Cinema e Argumento

Melhores de 2015 – Ator Coadjuvante

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Se não fosse por um imbatível J.K. Simmons (Whiplash – Em Busca da Perfeição), Edward Norton poderia muito bem ter vencido o seu primeiro Oscar por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). Seria não apenas um tributo ao talento do ator já explorado em outras obras, mas também aos altos níveis de interpretação que ele alcança no filme de Alejandro González Iñárritu. Perfeito em toda loucura, imprevisibilidade, egocentrismo e genialidade de um ator que acaba de embarcar na peça de teatro estrelada por Riggan Thomson (Michael Keaton), Norton rouba a cena toda vez que aparece, e não é de se duvidar que ele entregue a atuação mais marcante dentro de um elenco já excepcional. Nós amamos odiar o genioso Mike interpretado pelo ator, especialmente porque Edward Norton se esbalda em todas as possibilidades que lhe permitem brilhar. Ainda disputavam a categoria: Benicio Del Toro (Sicario: Terra de Ninguém), Irandhir Santos (Ausência), Lourenço Mutarelli (Que Horas Ela Volta?) e Mark Ruffalo (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo).

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)

Melhores de 2015 – Atriz Coadjuvante

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É preciso admirar a coragem de Kristen Stewart ao ter topado embarcar em um projeto como Acima das Nuvens. Amaldiçoada por seus desempenhos repetitivos e enjoados na saga Crepúsculo, a jovem atriz não se intimidou ao aceitar o desafio de trabalhar ao lado de uma gigante como Juliette Binoche. Em qualquer circunstância, era de se imaginar que esse seria um completo suicídio e que, por mais generosa que fosse La Binoche, Stewart estaria fadada a desaparecer diante dela. Poucas vezes – e poucas vezes mesmo! – foi maravilhoso estar enganado. Ninguém era capaz de prever que ela faria um trabalho minucioso em parceria com a protagonista, provando que seus dias no mundo vampiresco realmente ficaram para trás. Como Valentine, a fiel assistente da consagrada intérprete Maria Enders (Binoche), Kristen Stewart brilhou nos detalhes e nas discretas complexidades de um papel essencial para a ampliação dos dramas pensados pelo diretor e roteirista Olivier Assayas. A dinâmica cinematográfica e teatral entre as duas personagens e o confronto de gerações que surge cena a cena tiram o melhor de Stewart, que, muito merecidamente, se tornou a primeira atriz estadunidense a conquistar um César em mais de quatro décadas da premiação. Ainda disputavam a categoria: Karine Telles (Que Horas Ela Volta?), Laura Dern (Livre), Naomi Watts (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) e Tilda Swinton (Expresso do Amanhã).

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas)| 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

Os vencedores do Oscar 2016

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Excetuando a tão esperada consagração de Leonardo DiCaprio e os merecidos e justificados memes para os comentários lacônicos de Glória Pires na transmissão da Rede Globo, o Oscar 2016 dificilmente será lembrado por qualquer acontecimento. Nem mesmo a não tão surpreendente vitória de Spotlight – Segredos Revelados é para tanta comoção: mesmo que não estivesse na dianteira para ganhar o prêmio principal, o filme de Tom McCarthy tinha na bagagem o Screen Actors Guild Awards e o Critics’ Choice. Pela lógica, também era um filme acessível e fácil de chegar ao triunfo com o sistema de votação da categoria que elenca os votos por ordem de preferência. Ou seja, em uma escala de zero a dez (no caso, oito), é muito mais provável colocar Spotlight no topo do que filmes mais específicos como O Regresso e Mad Max: Estrada da Fúria, que, na lista dos adoradores de Spotlight, podem muito bem ter sido os últimos.

Nunca o Oscar reuniu tantas pessoas negras para premiar brancos, e podemos dizer que Chris Rock fez o tema de casa como apresentador ao tocar na ferida. O mais importante é que a própria Academia reconheceu o problema, pautando a discussão em inúmeras esquetes ao longo da cerimônia. Volto a repetir, por outro lado, que não adianta elogiar muito: já não é de hoje que o Oscar tenta compensar um erro para depois, logo em seguida, voltar a fazer bobagem. Lembram de quando chamaram Ellen Degeneres, lésbica assumida, para apresentar o prêmio após a polêmica derrota de O Segredo de Brokeback Mountain? Parece não ter tido grande efeito para que Carol, por exemplo, sequer chegasse ao prêmio principal este ano mesmo com uma lista que possibilite até dez indicados. E não vale dizer que A Garota Dinamarquesa vencendo atriz coadjuvante com Alicia Vikander (mais uma atriz que o midas da atuação Tom Hooper ajuda a premiar!) indica o contrário.

