Cinema e Argumento

Os vencedores do Emmy 2020

Regina King conquista seu quarto Emmy em apenas cinco anos. Prêmio por Watchmen faz Regina empatar com Alfre Woodard com a atriz negra mais premiada na trajetória do Emmy.

Ao contrário do que as expectativas sugeriam e de tudo que tem sido realizado em nível mundial no tocante a realizações de festivais e premiações no formato online, o Emmy 2020 resolveu com grande esmero o desafio de fazer uma cerimônia interessante em circunstâncias tão atípicas. Tudo funcionou: com humor, dinamismo e interação, a premiação conseguiu reunir os indicados em uma grande videochamada e trouxe alguns nomes pontuais para o próprio palco onde Jimmy Kimmel apresentava. De casa, os vencedores recebiam suas estatuetas, o que rendeu momentos bastante divertidos, especialmente em surpresas como a de Zendaya em melhor atriz por Euphoria, por exemplo. Com essa vitória, aliás, Zendaya se torna a mais jovem atriz a se consagrar na categoria e a apenas a segunda intérprete negra a ganhar o prêmio (inacreditavelmente, a primeira foi Viola Davis, somente em 2015, por How to Get Away With Murder).

Por falar em surpresas, o Emmy 2020 nos reservou poucas. Além de Zendaya, vale a menção para a vitória de Nada Ortodoxa em melhor direção para uma minissérie, desbancando o trabalho brilhante de Stephen Williams no episódio “This Extraordinary Being”, de Watchmen. Por outro lado, não há o que se reclamar dos favoritismos que se confirmaram: tanto Watchmen quanto Succession são realmente as melhores produções da temporada em seus respectivos segmentos, inaugurando um novo momento de glória para a HBO, que, nos últimos anos, parecia refém de prêmios protocolares para Game of ThronesWatchmen, em particular, marca época pela forma com que renova o exercício de adaptar uma história em quadrinhos e por trazer uma quarta estatueta para a maravilhosa Regina King, que agora empata com Alfre Woodard como a atriz negra mais premiada na história do Emmy.

História também foi feita entre as comédias com a celebração massiva de Schitt’s Creek. A série, que exibiu sua última temporada no início deste ano, faturou todos os prêmios principais: melhor série, direção, roteiro, elenco, atriz, ator, atriz coadjuvante e ator coadjuvante. Somente uma produção havia conquistado tal feito até então: a inesquecível minissérie Angels in America, dirigida pelo saudoso Mike Nichols e com um elenco formado por grandes nomes como Meryl Streep, Al Pacino e Emma Thomspon. Schitt’s Creek está definitivamente em excelente companhia.

Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR SÉRIE DE DRAMASuccession
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Zendaya (Euphoria)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Jeremy Strong (Succession)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Julia Garner (Ozark)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Billy Crudup (The Morning Show)
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA: Andrij Parekh (Succession, pelo episódio “Hunting”)
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA: Jesse Armstrong (Succession, pelo episódio “This is Not for Tears”)
MELHOR SÉRIE DE COMÉDIASchitt’s Creek
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Catherine O’Hara (Schitt’s Creek)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Eugene Levy (Schitt’s Creek)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Annie Murphy (Schitt’s Creek)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Daniel Levy (Schitt’s Creek)
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Andrew Cividino e Daniel Levy (Schitt’s Creek, pelo episódio “Happy Ending”)
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Daniel Levy (Schitt’s Creek, pelo episódio “Happy Ending”)
MELHOR MINISSÉRIEWatchmen
MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE: Maria Schrader (Nada Ortodoxa)

MELHOR TELEFILMEBad Education
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Regina King (Watchmen)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Mark Ruffalo (I Know This Much is True)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Uzo Aduba (Mrs. America)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Yahya Abdul-Mateen II (Watchmen)

Apostas para o Emmy 2020

Uma cerimônia atípica para um ano atípico: devido à pandemia do Coronavírus, o Emmy revelará os vencedores de 2020 através de um em evento inteiramente virtual. Caso siga o exemplo dos prêmios técnicos entregues até aqui, tudo não passará de chamadas dos indicados gravadas anteriormente, cenas de cada um dos concorrentes e anúncio seguido de discursos também gravados com antecedência (os boatos dão conta de que a organização pediu para que todos os indicados gravassem um agradecimento caso vençam). Tudo sem muita graça, mas seguindo o formato daquilo que é possível realizar em tempos tão complexos.

