Cinema e Argumento

Melhores de 2011 – Elenco

Tudo Pelo Poder é um filme que sabe comandar personagens. Mesmo com tantas figuras em cena, todas estão ali por algum motivo. Nada, em termos de elenco, é avulso. Ora, só os grandes nomes que o diretor George Clooney reuniu para o filme já bastariam para arrancar elogios de qualquer cinéfilo: Ryan Gosling, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, entre outros. O que dizer, então, quando todos eles estão bem dirigidos e com importantes papeis na construção da trama? Se George Clooney é extremamente convincente como o político idealista que movimenta a trama, Gosling apresenta em um dos seus melhores trabalhos recentes. Philip Seymour Hoffman e Paul Giamatti continuam dando um baile com uma maestria iniguálável ao lidar com as palavras. Evan Rachel Wood e Marisa Tomei, ainda que em aparições menores, também conseguem aproveitar cada minuto em cena. E por aí vai… Dessa forma, temos outro grande mérito desse excelente filme: além de incrivelmente eficiente com sua simplicidade, Tudo Pelo Poder também apresenta um belo trabalho de elenco. George Clooney sabe escolher as pessoas certas.

AMOR A TODA PROVA

Nos últimos anos, tem sido recorrente o excelente trabalho de elencos em comédias. E o que dizer de um filme que traz Steve Carell, Julianne Moore, Emma Stone, Ryan Gosling e Marisa Tomei? Excetuando o fato de que o filme por si só já é uma surpresa (lida muito bem com as previsibilidades do roteiro), os atores estão em plena sintonia. É mais um louvável caso de comédia onde o elenco alcança ótimos resultados – seja individualmente ou juntos. E já passou da hora de reconhecer Carell, que coleciona desempenhos subestimados (Eu, Meu Irmão e Nossa NamoradaPequena Miss Sunshine e, agora, Amor a Toda Prova).

MEIA-NOITE EM PARIS

Woody Allen confiou um protagonista ao ator Owen Wilson. A princípio, uma decisão arriscada. Mas o diretor não é bobo. Mais uma vez, ele prova que consegue extrair excelente resultado até mesmo de um ator não tão confiável. Além de Wilson, Meia-Noite em Paris se torna muito mais prazeroso por, justamente, ter tantos bons atores em cena: de Marion Cotillard e Rachel McAdams até Kathy Bates e Adrien Brody, o filme torna Paris ainda mais interessante com esses atores atuando em um dos melhores momentos de Allen nos últimos anos. Não dava para esperar menos do veterano diretor.

MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO

Não tem pra ninguém: o elenco feminino do ano é o de Missão Madrinha de Casamento. Na história recente do cinema de comédia, é difícil lembrar de outro conjunto de atrizes tão eficiente. Deve-se, no mínimo, tirar o chapéu para um filme que consegue, inclusive, tornar a insossa Rose Byrne um verdadeiro destaque. Na história, existe espaço para todas, mesmo com a notável inspiração e o ótimo timing da excelente protagonista Kristen Wiig. Pena que a mais desinteressante do elenco, Melissa McCarthy, tenha sido, inexplicavelmente, a única celebrada em todos os cantos.

MARGIN CALL – O DIA ANTES DO FIM

Margin Call é outro filme que mostra como 2011 foi um excelente ano para elencos de peso. Reunindo veteranos do calibre de Kevin Spacey e Jeremy Irons, além de jovens incontestavelmente eficientes como Zachary Quinto, o filme de J.C. Chandor só seria possível com esses atores que desapareceram na pele dos seus personagens. Sem eles, a história não seria tão verossímil. O resultado agradou bastante, até porque mesmo aqueles que não aprovaram entusiasmadamente o filme (como é o meu caso) reconheceram a excelência alcançado pelos atores.

EM ANOS ANTERIORES: 2010Minhas Mães e Meu Pai | 2009Dúvida | 2008Vicky Cristina Barcelona | 2007Bobby

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Escolha do público:

1. Tudo Pelo Poder (41,94%, 13 votos)

2. Missão Madrinha de Casamento (22,58%, 7 votos)

3. Meia-Noite em Paris (16,13%, 5 votos)

4. Amor a Toda Prova (12,9%, 4 votos)

5. Margin Call – O Dia Antes do Fim (6,45%, 2 votos)

Sete Dias Com Marilyn

First love is such sweet despair!

