretação;

10. Se o filme em questão é de viés histórico, uma atriz deve fazer a sua pesquisa como uma atriz e não como uma historiadora. Por exemplo: reis e rainhas acreditam que foram colocados no trono por Deus. A informação é interessante, mas o que isso pode significar para a sua construção dramática de uma personagem?;

11. Conheça antes o set e os cenários. Observe as cores, a decoração e tudo aquilo que pode ajudar ou atrapalhar o uso dos figurinos. Torne toda roupa usada em cena real: amasse, dobre, tire qualquer vestígio de que as peças saíram dos costureiros direto para você;

12. Nunca tome como certo aquilo que você “acha” que conhece. Pesquise, leia, vivencie o que você tem qualquer suspeita de não conhecer. Busque sempre ter propriedade;

13. O papel exige sotaque? Então trabalhe e ensaie muito. Não há métodos ou o que se fazer em relação a isso. Um bom auxílio é ter algum nativo do idioma em questão trabalhando junto na preparação, mas alguém que não tenha formação ou experiência em interpretação;

14. Você não pode ser uma boa atriz sem ter o mínimo de técnica e disciplina. Trabalhar apenas a partir do improviso e da intuição pode levar uma intérprete ao completo caos;

15. Uma atriz precisa sempre estar aberta a refazer uma cena, seja por causa do som ou de qualquer outro detalhe técnico. Pouco importa se ela deu a performance da vida. Ser sensível ao trabalho dos colegas é indispensável;

16. É fundamental dar atenção especial aos detalhes, gestos e olhares que podem fazer a diferença na composição de uma personagem. Valorize as cenas sem falas e diálogos porque elas destacam o interior e outras formas de se expressar que valem mais do que monólogos;

17. Toda atriz precisa ter a coragem e se sentir à vontade para falar como se sente em relação às cenas a serem gravadas. O que faz sentido para um diretor ou para um fotógrafo pode não fazer para quem interpreta uma personagem;

18. Como um filme pode ser gravado fora de ordem cronológica, é fundamental saber o contexto da cena que está sendo filmada. Ter um diálogo constante com o montador pode ajudar a atriz a a modular a interpretação e encontrar um bom ritmo;

19. Jamais ensaie em frente a um espelho. Isso vai na direção oposta da essência da profissão. O que deve ser priorizado é o que se passa por dentro;

20. Tente sempre que o próximo papel seja o mais diferente possível do atual. Nem sempre é possível, mas vale abraçar essa lógica toda vez que surgir a oportunidade.

Os indicados ao Oscar 2021

Em uma das temporadas mais imprevisíveis do último ano, o Oscar resolveu ser… Previsível! Liderada por Mank, de David Fincher, a lista de indicados revelada nesta segunda-feira (15) não poderia ser mais comportada. Ainda assim, há muito a se comemorar com feitos históricos alcançados em termos de representatividade. No vídeo abaixo, faço uma breve análise sobre a seleção:

Confira a lista completa de indicados:

MELHOR FILME
Os 7 de Chicago, de Aaron Sorkin
Produzido por Marc Platt e Stuart M. Besser 

Bela Vingança, de Emerald Fennell
Produzido por Ashley Fox, Ben Browning, Emerald Fennell e Josey McNamara

Judas e o Messias Negro, de Shaka King
Produzido por Charles D. King, Ryan Coogler e Shaka King

Mank, de David Fincher
Produzido por Ceán Chaffin, Douglas Urbanski e Eric Roth

Meu Pai, de Florian Zeller
Produzido por David Parfitt, Jean-Louis Livi e Philippe Carcassonne

Minari, de Lee Isaac Chung
Produzido por Christina Oh

Nomadland, de Chloé Zhao
Produzido por Chloé Zhao, Dan Janvey, Frances McDormand, Mollye Asher e Peter Spears

O Som do Silêncio, de Darius Marder
Produzido por Bert Hamelinck e Sacha Ben Harroche

