Cinema e Argumento

Os vencedores do Globo de Ouro 2020

Joaquin Phoenix foi o melhor ator por Coringa no Globo de Ouro 2020. Renée Zellweger, Laura Dern e Brad Pitt também se consolidam como favoritos para as próximas premiações.

Entre títulos dirigidos por cineastas consagrados (O Irlandês, Era Uma Vez Em… Hollywood) e outros que ecoaram com grande impacto junto a público e crítica (Parasita, História de Um Casamento e Coringa), o Globo de Ouro optou por uma via aparentemente mais imparcial: premiar 1917 como melhor filme. Dirigido por Sam Mendes, o épico de guerra sequer estreou comercialmente nos Estados Unidos, passando em branco nas listas de tantas associações de críticos que se dividiam entre O Irlandês e Parasita. Foi a maior surpresa de uma noite que, no geral, confirmou vários caminhos já ensaiados na temporada de premiações.

Há pelo menos dois grandes tombos registrados no Globo de Ouro 2020. O primeiro é o de O Irlandês, que não se beneficiou de uma lista altamente distributiva e saiu de mãos abanando. O segundo é o da Netflix, que ostentava 34 indicações e acabou levando somente duas (atriz coadjuvante em cinema para Laura Dern com História de Um Casamento e melhor atriz em série dramática para Olivia Colman com The Crown). Por outro lado, estão confirmados os favoritismos de nomes como Renée Zellweger (melhor atriz por Judy), Joaquin Phoenix (ator por Coringa) e Brad Pitt (ator coadjuvante por Era Uma Vez Em… Hollywood), além da já citada Laura Dern.

Não é difícil imaginar o Globo de Ouro já sinalizando uma ampla consagração para 1917 no Oscar. Épicos ainda mobilizam a Academia, especialmente aqueles repletos de virtuosismos técnicos e artifícios como o uso de planos-sequência. Em um ano onde é difícil achar uma métrica para diretores tão unânimes em diferentes espectros, essa parece ser uma saída bastante lógica. Na próxima semana, o longa de Sam Mendes volta a concorrer a um prêmio: o Critics’ Choice Awards, que costuma ser confuso e de relevância menor do que a do Globo de Ouro. Fica, entretanto, a curiosidade em relação a como o filme performará junto a um novo grupo de votantes.

Confira abaixo a lista completa de vencedores do Globo de Ouro 2020:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA: 1917
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR DIREÇÃO: Sam Mendes (1917)
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)
MELHOR ATOR – DRAMA: Joaquin Phoenix (Coringa)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Awkwafina (The Farewell)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Taron Egerton (Rocketman)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laura Dern (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ROTEIRO: Era Uma Vez Em… Hollywood
MELHOR ANIMAÇÃO: Link Perdido
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Parasita (Coreia do Sul)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
MELHOR TRILHA SONORA: Coringa

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE – DRAMA: Succession
MELHOR SÉRIE – COMÉDIA: Fleabag
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Chernobyl

MELHOR ATRIZ – DRAMA: Olivia Colman (The Crown)
MELHOR ATOR – DRAMA: Brian Cox (Succession)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Ramy Youssef (Ramy)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Michelle Williams (Fosse/Verdon)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Russell Crowe (The Loudest Voice)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Patricia Arquette (The Act)
MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Stellan Skarsgård (Chernobyl)

Apostas para o Globo de Ouro 2020

Neste domingo (05), a Hollywood Foreign Press Association revelerá a sua lista de vencedores a edição 2020 do Globo de Ouro. Entre prêmios voltados para o cinema e para os seriados, acompanharemos a entrega de estatuetas para 25 categorias, abrindo a temporada das premiações televisivas que, posteriormente, segue com o Critics’ Choice Awards (12/01), o Screen Actors Guild Awards (19/01), o BAFTA (02/02) e, claro, o Oscar no dia (09/02). Para quem for acompanhar a cerimônia pela TV, a TNT transmitirá ao vivo a entrega dos prêmios às 22h (horário de Brasília), antecedida pelo tapete vermelho às 21h. Já na página oficial do Cinema e Argumento no Facebook, estaremos ao vivo a partir das 20h para comentar as nossas apostas já listadas abaixo.

