Cinema e Argumento

Melhores de 2011 – As regras e os elegíveis

I. São considerados todos os filmes lançados comercialmente nos cinemas brasileiros no ano de 2011.

II. Qualquer filme lançado diretamente em DVD (desde que inédito no Brasil) também está apto a concorrer.

III. As categorias são: filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original, roteiro adaptado, elenco, montagem, fotografia, canção original, efeitos especiais, trilha sonora, figurino, animação, edição/mixagem de som e direção de arte

IV. Em cada categoria, são admitidos apenas cinco concorrentes. A exceção encontra-se em efeitos especiais e animação, onde são três filmes na disputa.

V. Após divulgados, os indicados e os vencedores não poderão ser alterados posteriormente. A avaliação é feita de acordo com os filmes conferidos em 2011 e o que for assistido após a premiação não poderá interferir no resultado já divulgado.

VI. Algumas definições se adaptam aos princípios do autor do blog. Por exemplo: ana passado, o circuito de premiações considerou os roteiros de Toy Story 3 e Tropa de Elite 2 adaptados por se basearem em personagens que já existiam antes. No entanto, o Cinema e Argumento considera como roteiro a história de um longa e não os personagens. Portanto, os filmes já citados se enquadraram na definição de roteiro original.

VII. Não existe limite de indicações indicações ou vitórias para determinado profissional em uma categoria. Como visto em premiações passadas, Meryl Streep recebeu indicação dupla, ao passo que Kate Winslet venceu em duas categorias diferentes.

VIII. Os filmes elegíveis para a edição do 2011 do prêmio Cinema e Argumento são: 127 HorasÁgua Para ElefantesAlém da VidaAmizade ColoridaAmor a Toda ProvaAmor e Outras DrogasA Árvore da VidaBiutifulBravura IndômitaBruna SurfistinhaBurlesqueAs CançõesCapitão América: O Primeiro VingadorA Casa, Cisne NegroComo Você SabeA CondenaçãoContágioContra o TempoUm Conto ChinêsCópia FielDeixe-me EntrarDesenrolaUm DiaO Discurso do ReiEm Um Mundo MelhorEnroladosEntrando Numa Fria Maior Ainda Com a FamíliaEntre Segredos e MentirasEsposa de MentirinhaA Garota da Capa VermelhaGato de BotasUm Gato em ParisHarry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2InquietosInverno da AlmaUm Lugar QualquerO MágicoUma Manhã GloriosaMargin Call – O Dia Antes do FimMedianeras – Buenos Aires na Era do Amor VirtualMeia-Noite em ParisMelancoliaMinha Versão do AmorMissão Madrinha de Casamento, A Morte e Vida de CharlieOs MuppetsNamorados Para SempreNão Me Abandone JamaisNão Tenha Medo do EscuroUm Novo DespertarO PalhaçoPânico 4A Pele Que HabitoPiratas do Caribe: Navegando em Águas MisteriosasPlaneta dos Macacos: A OrigemProfessora Sem Classe, Reencontrando a FelicidadeReféns, Reino AnimalRioA Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1Sem SaídaSexo Sem CompromissoUm Sonho de AmorSuper 8Tarde DemaisToda Forma de AmorTudo Pelo PoderO TuristaA Última EstaçãoO Ursinho PoohVejo Você no Próximo VerãoO VencedorVIPsX-Men: Primeira Classe.

(Um agradecimento mais do que especial para o meu amigo Alex Majkowski, responsável pelas imagens dos vencedores que vocês verão nos próximos posts).

Gato de Botas

I’m not a person. I’m not a bird. I’m not even a food. I don’t know what I am.

Direção: Chris Miller

Com as vozes de: Antonio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis, Billy Bob Thornton, Amy Sedaris, Constance Marie, Guillermo Del Toro, Mike Mitchell

Puss in Boots, EUA, 2011, Animação, 90 minutos

Sinopse: Muito antes de conhecer o ogro Shrek e sua turma, Gato de Botas (Antonio Banderas) viveu uma grande aventura ao lado de Humpty Dumpty (Zach Galifianakis) e Kitty Pata Mansa (Salma Hayek). Dipostos a roubar os feijões mágicos do casal fora da lei Jack (Billy Bob Thornton) e Jill (Amy Sedaris), o trio quer mesmo é botar as mãos na famosa gansa que bota ovos de ouro. Mas algumas coisas não estavam nos planos e Gato vai descobrir, meio atrasado, que tem um grande problema pela frente para conseguir limpar o que ficou para trás: a  sua honra. (Adoro Cinema)