Direção: Simon Curtis

Elenco: Eddie Redmayne, Michelle Williams, Kenneth Branagh, Judi Dench, Dominic Cooper, Emma Watson, Toby Jones Julia Ormond, Geraldine Somerville

My Week With Marilyn, EUA/Inglaterra, 2011, Drama, 99 minutos

Sinopse: O jovem assistente de produção Colin Clark (Eddie Redmayne) documenta a tensa relação entre Laurence Olivier (Kenneth Branagh) e Marilyn Monroe (Michelle Williams) durante as gravações de O Príncipe Encantado, que culminou com a atriz abandonando a produção por uma semana para se divertir em Blighty.

Sempre existe uma estrela do passado que volta a ser moda. Agora, é a vez de Marilyn Monroe. Além do seriado Smash, do canal NBC, que mostra uma equipe de produtores e diretores realizando um musical para a Broadway sobre a atriz, o cinema também resolveu fazer sua homenagem. Sete Dias Com Marilyn, do diretor Simon Curtis, mostra os bastidores das gravações do longa O Príncipe Encantado, onde Monroe nutriu uma difícil relação com o diretor e ator Laurence Olivier. Tudo isso pelos olhos de um jovem assistente de produção que, imediatamente, ficou fascinado pela atriz – que dessa vez, ganha vida na interpretação de Michelle Williams (indicada ao Oscar 2012 de melhor atriz por seu desempenho).

A escolha inusitada traz pontos positivos e negativos que merecem comentários à parte. Williams, como sabemos, é uma ótima atriz (já provou isso em filmes como O Segredo de Brokeback Mountain e no recente Namorados Para Sempre) e, ao desenvolver a dramaticidade de Marilyn Monroe, alcança, claro, resultado mais do que satisfatório. Ela consegue, com facilidade, demonstrar a fragilidade de uma estrela que, no fundo, era tão comum como qualquer outra pessoa. Já no que se refere à caracterização, Williams já não é tão bem sucedida. Sua Marilyn Monroe, ao contrário da real, não é um exemplo de sensualidade e de intensidade. Pelo contrário: é até frágil e meiga demais para o que Monroe ainda representa até hoje. Por isso, em vários momentos, vemos Williams e não a personagem-título.

Essa abordagem angelical de Marilyn também traz pequenos problemas para o próprio roteiro. Ok, ela era uma mulher muito bonita e querida. Mas por que, nos bastidores, todos se encantavam com uma figura tão insegura profissionalmente (sempre andava, por todos os lados, com uma agente que lhe dava dicas de como agir), mimada, mal sucedida em suas relações amorosas e que nem conseguia executar seu trabalho com total êxito (baseando-se em Sete Dias Com Marilyn, ela precisava refazer várias cenas por esquecer falas, gaguejar na hora das gravações e se atrasar para compromissos)? O filme não explica, na construção da personagem e no desenvolvimento do mito, a razão desse furacão todo causado por ela.

Excluindo o fator Marilyn Monroe em relação ao desempenho de Williams e o roteiro que não é tão preciso no retrato da intensidade dela, Sete Dias Com Marilyn é um filme muito interessante do ponto de vista dramático porque consegue ser delicado ao desenvolver as relações entre os personagens (não cai no melodrama ao mostrar a paixão do garoto por Marilyn), por ser um filme sobre bastidores que divide bem essa abordagem com dramas pessoais e por ter uma boa reconstituição de época que torna tudo ainda mais interessante e bem ambientado. Dessa maneira, Sete Dias Com Marilyn conta uma história de forma agradável e, principalmente, sem pretensões. Menos, aqui, é mais, o que deixa os pequenos deslizes do filme passarem quase despercebidos.

FILME: 8.0

Fim da Linha

Compartilho com vocês o documentário Fim da Linha, produzido, em 2011, para as disciplinas de Projeto Experimental V e Documentário em TV do curso de Jornalismo do Centro Universitário Metodista – IPA. Coloco o documentário aqui no blog não só porque faço parte da equipe (participei do roteiro e da montagem), mas por ele tratar de um assunto que precisa de atenção: a falta de segurança na RS 118, uma rodovia de Esteio (RS) que tem trazido inúmeras perdas para as pessoas que moram ao redor dela. Enquanto algumas perderam familiares, outras tiveram suas capacidades físicas comprometidas em acidentes. São histórias que por si só já mostram a urgência do assunto. Para se ter uma noção, durante a produção do documentário (que levou aproximadamente seis meses), 157 acidentes foram registrados na RS 118. Espero que o documentário, de alguma forma, ajude a melhorar essa péssima situação dos que vivem perto da rodovia…

