Os indicados ao Globo de Ouro, Critics’ Choice e Independent Spirit Awards 2022

Belfast lidera a lista de indicados do Globo de Ouro e do Critics’ Choice Awards 2022. Ataque dos Cães e Amor, Sublime Amor compartilham a dianteira respectivamente.
Já aberta previamente por incontáveis associações de críticos, a temporada de premiações de 2022 ganhou nova tração entre ontem (13) e hoje (14), quando o Globo de Ouro, o Critics’ Choice Awards e o Independent Spirit Awards revelaram os seus indicados. Como um todo, é possível constatar o quanto a temporada está repleta de possibilidades, o que é resultado direto de uma concorrência ampla e forte em várias categorias. Aqui ou ali, faltam vagas, por exemplo, na categoria de melhor atriz, onde Penélope Cruz, vencedora do último Festival de Veneza, ficou de fora por Madres Paralelas, assim como Jennifer Hudson, que parecia ter a receita infalível para prêmios com a sua personificação de Aretha Franklin na cinebiografia Respect. Tais oscilações em presenças e ausências são sempre interessantes para manter o entusiasmo e a curiosidade.
Isoladamente, as polêmicas e os boicotes envolvendo o Globo de Ouro parecem ter surtido efeito na Hollywood Foreign Press Association, que ampliou o seu número de membros para ter um time mais diverso e apresentou, pela primeira vez em muitos anos, uma lista sem qualquer constrangimento. Não há um Music da vida como no ano passado ou, então, o desastre cometido por Jared Leto em Casa Gucci. No lugar, temos uma lista sem surpresas e basicamente dentro do esperado, o que, para o Globo de Ouro, é um bom sinal. Ataque dos Cães e Belfast lideram a lista, com Licorice Pizza ganhando o impulso necessário para não ficar restrito ao círculo dos críticos e Não Olhe Para Cima provando que a HFPA continua sem resistir a elencos estelares, mesmo quando os filmes não são bem recebidos. Agora é guardar para ver como se dará a premiação — se é que ela acontecerá, tendo em vista que a estrela escolhida para anunciar os indicados foi… Snoop Dog. Será que o boicote realmente se concretizará?
Enquanto isso, no Critics’ Choice Awards, Belfast, de Kenneth Branagh, também lidera a lista, agora ao lado de Amor, Sublime Amor, de Steven Spielberg. Neste prêmio onde, ao contrário do Globo de Ouro, todas as categorias técnicas são contempladas, há a cota do vexame com a indicação de Jared Leto como melhor ator coadjuvante por Casa Gucci (logo vocês, críticos?!) e uma característica muito importante que faz com que o Critics’ Choice Awards não alcance grande relevância: a de que há aqui um apanhado de tudo o que está pipocando na temporada em termos de favoritismo. E a situação piora na noite de premiação, pois já virou um hábito a decisão de promover empates. Quem lembra de quando Glenn Close (A Esposa) dividiu prêmio com Lady Gaga (Nasce Uma Estrela) ou de quando Bong Joon Ho (Parasita) empatou com Sam Mendes (1917) em melhor direção para ambos perderem melhor filme para o Era Uma Vez Em… Hollywood, de Quentin Tarantino? A dificuldade em se posicionar e ânsia por prever o Oscar jogam o Critics’ Choice no limbo.
E também tivemos os indicados ao Independent Spirit Awards que, comparado aos últimos anos, nunca foi tão… Independente! Isso está evidente no fato da premiação ter, por exemplo, reconhecido A Filha Perdida e C’mon C’mon em melhor filme, mas ignorado Olivia Colman e Joaquin Phoenix por seus desempenhos como protagonistas nos respectivos filmes. Ou seja, na medida em que as “estrelas” parecem ter ficado de lado, o Independent Spirit Awards se dedicou a garimpar obras realmente fora da curva, fato que também se reflete com o elogiado Mass sendo escolhido para o prêmio Robert Altman de elenco (dessa forma, os atores ficam fora da corrida individual por seus desempenhos) e com a baixa recepção a longas que eram dados como palpite fácil, a exemplo o ótimo Shiva Baby. É uma lista que, acertadamente, não tenta ser uma prévia do cinema independente rumo ao Oscar e que estimula o espectador a conhecer filmes que não costumam ganhar holofotes. E o melhor: temos nada menos do que quatro (!!!) mulheres na categoria de direção. De longe, a lista mais interessante até agora.
Confira os indicados:
Globo de Ouro / Critics’ Choice Awards / Independent Spirit Awards.