Em Shrek 2, maravilhosa continuação do superestimado filme que deu início ao mundo do ogro-título, o Gato de Botas entrou em cena e roubou todas as atenções. Além de tirar o posto do Burro de animal falante mais divertido da série, tornou-se também um dos personagens mais marcantes das animações contemporâneas. O felino, antes de seus encantadores olhos, é uma figura divertida e muito carismática. Shrek fracassou em seus dois últimos filmes e o diretor Chris Miller resolveu fazer um longa-metragem inteiramente dedicado ao Gato de Botas. Por um lado, a ideia era boa, já que o personagem, com o passar dos filmes, estava cada vez mais subaproveitado. Por outro, despertava a dúvida: seria ele capaz de sustentar sozinho um filme? A boa notícia é que Gato de Botas, indicado ao Oscar 2012 de melhor animação, é superior aos últimos filmes de Shrek. E, sim, o simpático animal conseguiu segurar as pontas.

Gato de Botas nunca prometeu ser um grande filme. E, de fato, não é. O trabalho do diretor Chris Miller, entretanto, tem todos os ingredientes para alcançar o grande público – principalmente quando a Pixar parece um pouco perdida em sua identidade. Aqui, a aventura é bem pontuada (notem como ela está presente em boa parte do enredo), a comédia é leve e tudo está longe de ter maiores pretensões. Gato de Botas é, por assim dizer, uma animação que cumpre a sua missão de divertir o público-alvo e, também, de deixar pequenas lições de morais que podem ser facilmente percebidas pelos pequenos. Importante notar ainda que, em nenhum momento, o longa deixa a impressão de ser uma variação de Shrek. Aqui, o resultado tem vida própria, mostrando que, talvez, o felino precisasse mesmo de um longa que explorasse todos seus atrativos que, no final das contas, estavam sendo diluídos na história do ogro.

Dublado por Antonio Banderas e Salma Hayek (mais uma vez juntos, depois de parcerias como Era Uma Vez no México), Gato de Botas só não se torna superlativo ou uma unanimidade em função de sua história boba e que não parece consistente o bastante para sustentar o ritmo proposto pelo diretor. Ao invés de apostar em algo mais realista e humano (que está presente nos valores e nas relações que o Gato estabelece com outros personagens), o filme aposta em uma proposta fantasiosa demais e que não condiz com o personagem. Em Shrek até funcionaria, mas não aqui. E Gato de Botas, ao falar de feijões mágicos, animais gigantes e ovos de ouro, fugiu um pouco das origens de seu personagem – tornando o resultado mais frágil do que deveria ser. Por sorte, a animação nunca perde o ritmo e mostra que, apesar de alguns tropeços, o spin-off do felino foi válido. Consegue divertir – e, para esse caso, já é o suficiente.

FILME: 7.5

Tempo e vento em nova forma

Foto: Jayme Monjardim

Porto Alegre, 1949. Pela primeira vez, O Continente, segmento inicial da trilogia O Tempo e o Vento, era publicado. Nas páginas do livro, a formação do Rio Grande do Sul, através das famílias Terra e Cambará. O ponto de partida está na história de Ana Terra, que, a contragosto do pai, tem um filho com o índio Pedro Missioneiro. A partir daí, seguem personagens e situações icônicas da literatura gaúcha. O cenário? Santa Fé, palco de dramas familiares, romances conturbados e conflitos históricos do Rio Grande do Sul. A obra escrita pelo gaúcho Erico Verissimo abrange a história do Estado de 1680 até 1945 (ano em que o Estado Novo chegou ao fim).

O Tempo e o Vento, estruturado em três partes (O Continente, O Retrato e O Arquipélago) é considerado, até hoje, um dos grandes marcos da literatura gaúcha. Seus sete livros são tratados por muitos como obras definitivas sobre o Estado. No entanto, foi O Continente, a parte mais rica em personagens e conflitos, que conseguiu maior reconhecimento. Em nível nacional, a primeira parte da trilogia chegou a ser adaptada para a TV: na minissérie exibida em 1985, o diretor Paulo José e os roteiristas Regina Braga e Doc Comparato condensaram o enredo em 25 capítulos, trazendo, no elenco, nomes como Glória Pires, Tarcísio Meira e Louise Cardoso.

