Cinema e Argumento

Melhores de 2017 – Montagem

Jonathan Amos e Paul Machliss venceram um enorme desafio ao assinar a montagem de Em Ritmo de Fuga. Fazendo muito mais do que apenas trazer agilidade a um filme de ação, a dupla precisou costurar, com inteligência e originalidade, um filme altamente coreografado nas perseguições de carro, nas batalhas corporais e na forma como a trilha sonora está intrinsecamente ligada a toda adrenalina da trama. Em Ritmo de Fuga não é um musical propriamente dito, mas sua lógica técnica pode até sugerir que Amor e Machliss tenham realizado seu trabalho como se o longa de fato o fosse. Se o novo projeto de Edgar Wright tem estilo, personalidade e a capacidade de fazer com que o espectador perceba e se divirta com a fluidez técnica, isso acontece graças ao indiscutível talento da dupla. Ainda disputavam a categoriaAté o Último Homem, Bom Comportamento, Dunkirk e La La Land: Cantando Estações.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – A Grande Aposta | 2015 – Whiplash: Em Busca da Perfeição | 2014 – O Lobo Atrás da Porta | 2013 – Capitão Phillips | 2012 – Guerreiro | 2011 – 127 Horas | 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez | 2007 – Babel

Melhores de 2017 – Ator

Considerando exclusivamente méritos de atuação, é surpreendente Casey Affleck ter levado o Oscar 2017 de melhor ator por Manchester à Beira-Mar. Tudo bem que estamos falando de um drama universal e que abrange questões poderosas como a força implacável do luto, mas a interpretação de Casey está fora dos padrões da Academia: econômica, busca sempre o que se passa dentro de Lee, um homem que, solitário e assombrado por uma terrível tragédia do passado, de repente se vê obrigado a enfrentar uma perda repentina e a assumir papeis que, dado o seu desolador histórico de dores, talvez nunca estivesse pronto para assumir. Casey já era um grande ator em O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, e aqui entrega uma atuação forte, que também se torna o norte para todos os outros ótimos atores em cena, como Lucas Hedges e Michelle Williams. Ainda disputavam a categoria: Hugh Jackman (Logan), James McAvoy (Fragmentado), Ralph Fiennes (Um Mergulho no Passado) e Steve Carell (A Guerra dos Sexos).

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Nelson Xavier – A Despedida | 2015 – David Oyelowo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade| 2014 – Jake Gyllenhaal (O Abutre| 2013 – Joaquin Phoenix (O Mestre| 2012 – Rodrigo Santoro (Heleno| 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei| 2010 – Colin Firth (Direito de Amar| 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade| 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro| 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

Melhores de 2017 – Efeitos Visuais

O Curioso Caso de Benjamin Button, trilogia MatrixTron: O LegadoHomem de Ferro, GladiadorEu, Robô... Os quatro nomes envolvidos nos efeitos visuais de Blade Runner 2049 já fizeram de tudo um pouco ao longo da carreira. Entretanto, experiência como a do filme de Denis Villeneuve é rara por razões que não são as de criar um universo grandioso e épico do ponto de vista visual, mas sim de atribuir essas características sem que o espectador perceba o uso dos efeitos. É o que de fato acontece: de tão minuciosos e bem produzidos, fica fácil acreditar que o universo visto na tela realmente exista, já que a qualidade alcança uma unidade certeira entre os grandes cenários criados digitalmente, os impactantes hologramas que transitam pela cidade, a recriação de personagens do filme original e as não-tão-simples sequências de ação corpo a corpo (é importante lembrar que efeitos visuais não se resumem a artimanhas criadas em computadores). Simplesmente magnífico. Ainda disputavam a categoriaPlaneta dos Macacos: A GuerraStar Wars: Os Últimos Jedi.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Doutor Estranho | 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto| 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)

“Here and Now”: a nova criação de Alan Ball que (mais uma vez) não corresponde às expectativas

Produzida pela HBO e criada por Alan Ball, Here and Now tenta recuperar a vertente de dramas familiares que marcou a era de ouro da emissora no início dos 2000.