Os vencedores do Emmy 2021

Com a vitória por Hacks, Jean Smart é a única atriz, ao lado de Betty White, a já faturar os prêmios de melhor protagonista, coadjuvante e convidada em série de comédia na história do Emmy.
Quando apresentou sua lista de indicados, o Emmy 2021 nos fez celebrar a marca do maior número de pessoas negras já selecionadas para concorrer ao prêmio. Já ontem, ao revelar seus vencedores, o gosto deixado foi amargo: nenhum deles venceu entre interpretações de drama, comédia e minissérie. E não foi por falta de oportunidade. Pelo contrário. Na pior cerimônia dos seus anos recentes, o Emmy demonstrou que só assistiu a uma meia dúzia de seriados, premiando-os até mesmo em que categorias sem qualquer justificativa, como na de melhor ator coadjuvante, onde Tobias Menzies levou a estatueta por The Crown sem sequer ter material na temporada para fazer algo significativo. A derrota do agora saudoso Michael K. Williams por Lovecraft Country certamente foi um dos maiores choques da noite.
Por falar nisso, o cômodo lugar assumido pelo Emmy ao premiar The Crown em todas as categorias possíveis é de um descompasso gigantesco. Sinais já haviam sido dados na semana passada, quando Claire Foy faturou a estatueta de melhor atriz convidada em drama por sua participação em um flashback que, caso retirado da série, não faria falta alguma. E o comportamento dos votantes realmente se confirmou: The Crown ganhou todas as categorias principais em que concorria, incluindo roteiro e direção, além de cada uma de interpretação, feito que nem séries icônicas e historicamente celebradas como Six Feet Under, The Sopranos e Mad Men jamais conseguiram. Uma pena que esse marco tenha sido alcançado por puro acaso e mediante equívocos. Contudo, não me interpretem mal: a quarta temporada deste programa que finalmente deu o prêmio de melhor série para a Netflix é a melhor até agora, o que, ainda assim, não justifica os prêmios entregues de forma desenfreada e irrestrita.
Nos segmentos de comédia e minisséries, a lógica foi basicamente a mesma, com um leque um tantinho maior de opções. Ted Lasso ganhou melhor série de comédia, enquanto Hacks levou os prêmios de melhor direção, roteiro e atriz, algo que, ao meu ver, não faz muito sentido: como é possível um seriado ter a melhor direção e o melhor roteiro, dois aspectos centrais de qualquer obra audiovisual, e simplesmente não ser a melhor série? No mais, todas as palmas do mundo para a consagração de Jean Smart, uma atriz que, aos 70 anos, vive o grande momento da sua carreira com papeis coadjuvantes de séries importantes dos últimos anos (Fargo, Watchmen) e agora com um protagonismo à altura do seu grande talento. Por fim, a vitória de The Queen’s Gambit como melhor minissérie foi um banho de água fria após a consagração de Michaela Coel em melhor roteiro com I May Destroy You e a de Mare of Easttown em atriz, atriz coadjuvante e ator coadjuvante. A seleção de minisséries com certeza merecia um desfecho melhor na premiação.
Confira abaixo a lista de vencedores:
MELHOR SÉRIE DE DRAMA: The Crown
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Olivia Colman (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Josh O’Connor (The Crown)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Gillian Anderson (The Crown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Tobias Menzies (The Crown)
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA: Jessica Hobbs (The Crown), pelo episódio “War”
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA: Peter Morgan (The Crown), pelo episódio “War”
MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA: Ted Lasso
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jean Smart (Hacks)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jason Sudeikis (Ted Lasso)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Hannah Waddingham (Ted Lasso)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Brett Goldstein (Ted Lasso)
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Lucia Aniello (Hacks), pelo episódio “There is No Line”
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky (Hacks), pelo episódio “There is No Line”
MELHOR MINISSÉRIE: The Queen’s Gambit
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Kate Winslet (Mare of Easttown)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Ewan McGregor (Halston)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Julianne Nicholson (Mare of Easttown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Evan Peters (Mare of Easttown)
MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE: Scott Frank (The Queen’s Gambit)
MELHOR ROTEIRO EM MINISSÉRIE: Michaela Coel (I May Destroy You)
Apostas para o Emmy 2021

Na cerimônia que tem tudo para ser a mais desinteresse dos últimos anos, o Emmy tem pouco a fazer com uma lista que apenas estendeu o número de indicações de séries já normalmente reconhecidas. Com a ausência de Succession, Ozark e The Marvelous Mrs. Maisel, por exemplo, os votantes basicamente terão que se dividir entre o claro domínio de The Crown entre os dramas (será que a Netflix finalmente levará o prêmio de melhor série) e de Ted Lasso entre as comédias. O jogo mais interessante está, a exemplo das últimas edições, nas minisséries, que tem produções marcantes da última temporada como Mare of Easttown e I May Destroy You. A cerimônia será transmitida a partir das 21h (horário de Brasília) pelo canal TNT. Confira abaixo a nossa lista de apostas para as categorias principais nos segmentos de drama, comédia e minissérie.