No que se refere a apostas, o favoritismo está mais do que declarado para SuccessionWatchmen, ambas da HBO, líderes de indicações nos seus respectivos segmentos e merecedoras de toda e qualquer coração. Já entre as comédias, tudo indica que Schitt’s Creek seja reconhecida por sua última temporada, ainda que seja prudente não subestimar o carinho dos votantes por The Marvelous Mrs. Maisel. A TNT transmite a cerimônia virtual a partir das 21h deste domingo (20).

Confira a nossa lista de apostas:

MELHOR SÉRIE DE DRAMASuccession / alt: Ozark
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Laura Linney (Ozark) / alt: Jennifer Aniston (The Morning Show)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Brian Cox (Succession) / alt: Steve Carell (The Morning Show)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Meryl Streep (Big Little Lies) / alt: Julia Garner (Ozark)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Billy Crudup (The Morning Show) / alt: Matthew Macfadyen (Succession)
MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA: Schitt’s Creek / alt: The Marvelous Mrs. Maisel
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Catherine O’Hara (Schitt’s Creek) / alt: Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Ramy Yousseff (Ramy) / alt: Eugene Levy (Schitt’s Creek)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel) / alt: Annie Murphy (Schitt’s Creek)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel) / alt: Daniel Levy (Schitt’s Creek)
MELHOR MINISSÉRIE: Watchmen / alt: Mrs. America
MELHOR TELEFILME: Bad Education / alt: American Son
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Regina King (Watchmen) / alt: Shira Haas (Unorthodox)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Mark Ruffalo (I Know This Much is True) / alt: Hugh Jackman (Bad Education)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Jean Smart (Watchmen) / alt: Toni Collette (Unbelievable)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Jovan Adepo (Watchmen) / alt: Yahya Abdul-Mateen II (Watchmen)

48º Festival de Cinema de Gramado #2: evento começa nesta sexta-feira (18) em formato multiplataforma

Cidade conta com decoração e Tapete Vermelho, mas evento acontece somenete na tela do Canal Brasil e nas redes sociais oficiais do Festival. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

Hoje começa o 48º Festival de Cinema de Gramado. Pela primeira vez desde 2011, quando comecei a subir a Serra Gaúcha para acompanhar ou trabalhar no evento, não poderei fazer uma cobertura diária ao longo da programação. O motivo, no entanto, é nobre: neste ano, fui convidado a integrar o júri da crítica do Festival ao lado de Amanda Aouad, Caroline Zatt da Silva, Isabel Wittmann e Lúcio Vilar. É uma honra tremenda fazer parte desse quinteto, e estou desde já ansioso para conferir o que nos aguarda nas mostras de longas brasileiros, longas estrangeiros e curtas estrangeiros (o júri da crítica entrega um Kikito para o melhor filme de cada um desses segmentos).

Por fazer parte desse júri, obviamente não poderei escrever críticas sobre eles durante o evento, mas, após a entrega dos Kikitos, compartilharei com vocês as minhas impressões sobre os filmes aqui no blog. A programação que começa hoje (18) e se estende até o dia 26 poderá ser conferida nacionalmente, já que o 48º Festival de Cinema de Gramado acontece em formato multiplataforma, com exibição de filmes e homenagens no Canal Brasil (TV e streaming) e demais programações, debates e painéis nas redes sociais oficiais do evento (Facebook, Instagram e YouTube). O longa-metragem brasileiro que abre a programação, a partir das 20h, é Por Que Você Não Chora?, de Cibele Amaral. Confira aqui a programação completa. 

Cinema e Argumento de volta ao YouTube!

Depois de quase três anos, o canal do Cinema e Argumento retoma agora as suas atividades no YouTube!

Nele, compartilharei dicas de filmes que considero excelentes e que merecem ser (re)descobertos, em diferentes plataformas. Além das críticas, essa nova temporada traz entrevistas com muita gente bacana e que eu admiro. O vídeo que inaugura essa reestreia faz uma breve análise sobre Luce, um drama muito instigante e provocativo que não chegou a passar nos cinemas brasileiros, mas que já está disponível em streaming.

Desde já, aproveito para deixar registrado aqui o meu imenso agradecimento a todos os convidados que toparam participar das entrevistas até agora e a todos que me aconselharem e me incentivaram na concepção dessa versão repaginada do canal. É um trabalho singelo, mas feito com muita dedicação e carinho. Outro detalhe importante: todos os vídeos contam com legendas produzidas e revisadas especialmente para esses conteúdos, buscando incluir a população surda.