MELHOR DIREÇÃO
Chloé Zhao (Nomadland)
David Fincher (Mank)
Emerald Fennell (Bela Vingança)
Lee Isaac Chung (Minari)
Thomas Vinterberg (Druk: Mais Uma Rodada)

MELHOR ATRIZ
Andra Day (The United States vs. Billie Holiday)
Carey Mulligan (Bela Vingança)
Frances McDormand (Nomadland)
Vanessa Kirby (Pieces of a Woman)
Viola Davis (A Voz Suprema do Blues)

MELHOR ATOR
Anthony Hopkins (Meu Pai)
Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues)
Gary Oldman (Mank)
Riz Ahmed (O Som do Silêncio)
Steven Yeun (Minari)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amanda Seyfried (Mank)
Glenn Close (Era Uma Vez um Sonho)
Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte)
Olivia Colman (Meu Pai)
Yuh-jung Youn (Minari)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sacha Baron Cohen (Os 7 de Chicago)
Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)
Leslie Odom Jr. (Uma Noite em Miami…)
Paul Raci (O Som do Silêncio)
LaKeith Stanfield (Judas e o Messias Negro)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Aaron Sorkin (Os 7 de Chicago)
Abraham Marder, Darius Marder e Derek Cianfrance (O Som do Silêncio)
Chaka King e Will Berson (Judas e o Messias Negro
Emerald Fennell (Bela Vingança)
Lee Isaac Chung (Minari)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Anthony Hines, Dan Mazer, Dan Swimer, Erica Rivinoja, Jena Friedman, Lee Kern, Peter Baynham e Sacha Baron Cohen (Borat: Fita de Cinema Seguinte)
Chloé Zhao (Nomadland)
Christopher Hampton e Florian Zeller (Meu Pai)
Kemp Powers (Uma Noite em Miami…)
Ramin Bahrani (O Tigre Branco)

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Better Days (Hong Kong)
Collective (Romênia)
Druk: Mais Uma Rodada (Dinamarca)
O Homem Que Vendeu Sua Pele (Tunísia)
Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Collective, produzido por Alexander Nanau e Bianca Oana
Crip Camp: Revolução Pela Inclusão, produzido por James Lebrecht, Nicole Newnham e Sara Bolder
Professor Polvo, produzido por Craig Foster, James Reed e Pippa Ehrlich
The Mole Agent, produzido por Maite Alberdi e Marcela Santibanez 
Time, produzido por Garrett Bradley, Kellen Quinn e Lauren Domino

MELHOR ANIMAÇÃO
A Caminho da Lua, produzido por Gennie Rim, Glen Keane e Peilin Chou
Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica, produzido por Dan Scanlon e Kori Rae
Shaun, o Carneiro: O Filme – A Fazenda Contra-Ataca, produzido por Paul Kewley, Richard Phelan e Will Becher
Soul, produzido por Dana Murray e Pete Docter
Wolfwalkers, produzido por Paul Young, Ross Stewart, Stéphan Roelants e Tomm Moore

MELHOR FOTOGRAFIA
Dariusz Wolski (Relatos do Mundo)
Erik Messerschmidt (Mank)
Joshua James Richards (Nomadland)
Phedon Papamichael (Os 7 de Chicago)
Sean Bobbitt (Judas e o Messias Negro)

MELHOR FIGURINO
Alexandra Byrne (Emma.)
Ann Roth (A Voz Suprema do Blues)
Bina Daigeler (Mulan)
Massimo Cantini Parrini (Pinóquio)
Trish Summerville (Mank)

MELHOR TRILHA SONORA
Emile Mosseri (Minari)
James Newton Howard (Relatos do Mundo)
Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross (Soul)
Terence Blanchard (Destacamento Blood)
Trent Reznor e Atticus Ross (Mank)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
David Crank (Relatos do Mundo)
Donald Graham Burt (Mank)
Mark Ricker (A Voz Suprema do Blues)
Nathan Crowley (Tenet)
Peter Francis (Meu Pai)

