Cinema e Argumento

Os vencedores do Emmy 2023

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Matthew Macfadyen, Sarah Snook e Kieran Culkin com seus respectivos troféus individuais na noite em que Succession brilhou soberana entre as séries de drama.

Em seu 75º aniversário, comemorado com atraso devido à greve de roteiristas, o Emmy realizou uma de suas melhores cerimônias, considerando pelo menos as décadas mais recentes. Todos pareciam estar na mesma página em um roteiro que reverenciou a história da premiação e, principalmente, seriados marcantes para suas respectivas épocas. Subiram ao palco elencos de produções como A Família Soprano, Ally McBeal, Tudo em Família e Grey’s Anatomy, o que trouxe um tom muito nostálgico para uma cerimônia fluida, com direito até Tina Fey e Amy Poehler anunciando vencedores como se estivessem na bancada de um telejornal. Pensar um tantinho fora da caixinha e promover pequenas mudanças como essas fazem toda a diferença.

Coincidentemente, foi de lavada que Succession se tornou o grande vencedor da noite e se tornou mais um desses seriados que o Emmy homenageará quando olhar mais uma vez para o seu passado. The Bear e Beef também fizeram a festa como a melhor comédia e a melhor minissérie — o primeiro, aliás, de maneira bastante questionável, pois, apesar da inegável excelência, não se trata de um seriado cômico —, mas Succession esteve um nível acima por ter sua última e mais brilhante temporada reconhecida, inclusive com troféus inéditos para Kieran Culkin e Sarah Snook, que venceram como protagonistas. A goleada foi tamanha que apenas Jennifer Coolidge conseguiu representar algum outro concorrente com o seu prêmio de atriz coadjuvante em drama por The White Lotus.

Ao contrário do ocorrido em 2021, quando The Crown ganhou até o que não devia por sua quarta temporada, não deixando margem para qualquer competição, é complicado reclamar do reinado de Succession. Não há prêmio que pudesse ser tirado de mais esse sucesso da HBO, ainda que houvesse outros concorrentes dignos de nota. E, se The Bear deveria concorrer mesmo como drama, por outro lado, são inquestionáveis os reconhecimentos colecionados pela série se a analisarmos isoladamente. Como reclamar de previsibilidade quando os favoritos se confirmam por serem realmente grandes séries? Antes isso do que resultados desagradáveis só pelo choque de uma surpresa, não?

Confira abaixo a lista de vencedores:

DRAMA

MELHOR SÉRIE DE DRAMA: Succession
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA: Mark Mylod (Succession)
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA: Jesse Armstrong (Succession)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Sarah Snook (Succession)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Kieran Culkin (Succession)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Jennifer Coolidge (The White Lotus)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Matthew Macfadyen (Succession)

COMÉDIA

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA: The Bear
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA The Bear
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Christopher Storer (The Bear)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Quinta Brunson (Abbott Elementary)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jeremy Allen White (The Bear)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Ayo Edebiri (The Bear)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Ebon Moss-Bachrach (The Bear)

MINISSÉRIES, ANTOLOGIAS OU TELEFILMES

MELHOR MINISSÉRIE OU ANTOLOGIA: Beef
MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Lee Sung Jin (Beef)
MELHOR ROTEIRO EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Lee Sung Jin (Beef)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Ali Wong (Beef)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Steven Yeun (Beef)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Paul Walter Hauser (Black Bird)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Niecy Nash-Betts (Dahmer – Monster: The Jeffrey Dahmer Story)

VARIEDADES, TALK SHOWS E COMPETIÇÃO

MELHOR PROGRAMA DE VARIEDADES: Last Week Tonight with John Oliver
MELHOR ESPECIAL DE VARIEDADES: Elton John Live: Farewell from Dodger Stadium
MELHOR TALK SHOW: Daily Show with Trevor Noah
MELHOR PROGRAMA DE COMPETIÇÃO: RuPaul’s Drag Race
MELHOR ROTEIRO EM ESPECIAL DE VARIEDADES: Last Week Tonight with John Oliver

Os vencedores do Globo de Ouro 2024

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Oppenheimer leva cinco prêmios no Globo de Ouro 2024, incluindo melhor filme.

A temporada de premiações televisionadas começou com Oppenheimer disparando na frente. O longa de Christopher Nolan foi o grande vencedor do Globo de Ouro 2024 com reconhecimento em nada menos do que cinco categorias, incluindo melhor filme e melhor direção, o que não deixa de ser um balde de água fria para Assassinos da Lua das Flores, o trabalho mais marcante de Martin Scorsese nos últimos anos e que parecia chegar na temporada com uma força maior. A boa notícia é que, pelo menos, Lily Gladstone conseguiu garantir o prêmio de melhor atriz.