Por fim, deixo ainda um agradecimento muito especial para o meu amigo Acauã Brondani, responsável pela linda edição dos vídeos, e para o Rodolfo Moschen, que assina a maravilhosa identidade visual do blog e do canal.

Os conteúdos serão publicados semanalmente. Espero vocês lá!

Rapidamente: “Má Educação”, “Música Para Morrer de Amor”, “Palm Springs” e “O Tempo Com Você”

Hugh Jackman e Allison Janney em Má Educação: dupla entrega excelentes performances para uma história que se constrói a partir da desconstrução de seus personagens.

MÁ EDUCAÇÃO (Bad Education, 2019, de Cory Finley): Baseado na maior fraude envolvendo o sistema público de ensino dos Estados Unidos, o ótimo Má Educação, da HBO, explora o desmoronamento pessoal e profissional de personagens que se apropriaram do dinheiro destinado ao orçamento da Roslyn High School em benefício de suas próprias despesas particulares e familiares. E não qualquer dinheiro: cerca de 11 milhões de dólares foi o montante desviado pelo esquema que se tornou público em 2004. A melhor sacada do roteiro escrito por Mike Makowsky, com base no artigo “The Bad Superintedent”, de Robert Kolker, é não encenar como se deu essa grande fraude, e sim apresentar personagens aparentemente perfeitos para logo em seguida lançar a bomba do escândalo, desconstruindo cada um deles. A partir daí, começa um efeito dominó que funciona ainda mais para o público pouco familiarizado com a história real, pois é intrigante tentar entender quem faz parte de um crime que, de início, parece ter pequenas dimensões. Ao construir personagens através de suas respectivas desconstruções, Má Educação ganha força como uma experiência surpreendente, de ritmo envolvente e com uma atmosfera propositalmente incômoda (vale, por exemplo, prestar atenção nos tons frios da fotografia e na trilha sonora nada óbvia de Michael Abels). Elogios também se estendem a Hugh Jackman e Allison Janney, ambos excelentes. Jackman, ator com outros desempenhos admiráveis na carreira (Os Suspeitos, LoganOs Miseráveis), acerta na vaidade engessada e na perfeição artificial de um homem que, tentando preservar as aparências, passa a perder o controle de tudo a sua volta. Já Janney, em papel coadjuvante, usa seu vasto repertório como uma talentosa intérprete para introduzir parte das as dúvidas e das desconstruções responsáveis por nortear o filme como um todo. Má Educação é outro acerto acerto muito bem-vindo na tradição tão característica da HBO de entregar ótimos telefilmes.

MÚSICA PARA MORRER DE AMOR (idem, 2020, de Rafael Gomes): Coautor do roteiro do belo De Onde Eu Te Vejo, Rafael Gomes volta a falar sobre relacionamentos amorosos na imensidão da cidade de São Paulo, dessa vez em forma de mosaico, acompanhando as turbulências românticas de vários personagens jovens que, apesar de decepções e sofrimentos, seguem acreditando no amor. Entre um coração partido e outro, Música Para Morrer de Amor traz uma trilha sonora com canções sobre as dores de se apaixonar, rendendo inclusive uma divertida sessão de karaokê onde Caio Horowicz e Denise Fraga cantam “Não Aprendi a Dizer Adeus”, a clássica música eternizada na voz da dupla Leandro e Leonardo. Contudo, o filme funciona melhor na teoria do que na prática. Talvez o principal problema seja a dificuldade do espectador em criar uma real conexão com personagens pouco empáticos e centrados nas especificidades da classe média branca, jovem e paulista. E mais: é difícil criar laços com figuras que fazem de tudo para sabotar os seus sentimentos e o dos outros. Na medida em que isso faz parte, claro, do confuso processo de se apaixonar e manter uma relação, Música Para Morrer de Amor prefere ilustrar tal turbilhão emocional com o máximo de atitudes erradas ou imaturas entre os personagens para, ao longo disso, refletir sobre as consequências desses atos e os sentimentos acerca deles com frases de efeito que parecem pensadas para postagens de Instagram. Isso pode ser reflexo da natureza teatral do projeto, uma vez que o roteiro é inspirado no espetáculo Música Para Cortar os Pulsos, também da autoria de Rafael e vencedor do prêmio APCA de Melhor Peça Jovem. Ainda assim, sinto falta de uma maior delicadeza e concisão nessa transposição, características que ele mesmo já havia apresentado ao discutir diferentes vertentes dos relacionamentos no já citado De Onde Eu Te Vejo, onde, aí sim, tive plena facilidade em me identificar ou me solidarizar com as atitudes tortuosas dos personagens em relação ao amor. 

