Cinema e Argumento

54º Festival de Cinema de Gramado #9: Luiz Fernando Carvalho sobre Maria Fernanda Cândido

As grandes intérpretes, todas elas, nos ensinam a ver, ouvir e sentir. Graças à sua arte sensível, chegamos a compreender o mundo. Quanto maior o amor, maior a compreensão. Sem o amor – nos ensina Godard –, o cinema é impossível. Amo profundamente Maria Fernanda Cândido. Suas inseguranças e suas dúvidas não me causam problemas, não me esgotam. Muito pelo contrário. São premissas fundamentais, me iluminam.

“É preciso um paraquedas” me disse certo dia Raul Cortez, anunciando que os grandes intérpretes caminham no limiar entre o precipício e o voo. E este ser de paraquedas se apresenta de tantas formas, não é? Suas raízes aquáticas logo surgem e, inconstantes, vagam, vêm e vão como as marés e suas luas, mas sempre nos presenteando pérolas abissais.

Foi, é, e será sempre assim. Por isso, me lanço ao seu encontro e, em suspenso, pergunto a mim mesmo: como não amar Maria Fernanda Cândido? É uma atriz sempre atenta e aberta para as sutilezas que não se dão em palavras, compreendendo o que não se deixa capturar pelo mero entendimento. Mas aqui também não me esquecerei de sua beleza. Quem conseguiria? Afinal, a melhor parte de sua beleza é aquela que nenhuma imagem seria capaz de expressar: um enigma!

Amo profundamente sua imaginação criadora, seus sonhos, seus oceanos, onde, ambos, sempre juntos, ela e eu, de mãos dadas, já mergulhamos tantas vezes: “Capitu”, “A Paixão Segundo G.H.” – entre outras ondas… A influência de sua arte sensível sobre minha vida é imensa, nutrindo nossa parceria de décadas, me enfeitiçando e, ao mesmo tempo, com profunda lucidez, me lembrando sempre de que a Arte e o Humano sobrevivem no mundo graças à experiência com o sensível. Mas o que seria o sensível? Ela própria, decerto! 

Como não amar Maria Fernanda Cândido? Eu me repito, eu sei, perdoem, mas como não amar esta selvagem que, com a coragem das crianças, passa das lágrimas ao riso num átimo? 

Maria Fernanda me ensinou muito, sobretudo sobre seu ofício, mas sem uma linha de teoria ou moral. O sentimento sempre vinha na frente de tudo. Devo muito à Maria Fernanda e a seu mundo à flor da pele que, apesar de tudo, necessita seguir entre a loucura santa e o ridículo. Mas o que seria este apesar de tudo? Apesar das injustiças todas, apesar do planeta dividido entre opressores e oprimidos, apesar das guerras todas; enfim, apesar de todos estes desmoronamentos, Ela – o ser sensível – resistirá sempre e sua arte não passará. E aqui, agora, em profundo silêncio, escrevo estas palavras procurando dar sentido ao que é indizível – e, em agradecimento, me curvo diante desta atriz que é feita de luz, assim como o cinema.

Luiz Fernando Carvalho, cineasta e diretor de TV
para o 54º Festival de Cinema de Gramado

54º Festival de Cinema de Gramado #8: Fernanda Torres sobre Selton Mello

Raros são os atores capazes de transitar entre um drama histórico como “Ainda Estou Aqui” e as irresistíveis bobagens de “Anaconda”, entre Rubens Paiva e Jack Black; entre André, de “Lavoura Arcaica”, e Chicó, do “O Auto da Compadecida”. Acontece que Selton Mello nasceu com a benção de Melpômene e Tália, da tragédia e da comédia, e entende, como poucos, que uma musa não existe sem a outra. 

