Cinema e Argumento

42º Festival de Cinema de Gramado apresenta filmes concorrentes

Com o falecimento de José Wilker, a diretora e produtora argentina Eva Piwowarski agora integra a nova curadoria ao lado de Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

Com o falecimento de José Wilker, a diretora e produtora argentina Eva Piwowarski agora integra a nova curadoria ao lado de Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

Foram revelados na manhã desta quarta-feira (02), os concorrentes do 42º Festival de Cinema de Gramado, que será realizado entre os dias 8 e 16 de agosto. A lista contempla oito longas brasileiros, cinco longas latinos, 17 curtas gaúchos (Prêmio Assembleia Legislativa de Cinema) e 15 curtas brasileiros. Pela primeira vez na história, o evento distribuirá prêmios em dinheiro para os vencedores, com a distribuição de 275 mil reais.

Mais dois ineditismos marcam esta edição. O primeiro é a presença de uma estrangeira entre os curadores. Com o falecimento de José Wilker, a curadoria foi repensada e agora quem completa o trio ao lado de Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho é a diretora e produtora argentina Eva Piwowarski, fortalecendo a presença latina do Festival. A segunda novidade inédita é uma programação exclusiva para os moradores de Gramado, que, durante os três dias que antecedem a abertura oficial do evento, assistirão a longas consagrados no Festival.

Em Infância, de Domingos Oliveira, Fernanda Montengro é a matriarca de uma nobre família carioca dos anos 1950.

Em Infância, de Domingos Oliveira, Fernanda Montengro é a matriarca de uma nobre família carioca dos anos 1950.

Rubens Ewald Filho afirma que esta é a melhor seleção de longas do Festival de Cinema de Gramado em anos. Alguns filmes certamente despontam como promessas. Infância é um deles. Não tanto por ser de Domingos Oliveira – que deve um grande trabalho há anos -, mas por trazer a unânime Fernanda Montenegro como a matriarca de uma nobre família carioca dos anos 1950. Segundo o próprio curador, é bom ficar de olho: o papel da veterana está longe de ser apenas uma pequena participação afetuosa.

Sinfonia da Necrópole, primeiro longa de Juliana Rojas, também se destaca. Além de ser um musical com história bastante atípica (um aprendiz de coveiro que não sabe lidar com a morte!), vem desta promissora cineasta, que já fez trabalho muito interessante em curtas, como o recente e quase macabro O Duplo, que dirigiu em parceria com Marco Dutra. Por falar em musical (de ficção, não documental), outro integra a lista: A Luneta do Tempo, trabalho de estreia do músico Alceu Valença. Passado no sertão, o filme traz Irandhir Santos em uma ciranda de encontros e desencontros, traições e amores, crimes e castigos.

Ainda completam a listas filmes de cineastas como Marcelo Galvão (celebrado em Gramado com Colegas), Tabajara Ruas e Helvécio Ratton. O ator Caco Ciocler debuta atrás das câmeras com Esse Viver Ninguém Me Tira e Vicente Ferraz concorre com A Estrada 47. Já entre os latinos, a lista foi dos tradicionais seis para cinco concorrentes. Mas a curadora Eva Piwowarski justifica, alegando que a lista não é maior porque os outros concorrentes não se equipariam à grande qualidade destes cinco – o que certamente, segundo ela, traria uma perceptível discrepância entre os filmes. Mais informações no site http://www.festivaldegramado.net

Confira a lista completa de filmes concorrentes:

LONGAS BRASILEIROS
A Despedida (SP)
A Estrada 47 (RJ)
A Luneta do Tempo (RJ)
Esse Viver Ninguém Me Tira (DF)
Infância (RJ)
O Segredo dos Diamantes (MG)
Os Senhores da Guerra (RS)
Sinfonia da Necrópole (SP)

LONGAS ESTRANGEIROS
Algunos Dias Sin Musica (Argentina/Brasil)
El Critico (Argentina)
El Lugar Del Hijo (Uruguai)
Esclavo de Dios (Venezuela)
Las Analfabetas (Chile)

CURTAS BRASILEIROS
O Que Fica (SP)
História Natural (PE)
Carranca (BA)
La Llamada (SP)
A Pequena Vendedora de Fósforos (RS)
Max Uber (MG)
Sem Título #1: Dance of Leitfossil (SP)
Compêndio (SP)
Carta a Uma Jovem Cineasta (SC)
O Clube (RJ)
Contínuo (PB)
Castillo y el Armado (RS)
Brasil (PR)
Se Essa Lua Fosse Minha (RS)
O Coração do Príncipe (SP)