MELHOR MONTAGEM
Alan Baumgarten (Os 7 de Chicago)
Chloé Zhao (Nomadland)
Frédéric Thoraval (Bela Vingança)
Mikkel E.G. Nielsen (O Som do Silêncio)
Yorgos Lamprinos (Meu Pai)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Celeste e Daniel Pemberton, por “Hear My Voice” (Os 7 de Chicago)

D’Mile, H.E.R. e Tiara Thomas, por “Fight For You” (Judas e o Messias Negro)
Diane Warren e Laura Pausini, por “Io Sí (Seen)” (Rosa e Momo)
Fat Max Gsus, Richard Göransson e Savan Kotecha, por “Husavik” (Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars)
Leslie Odom Jr. e Sam Ashworth, por “Speak Now” (Uma Noite em Miami…

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Anders Langlands, Sean Andrew Faden, Seth Maury e Steve Ingram (Mulan)
Andrew Jackson, Andrew Lockley, David Lee e Scott R. Fisher (Tenet)
Ben Jones, Greg Fisher, Nick Davis e Santiago Colomo (O Grande Ivan)
Brian Cox, Genevieve Camilleri, Matt Everitt e Matt Sloan (Problemas Monstruosos)
Chris Lawrence, David Watkins, Matt Kasmir e Max Solomon (O Céu da Meia-Noite)

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Claudia Stolze, Laura Allen e Marese Langan (Emma.)
Colleen LaBaff, Gigi Williams e Kimberley Spiteri (Mank)
Dalia Colli, Francesco Pegoretti e Mark Coulier (Pinóquio)
Eryn Krueger Mekash, Matthew W. Mungle e Patricia Dehaney (Era Uma Vez Um Sonho)
Jamika Wilson, Mia Neal e Sergio Lopez-Rivera (A Voz Suprema do Blues)

MELHOR SOM
Beau Borders, David Wyman, Michael Minkler e Warren Shaw (Greyhound: Na Mira do Inimigo)
Carlos Cortés, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Nicolas Becker e Phillip Bladh (O Som do Silêncio)
Coya Elliott, David Parker e Ren Klyce (Soul)
David Parker, Drew Kunin, Jeremy Molod, Nathan Nance e Ren Klyce (Mank)
John Pritchett, Michael Fentum, Mike Prestwood Smith, Oliver Tarney e William Miller (Relatos do Mundo)

MELHOR CURTA-METRAGEM
Feeling Through, produzido por Doug Roland e Sue Ruzenski 
The Letter Room, produzido por Elvira Lind e Sofia Sondervan
The Present, produzido por Farah Nabulsi
Two Distant Strangers, produzido por Martin Desmond Roe e Travon Free
White Eye, produzido por Shira Hochman e Tomer Shushan

MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO
Uma Canção Para Latasha, produzido por Janice Duncan e Sophia Nahli Allison
Colette, produzido por Alice Doyard e Anthony Giacchino
A Concerto is a Conversation, produzido por Ben Proudfoot e Kris Bowers
Do Not Split, produzido por Anders Hammer e Charlotte Cook
Hunger Ward, produzido por Michael Scheuerman e Skye Fitzgerald

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Genius Loci, produzido por Adrien Merigeau e Amaury Ovise
Opera, produzido por Erick Oh
Se Algo Acontecer… Te Amo, produzido por Michael Govier
Toca, produzido por Madeline Sharafian e Michael Capbarat
Yes-People, produzido por Arnar Gunnarsson e Gísli Darri Halldórsson

Os indicados ao BAFTA 2021

Britânicos escolhem dois filmes dirigidos por mulheres como os grandes destaques da temporada: Nomadland, de Chloé Zhao, e Rocks, de Sarah Gavron, são os líderes de indicações ao BAFTA 2021.

