Os indicados ao Emmy 2015

A lista do Emmy 2015 reflete a imensa diversidade temática e narrativa que a TV e as plataformas on demand vêm oferecendo. Das discussões envolvendo identidade e gênero em Transparent ao retorno da recentemente esquecida Mad Men, os indicados deste ano, com algumas ressalvas, reforçam a ideia de que nunca vivemos tempos tão ricos e democráticos no mundo dos seriados. É bem verdade que em alguns pontos não dá para levar o Emmy a sério – oito indicadas em atriz coadjuvante de comédia?! -, mas é sempre irresistível acompanhar premiações, não é mesmo? Abaixo, nossos breves comentários sobre os indicados, cuja lista completa está disponível no site oficial do Emmy.
– Mad Men precisou se despedir da TV para voltar a concorrer ao Emmy (ano passado o programa não teve uma indicação sequer), com direito a lembranças para Jon Hamm, Christina Hendricks e Elisabeth Moss. No entanto, a série deve seguir os passos de Six Feet Under: ter seu unanime elenco se despedindo da premiação sem ter conquistado prêmios individuais ao longo dos anos;
– Homeland, que anos atrás chegou a ganhar como melhor série dramática, volta ao páreo na categoria. Dizem que o programa está em uma boa fase, mas quase ninguém fala mais nele. Inclusão no mínimo inesperada;
– Better Call Saul também não foi lá muito popular ou sequer discutida com entusiasmo pela crítica, mas o prestígio de Vince Gilligan conseguiu surpreendentemente levar a série para a categoria principal;
– Entre as comédias, Modern Family parece finalmente ter seus dias contados, já que não conseguiu indicações a roteiro e direção e ainda teve lembranças apenas para Ty Burell e Julie Bowen na lista de coadjuvantes. Enquanto isso, The Big Bang Theory passou em branco e nem Jim Parsons chegou entre os finalistas. Já estava na hora, né?;
– Apesar da novidade que é Unbreakable Kimmy Schmidt, a série é muito específica e deve ter sorte apenas entre os coadjuvantes, em especial com o impagável Tituss Burgess. A disputa está merecidamente entre Veep, que chega ao quarto ano com o mesmo e justificado prestígio de sempre, e a inspiradora e delicada Transparent, já vencedora do Globo de Ouro;
– Kyle Chandler como protagonista em drama e Ben Mendehlson como coadjuvante em drama foram as duas únicas lembranças de Bloodline, que, mesmo com criadores celebrados e elenco de qualidade, não vingou entre os votantes. O hit Empire também performou abaixo do esperado, conseguindo uma única e merecida indicação de melhor atriz para Taraji P. Henson;
– Surpreendente a inclusão de Lily Tomlin como melhor atriz de comédia por Grance and Frankie enquanto sua colega de cena Jane Fonda amarga o esquecimento. Uma pergunta para quem assiste a série: esse não é um trabalho de dupla? E, por ter Oscar em casa, era esperado que Fonda fosse lembrada caso optassem apenas por uma;
– Vencedora do Emmy de melhor atriz dramática ano passado, Julianna Margulies não foi lembrada pelo sexto ano da sempre ótima The Good Wife. Na realidade, a categoria deixou de indicar vários nomes há anos fixados na lista ou então dados como certos: Ruth Wilson, vencedora do Globo de Ouro por The Affair, Michelle Dockery por Downton Abbey e Kerry Washington por Scandal. Quem sai ganhando é Tatiana Maslany, por The Orphan Black, considerada uma das boas surpresas;
– Oito indicadas em atriz coadjuvante de comédia? A indecisão foi tanta assim? De qualquer forma, não dá para reclamar quando tem Niecy Nash lembrada por Getting On (a melhor série de comédia que ninguém vê) e Jane Krakowski por Unbreakable Kimmy Schmidt. A disputa é acirrada, já que Allison Janey (Mom) é queridinha dos votantes e Anna Chlumsky (Veep) parece ter o episódio perfeito para uma vitória;
– No mais, fica registrada aqui a nossa torcida para que Christine Baranski finalmente ganhe como melhor atriz coadjuvante em drama. Uma curiosidade: The Good Wife sempre teve uma mulher premiada por temporada no Emmy. Em ordem cronológica: Archie Panjabi (injustamente esquecida este ano), Margulies, Martha Plimpton, Carrie Preston e Margulies de novo. Que a a estatística siga vencedora em 2015!



BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), por Antonio Sánchez: Desclassificada para o Oscar 2015 por, segundo a Academia, usar composições de outros músicos como Tchaikovsky e Rachmaninov, a trilha de Birdman é uma das mais interessantes do ano até aqui. Composto e executado pelo bateirista de jazz mexicano Antonio Sánchez, o álbum utiliza basicamente apenas bateria para construir a atmosfera do filme de Alejandro González Iñárritu. O resultado é imersivo e a trilha, frequentemente surpreendente, torna a já completa experiência de se assistir ao filme ainda mais instigante. Não deixe de ouvir: Dirty Walk, Internal War e The Anxious Battle for Sanity.
BREAKING BAD (Volume 2), por Dave Porter: A TV faz um magnífico trabalho em trilhas sonoras atualmente, mas nem todas as emissoras parecem dispostas a valorizar este setor devidamente. São poucos os programas que têm suas trilhas lançadas, e Breaking Bad felizmente é um deles. Nada mais justo, já que, neste segundo e último volume, Dave Porter se supera nas criações que embalam o universo do emblemático protagonista Walter White. Assim como a própria série, não espere escolhas fáceis aqui, já que as composições dedicadas aos momentos de suspense se tornam frenéticas ou nervosas não pelo mero básico bem feito, mas pela novidade de combinações e uso de diferentes instrumentos. Não deixe de ouvir: Follicles, Dead Freight e The Final Hat.
CINQUENTA TONS DE CINZA, por Vários Artistas: Ainda vai levar um tempo para que este filme errado e tedioso seja superado, mas igualmente difícil vai ser deixar de dar play na ótima coletânea que embala a “história de amor” entre Anastasia (Dakota Johnson) e James Gray (Jamie Dorman). Começando com Annie Lennox dando voz à charmosa I Put a Spell On You, a trilha ainda traz relevantes nomes da música contemporânea para novas canções e releituras, como Beyoncé, que surpreende com uma Crazy in Love inteiramente nova e tão marcante quanto a original. Ellie Goulding e Sia também estão listadas aqui ao lado de Frank Sinatra e Rolling Stones. Um álbum para ninguém colocar defeito e que merecia estar a serviço de um filme infinitamente melhor. Não deixe de ouvir: I Put a Spell On You, Crazy in Love e Love Me Like You Do.
DÍVIDA DE HONRA, por Marco Beltrami: É um dos trabalhos mais inspirados do ano até agora para um filme que inclusive pode ser considerado incompreendido. Marco Beltrami, indicado duas vezes ao Oscar (por Guerra ao Terror ao lado do amigo Buck Sanders e Os Indomáveis) nunca foi grande compositor, mas neste álbum apresenta composições tão originais e condizentes com o próprio filme que já pode ser considerado um profissional de nova grandeza. Com algumas gravações realizadas ao ar livre nas paisagens onde o filme se desenvolve para capturar o próprio espírito deste western diferenciado, a trilha de Dívida de Honra entrega desde um tema marcante para o gênero a composições super melancólicas. Todos deveriam descobrir. Não deixe de ouvir: Main Title, Entering Town e Onto the Ferry.
EMPIRE, por Vários Artistas: A música de Empire tem influência direta no sucesso estrondoso de audiência da série. Não se engane, contudo, ao pensar que a trilha estreou em primeiro lugar na Billboard só por preencher a lacuna do hip hop existente na TV estadunidense: o disco pensado e produzido por Timbaland é mesmo cheio de canções interessantes. Fácil ficar com Keep Your Money na cabeça ou então curtir um som mais calmo mas igualmente envolvente como Conqueror. É o hip hop em sua essência (as letras são, por vezes, nada inteligentes, por exemplo), mas você pode muito bem se surpreender e até mesmo se empolgar com o que Empire criou musicalmente. Não deixe de ouvir: Keep Your Money, Conqueror e Drip Drop.
MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA, por Junkie XL: Não é o tipo de trilha para necessariamente ser apreciada fora do filme. Sim, Junkie XL fez um trabalho espetacular para este filme que é um dos maiores espetáculos cinematográficos do ano, mas o álbum funciona muito mais como uma ferramenta narrativa para impulsionar e imergir o espectador em toda a ação deliciosamente frenética do longa dirigido por George Miller. Por acompanhar basicamente todos os momentos de Mad Max, a trilha ultrapassa duas horas de duração e eventualmente empolga tanto quanto o filme, mas se engrandece somente com ele, onde realmente é fundamental para criar a atmosfera da insana fuga protagonizada por Max (Tom Hardy) e Furiosa (Charlize Theron). Não deixe de ouvir: Brothers in Arms, Spikey Cars e Let Them Up.