CURTAS GAÚCHOS (Prêmio Assembleia Legislativa)
A Pequena Vendedora de Fósforos
Bacon ou Rúcula
Caçador
Casa de Pompas
Castillo y el Armado
Descompasso
Domingo de Marta
Espelhos
Gildíssima
Hotel Farrapos
Linda, uma história horrível
O Encontro
O que ficou Para Trás
O Relâmpago e a Febre
Os Meninos Perdidos
Servido com Candura
Sioma – O Papel da Fotografia

Malévola

Oh, dear! What an awkward situation…

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Direção: Robert Stromberg

Roteiro: Linda Woolverton, baseado nas histórias La Belle au Bois Dormant, de Charles Perrault, e Little Briar Rose, de Jacob Grimm e Wilhelm Grimm, e no filme A Bela Adormecida, de  Clyde Geronimi

Elenco: Angelina Jolie, Elle Fanning, Sharlto Copley, Lesley Manville, Imelda Staunton, Juno Temple, Sam Riley, Brenton Thwaites, Kenneth Cranham, Sarah Flind, Hannah New, Isobelle Molloy, Michael Higgins

Maleficent, EUA, 2014, Aventura, 97 minutos

Sinopse: Baseado no conto da Bela Adormecida, o filme conta a história de Malévola (Angelina Jolie), a protetora do reino dos Moors. Desde pequena, esta garota com chifres e asas mantém a paz entre dois reinos diferentes, até se apaixonar pelo garoto Stefan (Sharlto Copley). Os dois iniciam um romance, mas Stefan tem a ambição de se tornar líder do reino vizinho, e abandona Malévola para conquistar seus planos. A garota torna-se uma mulher vingativa e amarga, que decide amaldiçoar a filha recém-nascida de Stefan, Aurora (Elle Fanning). Aos poucos, no entanto, Malévola começa a desenvolver sentimentos de amizade em relação à jovem e pura Aurora. (Adoro Cinema)

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Antes de Malévola se tornar a exceção, esta nova onda de adaptações live action de clássicos infantis nunca havia chegado perto de se justificar – nem mesmo em termos de entretenimento. Filmes como o pavoroso A Garota da Capa Vermelha (releitura de Chapeuzinho Vermelho) e outros tantos como João e Maria: Caçadores de BruxasBranca de Neve e o Caçador não foram levados a sério por ninguém, o que não criava boas expectativas para este novo filme estrelado por Angelina Jolie. Mas Malévola se revelou um interessante acerto dentro deste mar de produções que variavam do pavoroso ao irregular. Não que o trabalho de estreia de Robert Stromberg como diretor seja um arraso – longe disso -, mas pelo menos vem para provar que é possível sim revirar o baú de histórias infantis já consagradas com uma boa dose de entretenimento e novidades.

O primeiro acerto de Malévola é escolher contar a clássica história de A Bela Adormecida a partir de um outro ponto de vista: o da vilã Malévola. Normalmente, vilões são retratados de forma caricata e unilateral em histórias infantis, mas a verdade é que eles são os personagens mais ricos e interessantes em qualquer circunstância. É grande o número de personagens que ficam na memória por suas maldades e de atores que marcaram época ao abraçar a vilania. Só que também é verdade que são poucos os antagonistas que têm sua “maldade” justificada ou pelo menos colocada em discussão. Desta forma, Malévola surge se destacando logo na concepção:  sinceramente, Elle Fanning está realmente uma graça como a doce Aurora, mas acompanhar 90 minutos de uma história com ela seria insuportável com uma Jolie vilã tão inspirada em cena.

Que bom que tiveram a consciência de colocar a princesinha de escanteio (cuja história não é nem contada paralelamente, sendo mero detalhe mesmo) e entregar o filme todo a Angelina, que raramente tem a história fora de seu alcance. Sem dúvida, é o grande momento da atriz em muito tempo, especialmente quando ela estava afastada das delas desde O Turista, realizado em 2010. Poucas vezes ela esteve tão imponente e marcante em cena, tanto em termos de beleza quanto de interpretação. Jolie convence e hipnotiza durante todo o arco da personagem, que começa como uma fada comum, depois tem as razões de sua vilania explicada e aos poucos vai se humanizando – mas sem nunca perder a necessária acidez. Sem dúvida é um novo êxito recente da Disney, muito esperta ao dar boas chances para Jolie, trazendo-lhe ainda bons figurinos, maquiagem eficiente e momentos realmente de rainha.

