O que passou…

2 COELHOS (idem, 2011, de Afonso Poyart): Os defensores podem dizer que 2 Coelhos é um filme diferente e estiloso. Também podem elogiar a narrativa rápida ou a trilha que vai de Lenine até 30 Seconds to Mars. E, em seus minutos iniciais, o filme de Afonso Poyart chama a atenção sim por ser completamente diferente do que estamos acostumados a ver no cinema nacional. O problema é que, aos poucos, 2 Coelhos se perde na mistura forma + conteúdo. A história, que por si só já é bastante movimentada (tanto em ação quanto em detalhes), não precisava de uma abordagem ainda mais frenética. Assim, o trabalho de Poyart se torna cansativo e repetitivo, não estiloso como o planejado. Em certos momentos, inclusive, o uso excessivo de câmera lenta e a presença de efeitos constantemente fracos deixam o filme cafona. As intenções eram boas, mas a incansável vontade de ser pop não deu chances para o filme, de fato, ser diferente. Tinha potencial, pena que errou na dose. 5.5/10
UM MÉTODO PERIGOSO (A Dangerous Method, 2011, de David Cronenberg): É possível uma atriz acabar com as chances de um filme ser bem sucedido? Sim. E é exatamente isso o que Keira Knightley faz em Um Método Perigoso – um filme que, por si só, já é genérico demais. Alcançando níveis altamente caricaturais (os primeiros minutos são vergonhosos), Keira, que, misteriosamente, desloca a mandíbula o tempo inteiro, constrói uma interpretação baseada em cacoetes e trejeitos incansáveis. O problema também é agravado pelo fato de que Keira precisa ter constante presença, já que sua personagem é decisiva para todo o desenvolvimento da história. Assim, por mais que os contidos Viggo Mortensen e Michael Fassbender tentem, não dá para se envolver com um filme em que uma figura tão importante não foi conduzida com o mínimo de verossimilhança. 6.0/10
NOITE DE ANO NOVO (New Year’s Eve, 2011, de Garry Marshall): Filmes sobre datas festivas já cansaram. Principalmente aqueles que surgem no final do ano e que trazem milhares de atores famosos que, misteriosamente, resolveram participar do projeto. Noite de Ano Novo é assim. Também é mais uma investida oportunista do diretor Garry Marshall (um diretor cujo único acerto em toda carreira foi Uma Linda Mulher) e, que, aqui, parece fazer de tudo para que seu filme naufrague: excesso de personagens (a história leva, no mínimo, meia hora para fazer a apresentação deles!), histórias desnecessárias, rumos previsíveis e atores interpretando uma variação deles mesmos (Lea Michele cantando, Sofia Vergara com seu habitual sotaque hipercarregado). Mas nada surpreende, especialmente porque sabemos, desde o princípio, como destino de cada uma das figuras em cena. Noite de Ano Novo é um mistério: afinal, como tanta gente boa conseguiu se interessar por um projeto tão ultrapassado? 5.0/10
PROPRIEDADE PRIVADA (Nue Proprieté, 2006, de Joachim Lafosse): Tenho um fraco por dramas familiares e Propriedade Privada não fugiu à regra. Estrelado pela sempre competente Isabelle Huppert, essa produção francesa não poderia ser mais simples: incomunicabilidade entre membros de uma família, planos longos, câmera estática e trama calcada quase que exclusivamente em diálogos. A habitual calma francesa para subjetivar os dramas está presente – e, aqui, por mais que tudo seja de uma simplicidade absurda, consegue alcançar, por isso mesmo, um notável realismo. Propriedade Privada, em sua abordagem singela (e, por que não, batida?) encontrou o tom certo. Resultado extraordinário? Longe disso, mas o suficiente para valer uma conferida. 8.0/10
UMA VIDA MELHOR (A Better Life, 2011, de Chris Weitz): Nada de novo nessa repetida história sobre imigrantes tentando ganhar a vida nos Estados Unidos. Todos os ingredientes melodramáticos estão ali: o filho distante e rebelde, o pai dedicado, a pobreza, o azar, e por aí vai… Por se tratar de um longa dirigido por Chris Weitz, não existe qualquer surpresa nesse sentido. O que se destaca em Uma Vida Melhor é, certamente, a performance do mexicano Demián Bichir, que entrega muita sensibilidade a um papel extremamente comum. Indicado ao Oscar de melhor ator, Bichir é o que existe de melhor nesse corriqueiro filme – e devemos destacar, claro, a última cena dele com o filho. Maravilhosa. 7.0/10
MISSÃO: IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA (Mission: Impossible – Ghost Protocol, 2011, de Brad Bird): Vindo diretamente do mundo das animações, Brad Bird resolveu se aventurar em um filme live action. Reponsável por um dos maiores sucessos da Pixar (o superestimado Os Incríveis), Bird mostra que tem carreira promissora no formato com esse Missão: Impossível – Protocolo Fantasma. Ele consegue criar cenas de ação completamente envolventes (ainda que, claro, com aquele clima de “só em filme mesmo”) e, surpresa, colocar humor na mistura sem parecer forçado. Se Tom Cruise já parece ter passado do prazo de validade para protagonizar um filme desses, Bird compensa tudo. Pena que, por outro lado, o longa sofra de uma síndrome que tem atacado as mais recentes continuações de Hollywood: a do esquecimento. A maioria das sequências produzidas hoje em dia é boa, mas, no geral, não chegam nem perto de marcar. São entretenimentos de momento. M:I 4 se enquadra nessa teoria. 7.5/10