Quando me pediram um texto sobre esse imenso parceiro, amigo e irmão, reli uma breve carta que escrevi para o livro do Selton, logo no fim da filmagem de “Ainda Estou Aqui”, filme que não existiria sem o abismo causado pela ausência do Selton em cena. Pensei em reeditá-la, mas a carta é tão íntima e verdadeira, e fala tanto da essência e da importância do Selton para mim e para nós todos, que preferi mantê-la como foi escrita, um documento daquele nosso claro instante.

“Selton amado,

Te escrevo um dia depois da cena de Rubens e Eunice no quarto, fechamento da nossa parceria no “Ainda Estou Aqui”. Refilmamos a cena, depois de mais de mês de convivência, já amigos, já casados e cúmplices na vida e na arte. 

Jamais vou esquecer da nossa conversa na maquiagem, que começou com a sua retrospectiva de ator mirim e terminou numa competição desenfreada, ao longo da filmagem, dos dinossauros com os quais tivemos a honra de trabalhar. Você mandava um Moacyr Franco e eu um Sebastião Vasconcelos; Wilker e Walmor comuns aos dois; Paulo José íntimo seu, mas parente meu por osmose familiar; Jardel Filho só meu, Ítalo todo seu, embora meu, também, por tabela, pela amizade com os Fernandos. 

Você foi ator mirim e eu cria de coxia, somos veteranos nessa guerra e jovens ainda para tanta história. Você já foi elenco de apoio de “Olho no Olho”, novela mutante das sete, e eu vendi caipirinha em pó. Você conheceu o ostracismo na adolescência e eu a crise dos trinta, quando comecei a escrever, meio arrependida de ter seguido a profissão dos pais. Você foi para trás das câmeras dirigir e eu fui buscar uma alternativa nas letras, para não ter mais que me maquiar. 

Na raiz, no entanto, somos atores mesmo, gostamos do ofício, do tijolinho que se conquista a cada tomada. Jamais vou esquecer de você pedindo para repetir um take que havia começado promissor no banheiro, mas que, na porta, já havia te deprimido e, no armário, já o havia feito desistir da profissão. É o resumo da nossa conquista diária de detalhes mínimos, imperceptíveis, mas que separam um instante vazio, em cena, de um momento sublime, que vale a pena ser registrado.

Você é uma mistura indefinível de domínio total do ofício de ator com um desconforto eterno de ter que se expor ali. A desconfiança é sua reação primeira, talvez pelo acúmulo de roubadas e vexames nos quais já se meteu. O ensaio te incomoda, a repetição, o risco de perder o frescor, acompanhado do temor de entregar algo medíocre. No avançar dos trabalhos, no entanto, vê-se, no seu rosto, o prazer de tornar uma cena sua, de fazê-la própria, de dominá-la numa medida delicada, humana e verdadeira, como te ensinou o Paulo José. Por fim, a repetição já não te parece tão inútil e você se lembra até com saudade e orgulho do desagrado da preparação. 

Eu não sabia que a tua família havia saído de Passos, em Minas, para investir na sua carreira promissora de criança na televisão. E que o ostracismo, na adolescência, havia te pesado tanto e tão cedo. A responsabilidade de não ter o direito de fracassar perante a vida e a família. Eu não passei pelo trauma da carreira mirim, embora tenha começado cedo, mas cresci com o peso de que jamais me igualaria à minha mãe, e isso carregando o nome dela. Já nasci perdendo, Selton, e, nesse sentido, com o mesmo sentimento de falência e exposição que o seu. 

Somos parecidos, duas crianças veteranas e, hoje, adultos anciãos. Temos amor pelo gauche, pelo fora do lugar, pelos atores que experimentaram a decadência, em algum momento da vida. Somos almas antigas, Selton, já erramos muito e nos arrependemos, o que nos fez desenvolver um apego enorme pela falência e o fracasso.