Dois grandes retornos eram esperados com a chegada do seriado Here and Now. Primeiro o da própria HBO aos dramas familiares, uma vez que, nos últimos anos, a emissora migrou para o caminho oposto: Game of ThronesWestworld, citando duas de suas mais célebres e recentes produções, fisgaram incontáveis audiências com dimensões épicas e ambiciosas, fazendo falar cada centavo de seus hiper-orçamentos. Já o segundo retorno esperado era o de Alan Ball, roteirista vencedor do Oscar por Beleza Americana e criador de A Sete Palmos, seriado irrepreensível que, ao lado de A Família SopranoThe Wire, tornou a HBO soberana no quesito qualidade durante a ascensão da chamada TV fechada nos Estados Unidos. Em síntese, assim como a HBO estava carente de um drama menor e familiar sobre pessoas como eu e você, Alan Ball precisava de uma nova guinada após o progressivo fracasso de True Blood, série sobre vampiros que degringolou ano após ano ao longo de sete temporadas. O balde de água fria nessa contextualização toda é que, considerando a primeira temporada de Here and Now, esse comeback duplo ficou muito longe de ser conquistado. E, na verdade, nunca chegará perto: hoje mesmo, 25 de abril, a emissora anunciou o cancelamento do programa, dez dias após a transmissão da season (agora seriesfinale. Mas, afinal, o que deu errado para tanta desaprovação por parte do público e da crítica. Muitas coisas, mas vamos por partes. Primeiro, a César o que é de César.

Sempre atento ao poder das representações dramáticas, Alan Ball repete grande parte da inteligência vista em A Sete Palmos para compôr a base de dramas familiares. Lá atrás, no seriado que cimentou sua reputação na dramaturgia televisiva, ele era contundente ao explorar, entre outros aspectos, as múltiplas, complexas e profundas facetas de mulheres das mais diferentes gerações, lógica reproduzida em Here and Now, que forma o seu núcleo principal de forma igualitária entre personagens masculinos e femininos. Entretanto, dá um passo a mais, já que Audrey (Holly Hunter) e Greg (Tim Robbins), além da única filha biológica, adotaram outros três filhos, todos de países diferentes: Ramon (Daniel Zovatto), da Colômbia; Ashley (Jerrika Hinton), da Libéria; e Duc (Raymond Lee), do Vietnã. Há ainda outros personagens diversos que convivem com a família, a exemplo de Farid (Peter Macdissi), terapeuta muçulmano que lida com um conturbado passado familiar. Por experiência e talento, Ball não permite que Here and Now se torne uma mera panfletagem da diversidade que sempre esteve presente no mundo, mas que só agora parece ser devidamente reconhecida pelo audiovisual: apesar das questões sexuais e multirraciais serem debatidas pelo roteiro, o ponto de equilíbrio está em colocar todos os personagens em pé de igualdade, sem fazer com que seus conflitos sejam definidos exclusivamente pela origem ou pela cor da pele de cada um. É, em suma, um retrato honesto e natural da pluralidade da vida.

Exata ao não tornar questões multirraciais e de gênero o centro de sua dramaturgia, Here and Now, no entanto, descamba para a previsibilidade e para a dependência de um mistério ineficiente.

Here and Now sustenta com folga a gama de personagens apresentados, onde a maioria atravessa arcos dramáticos interessantes, de conflitos universais e que levantam questões cada vez mais em voga, com destaque para Navid (Marwan Salama), jovem de gênero fluido que, fora já dar a cara a tapa para a sociedade como um todo, vive assombrado pela rejeição do seu próprio círculo religioso. Tudo sustenta um interesse admirável até mais ou menos a metade da temporada, quando a série passa a se entregar a todo tipo de previsibilidade: infidelidades há longo tempo sugeridas acontecem, faíscas de romances pegam fogo, afirmações até então inquestionáveis se contradizem e até mesmo o questionamento das origens de um filho adotivo passam a ser o tema principal de determinados conflitos. O lugar-comum é frustrante porque Alan Ball se reencontra aqui com diversos diretores e roteiristas responsáveis por episódios inesquecíveis de A Sete Palmos, entre eles Lisa Cholodenko, Nancy Oliver e Jeremy Podeswa. Onde foi parar aquela tão bem-vinda transgressão já trabalhada por eles? Ou simplesmente a capacidade de extrair força e consistência de momentos previsíveis e cotidianos? O senso de dramaticidade parece apurado durante boa parte de Here and Now, mas se esvai quando a temporada precisa tomar rumos mais decisivos frente ao inevitável desfecho da temporada.