Após a terrível lista do ano passado que não indicou um negro sequer nas categorias principais, o BAFTA adotou medidas imediatas para promover mudanças radicais na sua competição. Entre elas, está um prazo mais amplo para que os votantes possam assistir aos filmes, bem como a obrigação de todos conferirem os mais votados na primeira rodada de votação. A medida se dá porque foi constatado que os votantes simplesmente não assistiam aos filmes menores e fora do grande circuito. O BAFTA também tratou de aplicar um treinamento entre os votantes de modo que eles possam aprender a “navegar e reconhecer influências sociais mais amplas” para o processo de votação”. Por fim, os britânicos ampliaram de cinco para seis os indicados nas categorias de interpretação, e o mais importante: na categoria de direção, selecionaram um júri especial responsável por escolher quatro dos seis finalistas, sendo obrigatoriamente dois homens e duas mulheres, a partir de uma pré-lista feita pela diretoria do prêmio já com equidade de sexo entre os selecionados.

É importante essa breve retrospectiva para contextualizar o altíssimo índice de representatividade trazido pela BAFTA, agora um prêmio inteiramente novo e até pioneiro na materialização de mudanças radicalmente instantâneas. Só pelos dois filmes que lideram os selecionados já é possível ver a transformação, pois tanto Nomadland quanto Rocks são títulos dirigidos por mulheres. A enxurrada de boas surpresas segue com indicações de todos os tipos para a maior pluralidade de indicados já vista no prêmio. De asiáticos a dinamarqueses, passando pela Bósnia e Herzegovina e por realizadores estreantes em longas, o BAFTA se tornou, enfim, aquilo que toda premiação deveria ser: não uma mera tentativa de tentar prever o Oscar, mas sim algo autêntico e de personalidade, capaz de garimpar títulos distantes da obviedade e de cumprir seu papel de estimular a educação e o incentivo de novos olhares diante do cinema.

Com tamanha mudança, os britânicos nos proporcionaram, inclusive, algumas ausências bastante chocantes envolvendo nomes dados como garantidos, começando por Carey Mulligan (Bela Vingança) e Olivia Colman (Meu Pai), duas atrizes já favoritas por serem britânicas e que também estavam garantindo indicação em todas as listas da temporada, mas ausentes aqui. Viola Davis (A Voz Suprema do Blues) foi outra grande ausência sentida, assim como Mank, de David Fincher, que não emplacou indicações para o próprio diretor e para Gary Oldman e Amanda Seyfried. Em cenários tradicionais, estaria aberto o espaço para grandes discussões. Já se tratando desse novo BAFTA que, por exemplo, (re)descobre a performance magistral de Alfre Woodard  em Clemency, há pouco a se reclamar, uma vez que tudo converge para uma bem-vinda mudança e para uma entusiasmante diversidade que merece servir de referência para todo o circuito. Os vencedores serão conhecidos no dia 11 de abril. 

Confira abaixo a lista de indicados:

MELHOR FILME
Os 7 de Chicago
Bela Vingança
The Mauritanian
Meu Pai
Nomadland

MELHOR FILME BRITÂNICO
Bela Vingança
Calm With Horses
A Escavação
His House
Limbo
The Mauritanian
Meu Pai
Mogul Mowgli
Rocks
Saint Maud

MELHOR DIREÇÃO
Chloé Zhao (Nomadland)
Jasmila Žbanić (Quo Vadis, Aida?)
Lee Isaac Chung (Minari)
Sarah Gavron (Rocks)
Shannon Murphy (Dente de Leite)
Thomas Vinterberg (Druk: Mais Uma Rodada)

MELHOR ELENCO
Alexa L. Fogel (Judas e o Messias Negro)
Shaheen Baig (Calm With Horses)
Julia Kim (Minari)
Lindsay Graham Ahanonu e Mary Vernieu (Bela Vingança)
Lucy Pardee (Rocks)