PALM SPRINGS (idem, 2020, de Max Barbakow): A comparação imediata é com Feitiço do Tempo, mas Palm Springs pouco se assemelha a essa adorada comédia dos anos 1990 estrelada por Bill Murray. À parte o fato de que ambos falam sobre protagonistas presos na repetição de um mesmo dia, Palm Springs apresenta para a plateia um personagem que há muito tempo já habita essa realidade. Ou seja, o roteiro escrito por Andy Siara não segue o longo e tradicional arco introdutório onde Nyles (Andy Samberg) descobre a cada cena uma nova particularidade de um estranho universo. O momento é outro: há anos confinado nessa misteriosa condição, ele de repente vê sua rotina abalada quando Sarah (Cristin Milioti) passa a viver a mesma realidade. O cenário é a festa de um casamento, onde, cercados de dezenas de pessoas, eles são os únicos que vivem juntos uma infinita repetição. Nesse confinamento, é claro que surge um interesse romântico entre os dois, o que mais uma vez não é desculpa para que Palm Springs seja óbvio: renegando caminhos tradicionais, o roteiro explora as particularidades de personagens agradáveis, descolados e carismáticos em um recorte que encena a diversão de amigos-logo-apaixonados em um universo onde eles podem fazer qualquer coisa sem consequência alguma (e o clima de festa de casamento ajuda muito nesse sentido!) quanto refletir sobre suas vidas passadas, a falta de perspectiva de um futuro e as sensações felizes e conturbadas de construir um relacionamento em uma circunstância deveras inimaginável. Em breves 90 minutos, o diretor Max Barbakow confere personalidade e muita graça ao resultado, impulsionado pela química de alta sintonia entre Andy Samberg e Cristin Milioti. É o tipo de entretenimento que, especialmente agora em um ano tão difícil como 2020, surge como uma excelente opção para aqueles dias em que queremos desligar a cabeça e curtir uma sessão com boas vibrações.

O TEMPO COM VOCÊ (Tenki No Ko, 2019, de Makoto Shinkai): Aos 44 anos, o diretor Makoto Shinkai viu Your Name, seu quinto longa-metragem, ultrapassar A Viagem de Chihiro, do mestre Hayao Miyazaki, como a maior bilheteria já registrada por um anime em escala mundial. É o caso onde o hype está proporcionalmente de acordo com a qualidade trabalho em questão: apesar da premissa batida, Your Name se desdobra como uma animação originalíssima e empolgante que jamais subestima o espectador (não por acaso, Hollywood já desenvolve uma adaptação live action dirigida por Marc Webb, ainda sem data prevista de estreia). O sucesso estrondoso inevitavelmente acabou criando expectativas em torno do trabalho seguinte de Shinkai, e o resultado é O Tempo Com Você, onde ele volta a pegar uma premissa muito simples para desfiá-la com um olhar mais adulto e menos previsível. O foco desse novo trabalho é a relação entre um jovem que foge sozinho para Tóquio e uma garota da sua mesma faixa de idade que tem o poder de controlar o tempo (não o do relógio, mas sim a chuva, o sol, o frio…). O Tempo Com Você lança um olhar muito adulto para a vida urbana, onde os dois protagonistas, apesar de muito jovens, enfrentam problemas financeiros, solidão, carências e angústias, tudo em meio a uma Tóquio reproduzida com impressionante realismo em suas lindas arquiteturas. É um espetáculo visual belíssimo, no padrão de tudo que Shinkai faz, mas aqui a influência de todo o peso de Your Name se faz sentir, já que há uma perceptível vontade do diretor em querer repetir a fórmula desse filme que lhe trouxe um recorde mundial. A última meia hora de O Tempo Com Você em especial é similar demais a Your Name, inclusive no que se refere à questão estética, com frames que parecem transferidos de um filme para o outro. O uso excessivo de uma trilha com canções sentimentais para dar emoção ao clímax também nos remete à vontade, seja ela involuntária ou não, de Shinkai evocar seu trabalho anterior, que, vale lembrar, ainda é comparativamente superior em objetividade de tramas, duração e ritmo.

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