Você virou dublador na adolescência para continuar pelas beiradas de uma profissão que te virou as costas. E, num momento triste, trágico, num estúdio de dublagem de desenhos animados, você aprendeu a modular a velocidade e a clareza da emissão. Ao contrário de mim, você sabe que não precisa se expressar tanto com o rosto, se a intenção da fala estiver precisa. Você acerta sempre de primeira, enquanto eu só engato na quarta tomada. Eu aceito a indicação do diretor como um cachorro bem treinado, mas você desconfia sempre, apostando no próprio taco. 

Quando fizemos “Os Normais”, fiquei meio abismada porque, de perto, parecia que você não tinha feito nada. Depois, quando via a cena no ar, estava tudo lá, todas as intenções na modulação corretíssima das palavras, no ritmo e na fineza ímpar. Eu, ao contrário, sacolejava o corpo, mexia a cabeça, ria alto e exagerava em uma tomada de dois segundos, uma Carmen Miranda fora de controle, enquanto você era todo humor inglês.  Eu te admiro muito, Selton, o bebê idoso que você é. Carisma é algo difícil de definir, mas que você tem de sobra.

Fomos parceiros num comercial de banco por três anos, lembra? Você odiava ser fotografado e eu dizia, “vamos, Selton, ri com esse cartão na mão para a gente ir logo pra casa”, e você ria, desconfortável e meio me agradecendo pelo variar de poses, que tornava mais breve o seu suplício. Esse desconforto eterno, misturado com a profundidade com que você enxerga a nossa profissão, o teu olhar demasiado humano para a fragilidade de nós todos, a sua sutileza, a tua mineirice, a maneira ao mesmo tempo íntima e formal com que você se aproxima da gente, esse mistério que você tem, essa melancolia de palhaço, tudo isso dá uma vontade enorme de que você queira, e permita, o nosso carinho e amizade.”

Evoé, Selton!

Fernanda Torres, atriz
para o catálogo do 54º Festival de Cinema de Gramado

54º Festival de Cinema de Gramado #7: Bárbara Paz sobre Renata Almeida Magalhães

Foto: Cristina Granato

Ela é mãe.

Mãe de Julia e Flora. 

Avó de Raphael. 

Mulher do seu grande amor, Cacá Diegues. 

E, desse amor, nascem muitos filmes. Amor que transborda cinema, que vai além das telas…

Renata fez do cinema sua vida. Um caminho de amor e pontes entre tantos talentos e afetos. Tece essa rede de amores com maestria, pelo olhar atento de uma produção dedicada, com mãos que sempre embalaram o coletivo e que, hoje, representa como presidente da Academia Brasileira de Cinema.

Renata Almeida Magalhães representa uma geração de mulheres dedicadas ao fortalecimento do audiovisual brasileiro, e não poderia ser diferente ao ser a primeira mulher a assumir a Academia. Colocou no seu horizonte de realizadora que traria um Oscar para o Brasil. Renata, sua missão foi lindamente cumprida! Em 2025, recebemos o prêmio de melhor filme internacional com “Ainda Estou Aqui”.

Uma mulher que é apaixonada pelas duas maiores representações do Brasil no mundo: o futebol e o cinema. Mulher que transborda amor e que luta pelo seu futebol.

Uma das mais respeitadas produtoras do nosso cinema brasileiro, com mais de quatro décadas de entrega, de bastidores, de luta e de encontros que se tornaram parcerias para a vida toda, como ao lado de Cacá, seu companheiro de vida e de ofício, com quem construiu uma das duplas mais admiradas e premiadas do cinema brasileiro. 

Renata produziu grandes filmes, como “Quilombo”, “Um Trem Para as Estrelas”, “Dias Melhores Virão”, “Tieta do Agreste”, “Orfeu”, “Deus é Brasileiro”, “O Maior Amor do Mundo, “Cinema Falado”, “O Grande Circo Místico” e “Aumenta que é Rock ‘n Roll”.