MELHOR SÉRIE DE DRAMA: The Crown / alt: The Handmaid’s Tale
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Uzo Aduba (In Treatment) / alt: Emma Corrin (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Billy Porter (Pose) / alt: Josh O’Connor (The Crown)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Gillian Anderson (The Crown) / alt: Aunjanue Ellis (Lovecraft Country)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Michael K. Williams (Lovecraft Country) / alt: Bradley Whitford (The Handmaid’s Tale)
MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA: Ted Lasso / alt: Hacks
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jean Smart (Hacks) / alt: Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jason Sudeikis (Ted Lasso) / alt: Kenan Thompson (Kenan)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Hannah Einbinder (Hacks) / alt: Juno Temple (Ted Lasso)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Kenan Thompson (Saturday Night Live) / alt: Carl Clemons-Hopkins (Hacks)
MELHOR MINISSÉRIE: Mare of Easttown / alt: I May Destroy You
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Kate Winslet (Mare of Easttown) / alt: Anya Taylor-Joy (The Queen’s Gambit)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Ewan McGregor (Halston) / alt: Hugh Grant (The Undoing)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Kathryn Hahn (WandaVision) / alt: Julianne Nicholson (Mare of Easttown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Evan Peters (Mare of Easttown) / alt: Paapa Essiedu (I May Destroy You)
49º Festival de Cinema de Gramado #2: “Para o Brasil se (re)conhecer” (ou uma reflexão sobre a escolha dos curtas brasileiros)

Reunião de seleção dos curtas-metragens brasileiros do 49º Festival de Cinema de Gramado.
Aproximando-se de um emblemático aniversário de 50 anos, o Festival de Cinema de Gramado realiza, entre os dias 13 e 21 de agosto, a sua 49ª edição, mais uma vez em formato híbrido, com transmissões pelo Canal Brasil e por streaming, devido às restrições que ainda vivemos em função da pandemia do Coronavírus. Mais do que celebrar a histórica resistência de um festival que nunca deixou de acontecer apesar de adversidades das mais diferentes naturezas, é importante constatar que, ao completar 49 anos, Gramado segue refletindo a força comovente de um cinema brasileiro que, nos últimos anos, vem sendo desprezado e vilipendiado pelas políticas (ou falta delas) em curso no país.
Digo que tal resistência do cinema brasileiro está representada em Gramado porque isso se reflete na lista de filmes selecionados para a edição 2021. O Brasil segue produzindo, apesar dos pesares. E pude fazer essa constatação ainda mais de perto este ano, quando fui convidado pela organização do evento a integrar a comissão responsável por selecionar os curtas-metragens brasileiros que disputarão o Kikito. Honra gigante. Responsabilidade à altura. E um exercício dos mais instigantes. Afinal, o que levar em consideração na hora de mergulhar em um universo com centenas de curtas-metragens inscritos? Não há fórmula. E é aí que está o fascínio.
Junto a Jaqueline Beltrame, Milena Moura e Thaís Cabral, tive a oportunidade de explorar, a partir dos títulos aptos a avaliação, gêneros e temáticas variadas, trabalhadas pelos mais diferentes realizadores em todos os cantos do país. Em que pese a bagagem, a identificação e as preferências cinematográficas de cada um de nós da comissão, buscamos selecionar 14 filmes que contemplassem o Brasil em que vivemos. Esse mesmo: plural e tão único, iluminado e sofrido, cambaleante e capaz de recobrar forças. Nada mais justo para uma sociedade que merece sempre se ver representada na tela, com suas qualidades e imperfeições. A meu ver, esse foi o ponto de partida do nosso trabalho, o que me deixa muito feliz, já que cinema também serve para ser o registro histórico e a eternização da identidade cultural, social e política de um país.