Estatisticamente falando, o Globo de Ouro deu um salto de 50% no aumento de sua audência comparado à última edição. É um bom indicativo para uma premiação que vêm sofrendo uma série de baixas, polêmicas e reestruturações. Entretanto, outra constatação me parece mais importante: a de que as escolhas dos votantes foram coerentes e sem um constrangimento sequer. Há coerência na lista de vencedores e até mesmo a grata surpresa de ver Anatomia de Uma Queda conquistando a estatueta de melhor roteiro. Raramente o Globo de Ouro consagra filmes de língua não-inglesa nessa categoria, consequência direta da expansão e internacionalização do corpo de votantes.

O que acabou afundando o Globo de Ouro 2024 foi a falta de ritmo e, principalmente, a escolha de Jo Koy como apresentador. O comediante foi de mal a pior com suas piadas, causando constrangimento na plateia — e não daquele tipo proposital à la Ricky Gervais. Antes que possam culpar a organização do prêmio, como se esse problema fosse exclusivo do Globo de Ouro, volto a defender a tese de que o ofício de apresentador de premiações vem se tornando cada vez mais obsoleto. Há muitos anos, não vemos um host digno de nota, e isso se estende a Oscar, Emmy, SAG, Grammy, etc. É um problema crônico que precisa ser revisto por todos.

Confira abaixo a lista de vencedores:

CINEMA

MELHOR FILME DE DRAMA: Oppenheimer
MELHOR FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL: Pobres Criaturas
MELHOR ATRIZ EM FILME DE DRAMA: Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores)
MELHOR ATOR EM FILME DE DRAMA: Cillian Murphy (Oppenheimer)
MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL: Emma Stone (Pobres Criaturas)
MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL: Paul Giamatti (Os Rejeitados)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Da’Vine Joy Randolph (Os Rejeitados)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Robert Downey Jr. (Oppenheimer)
MELHOR DIREÇÃO: Christopher Nolan (Oppenheimer)
MELHOR ROTEIRO: Justine Triet e Arthur Harari (Anatomia de Uma Queda)
MELHOR ANIMAÇÃO: O Menino e a Garça
MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO-INGLESA: Anatomia de Uma Queda
MELHOR TRILHA SONORA: Ludwig Göransson (Oppenheimer)
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Billie Eilish e Finneas O’Connell, por “What Was I Made For?” (Barbie)
MELHOR REALIZAÇÃO CINEMATOGRÁFICA E DE BILHETERIA: Barbie

SÉRIES, MINISSÉRIES, ANTOLOGIAS E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE DE DRAMA: Succession
MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL: The Bear
MELHOR MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Beef
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Sarah Snook (Succession)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Kieran Culkin (Succession)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL: Ayo Edebiri (The Bear)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL: Jeremy Allen White (The Bear)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Ali Wong (Beef)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Steven Yeun (Beef)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Elizabeth Debicki (The Crown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Matthew Macfadyen (Succession)
MELHOR ESPECIAL DE STAND-UP: Ricky Gervais: Armageddon

Adeus, 2023! (e as melhores cenas do ano)

Em termos cinematográficos, o ano de 2023 deu claros sinais de respiro após a devastão da pandemia de Covid-19. O fenômeno Barbieheimer mostrou que fenômenos de boca a boca ainda são mais do que possíveis para levar o público às salas de cinema, apesar de as salas sofrerem cada vez mais com o esvaziamento de plateias. No entanto, 2023 não foi só isso. Também foi um ano prolífero para o cinema nacional, que levou para as telas o primeiro-longa-metragem realizado no Acre (Noites Alienígenas) e viu Nosso Sonho surpreender em termos de bilheteria, tornando-se uma das maiores estreias nacionais do ano. Grandes diretores entregaram filmes ímpares (Martin Scorsese com Assassinos da Lua das Flores, Hirozaku Kore-eda com Monster) e até o emblemático Godzilla chegou aos 45 do segundo tempo com um longa-metragem surpreendente. Se 2023 foi um ano difícil pessoalmente falando, posso dizer mais uma vez que o cinema me salvou em diversas ocasiões. Que 2024 siga repleto de bons filmes! Feliz ano novo! Nos vemos no cinema (e no streaming)!

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O jantar de Natal em Tia Virgínia.

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A aula de Lydia Tár (Cate Blanchett) em Tár.

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O primeiro teste da bomba nuclear em Oppenheimer.

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Porto Solidão em Noites Alienígenas.

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Dia ensolarado após a tempestade em Monster.