Quanto à distribuição de prêmios em si, no geral, a cerimônia foi menos surpreendente do que o esperado (ah, essa nossa ilusão de que tudo pode ser inesperado!). Mad Max papou merecidamente uma penca de prêmios técnicos, Alejandro González Iñárritu levou novamente o prêmio de direção por O Regresso e, com exceção de Mark Rylance (Stallone, apesar do afeto, não vinha matematicamente com força para ganhar, enquanto o ator de Ponte dos Espiões era o único da categoria indicado a todos os prêmios da temporada), as estatuetas principais foram para o favorito ou, então, para um runner-up. O que não dava mesmo para prever era a absurda vitória de melhor canção original para “Writing’s on the Wall” (depois daquela justíssima vitória de Adele por um tema de 007, é meio constrangedor que uma música tão inexpressiva quanto essa também tenha a estatueta pela franquia) e a vitória de Ex-Machina em efeitos visuais, algo que certamente quebrou o bolão de todo mundo. No mais, nos vemos novamente em 2017! Confira a lista de vencedores:

MELHOR FILME: Spotlight – Segredos Revelados
MELHOR DIREÇÃO:
Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
MELHOR ATRIZ:
Brie Larson (O Quarto de Jack)
MELHOR ATOR:
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
MELHOR ATOR COADJUVANTE:
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:
 Spotlight – Segredos Revelados

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: A Grande Aposta
MELHOR FOTOGRAFIA: O Regresso
MELHOR FIGURINO: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR MIXAGEM DE SOM: Mad Max: Estrada da Fúria

MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR MONTAGEM: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR MAQUIAGEM: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Writing’s on the Wall” (007 Contra Spectre)

MELHOR TRILHA SONORA: Os Oito Odiados
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Ex-Machina: Instinto Artificial
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Amy
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Filho de Saul (Hungria)

MELHOR ANIMAÇÃO: Divertida Mente
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: A História de Um Urso
MELHOR CURTA-METRAGEM: Stutterer
MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO: A Girl in the River: The Price of forgiveness

Oscar 2016: apostas

oscarapostas16Chegamos à noite do Oscar 2016 com uma cerimônia que promete ser a mais imprevisível em anos – e realmente isso não é coisa de manchetes corriqueiras que lemos ano a ano. O responsável pelo mistério tem nome: Alejandro González Iñárritu, que, este ano, voltou vencendo todos os prêmios que perdeu ano passado para Boyhood: Da Infância à Juventude. Mas e o Oscar? Iñárritu fará história e repetirá os prêmios que ganhou ano passado por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)? Ou A Grande Aposta surpreenderá? Spotlight ainda está vivo na disputa? Todas as perguntas serão respondidas hoje, a partir das 22h30, quando começam a ser anunciados os vencedores. A cerimônia será transmitida no Brasil pelo canal TNT a partir das 22h30. Sem mais delongas, vamos aos nossos palpites, excetuando as categorias de curtas-metragens!

MELHOR FILME
Quem leva: O Regresso, porque não discuto mais com matemática
Quem merece: Mad Max: Estrada da Fúria, o único indicado que revoluciona
Fique de olho em: A Grande Aposta, já que é sempre bom considerar o Sindicato dos Produtores
Nunca venceria: Perdido em Marte

MELHOR DIREÇÃO
Quem leva: Alejandro González Iñárritu (O Regresso) pode até não levar filme, mas essa é praticamente barbada
Quem merece: George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria), indiscutivelmente
Fique de olho em: George Miller, que faz coisas sobrenaturais em Mad Max
Nunca venceria: Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack), que chegou de última hora sem o aval de outros prêmios

MELHOR ATRIZ
Quem leva: Brie Larson (O Quarto de Jack), sem hesitar
Quem merece: Charlotte Rampling (45 Anos), que deixa suas concorrentes comendo poeira
Fique de olho em: não tem jeito, é da Brie Larson
Nunca venceria: dizem que Rampling pelas bobagens que falou sobre racismo invertido, mas, se Jennifer Lawrence vencesse de novo, o mundo desabava

MELHOR ATOR
Quem leva: Leonardo DiCaprio (O Regresso), o prêmio mais certo da noite
Quem merece: Michael Fassbender (Steve Jobs)
Fique de olho em: e quem vai ter coragem de tirar o prêmio do DiCaprio?
Nunca venceria: qualquer um dos outros