Seja no jogo da vida, seja no jogo do amor – afinal, a vida não permite ensaios, e o nosso roteiro não está sendo escrito por nós – há dor e há beleza nos seus olhos. E, com aquele sorriso largo, inconfundível, sempre levanta o copo e cita seu avô Dario: “Viver é uma honra!”.

Bárbara Paz, diretora, artista visual, atriz e produtora
para o catálogo do 54º Festival de Cinema de Gramado

54º Festival de Cinema de Gramado #6: “Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia

De 2023 para cá, três obras audiovisuais abordaram o assassinato da socialite brasileira Ângela Diniz pelo empresário Doca Street em dezembro de 1976: o longa-metragem Ângela, de Hugo Prata; a minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, de Andrucha Waddington; e, agora, Pele de Rinoceronte, filme dirigido por Marcello Ludwig Maia que integra a mostra competitiva do 54º Festival de Cinema de Gramado.

Não é por acaso que a lembrança desse crime tenha sido reacendida com força: apenas em 2025, foram registradas mais de 1.500 vítimas de feminicídio, estatística que reflete uma média de 4,3 mulheres assassinadas por dia. O cinema, no entanto, tem tido dificuldades em encenar a trágica morte da socialite e suas reverberações. Se Ângela era uma cinebiografia equivocada, Pele de Rinoceronte escorrega na panfletagem com uma estrutura estranha e uma direção plana.

Exímio produtor de títulos como Amarelo Manga, A História da Eternidade e Três Verões, Maia dirige sua primeira ficção de longa-metragem criando personagens ficcionais para mostrar o impacto da morte de Ângela à época. Pele de Rinoceronte também opta por não nomear a personagem, rebatizando inclusive a Praia dos Ossos onde ela foi assassinada.

A proposta é compreensível, tanto para evitar a obrigação de ser fiel aos fatos quanto para sugerir que crimes como o cometido contra Ângela podem atingir qualquer mulher. Entretanto, é difícil se desvincular da vida real e fingir que Pele de Rinoceronte não é emoldurado por esse caso de feminicídio que marcou o Brasil, mesmo que a história seja sobre outras duas personagens: a jornalista Helena (Débora Falabella) e a advogada Maria Thereza (Naruna Costa).

As verdadeiras protagonistas correm paralelamente com suas histórias, envoltas por esse ar fake que não se dissipa e munidas de um texto bastante expositivo. Sendo ou não especificamente sobre Ângela Diniz, os debates propostos por Pele de Rinoceronte caem no lugar-comum, trazendo com frequência diálogos que citam pesquisas, números e leis sem que isso se incorpore organicamente à história. O resultado se reflete na falta de conexão do público com as personagens, afinal, os discursos se sobrepõem às construções dramáticas.

Outro ponto que me incomoda é como a ficção insiste em causar em uma mulher uma violência semelhante à sofrida por outra para que ela se solidarize com o que antes lhe era indiferente. Como disse Kristen Stewart na divulgação de A Cronologia da Água, sua estreia na direção, a existência por si só de qualquer mulher já é violenta. Por que, então, não podemos ver uma história onde o feminino se reconhece instintiva e imediatamente, sem que mais uma tragédia seja inflingida?

Diante disso, sobra muito pouco para Débora Falabella e Naruna Costa. A própria direção acompanha as personagens sem inventividade, inclusive na longa sequência em que a advogada ensaia seu argumento de acusação para os tribunais. A cena foi aplaudida na cena de abertura durante a exibição no Palácio dos Festivais, essencialmente pela força da atuação de Naruna Costa, mas o texto pronto demais, assim como em outros momentos, se converte em distração, como se fosse interpretado em um palanque, não exatamente em um filme. Eis aí o grande problema que vem acometendo a maior parte das produções dispostas a versar sobre importantes pautas da atualidade.