Dizem que a protagonista carrega Malévola nas costas – o que não deixa de ser compreensível para quem esperava mais do resultado -, mas o filme tem acertos inegáveis, o que inclui a parte técnica com ótimos efeitos visuais e uma concepção visual bastante satisfatória. Funciona ver a história de um outro lado, fazendo com que nada pareça repetição ou reciclagem, e sim algo novo e original. O roteiro uma vez ou outra carece de algo mais consistente que vá além do poder de sua protagonista, mas a proposta está sempre a favor do filme. Somente dois aspectos são realmente incômodos. O primeiro deles é o trio de fadas formado por Imelda Staunton, Juno Temple e Lesley Manville. É evidente que elas estão ali para divertir, mas o filme as subutiliza com piadas que se limitam a situações de assoprar farinha – algo que o Chaves já fazia com o Kiko décadas atrás!

Porém, o erro mais grave de Malévola é errar conceitualmente naquilo que se propõe a subverter com a protagonista: a vilania. Para mostrar que Malévola não é a vilã radical que pintaram durante décadas e que ela tem suas razões para ser o que é, o roteiro ironicamente transfere toda a maldade unidimensional para o personagem vivido por Sharlto Copley. Ora, se o filme de Stromberg tem como diferencial mostrar que nem todo vilão carrega tal título sem razão, não há sentido em colocar Copley justamente como uma figura má sem explicações ou aprofundamentos. Subverte de um lado, mas repete o erro de outro. Por isso, este é um problema que simplesmente não poderia existir em um filme que tem um conceito tão definido para sua protagonista.

A diversão e a sensação de acerto não são, no entanto, prejudicadas por estes tropeços, nem mesmo quando eles são embalados por uma trilha surpreendentemente sem inspiração do veterano James Newton Howard. A história felizmente sobrevive, provando que histórias live action derivadas de clássicos infantis podem sim render para crianças e adultos. Malévola é mais um acerto da Disney, estúdio que parece retomar uma excelente fase (recentemente Frozen revitalizou o gênero das animações e ainda chegou entre as cinco maiores bilheterias da história!), e, principalmente, uma ótima oportunidade para Angelina Jolie voltar a brilhar. E o melhor de tudo: o filme está ciente que precisa dar todas as chances para ela aproveitar cada momento.

Melhores de 2013 – Montagem

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Fiel colaborador do diretor Paul Greengrass, Christopher Rouse foi indicado ao Oscar por suas principais parcerias com ele – sendo merecidamente celebrado por O Ultimato Bourne, que revolucionou o modo de fazer filmes de ação em termos técnicos e temáticos. Por Capitão Phillips, Rouse foi novamente indicado ao Oscar, e é uma pena que não tenha sido premiado pela segunda vez. Parte da eficiência e funcionalidade dos filmes de Greengrass se devem ao trabalho sempre dinâmico do montador. E é simplista demais dizer que Rouse apenas costura com maestria a câmera na mão do diretor ou o nervosismo de cenas tensas e extremamente reais. Ele traz uma fluência única para Capitão Phillips, um filme que, passado quase inteiramente em ambientes extremamente restritos (um navio ou um mini-barco em alto-mar), poderia se tornar tedioso ou no mínimo repetitivo. Longe de ser o que acontece aqui, com uma montagem que constantemente se reinventa e que dá o devido ritmo para que Capitão Phillips sempre prenda a atenção do espectador.