Reprisada recentemente pelo canal Viva, O Tempo e o Vento também recebeu adaptações para o cinema que não chegaram a ser grande sucesso. Agora, a obra de Erico Verissimo volta a ter destaque. O infinito encanto da trilogia é tema do novo filme do diretor Jayme Monjardim que está sendo produzido, homônimo à obra de Erico. O próprio Monjardin, que, anteriormente, começou sua carreira no cinema com Olga, já entrou no clima gaúcho: a partir do dia 8 de março, ele se muda para o Rio Grande do Sul, de onde só sai quando as filmagens na região tiverem chegado ao fim. Apesar das cenas de estúdio serem feitas no Polo Cinematográfico de Paulínia, em São Paulo, outras tomadas serão feitas em Bagé, onde o trabalho para a escolha de figurantes já começou (mais de 600 candidatos em menos de 15 dias).

Os gaúchos, claro, não poderiam deixar de estar presentes na equipe do longa. O diretor-assistente, Federido Bonani, é de Santana de Livramento, e não esconde o contentamento com um trabalho sobre a sua terra: “Fui criado na fronteira e muito próximo dos costumes e do universo literário riograndense. Quando fui convidado pelo Jayme, há uns cinco anos, na hora pensei: ‘Não existe obra literária mais cinematográfica que O Tempo e o Vento. Depois deste filme posso pendurar as chuteiras’, pois já estaria satisfeito com as minhas participações em realizações cinematográficas”.

Bonani, que trabalha frequentemente como diretor e também como assistente, já havia participado de uma importante produção gaúcha, Netto Perde Sua Alma. Para ele, muito mudou desde esse trabalho. Além de um impulso em sua carreira, representou um voto de confiança que até hoje tem resultados: “O Tabajara Ruas e o Beto Souza confiaram em mim para a direção das cenas de batalha e, até hoje, colho os frutos daquela sequência de guerra. Há pouco tempo fui chamado para batalha do início da novela Cordel Encantado, e já dirigi cenas de guerra e cenas de ação em A Casa das Sete Mulheres, Olga, Um Só Coração, América, Eterna Magia, Sítio do Pica-pau Amarelo, entre outras”.

Mais especificamente sobre O Tempo e o Vento, o diretor-assistente acredita que a experiência será imensurável, principalmente no que se refere à equipe reunida. “Só tem gente experiente!”, exclama. Monjardin trouxe para o filme nomes como Affonso Beato, que já fez a fotografia de trabalhos internacionais como A Rainha, Tudo Sobre Minha Mãe e O Amor Nos Tempos do Cólera. O roteiro ficou a cargo de Letícia Wierzchowski e Tabajara Ruas, que têm a missão de capturar os 150 anos que são retratados pelo filme, basicamente centrado na primeira parte da trilogia, O Continente.

O filme, atualmente, encontra-se na conclusão de elenco e cenários para, em breve, entrar na etapa de leituras, ensaios e preparação de atores. Sem falar, claro, nas visitas às locações com o fotógrafo e sua equipe. “Muitas providências serão tomadas nas semanas que faltam”, comenta Bonani, que ainda destaca alguns desafios da produção, como a complexidade da estrutura do roteiro, a constante evolução da cidade de Santa Fé e dos personagens ao longo dos 150 anos retratados pelo longa, o trabalho com os índios e as cenas de guerra.

A diretora de arte, Tiza Oliveira, aponta que a maior responsabilidade de fazer um filme como O Tempo e o Vento é fazer algo à altura do povo gaúcho, que conhece perfeitamente sua história e que tem “um cunho patriota raro de se ver”. Para isso, Tiza está entrando de cabeça na história gaúcha, não só fazendo pesquisas baseadas em referências iconográficas de pintores da época retratada pela produção, mestrados e doutorados sobre a obra de Erico, mas também participando de encontros com grandes nomes da cultura riograndense, como Paixão Côrtes e Telmo de Lima Freitas. “A produção é trabalhosa, pois os objetos daquela época são raros, difíceis de achar, então há que produzi-los – desde baralhos, passando por jornais, rocas de fiar, carros de boi, gado e armas de época, e por aí vai”, comenta.

Tiza, assim como Bonani, já havia trabalhado com cinema anteriormente. Ela fez a direção de arte do filme Olga. O processo para O Tempo e o Vento, no entanto, é completamente oposto. Ao passo que Olga era uma produção urbana feita em locações que precisavam diferenciar Rúsia, Alemanha e Brasil, o novo filme de Jayme Monjardim exige algo diferente: marcar a passagem do tempo. “Temos construções de sets de gravação de épocas distantes, desde as Missões, em 1747, passando pelo rancho de Ana Terra, ainda no século 18, até chegarmos à cidade cenográfica de Santa Fé, cuja história dura todo o século 19”, aponta.