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA: Coringa / alt: O Irlandês
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Era Uma Vez Em… Hollywood / alt: Entre Facas e Segredos
MELHOR DIREÇÃO: Bong Joon-ho (Parasita) / alt: Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris) / alt: Scarlett Johansson (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR – DRAMA: Joaquin Phoenix (Coringa) / alt: Adam Driver (História de Um Casamento)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Awkwafina (The Farewell) / alt: Ana de Armas (Entre Facas e Segredos)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Taron Egerton (Rocketman) / alt: Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez Em… Hollywood)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Jennifer Lopez (As Golpistas) / alt: Laura Dern (História de Um Casamento)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Brad Pitt (Era Uma Vez Em… Hollywood) / alt: Joe Pesci (O Irlandês)
MELHOR ROTEIROParasita / alt: História de Um Casamento
MELHOR ANIMAÇÃOFrozen 2 / alt: Toy Story 4
MELHOR FILME ESTRANGEIROParasita / alt: Retrato de Uma Jovem em Chamas

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman) / alt: “Spirit” (O Rei Leão)
MELHOR TRILHA SONORACoringa / alt: 1917

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE – DRAMAThe Morning Show / alt: The Crown
MELHOR SÉRIE – COMÉDIAFleabag / alt: The Kominsky Method
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Chernobyl / alt: Unbelievable

MELHOR ATRIZ – DRAMA: Olivia Colman (The Crown) / alt: Jennifer Aniston (The Morning Show)
MELHOR ATOR – DRAMA: Billy Porter (Pose) / alt: Tobias Menzes (The Crown)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Phoebe Waller-Bridge (Fleabag) / alt: Kirsten Duns (On Becoming a God in Central Florida)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Paul Rudd (Living With Yourself) / alt: Ramy Youssef (Ramy)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Michelle Williams (Fosse/Verdon) / Kaitlyn Dever (Unbelievable)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Sacha Baron Cohen (The Spy) / alt: Russell Crowe (The Loudest Voice)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Meryl Streep (Big Little Lies) / alt: Helena Bonham Carter (The Crown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Andrew Scott (Fleabag) / alt: Stellan Skarsgård (Chernobyl)

“O Caso Richard Jewell”: questionando quais são os verdadeiros tribunais em uma acusação, Clint Eastwood realiza o melhor longa de sua mais recente safra como diretor

I’m sorry the world has gone insane.

Direção: Clint Eastwood

Roteiro: Billy Ray, baseado no artigo “American Nightmare: The Ballad of Richard Jewell”, de Marie Brenner

Elenco: Paul Walter Hauser, Sam Rockwell, Kathy Bates, Jon Hamm, Olivia Wilde, Nina Arianda, Charles Green, Ian Gomez, Grant Roberts, Alan Heckner, Desmond Phillips

Richard Jewell, EUA, 2019, Drama, 131 minutos

Sinopse: A história real de Richard Jewell (Paul Walter Hauser), segurança que se tornou um dos principais suspeitos de bombardear as Olimpíadas de Atlanta, no ano de 1996. Na realidade, ele foi o responsável por ajudar inocentes a fugirem do local e avisar da existência de um dos explosivos. (Adoro Cinema)

A figura do protagonista inocente que é perseguido por autoridades ou pela imprensa de maneira injusta tem sido um interesse de Clint Eastwood desde os anos 1990 com Crime Verdadeiro. Entre Sobre Meninos e LobosA TrocaSully: O Herói do Rio Hudson, Clint questionou o julgamento, seja o real ou da opinião pública, com histórias provocadoras, ainda que nem sempre executadas com o talento que consagrou a sua carreira. Pois agora o diretor volta ao tema com O Caso Richard Jewell, que, remontando a história do personagem-título, pode ser considerado o seu trabalho mais instigante em uma carreira recente de grande produtividade, mas pouca assertividade.