Melhores de 2011 – Atriz

Às vezes, a sintonia entre dois atores é tão grande que separá-los, dizendo que um é melhor do que outro, é uma tarefa impossível – e absurda. Por isso mesmo, é difícil entender como Annette Bening concorreu a tantos prêmios enquanto Julianne Moore ficou de escanteio por Minhas Mães e Meu Pai. Tal fato se repetiu ano passado, quando Kirsten Dunst foi eleita melhor atriz em Cannes por seu trabalho em Melancolia. Não, o filme de Lars Von Trier não é somente dela. Na realidade, é extremamente errado dizer isso. Kirsten Dunst não existe sem Charlotte Gainsbourg, e vice-e-versa. As duas se completam em cena, realizando trabalhos igualmente excepcionais. Von Trier foi agraciado com essa dupla que deu vida de forma contundente a duas personagens marcantes e que conseguem tornar ainda mais realistas as angústias e aflições de mulheres com personalidades completamente opostas. Vê-las juntas, especialmente quando o filme se encaminha para o final, é um verdadeiro presente. Um ator não trabalha sozinho, a não ser que esteja em um monólogo. E esse entendimento de parceria está mais do que explícito nas excelentes performances de Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg em Melancolia. As duas são as melhores atrizes de 2011.

JULIETTE BINOCHE (Cópia Fiel)

Para quem não aprecia o cansativo Cópia Fiel, Juliette Binoche é uma verdadeira luz no fim do túnel. O filme de Abbas Kiarostami não é para todos, mas a interpretação de Binoche sim. Seguindo a tendência dos ótimos trabalhos de duplas esse ano, Binoche divide a tela com o também excelente William Shimell. No entanto, a francesa recebe a abordagem mais emotiva e dramática, tornando-se, assim, o grande destaque desse longa que, apesar de não ser intenso, tem uma protagonista que consegue ser exatamente isso.

NATALIE PORTMAN (Cisne Negro)

Vencedora de um merecido Oscar de melhor atriz, Natalie Portman recebe, em Cisne Negro, o papel mais importante de toda a sua carreira. Pela primeira vez, Portman é o grande centro das atenções nesse filme que traz outra impecável direção de Darren Aronofsky. Dedicando-se de corpo e alma a esse papel difícil, a atriz, mais uma vez, prova a sua capacidade de conduzir com segurança um papel complexo e cheio de interpretações. A Alice, de Closer – Perto Demais, era apenas o começo. Aqui, ela alcança sua definitiva segurança como intérprete.

MICHELLE WILLIAMS (Namorados Para Sempre)

Em 2011, não existe filme mais doloroso do que Namorados Para Sempre. Narrando o conturbado fim de um relacionamento, o diretor Derek Cianfrance despertou completa inspiração em seus protagonistas. E Michelle Williams, boa atriz como sempre, conseguiu um resultado maravilhoso. Atuando em plena sintonia com Ryan Gosling, ela transmite todo o sofrimento de sua personagem, bem como suas fragilidades e esperanças. Possivelmente, o ponto alto da carreira de Williams.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Carey Mulligan (Educação) | 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho) | 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!) | 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

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Escolha do público:

1. Natalie Portman, por Cisne Negro (40,91%, 18 votos)

2. Michelle Williams, por Namorados Para Sempre (27,27%, 12 votos)

3. Kirsten Dunst, por Melancolia (13,64%, 6 votos)

4. Charlotte Gainsbourg, por Melancolia (9,09%, 4 votos)

5. Juliette Binoche, por Cópia Fiel (9,09%, 4 votos)

Jogos Vorazes

May the odds be ever in your favor.

Direção: Gary Ross

Roteiro: Gary Ross, Suzanne Collins e Billy Ray, baseado no livro “The Hunger Games”, de Suzanne Collins

Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Stanley Tucci, Elizabeth Banks, Woody Harrelson, Toby Jones, Liam Hemsworth, Willow Shields, Alexander Ludwig

The Hunger Games, EUA, 2012, Ação, 142 minutos

Sinopse: Num futuro distante, boa parte da população é controlada por um regime totalitário, que relembra esse domínio realizando um evento anual – e mortal – entre os 12 distritos sob sua tutela. Para salvar sua irmã caçula, a jovem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece como voluntária para representar seu distrito na competição e acaba contando com a companhia de Peeta Melark (Josh Hutcherson), desafiando não só o sistema dominante, mas também a força dos outros oponentes. (Adoro Cinema)

Lançado pela primeira vez em 2008, nos Estados Unidos, Jogos Vorazes, da escritora Suzanne Collins, só começou a se tornar um hit de verdade a partir do ano passado, quando a adaptação da obra começou a ser produzida sob o comando do diretor Gary Ross. E o filme vingou: durante várias semanas, liderou a bilheteria dos Estados Unidos e, aqui no Brasil, chegou a ser vendido como o mais novo fenômeno infanto-juvenil – inclusive, fizeram questão de compará-lo a outros sucessos, como Harry Potter. Bom, pode até ser que, nos livros, Jogos Vorazes tenha mesmo todo essa empolgação que seu sucesso sugere, mas, a julgar pela versão cinematográfica, a história fica devendo (e muito!) em termos de inovação.