Mesmo assim, talvez não exista tropeço mais imperdoável nessa primeira temporada do que a insistência em colocar um suspense psíquico no meio de tantos dramas pessoais. Toda vez que faz com que o filho Ramon tenha visões inesperadas e misteriosas, a série se embola, pois o clima misterioso e sobrenatural falha ao cativar como suspense e como drama. Resultado: ficamos indiferentes quanto aos problemas do personagem e também deixamos de ter paciência com o terapeuta Farid, que ocupa tempo demais em cena ao fazer parte do universo misterioso de Ramon: vivido de forma digna por Peter Macdissi, Farid é uma das figuras mais entediantes já criadas por Alan Ball, e tanta novela em torno de seu passado termina por estagnar a série com repetições e revelações que, no frigir dos ovos, não justificam a infinidade de preliminares. Defendida por um elenco coeso, competente e que consegue driblar papeis que muitas vezes não fazem jus ao talento de cada ator (Holly Hunter, vencedora do Oscar de melhor atriz por O Piano, é um caso pontual), Here and Now tenta encontrar seu valor nos lugares errados, o que é, no mínimo, um equívoco amador para um profissional do calibre de Alan Ball: nessa altura do campeonato, era obrigatório que ele soubesse que um delírio aqui e outro ali até faz bem (fazia em A Sete Palmos), mas que a verdadeira potência dramática de seu texto está nas coisas (não tão) simples da vida — e a milhas de distância de depender de um mistério para funcionar ou causar qualquer comoção.

Melhores de 2017 – Roteiro Original

Atravessando os diferentes estágios do luto, Manchester à Beira-Mar marca o auge da carreira de Kenneth Lonergan (Conte ComigoGangues de Nova YorkMáfia no Divã) como roteirista. E não é por menos: escrito com maestria, o drama, além de explorar como a morte tem diferentes efeitos nos seres humanos, contextualiza cada personagem com inteligência, sobriedade e economia, inclusive aqueles com espaço limitadíssimo em cena, como a Randi de Michelle Williams, que, apesar do tempo restrito, é peça fundamental na potência dramática da história. Em 140 minutos de projeção, o roteiro encaixa fatos, revelações e desdobramentos com uma precisão cirúrgica para, ao longo e ao fim, comover e arrebatar sem qualquer apelação. Estudo íntimo e universal de personagens, o texto de Manchester à Beira-Mar é uma grande aula que deve ser sempre revisitada. Ainda disputavam a categoriaBom Comportamento, Corra!, Mãe! e Personal Shopper.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Aquarius | 2015 – Que Horas Ela Volta? | 2014 – Relatos Selvagens |  2013 – Antes da Meia-Noite | 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille

Três atores, três filmes… com Pablo Villaça

O tempo voa. De repente, chegamos ao 40º convidado da coluna Três atores, três filmes! E quem protagoniza essa simbólica estatística é um nome de peso: o crítico de cinema Pablo Villaça, que, desde 1997, comanda o Cinema em Cena, um dos mais antigos sites de cinema do Brasil. Fui aluno do Pablo em 2012, quando cursei, aqui mesmo em Porto Alegre, o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica ministrado por ele, mas a influência vem de muito antes: ainda em 2006, quando comecei a rabiscar meus primeiros escritos sobre cinema, já tinha o trabalho do Pablo como uma referência entre os nomes que eu acompanhava nacionalmente. Por isso, não é apenas pela extensa e consistente trajetória profissional que tenho imensa alegria em recebê-lo aqui. É também pela ligação afetiva que tenho com o trabalho do Pablo e pela forma aberta e acessível com que ele topou participar da coluna. Quanto às performances escolhidas, elas revelam preferências já conhecidas do nosso convidado, mas o mais bacana é que, a cada nova análise assinada por ele, descobrimos outros tantos detalhes que passavam despercebidos. Não é diferente agora. Confiram abaixo!

Marlon Brando (O Poderoso Chefão)
Brando tinha 46 anos de idade quando rodou o filme, mas, observando seu envelhecimento progressivo ao longo da narrativa (que iniciou quando seu personagem já era bem mais velho do que ele), é notável constatar sua fragilidade física crescente que se torna patente não pela maquiagem, mas por sua postura, sua voz e seus maneirismos. Além disso, o momento em que Don Vito recebe a notícia da morte de Santino representa, para mim, o ponto máximo da carreira de um ator que já é o melhor dos melhores: ao ouvir Tom Hagen (Robert Duvall) informar que Sonny foi metralhado e está morto, Brando expulsa o ar do corpo de uma vez só, como se tivesse levado um soco. No entanto, ciente de que deve tomar decisões imediatas, ele reúne as forças para dizer que não quer nenhuma investigação – quando, então, solta um pequeno gemido que sugere a imensa dor que está enfrentando. Aos poucos, recobra um pouco das forças e ergue o queixo, mas, ao dizer a última fala (“This war stops now”), ele mal chega ao final e sua voz desaparece num suspiro. Este momento sempre me parte o coração.