O recorte se dá nas Olimpíadas de Atlanta em 1996, quando Richard Jewell (Paul Walter Hauser, ótimo), um segurança contratado para o evento, salva a vida de diversas pessoas após constatar que o lugar estava prestes a ser bombardeado. Tentando inutilmente achar o verdadeiro culpado pelo atentado, o FBI, desesperado por respostas, decide incriminar aos poucos o próprio Richard Jewell, aproveitando-se de uma série de fatos e circunstâncias que, quando ajustados, poderiam agir contra a sua imagem de herói. Junto a isso, uma jornalista sem escrúpulos e sedenta por conseguir uma capa de jornal, entra na jogada para engrossar o caldo de acusações sem fundamentos.

Clint filma O Caso Richard Jewell de maneira formal e linear, sublinhando até mesmo os momentos mais dramáticos com os clássicos temas em piano que tanto gosta de usar na trilha sonora. E isso não é um problema, pois a trama é tão envolvente e bem interpretada que o espectador, assim como os próprios personagens, também se vê ansioso por algum tipo de justiça. É um trabalho que fala muito sobre a necessidade de imediatamente encontrarmos heróis ou vilões para situações trágicas e sobre como alguns profissionais, frustrados por falharem em seu próprio trabalho, não medem esforços para transferir qualquer culpa.

Sem jamais colocar o espectador em dúvida sobre a inocência de Richard Jewell (o que é muito digno e respeitoso da parte de Clint), o longa cria, com simplicidade e eficiência, uma reflexão muito contemporânea sobre aquele tribunal que é o mais perigoso de todos: o da opinião pública, especialmente quando induzido e estimulado por autoridades e pela mídia. Ainda que não se passe na tenebrosa era das redes sociais, O Caso Richard Jewell fala muito sobre como sempre somos convencidos com facilidade pela migalha mais incerta e rasa de informação. O que importa, no final das contas, é apontar o dedo para confirmar convicções pessoais.

Nessa discussão, no entanto, há um calcanhar de Aquiles: a figura da jornalista vivida por Olivia Wilde. E o problema é anterior ao fato da representação envolvendo uma personagem feminina oportunista que veste roupas chamativas e transa com a fonte para conseguir informações privilegiadas. Além de Olivia Wilde apostar na caricatura, a subtrama em si é muito artificial e pouco produtiva, estereotipando discussões que já são bem abordadas por outros pontos de vista do roteiro. Sua humanização manjada ao final do filme também não contribui para uma storyline que, no mínimo, deveria ter sido sistematicamente reduzida nos tratamentos da história escrita por Billy Ray.

O que compensa esse deslize é o fato do lado injustiçado da história somar tantos pontos em naturalidade e boas nuances, muitas delas proporcionadas por coadjuvantes com excelentes munições dramáticas. A mãe vivida com extrema humanidade por Kathy Bates, por exemplo, rende alguns dos momentos mais emocionantes do filme e o advogado interpretado por um inspirado Sam Rockwell é a voz do espectador em busca de algum tipo de justiça e bom senso na acusação estapafúrdia. Eles ancoram tudo o que existe de melhor em O Caso Richard Jewell, um filme que recupera a ideia de que o maior terrorismo, no final das contas, segue sendo o do abuso de poder e o da injustiça contra aqueles que supostamente não tem voz.

Adeus, 2019! (e as melhores cenas do ano)

2019 foi um ano difícil. A enxurrada de notícias absurdas, reviravoltas políticas inacreditáveis e desmontes que levarão anos (talvez décadas) para serem recuperados abalou a estrutura de um Brasil já fraturado há alguns anos. Como sempre, o cinema foi o meu refúgio. Na sala de cinema, mesmo revisitando nossas angústias diárias discutidas por filmes de tantos cantos do mundo, mergulhei em outras dimensões. Dez dos momentos que mais me marcaram estão listados abaixo, sem ordem de preferência, seguindo a tradição do blog ao final de cada ano. Que estas sequências sirvam de retrospectiva para 2019 e que também nos dêem força e vigor para encarar 2020. Continuamos juntos, queridos leitores!

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O sorriso de Zain em Cafarnaum

Possivelmente o único vislumbre de esperança no poderoso filme de Nadine Labaki. Mais um momento avassalador do pequeno Zain al Rafeea, que estraçalhou meu coração durante pouco mais de duas horas. Embalada pela marcante trilha de Khaled Mouzanar, é uma imagem hipnotizante capaz de ecoar durante muito tempo junto ao espectador após a sessão.