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Quem leva: Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa), e prometo que vou me isentar de comentar sobre a fraude
Quem merece: Rooney Mara (Carol)
Fique de olho em: Kate Winslet (Steve Jobs), que, na realidade, está quase empatada com Vikander
Nunca venceria: Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados), que não deveria nem estar indicada

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Quem leva: Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
Quem merece: a categoria não me empolga, mas acho que iria de Tom Hardy (O Regresso)
Fique de olho em: Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Nunca venceria: Tom Hardy, que não foi lembrado em qualquer outra premiação

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Spotlight – Segredos Revelados / alt: Straight Outta Compton
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: A Grande Aposta / alt: Carol
MELHOR FOTOGRAFIA: O Regresso / alt: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR FIGURINO: A Garota Dinamarquesa / alt: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR MIXAGEM DE SOM: O Regresso / alt: Mad Max: Estrada da Fúria

MELHOR EDIÇÃO DE SOM: O Regresso / alt: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR MONTAGEM: Mad Max: Estrada da Fúria / alt: A Grande Aposta
MELHOR MAQUIAGEM: Mad Max: Estrada da Fúria / alt: O Regresso
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Til it Happens to You” (The Hunting Ground) / alt: “Simple Song #3” (Juventude)
MELHOR TRILHA SONORA: Os Oito Odiados / alt: Star Wars – O Despertar da Força
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Star Wars – O Despertar da Força / alt: Mad Max: Estrada da Fúria
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Amy / alt: Cartel Land
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Filho de Saul (Hungria) / alt: Cinco Graças (França)
MELHOR ANIMAÇÃO: Divertida Mente / alt: O Menino e o Mundo
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Mad Max: Estrada da Fúria / alt: Ponte dos Espiões

Comentando os indicados e os favoritos ao Oscar 2016 – parte 2

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MELHOR ATOR

O sofrimento como excelência

Nunca entendi muito bem as brincadeiras em torno do Oscar que nunca chega para Leonardo DiCaprio. Basta olhar ligeiramente o histórico do ator na premiação para perceber que ele nunca foi franco favorito ou merecedor da estatueta (com O Aviador ele não tinha como rivalizar com o Ray Charles de Jamie Foxx e em O Lobo de Wall Street ele nunca bateria a transformação física de Matthew McCounaghey em Clube de Compras Dallas, citando suas performances mais lembradas). De qualquer forma, não deixa de ser desestimulante a ideia de vê-lo ganhando por um de seus papeis menos emblemáticos. Ele literalmente quase morre em O Regresso para ganhar um Oscar, mas o que impede DiCaprio de estar superlativo aqui é o papel quase desprovido de arco dramático e que leva as premiações a acreditarem que sofrimento é sinônimo de excelência. Em contramão, a fórmula é perfeita para que seu favoritismo seja absoluto: um bom histórico no prêmio, um papel de empenho físico e o protagonismo do filme com mais indicações este ano. Ainda assim, é tarefa árdua ter qualquer empolgação com a sua futura consagração, inclusive porque, pelo segundo ano consecutivo, teremos mais uma láurea preguiçosa para alguém que merecia mais do que isso (contextualizando: sigo inconformado com todos os prêmios para Julianne Moore por Para Sempre Alice).

É pela celebração de um papel errado e por não compreender muito bem essa obsessão injustificada de entregar logo o prêmio ao ator que de certa forma me indigno com a ideia de que esta categoria esteja tão decidida. Concorrentes não faltam e dois deles são muitíssimo dignos. Primeiro tem o visceral Michael Fassbender desaparecendo por completo no protagonista-título do subestimado Steve Jobs. Ele é ótimo em todas as fases desenhadas pelo filme, e os saltos temporais não representam qualquer problema para o ator em termos de reprodução física ou construção dramática. E segundo – e sei que dividirei opiniões – continuo achando Eddie Redmayne digno de aplausos agora com A Garota Dinamarquesa. Sinceramente, não vejo a caricatura que muitos apontam, e considero tocante e envolvente a sua composição para a primeira pessoa que se submeteu à cirurgia de troca de sexo. O mistério dessa categoria é a lembrança de Matt Damon por Perdido em Marte (aliás, a indicação a melhor filme também é questionável), principalmente porque o ignorado Jacob Tremblay é soberbo em O Quarto de jack e porque não seria ruim ver Samuel L. Jackson, por exemplo, lembrado por seu ótimo desempenho em Os Oito Odiados (viu só como basta deixar a preguiça de lado para encontrar atuações de atores negros dignas de indicação, Academia?).