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OUTROS INDICADOS:

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A montagem de A Hora Mais Escura acompanha toda a contemporaneidade e realismo da caçada a Osama Bin Laden / A influência que uma geração tem sobre a outra é devidamente capturada pela montagem de O Lugar Onde Tudo Termina / A fórmula 1 volta a ter sua era de ouro retratada no cinema com Rush – No Limite da Emoção, que, com uma ágil montagem, fisga o espectador na tensão e no drama / Fundamental para o devido desenvolvimento de personagens e revelação de detalhes, a montagem é um dos pontos altos de Os Suspeitos

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Guerreiro | 2011 – 127 Horas | 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez | 2007 – Babel

Três atores, três filmes… com Vitor de Freitas

vitortresNão é qualquer pessoa que aceita te acompanhar em uma sessão de Gata Velha Ainda Mia. Pois o Vitor aceitou, pouco tempo depois de nos conhecermos. Sei que existe, nesta escolha, a paixão dele sem preconceitos por cinema (afinal, ele é formado em cinema!), mas acho que a sessão significou um pouco mais, já que hoje ele se tornou uma figura fundamental na minha vida, pelas mais diversas razões. No mais, também me identifico bastante com a sensibilidade do Vitor em apreciar desempenhos femininos mais do que a média normalmente aprecia. Por isso, a lista dele, além de muito autêntica, diz bastante também sobre os tipos de atuação que costumam me conquistar. As escolhas refletem ainda o auge das carreiras das três atrizes – todas oscarizadas pelos desempenhos mencionados. Ou seja, você pode até não incluí-los em sua lista pessoal, mas certamente há de concordar que são essenciais para conhecer cada uma delas.

Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Foi por sua atuação no filme Os Miseráveis que Anne Hathaway mostrou que realmente é uma atriz incrível e digna de Oscar. No filme, Anne dá vida a Fantine, uma jovem que é forçada a se prostituir para sustentar a filha. Ela tem a difícil tarefa de interpretar essa personagem não só pela triste história mas também porque ela (assim como o resto do elenco) teve que cantar ao vivo no set, sem o uso de playback. Apesar de ser coadjuvante, Anne acaba brilhando mais do que muitos outros atores do elenco e literalmente rouba a cena cada vez que ela aparece na tela. Acredito que a sequência em que Anne canta a música “I Dreamed a Dream” seja uma das mais marcantes da história do cinema. Não só é uma cena incrível por sua simplicidade, intensidade e poder, mas também por ser um dos momentos mais emocionantes do filme, em que Anne se entrega completamente de uma forma assombrosa. Em um filme repleto de tragédias e tristezas, ela desaparece completamente e entrega uma performance que permanece no espectador muito depois de ver o filme.

Charlize Theron (Monster – Desejo Assassino)
Existem muitos filmes que me marcaram por diversos motivos. Mas são poucos os que conseguiram me prender tão intensamente como Monster. Um filme que narra a triste história de Aileen Wuornos, uma prostitua condenada a morte por assassinato, merece um elenco forte e que consiga contar essa história real com a intensidade que ela merece e precisa. Charlize Theron foi a escolha perfeita para interpretar Aileen, já que sempre se mostrou capaz de se transformar na personagem de seus filmes. Mas aqui não dá para negar que ela se entrega completamente e desaparece na pele de Aileen. Não é de se surpreender que, por esse filme, Charlize ganhou o Oscar de melhor atriz. Sempre admirei muito o trabalho dela mas, pela primeira vez em muitos anos, assisti a uma performance que me tocou e me deixou impressionado. O filme, por mais incrível que seja, não seria tão bom se qualquer outra atriz tivesse sido escalada para protagonizar essa história. Mesmo com outras performances excelentes no filme, é difícil tirar os olhos da protagonista.

Natalie Portman (Cisne Negro)
Nina Sayers é uma bailarina profissional que tem sua vida consumida pela profissão. Após ser escalada para ser a bailarina principal no espetáculo O Lago dos Cisnes, Nina se torna ainda mais obcecada pelo balé e pela perfeição e ao mesmo tempo em que tenta lidar com a sua paranoia e o medo de perder o papel para outra colega. Com isso, Nina acaba perdendo a estabilidade mental. Essa é a história do filme Cisne Negro, que tem como protagonista a atriz Natalie Portman. Muitas vezes interpretando mulheres regidas pelo lado emocional, pela primeira vez Natalie vive uma personagem mentalmente perturbada e incapaz de distinguir o o real do imaginário. Natalie consegue contar a história dessa mulher de forma feroz e intensa. O que faz com que Cisne Negro seja tão pesado e perturbador é a performance da atriz e sua habilidade de, ao dar vida a Nina Sayers, migrar de uma insegurança para uma confiança beirando a arrogância de uma forma muito sutil e com bastante fluidez.

