Na TV… a primeira temporada de Bates Motel

A ideia de fazer uma série como Bates Motel era no mínimo perigosa. Prelúdios e continuações raramente dão certo, especialmente quando são extensões de produções consagradas. O que dizer, então, desse programa do canal A&E criado por Anthony Cipriano que resolve contar a adolescência de Norman Bates, o protagonista do clássico Psicose? A boa notícia, no entanto, é que Bates Motel, pelo menos em seu primeiro ano – cujo último episódio foi exibido no último dia 20 – consegue se desvincular das lembranças do filme de Alfred Hitchcock para criar um novo universo. E o resultado foi satisfatório o suficiente para que a série já se firme desde agora entre as boas surpresas da TV em 2013.
Focando na relação entre o jovem Norman (Freddie Highmore) e sua mãe, Norma (Vera Farmiga), Bates Motel tem, na interação entre os dois personagens, o seu grande forte. O suspense está ali para atrair o grande público, mas o programa, na realidade, alcança seus melhores momentos quando os dois estão juntos em cena. A afetuosa mas também conturbada relação de mãe e filho move Bates Motel, que apresenta sutilmente alguns conflitos familiares que exigem o máximo cuidado, seja para não cair no lugar-comum ou para não descambar para o inverossímil, como a perigosa dependência emocional dos dois e a maneira como Norma está longe de ser a mais elogiável das mães.
Ao longo dos dez episódios da primeira temporada, essa proposta, claro, é frequentemente diluída para que o suspense entre em cena – afinal, Bates Motel não poderia ser um estudo exclusivamente psicológico dos protagonistas, visto que precisa segurar a audiência para se manter vivo em uma canal relativamente desconhecido como o A&E. Mas, apesar de alguns episódios bem mornos e repetitivos, a tensão da história consegue ser trabalhada satisfatoriamente pelos roteiristas, que sempre procuram colocar as consequências do suspense como mais uma problemática para o relacionamento dos protagonistas. Por isso, dilemas que parecem diferenciados mas que logo são resolvidos rapidamente não chegam a afetar o conjunto da série.
Contribuindo diretamente para esse ótimo retrato familiar, Freddie Highmore e Vera Famiga não estão menos que inspirados nos papeis de Norman e Norma, respectivamente. Muito mais do que construir uma excelente química, a dupla também alcança notáveis resultados individualmente. Highmore, que emocionou plateias mundo afora com Em Busca da Terra do Nunca, hoje já tem 21 anos e está impecável no papel de menino desajustado que parece preso entre as ingenuidades de um jovem e a dificuldades da vida adulta. Já Farmiga, cotada para figurar nas próximas premiações, tem uma bela chance para colocar seu talento à mostra. E sempre aproveita.
Com uma segunda temporada confirmada para 2014, Bates Motel alcançou relativo sucesso de público e aqui no Brasil já tem exibição garantida pelo canal Universal, a partir de 4 de julho. O resultado final tem suas fragilidades (alguns episódios nada acrescentam, os conflitos volta e meia se repetem e outras subtramas estão ali apenas para cumprir tabela), mas, dadas as expectativas – sejam elas positivas ou negativas -, a série consegue terminar a primeira temporada com saldo positivo. Se não for pela história, que pelo menos a espiada seja seja por Freddie Highmore e Vera Farmiga.
PRIMEIRA TEMPORADA: [7.5] 1.01 – First You Dream, then You Die [8.0] 1.02 – Nice Town You Picked, Norma… [8.0] 1.03 – What’s Wrong With Norman [8.0] 1.04 – Trust Me [7.5] 1.05 – Ocean View [8.0] 1.06 – The Truth [8.0] 1.07 – The Man in Number 9 [7.5] 1.08 – A Boy and His Dog [7.5] 1.09 – Underwater [8.0] 1.10 – Midnight



Megalomanias à parte, o diretor Baz Luhrmann, quando decide ter tino para trilhas sonoras, simplesmente arrasa. Não à toa, muito do status de clássico de Moulin Rouge! se deve ao trabalho musical de Luhrmann. Ainda não sabemos como é O Grande Gatsby, mas já podemos dizer que ele acertou mais uma vez nesse quesito. Trazendo algumas das mais belas vozes da atualidade, a trilha já tem canções para se ouvir repetidamente, como Kill and Run (da sempre impressionante Sia) e Young and Beautiful (que traz todos os elementos que fizeram de Lana del Rey um sucesso). Tem seus excessos e outras inventividades que cabe a cada um decidir até que ponto funcionam, mas, no geral, é um resultado digno de elogios.
Joseph Kosinski sabe fazer filmes de ficção. Só que ele precisa de roteiros infinitamente melhores. É o caso de Oblivion, que, mesmo quase sonolento, é outra investida sua que constrói um universo interessante do ponto de vista estético e que traz mais uma boa escolha na trilha sonora. Sai Daft Punk de Tron: O Legado para a entrada de M83. Álbum cercado de expectativas (afinal a banda é irresistível), basta uma primeira ouvida para constatar que, apesar de cheio de excelentes referências (Hans Zimmer e o próprio Daft Punk), a mistura não é tão interessante quanto os seus ingredientes. Funciona no filme, tem ritmo e é bem realizada, mas, estranhamente, nunca chega a impressionar.
Mesmo com o número infinito de trilhas por ano, Alexandre Desplat sempre dá um jeito de voltar a suas origens e realizar algum projeto na sua terra natal. Dessa vez, ele está novamente em território francês, repetindo a parceria com o diretor Jacques Audiard. Em Ferrugem e Osso, Desplat apresenta uma trilha muito sutil, indo totalmente de encontro com o que Audiard desenvolve na relação de Stéphanie (Marion Cotillard) e Ali (Matthias Schoenaerts). Composições como Le Lac e La Plage são uma prova da ótima ambientação construída pela trilha do francês. Nada revolucionário, mas de grande competência, como grande parte do currículo do compositor.