54º Festival de Cinema de Gramado #5: “Feito Pipa”, de Allan Deberton

Desde que o mundo é mundo, crianças como Gugu (Yuri Gomes) são atos políticos, mais ainda no Brasil, país onde a infância queer ainda é pouco discutida, inclusive no cinema. O protagonista de Feito Pipa desafia convenções e preconceitos: dos gestos afeminados ao apreço por maquiagens, ele, ao mesmo tempo, quer jogar futebol e andar de moto, borrando as fronteiras entre o que é aceito (ou imposto) pela sociedade para meninos ou meninas. Gugu, contudo, está nem aí e se porta como bem entende, nem que isso custe o afastamento de um pai que, preconceituoso, decide deixá-lo aos cuidados da avó materna, por quem é plenamente amado e aceito. Acontece que, por forças maiores, a configuração familiar da vida de Gugu pode ser transformada, e ele fará o que estiver ao seu alcance para que isso não aconteça.

Dirigido por Allan Deberton, do maravilhoso Pacarrete, Feito Pipa é outra pérola vinda de um cineasta que se confirma como um dos cineastas mais afetuosos e delicados do cinema brasileiro contemporâneo. Assim como no filme estrelado por Marcélia Cartaxo, o cearense dá voz aos que vivem às margens a partir de uma leitura respeitosa e repleta de beleza, sem perder de vista as agruras e os percalços enfrentados por eles. No caso de Feito Pipa, o coração está na relação entre neto e avó, que, negros e de origem humilde, encontram conforto na companhia um do outro. E não se trata apenas de Dilma (Teca Pereira) aceitar a identidade de Gugu, já que o próprio garoto também olha para a avó, uma mulher que gosta de ir ao forró, mandar nudes e tomar umas cervejinhas, sem nenhuma dose de julgamento.

Como já constatei (e escrevi) um punhado de vezes, a generosidade sempre me parece muito mais emocionante do que qualquer acontecimento extremo. E há compreensão de sobra em Feito Pipa, principalmente do protagonista com ele próprio. Gugu não esconde sua natureza, pelo contrário: ele quer mesmo é apresentá-la ao mundo, em uma espécie de autoconhecimento que muitas pessoas levam uma vida inteira para alcançar, quando nem isso. Gay assumido, Deberton, a partir do ótimo roteiro escrito por André Araújo, filma o personagem com imensa sensibilidade desde a primeira cena, quando, vestindo o uniforme para uma partida de futebol, Gugu dança pela casa livremente. É o tipo de sequência que já deixa o espectador com um sorriso no rosto logo na arrancada.

Sempre tão cara para a população queer, a questão paterna é desenhada pela direção e pelo roteiro com admirável maturidade. Ao contrário do que comumente seria feito, Feito Pipa não molda o pai vivido por Lázaro Ramos como um monstro ou como um vilão. Há, sim, de sua parte, algum tipo de amor ou vontade de se aproximar do filho, o que, ao mesmo tempo, acaba sendo a maior tragédia de todas: afinal, como é possível existir qualquer resquício de amor se não há aceitação? Ótimo ator que é, Lázaro Ramos traduz essa dinâmica de amor e violência (emocional, não física) com a devida economia, mas o show mesmo é do pequeno Yuri Gomes, em performance reveladora, do tipo que toma e conduz o filme como um versátil furacão.

Entre a dor e a esperança, Feito Pipa segue os passos de Pacarrete e materializa na tela um universo muito particular, capaz até mesmo de, em certos momentos, tomar para si a imaginação — ou pelo menos os desejos — de um personagem que talvez não encontre reverberação na vida real. Os momentos finais são muito tocantes nesse sentido: é como se, em um determinado tempo e espaço, só existisse Gugu e sua vó, interpretada por Teca Pereira com uma entrega total de coração. Mais uma vez atravessando a vida de pessoas comuns, com suas dores e alegrias, para falar sobre um universo particular, Deberton acaba, orgânica e invariavelmente, abraçando tantas outras histórias do Brasil, no tipo de combinação que, para o meu gosto particular, é sempre belo e emocionante.