O reencontro de Salvador e Federico em Dor e Glória

Todo o universo de uma paixão intensa e impossível traduzido em uma única noite. Antonio Banderas e Leonardo Sbaraglia criam uma química de tirar o fôlego. Uma cena cuja sensibilidade, profundidade e dimensão só poderia vir de um cineasta tão humano e apaixonado como Pedro Almodóvar.

Uma dança para a rainha Anne em A Favorita

A cena que merecidamente garantiu o Oscar de melhor atriz para a excepcional Olivia Colman. Em um plano sem cortes, o diretor Yorgos Lanthimos aproxima o espectador do rosto de uma personagem cujos sentimentos se modificam a cada segundo. Uma aula de atuação sem uma palavra sequer, baseada em expressões que sintetizam a grandeza de uma intérprete.

A participação especial de Fernanda Montenegro em A Vida Invisível

Seja na TV, no teatro ou no cinema, o ar parece se transformar quando Fernanda Montenegro entra em cena. Não é diferente em A Vida Invisível. Com uma participação especial de cortar o coração, ela dobra a intensidade dramática que o filme já havia apresentado até ali, fechando o filme com chave de ouro.

Sorrindo para o caos em Coringa

Sequência que marca auge da imponente interpretação de Joaquin Phoenix. Quando Coringa finalmente nasce em meio ao caos, o ator segue preocupado em mergulhar no homem conturbado por trás de um sorriso desenhado com sangue. Perturbadora e intensa, a cena seria o desfecho perfeito caso Coringa não tivesse avançado um tantinho mais na história.

Uma ligação carregada de culpa em O Irlandês

Entre murmuros, hesitações e espantos, Robert De Niro tem, em uma ligação assombrada pela culpa, o seu maior momento como intérprete em muitos anos. Todo o remorso de um personagem lidando com as consequências e os fantasmas de suas escolhas é capturado com plenitude pelo ator. Precisamos sempre de mais momentos como esse para De Niro.

O número musical da canção-título de Rocketman

Passagem que melhor sintetiza a criatividade e a liberdade artística de Rocketman. Por ter carta branca de Elton John e por se permitir mergulhar de cabeça na magia que sempre cercou a carreira do cantor, o musical de Dexter Fletcher escapa do lugar-comum, especialmente nessa cena da canção-título, que leva um Elton John da overdose em uma piscina ao céu como um foguete.

Noite de chuva em Parasita

Mais do que um momento específico, todo o ato envolvendo a noite de chuva em Parasita é um assombro. Com reviravoltas, críticas sociais e diferentes leituras dramáticas, Bong Joon-ho leva o espectador por caminhos surpreendentes e inesperados, dando mais uma guinada nas tantas transformações de gênero trabalhadas ao longo da projeção.

Invasão ao edifício em Mormaço

Totalmente alinhado com a nossa realidade, Mormaço é uma inquietante experiência que começa quase documental para, aos poucos, tornar-se uma obra de toques fantásticos, flertando até mesmo com o terror. E a sequência final, que acompanha uma invasão da polícia carioca a um prédio em particular, é um pesadelo social que Marina Meliande filma com brutalidade e veracidade.

Reunião familiar em Se a Rua Beale Falasse

Quando Barry Jenkins reúne as duas famílias de Se a Rua Beale Falasse para um jantar onde Tish (KiKi Layne) revelará uma importante notícia, as melhores características do longa vêm à tona, começando pela forma crítica com que olha para estereótipos até a leitura sensível que faz do verdadeiro significado do que é uma família. A cereja no bolo é o trabalho do inspirado elenco.  

Charlie e a carta de Nicole em História de Um Casamento

A cena de discussão entre os dois protagonistas já é famosa, mas prefiro ficar com a sequência em que Charlie (Adam Driver) encontra a carta que Nicole (Scarlett Johansson) não leu na sessão de terapia frequentada pelos dois. A interpretação de Driver é maravilhosa, e o momento, dividido entre a melancolia e o afeto, compreende que nem todo término de relação deixa apenas gostos amargos.