Melhores de 2013 – Ator

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O ano era fortíssimo para os atores no Oscar 2013, mas não deveria haver nem abertura para discussão: Joaquin Phoenix era, de fato, o dono da grande interpretação entre os cinco concorrentes. Ele está um verdadeiro furacão neste difícil O Mestre. Mas excetuando os aspectos do filme que podem afastar várias plateias, é impossível não reconhecer toda a excelência do desempenho de Phoenix, que mais uma vez mostra sua grande versatilidade (e agora em 2014 ainda surgiu todo introspectivo e sensível em Ela!). Ao lado de Philip Seymour Hoffman, ele impressiona como o problemático Freddie Quell, construindo um personagem não apenas complexo e difícil em seus conflitos interiores, mas também na própria forma como ele se apresenta: percebam como Quell parece um sujeito cujas sequelas também se estenderam ao seu corpo magérrimo e quase corcunda. Com cenas simplesmente espetaculares, uma força irrepreensível e uma sintonia impecável com Hoffman, Phoenix apresenta em O Mestre aquela que é a melhor atuação de sua carreira até o momento.

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OUTROS INDICADOS:

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BRADLEY COOPER (O Lado Bom da Vida)

Vivemos tempos em que os galãs cada vez mais quebram paradigmas e provam que, além da beleza, são sim bons atores. Se Leonardo DiCaprio já fez isso há anos e Matthew McCounaghey teve recentemente seu grande momento com Clube de Compras Dallas, não podemos esquecer também de Bradley Cooper. Pode até ser que Jennifer Lawrence tenha levado todas as honrarias, mas é Cooper quem comanda O Lado Bom da Vida – tanto em termos de tempo em tela quanto de talento. Como o bipolar Pat, ele surpreende em um elenco que inclui não só Lawrence, a estrela do momento, mas também Robert De Niro e Jacki Weaver. Cooper convence sem exagerar (o que poderia facilmente acontecer, dada a personalidade do personagem) e acerta em todas as pequenas construções.

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DANIEL DAY-LEWIS (Lincoln)

Quando ganhou o Oscar de melhor ator por Lincoln, Daniel Day-Lewis brincou que Meryl Streep era a primeira opção de Spielberg para o filme – e que ele tinha sido originalmente chamado para interpretar Margaret Thatcher em A Dama de Ferro. Se os dois atores ganharam seus terceiros Oscars mais pelo chamariz de papeis biográficos, também venceram porque são monstros da atuação que voltaram a provar que nada é impossível para eles. Day-Lewis dispensa comentários e pode até ser que Lincoln não seja o papel que lhe dê mais chances de criações dramáticas, mas vê-lo em cena é sempre um show que vai além da mera reprodução de sotaques e trejeitos. No filme de Spielberg, claro, não é diferente.

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HUGH JACKMAN (Os Miseráveis)

Hugh Jackman nasceu para viver o sofrido Jean Valjean de Os Miseráveis. Seu talento como cantor já havia sido provado anos atrás, quando ele foi apresentador do Oscar, mas poucas vezes Jackman mostrou pleno domínio de um personagem que atravessa anos tentando viver uma vida normal após ter se libertado da prisão. Não é só na voz, na linguagem corporal e nos benefícios que tira de uma maquiagem que o ator impressiona. Isso porque o filme nem completa 15 minutos e Jackman já tem um momento épico, quando seu personagem canta Valjean’s Soliloquy exorcizando todos os demônios pessoais em uma crescente sequência onde vai da sutileza às lágrimas incontroláveis. Certamente um marco para a sua carreira.

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JOHN HAWKES (As Sessões)

John Hawkes não é o ator que você vê fora das câmeras e identifica com facilidade. Ele não tem um rosto marcante, o que é um grande ponto a favor de seu inegável talento. É fácil o ator desaparecer em personagens completamente diferentes. Mas resumir seu desempenho em As Sessões somente a essa sua metamorfose é deixar passar outros pontos positivos de sua criação. Como Mark O’Brien, poeta que não mexe uma parte do corpo do pescoço para baixo, ele esbanjou sutileza em uma atuação bastante carinhosa e tocante. É impossível não gostar do personagem e não se envolver com suas crenças e dilemas. Hawkes ainda forma uma bela dupla com a igualmente bem sucedida Helen Hunt, que o acompanha em discrição e afeto. Um pequeno grande desempenho.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Rodrigo Santoro (Heleno) | 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei| 2010 – Colin Firth (Direito de Amar| 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade| 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro| 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)