O Tempo e o Vento, além da equipe experiente, já conseguiu importantes nomes para o elenco. Thiago Lacerda será Capitão Rodrigo, enquanto Fernanda Montenegro dará vida à Bibiana em seus últimos anos de vida. Recentemente, Marjorie Estiano e Rafael Cardoso também foram integrados ao grupo que já reúne outros atores como Leonardo Machado, Luiz Carlos Vasconcelos e Leonardo Medeiros.

A obra de Erico Verissimo parece ser suficientemente inspiradora para que as diferenças culturais não sejam mais obstáculos. Paulista, Tiza de Oliveira reconhece toda a importância da trilogia gaúcha: “Conheço desde sempre a obra de Erico, que considero obrigatória, não só pelo valor literário, como pela história. Não há quem leia essa obra sem se sentir realmente nos pampas, acompanhando essa saga, sentindo o Minuano nos ossos e se orgulhando de seu país”.

Federico Bonani não esconde suas expectativas com o filme: “Que o filme seja lindo e bom, que o público assista ao filme e perceba que adaptamos a obra com o maior respeito, e a nossa narrativa seja fluente e traga uma boa experiência ao espectador. E o mundo conheça um pouco mais da história da nossa gente”. O Tempo e o Vento, portanto, mostra que, apesar de contar uma história tradicionalista, não se restrige à terra dos gaúchos. É, antes de mais nada, um registro histórico e humano. Que o filme consiga passar essa mesma sensação. O Tempo e o Vento tem estreia prevista para o final de 2012.

(matéria produzida originalmente para o site Cultnews).

Oscar 2012: Resultados

No último domingo, vimos um Oscar histórico. Mas, devemos ser sinceros, o prêmio chegou em um nível de tédio que está difícil de ser consertado. Não sei o que acontece com essa premiação que é capaz de realizar algo extraordinário (como foi a 81ª edição), mas, depois, ano após ano, entrega cerimônias cansativas e que, por mais que tentem, não conseguem escapar da formalidade ou da previsibilidade. Em termos de festa, como era de se esperar, o Oscar foi, mais uma vez, péssimo. As piadas foram repetidas (a abertura do apresentador passeando entre os filmes indicados já deu o que tinha que dar), os depoimentos dos atores falando sobre cinema simplesmente não tiveram o devido efeito (Adam Sandler, sério?!) e a falta de dinâmica estava gritante.

O maior problema, no entanto, é a falta de balanço entre diálodos/monólogos intermináveis de apresentadores e os breves discursos dos vencedores. Inexplicavelmente, a Academia prefere conferir longos minutos para momentos supostamente descontraídos ao invés de deixar que os vencedores sintam a glória por mais tempo. Colocar Chris Rock (em que ano estamos?!) para falar o tempo que quiser ao passo que corta discursos não é nada elegante, Academia! Nesse sentido, nem Billy Crystal conseguiu ser eficiente – na realidade, é uma prova de que um apresentador, por mais experiente que seja, não consegue ser o suficiente para salvar um texto fraco e um conjunto sem inspiração. A 84ª edição do Oscar veio para provar que é sempre melhor esperar uma festa chata, em termos de entretenimento, para não se desapontar.

Por outro lado, tivemos uma cerimônia justa como há muito tempo não se via. Não só em função da consagração de O Artista, que é praticamente uma unanimidade, mas também porque quebrou vários preconceitos bobos. Foi bom ver os votantes terminando com o bobo raciocínio de que vencedores não precisam mais de prêmios: Woody Allen, por exemplo, venceu depois de décadas por seu trabalho no roteiro de Meia-Noite em Paris. Nos setores técnicos, A Invenção de Hugo Cabret, talvez, tenha levado mais do que deveria (os prêmios de som, por exemplo), mas negar o brilhantismo dos atributos do filme de Scorsese seria pura loucura. Também não dá nem para reclamar dos (merecidos) prêmios óbvios, como filme estrangeiro para A Separação.