As dez melhores séries de 2019

Watchmen, da HBO, é uma das melhores séries do ano. No programa criado por Damon Lindelof, o universo dos quadrinhos é adaptado com personalidade própria e sem fórmulas tradicionais.

É hora de dar o start na brincadeira dos melhores do ano. Vi o que pude em um ano que não me permitiu ver tantos filmes e seriados quanto eu gostaria. Selecionei aquelas obras que mais me tocaram de alguma forma. Listas, como sempre, são muito pessoais e dizem mais sobre quem as faz do que necessariamente sobre os escolhidos em si. Gosto dessa lógica. Começo abaixo pelas séries, elencando as minhas dez favoritas de 2019 (sem ordem de preferência).

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The Act (Hulu, primeira temporada)
Uma antologia tão macabra que só poderia mesmo ter como inspiração a vida real. Temporada de 8 episódios com duas grandes performances de Joey King e Patricia Arquette. Vale a dobradinha com o documentário “Mommy Dead and Dearest”, da HBO, sobre a mesma história. A Hulu ainda não deu informações sobre uma segunda temporada. Relembre a crítica publicada aqui no blog.

After Life (Netflix, primeira temporada) 
O trabalho mais sentimental da carreira de Ricky Gervais, sem perder a acidez típica do ator/diretor/roteirista. Um olhar tão delicado quanto tragicômico sobre o luto e sobre os desafios de (tentar) seguir em frente. Já está renovada para mais uma temporada.

The Crown (Netflix, terceira temporada)
Olivia Colman assume o protagonismo da terceira temporada de “The Crown” com o brilhantismo de sempre. De contornos muito mais políticos e morais, a nova fase da série tem na divisão democrática de espaço com os coadjuvantes a sua maior potência narrativa. A quarta temporada estreia em 2020, novamente com Olivia Colman.

Chernobyl (HBO, minissérie)
Uma densa crítica em torno da negligência, da mentira e da irresponsabilidade que parte de políticos e governantes. Ao centrar a história na forma como tudo é cobrado e como sempre há um preço a ser pago, a HBO criou um dos grandes eventos televisivos do ano.

Fleabag (Amazon Prime, segunda temporada)
Quase nunca vemos uma série centrada em uma personagem feminina, errática e complexa que diz muito mais sobre nós mesmos do que estamos dispostos a admitir. É uma pérola porque compreende a força da comédia para falar sobre nossos anseios mais incômodos. A série não terá mais temporadas.

Modern Love (Amazon Prime, primeira temporada)
Uma grande evolução na relação da Amazon com o grande o público, embalada pelo toque delicado de John Carney como showrunner. Tem histórias mais interessantes do que outras, mas é uma experiência carinhosa e traduzida por um grande elenco. Uma nova temporada já foi encomendada pela Amazon.

Mrs. Fletcher (HBO, primeira temporada)
Kathryn Hahn está inspiradíssima nessa pérola da HBO que passou despercebida em quase todas as listas do ano. Vale correr atrás: “Mrs. Fletcher” tem mais um texto lindo de Tom Perrotta e escapa de todos os clichês envolvendo a síndrome do ninho vazio. A HBO ainda não anunciou se será renovada para uma segunda temporada. Relembre a crítica publicada aqui no blog.

Years and Years (HBO/BBC, minissérie)
Perturbadora análise sobre tudo que pode acontecer em um futuro que, na verdade, já está muito próximo. São seis episódios afiadíssimos que capturam o caos político e moral de uma era que escolheu aplaudir a ignorância e a má fé de toscos governantes. Relembre a crítica publicada aqui no blog.

Watchmen (HBO, primeira temporada)
A expectativa era grande porque “The Leftovers” é o meu seriado favorito da década, mas “Watchmen” dá sequência ao que Damon Lindelof vem fazendo de melhor como contador de histórias. Os nerds espumaram de raiva. Sinal de que a série realmente é um espetáculo. Lindelof diz ter idealizado a série para somente uma temporada, mas a HBO ainda não oficializou a decisão final.

When They See Us (Netflix, minissérie)
Revoltante relato da vida real que a diretora Ava DuVernay adaptou para a Netflix com uma força emocional avassaladora. Impossível ficar indiferente a uma história tão potente e a um drama tão bem desenhado em suas críticas e justiças.

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