MELHOR ATRIZ
Alfree Woodard (Clemency)
Bukky Bakray (Rocks)
Frances McDormand (Nomadland)
Radha Blank (The Forty-Year-Old Version)
Vanessa Kirby (Pieces of a Woman)
Wunmi Mosako (His House)

MELHOR ATOR
Adarsh Gourav (O Tigre Branco)
Anthony Hopkins (Meu Pai)
Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues)
Mads Mikkelsen (Druk: Mais Uma Rodada)
Riz Ahmed (O Som do Silêncio)
Tahar Rahim (The Mauritanian)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Ashley Madekwe (County Lines)
Dominique Fishback (Judas e o Messias Negro)
Kosar Ali (Rocks)
Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte)
Niamh Algar (Calm With Horses)
Yuh-Jung Youn (Minari)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Alan Kim (Minari)
Barry Keoghan (Calm With Horses)
Clarke Peters (Destacamento Blood)
Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)
Leslie Odom Jr. (Uma Noite em Miami…)
Paul Raci (O Som do Silêncio)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Aaron Sorkin (Os 7 de Chicago)
Claire Wilson e Theresa Ikoko (Rocks)
Emerald Fennell (Bela Vingança)
Jack Fincher (Mank)
Thomas Vinterberg e Tobias Lindholm (Druk: Mais Uma Rodada)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Chloé Zhao (Nomadland)
Christopher Hampton e Florian Zeller (Meu Pai)
MB Traven, Rory Haines e Sohrab Noshirvani (The Mauritanian)
Moira Buffini (A Escavação)
Ramin Bahrani (O Tigre Branco)

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO INGLESA
Dear Comrades (Rússia)
Druk: Mais Uma Rodada (Dinamarca)
Minari (Estados Unidos)
Os Miseráveis (França)
Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Collective
David Attenborough e Nosso Planeta
O Dilema das Redes
The Dissident
Professor Polvo

MELHOR ANIMAÇÃO
Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica
Soul
Wolfwalkers

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Anthony Willis (Bela Vingança)
Emile Mosseri (Minari)
James Newton Howard (Relatos do Mundo)
Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross (Soul)
Trent Reznor e Atticus Ross (Mank)

MELHOR FOTOGRAFIA
Alwin H. Küchler (The Mauritanian)
Dariusz Wolski (Relatos do Mundo)
Erik Messerschmidt (Mank)
Joshua James Richards (Nomadland)
Sean Bobbitt (Judas e o Messias Negro)

MELHOR MONTAGEM
Alan Baumgarten (Os 7 de Chicago)
Chloé Zhao (Nomadland)
Frédéric Thoraval (Bela Vingança)
Mikkel EG Nielsen (O Som do Silêncio)
Yorgos Lamprinos (Meu Pai)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald (A Escavação)
Cathy Featherstone e Peter Francis (Meu Pai)
Donald Graham Burt e Jan Pascale (Mank)
David Crank e Elizabeth Keenan (Relatos do Mundo)
Katie Spencer e Sarah Greenwood (Rebecca – A Mulher Inesquecível)

MELHOR FIGURINO
Alice Babidge (A Escavação)
Alexandra Byrne (Emma.)
Ann Roth (A Voz Suprema do Blues)
Michael O’Connor (Ammonite)
Trish Summerville (Mank)

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Jenny Shircore (A Escavação)
Eryn Krueger Mekash, Matthew Mungle e Patricia Dehaney (Era Uma Vez Um Sonho)
Larry M. Cherry, Matiki Anoff, Mia Neal e Sergio Lopez-Rivera (A Voz Suprema do Blues)
Gigi Williams e Kimberley Spiteri (Mank)
Mark Coulier (Pinóquio)