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Leonard Bernstein (Bradley Cooper) rege a Segunda Sinfonia de Mahler em Maestro.

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Sentindo o silêncio em Assassinos da Lua das Flores.

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Godzilla persegue o barco de Shikishima (Ryunosuke Kamiki) em Godzilla Minus One.

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O monólogo de Gloria (America Ferrera) em Barbie.

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O desabafo final de Linda (Ann Dowd) em O Peso da Dor.

Três atores, três filmes… com Gui Araponga

tresguiarapongaAo conferir A Página, curta-metragem rodado em 2015 pelo cineasta Gui Araponga, de apenas 19 anos, imediatamente identifiquei um diretor dedicado a depositar um grande em suas atrizes. Hoje, oito anos depois e já tendo sido selecionado para mais de 140 eventos nacionais e internacionais com seus trabalhos, Gui tira um tempinho para participar aqui da coluna e confirmar as minhas suspeitas: não só suas três escolhas são por atrizes como os comentários sobre o trabalho de cada uma delas sublinham um inegável afeto pela arte feminina de interpretar. Além das atuações citadas (todas elas também admiradas por mim), o Gui começa a participação com uma breve introdução para reverenciar outro trabalho já amplamente citado em mais de 60 edições da coluna e que, claro, merece ser reverenciado sempre que possível. Aproveitem!


Antes de começar a lista, destaco que, apesar de ser uma presença frequente nas listas de “Três atores, três filmes”, é imperativo mencionar o brilhante desempenho de Fernanda Montenegro em “Central do Brasil” ao discutirmos atuações que marcaram a história do cinema mundial. Conhecida por expressar emoções através de nuances faciais, gestos, silêncios e olhares, a atriz revela com sutileza as fragilidades, obscuridades e inseguranças de sua personagem. A manipulação magistral da voz e do tom de fala por parte de Montenegro merece reconhecimento. Ela não apenas interpreta Dora; ela a personifica de maneira autêntica, criando uma performance que transcende as palavras do roteiro. Seu talento para o improviso e a habilidade em transmitir emoções autênticas solidificam sua atuação como uma das mais memoráveis da história do cinema. Na minha visão, esta é uma performance exemplar do que significa o trabalho de um ator.

Dito isso, agora, sim, vamos para a lista:

Kathy Bates (Louca Obsessão)
No icônico papel de Annie Wilkes em Louca Obsessão, Kathy Bates destaca-se por sua habilidade singular em adentrar as profundezas da mente perturbadora de Annie. Utilizando um vasto arsenal de expressões faciais, ela constrói a complexidade da personagem, onde cada olhar e sorriso contido serve como indício da volatilidade que reside sob a aparente serenidade de Annie Wilkes. Sua capacidade de transmitir inseguranças e perigos com sutileza é verdadeiramente impressionante.

A manipulação vocal de Bates é um elemento magnético no enredo. Seu tom de voz oscila entre a doçura enganadora e explosões de raiva, criando uma atmosfera de constante tensão. A relação entre Annie Wilkes e Paul Sheldon, interpretado por James Caan, é um dueto tenso e magnético, acentuado pela química entre os dois atores. O reconhecimento com o Oscar de Melhor Atriz, BAFTA e Globo de Ouro em 1991 é um tributo ao trabalho de Kathy Bates. Sua exploração profunda da psicologia da personagem, a entrega autêntica de emoções e a habilidade de manter a audiência à beira do suspense solidificam sua atuação como uma das mais notáveis da história do cinema.

Charlotte Rampling (45 Anos)
A habilidade distintiva de Charlotte Rampling em 45 Anos reside em sua capacidade excepcional de expressar uma ampla gama de emoções com moderação. Seu rosto se torna um mapa da jornada emocional de Kate, onde cada olhar, silêncio e gesto carregam um significado profundo. A atriz utiliza uma linguagem não verbal excepcional para revelar as tensões e conflitos internos de sua personagem, destacando-se especialmente na cena final do filme, onde ela comunica “tudo” apenas com o olhar (magistral!). Rampling abraça a sutileza do roteiro de Andrew Haigh, permitindo que as emoções de sua personagem se desdobrem de maneira natural e realista. A profundidade da dor, arrependimento e autoconhecimento que Rampling incorpora à sua interpretação enriquece o retrato de uma mulher que confronta seu passado de maneira inesperada.