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MELHOR ATOR COADJUVANTE

O carinho como alternativa

Sylvester Stallone deu muita, mas muita sorte este ano. Comemorando 40 anos de Rocky, o ator volta ao seu papel mais emblemático dessa vez como coadjuvante em Creed: Nascido Para Lutar. Desgosto profundamente do filme, que é um amontoado de clichês e reciclagens da clássica história envolvendo um lutador destemido e um treinador veterano (procurem Guerreiro, de 2011, e vejam o que, apesar de novelesco, consegue ser um filmaço cheio de emoção e adrenalina no gênero), e a presença de Stallone só tem algum impacto mesmo em função desse seu retorno ao papel de Rocky Balboa. Não é culpa necessariamente dele, e sim do roteiro de Aaron Covington e Ryan Coogler, que abusa demais dessa metáfora entre ator e personagem sobre como o tempo passa e derrota, mas mesmo assim não derruba uma história de glória. E que preguiça só de lembrar que tem doença no meio…

Mesmo solenemente ignorado pelo Screen Actors Guild Awards e pelo BAFTA, que premiaram Idris Elba (Beasts of No Nation) e Mark Rylance (Ponte dos Espiões), respectivamente, Stallone chega como favorito ao Oscar 2016 de ator coadjuvante justamente em função dessa lembrança de carinho que cultivou na indústria – e basta rever sua vitória no Globo de Ouro para reforçar a teoria da comoção. A categoria é a mais fraca entre as listagens de atuação, e é por isso que nem dá para reclamar tanto da vitória do ator. Vamos aos fatos: Mark Rylance adota a fórmula de menos é mais (algo raríssimo de ser valorizado pela Academia), Mark Ruffalo tem seu show em uma cena particular de Spotlight, mas esse é um filme de grupo, Christian Bale misteriosamente roubou uma vaga que era para ser de Steve Carell por A Grande Aposta e Tom Hardy, mesmo sendo ótimo em O Regresso, só foi lembrado pelo Oscar, algo que matematicamente desqualifica qualquer possibilidade de vitória. Ou seja, o Oscar não deve nada a ninguém e a seleção não traz nenhum grande desempenho. A saída é ir pelo coração, e nisso há certa razão: o desempenho de Stallone é o único da lista que segue mais a emoção do que a técnica.

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CATEGORIAS TÉCNICAS

O peso do nome e do espetáculo

O BAFTA já deu a dica e é bom ficar de olho: não será surpresa alguma ver Mad Max: Estrada da Fúria levando menos prêmios do que o esperado. Afinal, O Regresso vem crescendo tanto nos últimos tempos que já consolidou sua consagração na categoria de melhor fotografia (o histórico terceiro Oscar consecutivo para Emmanuel Lubezki!) e invadiu outras que pareciam certas para o filme de George Miller, como edição e mixagem de som. O que se percebe, no entanto, é a predileção do Oscar por grandes espetáculos nesta seleção de 2016. Tanto O Regresso quanto Mad Max são filmes indiscutivelmente grandiosos (e com o bônus de serem, cada um a sua forma, revolucionários ou marcantes em muitos aspectos), o que não abre qualquer espaço para que outras obras calcadas na sutileza triunfem aqui ou ali: Carol, por exemplo, deveria ser aposta fácil em melhor figurino, enquanto o mestre Roger Deakins merecia ser finalmente premiado por seu pequeno grande trabalho como diretor de fotografia no quase independente Sicario: Terra de Ninguém.

Em 2016, os votantes da Academia também parecem muito propensos a não discutir com grandes nomes do cinema e da música. Um exemplo disso é a categoria de melhor trilha sonora, que é uma das barbadas da noite com a provável vitória do mestre Ennio Morricone depois de cinco indicações sem vitórias. Seu talento é incontestável, claro, mas, no caso específico de Os Oito Odiados, a vitória vem apenas como compensação. Na lista, Carol novamente se sobressai com uma trilha muito mais narrativa e que expressa, de forma sutil e elegante, a viagem emocional das protagonistas. Já no caso de Morricone, o tema criado por ele é ótimo, mas, ao longo do filme, a trilha se revela como um dos elementos menos marcantes. Entre as canções originais, o Oscar ficou de mãos dadas com o Globo de Ouro e resolveu celebrar tudo o que é estrela do momento: Sam Smith, The Weeknd e Lady Gaga. A última é a favorita para ganhar a estatueta, e me abstenho de comentar porque não vi o filme, mas, no caso de Sam Smith e The Weeknd, as lembranças são absurdas, pois as duas músicas não tem qualquer função no filme e surgem completamente avulsas nos respectivos contextos. Música em cinema precisa conversar com a obra em questão, o que é feito com perfeição pela ópera “Simple Song #3”, do belíssimo Juventude, outra indicação menor que corre totalmente por fora.