MELHOR SOM
Ann Scibelli, David Wyman e Jon Title (Greyhound: Na Mira do Inimigo)
John Pritchett, Michael Fentum, Mike Prestwood Smith, Oliver Tarney e William Miller (Relatos do Mundo)
M. Wolf Snyder, Sergio Diaz e Zach Seivers (Nomadland)
Coya Elliott, David Parker e Ren Klyce (Soul)
Carlos Cortés, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Nicolas Becker e Phillip Bladh (O Som do Silêncio)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Nathan McGuinness, Pete Bebb e Sebastian Von Overheidt (Greyhound: Na Mira do Inimigo)
Chris Lawrence, David Watkins e Matt Kasmir (O Céu da Meia-Noite)
Anders Langlands, Sean Faden, Seth Maury e Steve Ingram (Mulan)
Greg Fisher, Nick Davis e Santiago Colomo Martinez (O Grande Ivan)
Andrew Jackson, Andrew Lockley e Scott Fisher (Tenet)

MELHOR ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO REVELAÇÃO
Remi Weekes (Roteiro e Direção), por His House
Ben Sharrock (Roteiro e Direção) e Irune Gurtubai (Produção), por Limbo
Jack Sidey (Roteiro e Produção), por Moffie
Claire Wilson e Theresa Ikoko (Roteiro), por Rocks
Oliver Kassman (Produção) e Rose Glass (Roteiro e Direção), por Saint Maud

MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
Eyelash
Lizard

Lucky Break
Miss Curvy
The Present

MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO
The Fire Next Time
The Owl and the Pussycat
The Song of a Lost Boy

EE RISING STAR AWARD
Bukky Bakray
Conrad Khan
Kingsley Ben-Adir
Morfydd Clark
Sope Dirisu

Três atores, três filmes… com Patrick Connolly

É difícil saber por onde começar a apresentação deste primeiro convidado internacional da coluna, uma vez que é gigantesca a sua experiência e também a minha honra em tê-lo aqui, mas vamos lá! Especialista e consultor em marketing, Patrick Connolly começou sua carreira na área de programação da Fox, onde serviu como vice-presidente da programação infantil. Entre outras experiências, já teve passagem pela AMC Networks como vice-presidente sênior, respondendo por aquisições, planejamento e estratégia global da programação em VOD da rede, além de ter coordenado as atividades de marketing para as marcas AMC e SundanceTV em escopo internacional junto a empresas e canais locais de mais de 130 países. E não para por aí: também foi consultor de programação da Showtime, trabalhando com análises, estratégias, planejamento e avaliações de novas séries. Atualmente, é vice-diretor de redes sociais do BAFTA New York e membro Academy of Television Arts & Sciences e da International Academy of Television Arts & Sciences, que entregam, respectivamente, o Emmy e o Emmy Internacional. Nossos caminhos se cruzaram em 2016, quando Patrick, atuando como produtor executivo das coberturas de festivais da SundanceTV, esteve no Festival de Cinema de Gramado para exibir dois títulos do prestigiado evento estadunidense — entre eles, o drama Mammal, estrelado por Rachel Griffiths, que também esteve presente na Serra Gaúcha. E, após todo esse grande currículo, não poderia deixar de registrar, claro, o quanto Patrick é uma pessoa generosa e um cinéfilo sensível, o que está traduzido nas escolhas que ele fez para a sua participação aqui no blog (e que alegria saber que eu e ele compartilhávamos a mesma torcida na categoria de melhor atriz do Oscar 2005!). Sem dúvida, tê-lo aqui é um marco para a coluna. Thank you so much, dear Patrick!

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Assim como tantos outros que receberam esta tarefa (honra!) do Matheus, inicialmente tive dificuldade ao pensar em três grandes atuações notáveis. A pressão parecia muito grande. Depois, eu ainda tive dificuldade em selecionar APENAS três atuações! É certo que existem muitas, muitas grandes performances de atores na história do cinema, mas o pedido, eu sinto, é ter um apego pessoal a três grandes performances. E, como se estivesse brincando de “associação de palavras” comigo mesmo — ou seja, “diga quais são as três melhores atuações no cinema de que você se lembra neste segundo!” — foram essas três abaixo que vieram à minha cabeça. Três performances indeléveis para mim. Elas me surpreenderam porque eu não conseguia ver o ator nelas, apenas o personagem. Fiquei comovido com tais performances. E ainda estou comovido em minha memória depois de todos esses anos. Para mim, eles são inabaláveis. E, como mencionei ao Matheus, adoro a palavra “saudade” em português. E, embora ela pareça não ser entendida em inglês, sinto que todas as três atuações a têm e me fazem tê-la.

Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
O filme Um Limite Entre Nós, baseado em uma peça de August Wilson, nunca parece que NÃO é baseado em uma peça. O artifício está lá, e os “cenários” parecem cenários, mas a emoção e as personagens são reais. E nenhuma é mais real do que a Rose Lee Maxson de Viola Davis. Seu discurso “18 anos da minha vida” que você pode ver no YouTube ainda me destrói. É cru e real, e vem de um lugar bem do fundo. Eu acreditei em cada palavra. A intensidade de sua atuação, camadas e níveis é de alguém com habilidades equivalentes à primeira cadeira de uma orquestra. Assisti-la neste filme é ver algo incrível e transformador. Eu fui fisgado a assistir a um filme que eu queria ver, mas não esperava ser levado às alturas de uma montanha-russa para depois mergulhar e girar. E isso tudo foi por causa da escalação de Viola Davis. Eu nunca vou esquecê-la em Um Limite Entre Nós.

Daniel Day-Lewis (Meu Pé Esquerdo)
Meu Pé Esquerdo é baseado na vida do escritor e pintor irlandês Christy Brown, que sofria de paralisia cerebral e foi interpretado por Daniel Day Lewis. Eu li na época que o Sr. Day Lewis precisava todos os dias de um fisioterapeuta no set para se desamarrar do trabalho corporal de um homem com paralisia cerebral. Seu corpo, sua fala, tudo tinha que ser trabalhado e então desfeito. Eu estava na minha fase “orgulho de ser irlandês” quando este filme foi lançado e queria ver e ler tudo que fosse irlandês. No cinema, quando Daniel Day Lewis apareceu na tela, eu não estava em nenhum outro lugar. Sua interpretação NÃO poderia ser o mesmo ator que esteva em Uma Janela Para o Amor ou Minha Adorável Lavanderia. Impossível! Era um documentário! Mas não era… Era a performance de uma vida.

Imelda Staunton (O Segredo de Vera Drake)
Nada contra Hilary Swank em Menina de Ouro, mas, com O Segredo de Vera Drake, Imelda Staunton estava na disputa pelo Oscar de melhor atriz que ela ganhou. Este pequeno filme sobre uma mulher da classe trabalhadora de Londres que realiza abortos ilegais em 1950 foi dirigido por Mike Leigh e deu à Sra. Staunton um papel que a elevou às alturas de uma protagonista. Mas a atriz principal aqui é quieta e pequena, e não a grande e ousada Mama Rose que Imelda representou em Gypsy alguns anos depois na West End. Vera Drake é uma pessoa que só quer ajudar as mulheres. Para mim, ver o julgamento de suas ações e sua inocência sobre como elas não poderiam estar de forma alguma erradas foi muito transformador. Ela partiu meu coração na sétima fileira do cinema, e eu nunca a esqueci. Acho Imelda Staunton uma das melhores atrizes que já conheci porque ela é uma character actress (atriz de personagens). Imelda desaparece e se funde em seus personagens, mas também é uma protagonista porque não permite que você esqueça sua atuação. Como uma curiosidade, lembro que fiquei muito chocado no final de Gypsy em Londres. Eu estava sentado em minha poltrona e chorava involuntariamente (do jeito que Meryl Streep consegue em um piscar de olhos!) porque sabia que acabara de assistir a uma das melhores apresentações que veria no teatro em minha vida. Eram lágrimas de alegria.

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