Muito mais do que a celebração de O Artista, o Oscar 2012 ficará marcado por aquele que era o evento mais esperado pelo blogueiro que vos escreve: a vitória de Meryl Streep. É provável que seu vestido dourado e sua badalação no tapete vermelho fossem sinais de uma possível vitória. O horrível visual de Viola Davis (agora fazendo um filme sobre invasão alienígena!), que tirava qualquer glamour da atriz de Histórias Cruzadas, também dava a sensação de que, aquele, talvez fosse o tão aguardado momento em que Meryl Streep venceria o seu terceiro Oscar depois de quase 30 anos concorrendo sem vitórias. Não à toa, o prêmio cercado de suspense foi o penúltimo da festa, aumentando ainda mais a expectativa. O resultado? Meryl Streep provando que nem a incompetente diretora Phyllida Lloyd conseguiu colocar pedras em seu caminho.

Ela, que em entrevistas posteriores disse que essa vitória foi ainda mais doce do que as primeiras de sua carreira, fez, como sempre, uma sincera expressão de surpresa. No discurso, estava com os olhos cheios de lágrimas. Agradeceu ao marido, aos colegas de profissão, ao seu maquiador de longa data (que também venceu por A Dama de Ferro), e foi aplaudida de pé. O momento, por mais que detratores (sim, eles existem!) questionem, foi histórico, pois vimos a maior atriz viva ganhar o Oscar. Meryl é a única que, atualmente, pode ser comparada com atrizes do calibre de Bette Davis, Vivien Leigh, entre outras. E vê-la vencer o prêmio é gratificante para qualquer cinéfilo. Não vejo como alguém possa questionar a importância desse momento. A espera pelo terceiro Oscar acabou, Meryl arrasou e, ao contrário do que disse em seu discurso, voltará sim ao palco, um dia, para receber outro prêmio. Espero, no mínimo, que alcance o mesmo número de estatuetas que Katharine Hepburn. Ela merece. Mas, por enquanto, esse lindo momento de vitória já foi mais do que o suficiente!

Vale comentar, também, a péssima transmissão da Rede Globo (ainda bem que existe a TNT!). Não só em função do habitual atraso, mas dos forçados bate-papos entre Maria Beltrão (que agora é entendedora de cinema) e José Wilker. Mais uma vez, a informalidade descamba para o constrangedor. Já é meio caminho andado para que, ano que vem, Sandra Annenberg e Evaristo Costa comentem a cerimônia fazendo piadas sobre mamão… Que vergonha! Falando em Brasil, também não foi dessa vez que conseguimos nosso primeiro Oscar. Devo concordar com a brincadeira da minha mãe: se não ganhamos nem quando existem só dois indicados, é porque não venceremos mais… Sinceramente, premiar a tediosa Man or Muppet para desdenhar Real in Rio foi decepcionante. Carlinhos Brown, vestido de Herculano Quintanilha, de O Astro, merecia sim! Confira a lista completa de vencedores da 84ª edição do Oscar 2012, e, no final do post, o discurso de Meryl Streep traduzido, na íntegra:

FILME: O Artista
ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
ATOR: Jean Dujardin (O Artista)
ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
MONTAGEM: Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
DOCUMENTÁRIO: Undefeated
DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM: Saving Face
ANIMAÇÃO: Rango
TRILHA SONORA: O Artista
CANÇÃO ORIGINAL: Man or Muppet (Os Muppets)
ROTEIRO ORIGINAL: Meia-Noite em Paris
ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes
EDIÇÃO DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
EFEITOS VISUAIS: A Invenção de Hugo Cabret
CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
CURTA-METRAGEM: The Shore
FILME ESTRANGEIRO: A Separação
MAQUIAGEM: A Dama de Ferro
FIGURINO: O Artista
DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret
FOTOGRAFIA: A Invenção de Hugo Cabret

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Quando chamaram meu nome, eu tive a sensação de que podia ouvir metade da América dizendo: “Ah, não! Por que ela de novo?”. Mas… Que seja! Primeiro, quero agradecer Don porque, quando você agradece o seu marido no final do discurso, eles colocam aquela música. E eu quero que ele saiba que o que mais valorizo em nossas vidas… foi você que me deu. E, agora, em segundo lugar, meu outro parceiro. 37 anos atrás, em meu primeiro papel em Nova York, conheci o melhor maquiador e hairstylist: Roy Helland. E nós trabalhamos, constantemente, desde o dia que colocamos os olhos um no outro. O primeiro filme dele comigo foi A Escolha de Sofia, e hoje ele venceu por seu lindo trabalho em A Dama de Ferro, 30 anos depois! Eu gostaria de agradecer ao Roy, mas também gostaria de agradecer – porque sei que nunca estarei aqui novamente – a todos os meus colegas, todos os meus amigos. Eu olho tudo aqui e vejo a minha vida passando pelos meus olhos. Meus velhos amigos, meus novos amigos… E, sério, essa é uma grande honra! Mas o que mais conta, para mim, são as amizades, o amor, e as alegrias que compartilhamos fazendo filmes juntos. Meus amigos, obrigado! A todos vocês, aos que partiram e aos que estão aqui. Obrigado por essa carreira inexplicavelmente maravilhosa. Obrigado!