Al Pacino (trilogia O Poderoso Chefão)
A transformação de Michael Corleone é o centro narrativo da trilogia: de jovem idealista que quer se manter longe dos negócios da Família, é obrigado a assumir sua liderança até perder completamente qualquer bússola moral, eliminando o próprio irmão mais por sentir-se traído do que por necessidade – algo que o atormenta pelo resto da vida até sua morte solitária no meio de cachorros vira-latas no chão poeirento de um lugar vazio. Pacino retrata todas estas etapas de Michael com sutileza: da alegria jovial do personagem ao dançar com a noiva ao ressentimento que demonstra para com o pai, ele deixa claro que aquele é um homem que valoriza muito mais a família do que a Família – e é sua preocupação com a segurança do pai que o leva a assumir uma ação que, ele sabe, irá eliminar qualquer possibilidade de uma vida longe da violência. Aos poucos, ele recupera um quê de alegria na Sicília, mas a morte de Apollonia acaba deixando-o amargo. A partir, sua frieza se torna chocante, revelando-se no planejamento do ataque contra as quatro outras famílias, na relação com a esposa e na forma como lida com o cunhado e com Sal, que considerava um tio. A partir da Parte II, esta implacabilidade do personagem se torna ainda maior, sendo a decisão de matar Fredo a que finalmente elimina qualquer traço de humanidade e o afasta de vez daqueles que ama. O curioso é que, na Parte III, Michael ressurge consideravelmente mais leve e feliz – o que é fruto óbvio de seu alívio por finalmente ter legitimado todos os negócios da Família e saído do mundo do crime (algo que sempre prometeu fazer). Esta alegria temporária, contudo, é destruída quando seu passado retorna para cobrar tudo que fez, o que finalmente o destrói definitivamente. E Al Pacino encarna toda esta jornada mesclando introspecção e explosão, carinho e frieza, amor e ódio.

Brooklynn Kimberly Prince (Projeto Flórida)
O que a pequena atriz faz no filme de Sean Baker é algo de único: com uma naturalidade surpreendente para uma estreante, a garota constrói todo o universo de sua personagem, Moone, a partir de ações displicentes como brincar de bater a cabeça na parede (até se machucar e agir com surpresa infantil diante do óbvio), lamber um sorvete com a empolgação de alguém que encara cada guloseima como uma alegria a ser explorada ao máximo e os saltos sapecas ao convidar os amigos para invadirem uma sala na qual não deveriam entrar. A performance de Prince é tão autêntica, aliás, que muitos parecem não acreditar que se trata de interpretação. “Ela está sendo ela mesma”. Ora, ninguém se atreveria a dizer algo assim sobre Meryl Streep ou Daniel Day-Lewis. Por que com Prince é diferente? Porque é criança. Até que você lê o roteiro, assiste a vídeos dos bastidores ou testemunha mais uma vez sua vulnerabilidade repleta de lágrimas nos minutos finais e constata que, sim, ela estava interpretando. Suas falas eram decoradas; suas emoções, “simuladas” (o que não quer dizer que ela não as experimentou de verdade). E isso, somado ao carisma da garota, cria uma performance que não apenas deveria ter sido indicada a todos os prêmios de Melhor Atriz relativos a 2017, mas também vencido todos.

Melhores de 2017 – Roteiro Adaptado

Animação francesa de temática delicadíssima, Minha Vida de Abobrinha acompanha a história de um garoto que, após causar acidentalmente a morte da própria mãe, é enviado a um orfanato. Lá, encontra crianças que, assim como ele, praticamente desconhecem o que é amor ou amizade e que, em muitos casos, também vieram de lares desfeitos por tragédias familiares. É fenomenal como a roteirista Céline Sciamma, que dirigiu e escreveu o ótimo Tomboy, adapta o livro homônimo de Gilles Paris, especialmente ao tratar de temas dificeis como abuso infantil, abandono e bullying: construído a partir de infinitas sutilezas, o roteiro captura o impacto de todos esses dramas ao mesmo tempo em que projeta, através do convívio entre tantos personagens solitários e sem perspectiva, algum tipo de luz no fim do túnel. O Oscar 2017 de melhor animação pode não ter vindo (o consagrado pela Academia foi o superestimado Zootopia), mas a França deu o devido valor ao filme de Claude Barras: no Festival de Annecy, levou o prêmio principal e o do público, enquanto os votantes do César concederam ao filme as estatuetas de melhor animação e roteiro adaptado. Ainda disputavam a categoriaExtraordinário, O Filme da Minha Vida, Logan e Moonlight: Sob a Luz do Luar.

EM ANOS ANTERIORES: 2016 – Carol |  2015 – 45 Anos | 2014 – Garota Exemplar | 2013 – Azul é a Cor Mais Quente| 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo

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