Jogos Vorazes aposta nessa nova moda de criar ficção com um quê de realidade, colocando pessoas comuns em situações extraordinárias. Para tanto, usa figuras que têm cotidianos extremamente simples: jovens trabalhadores que enfrentam as dificuldades da vida, sejam elas financeiras ou familiares. Primeiro, apresenta tudo isso para, depois, inserir a tal ficção: aquela em que tais personagens são misteriosamente obrigados a participar de um jogo anual de mata-mata onde apenas um pode sobreviver. Novidade? Não. Se formos pensar bem, a história criada por Suzanne Collins lembra, propositalmente ou não, muitas outras. Temos esse mundo de matar ou morrer cheio de regras de Tron, por exemplo. Ou, então, o fato dos personagens estarem sendo vistos pela TV, onde existe uma equipe que manipula todo e qualquer movimento deles. O Show de Truman?

Por isso, no sentido de enredo, tal comparação com Harry Potter se torna absurda. Abordagens completamente diferentes e que, em termos de consistência, também em nada se parecem. Jogos Vorazes é, no máximo, um passatempo satisfatório – e que, a julgar por esse primeiro filme, não tem sobrevida. A história não tem muito a dizer e o roteiro pouco se preocupa em aprofundar certos aspectos. O que importa é o básico: um personagem ama o outro, a garota é corajosa, o menino tem seus medos, e juntos eles vão enfrentar um grande desafio. Pouco importa a relação que eles nutriam antes dos tal jogos ou sequer a dinâmica deles com outras pessoas. Tal abordagem rasa está evidente, por exemplo, nas relações que a personagem de Jennifer Lawrence estabelece com a família e com outro menino – todas mostradas de forma superficial, beirando o esquecível.

E se os personagens principais são básicos, o que dizer, então dos coadjuvantes? Todos unilaterais ou sem importância. Por isso, quando o jogo começa e as mortes surgem minuto a minuto, não sentimos nada. Afinal, não os conhecemos. Isso também se deve ao fato de que Jogos Vorazes leva cerca de metade do filme para explicar para os espectador como funciona aquele jogo para depois lançar os personagens lá. Mas, ao invés de, nesse tempo em que explica os jogos, o roteiro nos aproximar dos personagens que combaterão, o filme só se preocupa em mostrar, de forma quase didática, a regra dos jogos vorazes. Dessa forma, figuras como a de Elizabeth Banks e do jovem vilão Alexander Ludwig, acabam, respectivamente, apenas como caricatas. Nada além.

Esses vários problemas de roteiro (que também tem a participação da própria autora do livro) tiram o impacto do filme, até porque também outros fatores não conseguem compensar por completo esses erros. Falando em não conseguir compensar problemas, o que dizer da frenética montagem? Na primeira meia hora, é quase impossível não ficar tonto com milhares de cortes desnecessários. Por outro lado, o diretor Gary Ross soube escolher muito bem os seus protagonistas. A jovem Jennifer Lawrence segura bem as pontas e confirma todo o talento que apresentou em Inverno da Alma. Seu par, Josh Hutcherson, também apresenta eficiência: é dotado de uma incrível simpatia que cai como uma luva para a abordagem do personagem. São eles que mais sustentam Jogos Vorazes.

Todos os elementos para agradar o público infanto-juvenil estão ali. No segundo ato do filme, a tensão funciona nas cenas de ação, os elementos dos tais jogos são bem explorados e o filme adquire novo ritmo. Por isso, poucos se importarão com os vários problemas de roteiro – principalmente no que se refere ao final bagunçado e cheio de mudanças bruscas. Jogos Vorazes, para os menos atentos, sabe disfarçar muito bem todas as falhas. Só que, para uma experiência que é vendida e concebida como um novo fenômeno, não chega a empolgar. É divertido, momentâneo. E, para ser bem sincero, não vejo para onde Jogos Vorazes pode caminhar em futuras continuações.

FILME: 7.0