Oscar 2012: Apostas

O Artista ou A Inveção de Hugo Cabret? Meryl Streep ou Viola Davis? Jean Dujardin ou George Clooney? Woody Allen finalmente voltará a vencer depois de décadas? Será possível que um filme mudo seja o grande vencedor da noite mais importante do cinema? Perguntas que serão respondidas nesse domingo (25), quando o Oscar, guiado pela apresentação de Billy Crystal, revelará os seus vencedores. Nas categorias principais (filme e direção), o jogo já parece bem definido, mas outros segmentos ainda trazem muito suspense. A 84ª cerimônia do Oscar tem tudo para ser cheia de acertos, especialmente depois de uma fraquíssima seleção. Abaixo, as apostas do Cinema e Argumento (ainda sem avaliação de A Invenção de Hugo Cabret):

MELHOR FILME

Quem leva: O Artista. O filme de Martin Scorsese pode até levantar dúvidas, mas a matemática é clara: está toda a favor do longa francês.

Quem merece: O Artista, não tem jeito.

Não desdenhe: A Invenção de Hugo Cabret, já que é outra homenagem ao cinema – e comandada por ninguém menos que Scorsese.

MELHOR DIREÇÃO

Quem leva: Michel Hazanavicius (O Artista), em um ano quase óbvio para uma dobradinha com a categoria principal.

Quem merece: Hazanavicius e Malick foram ótimos (mesmo que o filme do segundo seja superestimado). Qualquer um dos dois merece. Só não vale ganhar Alexander Payne.

Não desdenhe: Martin Scorsese. O nome já diz tudo, sem falar que é um filme badalado e recordista de indicações nessa edição do Oscar.

MELHOR ATOR

Quem leva: Jean Dujardin (O Artista), principalmente depois que conseguiu todo o buzz da temporada com o SAG.

Quem merece: Jean Dujardin (O Artista), mas também não seria injusto se George Clooney vencesse.

Não desdenhe: George Clooney (Os Descendentes), afinal, parece que sempre chegou (de novo) a vez dele, né?

MELHOR ATRIZ

Quem leva: Viola Davis (Histórias Cruzadas), já que vencer o SAG é sempre meio caminho andado.

Quem merece: Meryl Streep (A Dama de Ferro), que teve a interpretação mais completa do ano. Só mereceria perder caso fosse para Tilda Swinton, por Precisamos Falar Sobre o Kevin – mas a coitada nem foi indicada.

Não desdenhe: Meryl Streep (A Dama de Ferro). É diva, está ótima no filme e é amada por todos. E por que mesmo ainda não ganhou o terceiro Oscar?

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Quem leva: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

Quem merece: Nick Nolte (Guerreiro)

Não desdenhe: não coloque sua aposta no lixo, é Christopher Plummer sem qualquer dúvida!

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Quem leva: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas), em um ano que até a Sandra Bullock tinha mais méritos por Tão Forte e Tão Perto.

Quem merece: Janet McTeer (Albert Nobbs), considerando que Bérénice Bejo está na categoria errada.

Não desdenhe: infelizmente, o prêmio já é de Spencer.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Quem leva: Os Descendentes

Quem merece: Tudo Pelo Poder, um dos filmes mais subestimados da award season.

Não desdenhe: O Espião Que Sabia Demais.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Quem leva: Meia-Noite em Paris

Quem merece: A Separação, disparado, o trabalho mais interessante entre os indicados.

Não desdenhe: O Artista, que nem merece vencer aqui…

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DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM: The Tsumani and the Cherry Blossom
FILME ESTRANGEIRO: A Separação (Irã)
ANIMAÇÃO: Rango
CURTA DE ANIMAÇÃO: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
EDIÇÃO DE SOM: Cavalo de Guerra
MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
EFEITOS ESPECIAIS: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
DOCUMENTÁRIO: Pina
CANÇÃO ORIGINAL: “Real in Rio” (Rio)
CURTA-METRAGEM: The Shore