O ritmo lento e contemplativo do filme proporciona um ambiente propício para que a performance de Rampling brilhe, destacando sua habilidade de transmitir emoções profundas em momentos silenciosos. Sua escolha consciente de confiar na expressão facial e na linguagem corporal, em vez de diálogos expositivos, é um tour de force que ilustra sua maestria na arte da atuação. Sua habilidade em explorar as nuances emocionais de sua personagem solidifica sua posição como uma das atrizes mais talentosas da indústria cinematográfica contemporânea. Vale lembrar que, apesar de ter sido esnobada no Oscar, Rampling foi agraciada com o Urso de Ouro no Festival de Berlim e o prêmio César de Melhor Atriz pelo filme.

Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Na minha opinião, apontar apenas um trabalho memorável de Cate Blanchett é desafiador, mas não há como negar que “Blue Jasmine” permanece como sua obra-prima. No filme dirigido por Woody Allen, Blanchett mergulha profundamente na complexidade emocional de sua personagem, proporcionando uma atuação que se destaca pela delicadeza e poder. A personagem enfrenta uma queda social abrupta, e Blanchett transmite essa transformação com intensidade, demonstrando um controle excepcional da expressão facial, gestos e postura corporal para transmitir a complexidade de uma mulher à deriva.

A habilidade de Blanchett em explorar as camadas emocionais da personagem é impressionante, captando com maestria a fragilidade emocional de Jasmine, uma mulher em conflito consigo mesma ao tentar conciliar sua realidade atual com as memórias de um passado mais glamouroso. A experiência proporciona um registro profundamente realista do colapso psicológico de Jasmine, tornando-a uma personagem memorável e complexa. Além disso, Blanchett retrata de maneira magistral a dimensão social de Jasmine. Seus maneirismos e elegância deteriorada são representados com maestria, destacando a luta da personagem para manter as aparências diante das adversidades. A química envolvente entre Blanchett e o elenco, especialmente nas cenas com Sally Hawkins, que interpreta a irmã de Jasmine, contribui para a autenticidade do filme. A dinâmica entre as duas atrizes enriquece a narrativa, proporcionando momentos de intensidade e profundidade emocional.

O reconhecimento da crítica, do público e os numerosos prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Atriz, sublinham a excepcionalidade da performance de Cate Blanchett em “Blue Jasmine”. Sua interpretação não apenas eleva o filme a um patamar superior, mas também consolida seu lugar como uma das atrizes mais destacadas e versáteis da indústria cinematográfica.

Melhores de 2022: “Aftersun” é o grande vencedor, seguido por “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”

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Quando comecei a listar os meus filmes favoritos de 2023, percebi que sequer havia revelado por aqui os vencedores da lista de 2022. Para ganhar tempo e compensar o esquecimento, faço essa postagem única, ao contrário de anos anteriores, quando comentei categoria por categoria. Prometo que, na próxima leva, volto com o formato tradicional. Dito isso, relembre aqui a lista de indicados para os melhores de 2022, liderada por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, de Daniel Kwan e Daniel Scheinert.

Ainda que eu seja um grande defensor e entusiasta do alucinante liquidificador de gêneros comandado pelos Daniels, Aftersun foi o filme que mais conversou comigo entre os títulos lançados comercialmente no Brasil em 2022. Íntimo, memorialístico e estruturado com imensa sensibilidade, o longa vence nas categorias de melhor filme, direção, ator e roteiro original. Já Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, como outra experiência ímpar, fica com melhor atriz, ator coadjuvante e montagem. 

Se as categorias principais foram relativamente fáceis de resolver, o cenário foi um pouco diferente nas técnicas, o que resultou em uma lista de vencedores bastante dividida. O único longa citado mais de uma vez nesse segmento foi Spencer, destaque nas categorias de melhor figurino e fotografia. A Novata em melhor trilha sonora, Moonage Daydream em melhor som e Pinóquio por Guillermo Del Toro em design de produção são, de certa forma, a minha singela reparação para trabalhos solenemente ignorados na temporada de premiações.

Confira a lista completa:

MELHOR FILME: Aftersun
MELHOR DIREÇÃO: Charlotte Wells (Aftersun)
MELHOR ATRIZ: Michelle Yeoh (Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo)
MELHOR ATOR: Paul Mescal (Aftersun)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Dakota Johnson (Cha Cha Real Smooth – O Próximo Passo)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Ke Huy Quan (Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo)
MELHOR ELENCO: Marte Um
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Aftersun

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Drive My Car
MELHOR MONTAGEM: Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo
MELHOR FOTOGRAFIA: Spencer

MELHOR TRILHA SONORA: A Novata
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Naatu Naatu” (RRR: Revolta, Rebelião, Revolução)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Pinóquio por Guillermo del Toro
MELHOR FIGURINO: Spencer
MELHOR SOM: Moonage Daydream

MELHORES EFEITOS VISUAIS: Avatar: O Caminho da Água
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Nada de Novo no Front