Outros dois aspectos nos bateram muito forte como critério: a pluralidade de regiões onde os filmes foram produzidos, tentando escapar da massiva e inevitável predominância do eixo Rio-São Paulo, e a representatividade feminina atrás das câmeras (aliás, os dois curtas escolhidos para representar o nosso Rio Grande do Sul são dirigidos por mulheres: Desvirtude, de Gautier Lee, e Eu Não Sou Um Robô, de Gabriela Lamas). Ainda há nessa mistura comédia, drama, documentário, animação e exercícios experimentais de narrativa e estilo. Engana-se, no entanto, quem pensa que essa é uma seleção de “cotas”, como se tivéssemos categorizado as vagas que gostaríamos de preencher, inclusive porque seria uma frustração, já que não foram poucos os títulos deixados de fora e cujas discussões gostaríamos de levar a Gramado. Nunca deixamos de lado o olhar tão fundamental para a excelência e a qualidade inerentes a filmes merecedores de estarem em Gramado
Inevitavelmente, os dias de trabalho trouxeram frustrações, todas muito naturais em qualquer processo semelhante a esse. E elas estão concentradas, claro, naqueles títulos que cada um de nós quatro da comissão gostaria de ter colocado na lista final, mas que não eram unânimes ou que, então, não estavam alinhados aos conceitos abraçados pelo nosso perfil curatorial. Espero que esses filmes possam encontrar seu espaço nos outros tantos festivais realizados no Brasil e que bravamente também seguem resistindo. Em contraponto a essa pequena lamentação, trago um aprendizado dos mais interessantes: acredite, tudo pode acontecer entre o primeiro e o último dia de seleção. É bastante surpreendente constatar, por exemplo, que diversos curtas selecionados por nós de forma unânime e aclamada em uma primeira discussão simplesmente não chegaram ao corte final, por uma série de razões, enquanto um ou outro mais divisivo foi incluído no grupo (obviamente não vou revelar, mas houve até um certo filme que bati pé para não entrar e acabei cedendo nos momentos finais porque era coerente com o nosso conjunto).
Por fim, não poderia deixar de destacar o quanto a honra de ter sido escolhido para participar da seleção ganha novos contornos em tempos pandêmicos. Através do formato híbrido, estamos falando de um Festival de Cinema de Gramado que chega a todos os estados brasileiros e até mesmo a públicos que, em certos casos, jamais poderiam ir presencialmente à Serra Gaúcha para acompanhar o evento. Imaginem a responsabilidade de entrar na casa das pessoas com esses filmes! Como alguém que acredita no poder transformador e educativo do cinema (não em um sentido didático, mas sim no que ele pode representar e comunicar como exercício ou entretenimento para as mais diferentes plateias), creio que, por meio dos curtas-metragens selecionados, levaremos para as telas histórias em que o Brasil possa se (re)conhecer e se questionar. Tenho meus favoritos do coração, mas isso é assunto para mais tarde, quando vocês também puderem desbravar a a lista de selecionados. Nos encontramos nos filmes, combinado?
* Texto produzido originalmente para o portal Melhor do Sul
Os indicados ao Emmy 2021

Ao lado de The Mandalorian, a quarta temporada de The Crown lidera a lista de indicados ao Emmy 2021, despontando como a favorita para finalmente dar o prêmio principal à Netflix.
Em função da pandemia e do processo de filmagem de novas temporadas, o Emmy 2021 se viu sem estreias de grandes dimensões e, principalmente, sem hits como Ozark, The Morning Show e Succession, a grande vencedora da última edição. Também não há, entre as minisséries, um estouro à altura de Watchmen, que chegou a liderar as indicações do ano passado, levando vários troféus para casa.
A chance de procurar novas séries e fugir do óbvio foi mais uma vez desperdiçada. Ao invés de garimpar produções que costumam ser subvalorizadas, o Emmy preferiu não só indicar as mesmas séries de sempre como ampliar irrestritamente o número de indicações de cada uma, o que resultou em menções forçadas e quantidades desproporcionais de celebração.
Um exemplo é a própria The Crown, que a encabeça lista de indicados ao lado de The Mandalorian. Em que pese a sua inegável excelência, é incompreensível que Claire Foy seja indicada a melhor atriz convidada simplesmente por um flashback passageiro de cinco minutos. Também não se justifica a lembrança de Emerald Fennell entre as coadjuvantes a não ser pelo fato de que ela recentemente ganhou um Oscar de melhor roteiro original por Bela Vingança.
E os exageros não param por aí. São quatro as coadjuvantes lembradas por The Handmaid’s Tale. Entre os homens, três são indicados pela série nesse mesmo segmento. Três atores coadjuvantes estão na disputa em minissérie/telefilme com Hamilton e quatro por Ted Lasso em comédia, isso sem falar em Saturday Night Live, que emplacou cinco indicações. Inspiração repentina, simultânea e grandiosa de diferentes elencos? Não. São simplesmente escolhas fáceis e confortáveis.
Entre outras mancadas, como a de ter Emily in Paris concorrendo em melhor série de comédia, o Emmy 2021 teve um acerto aqui e outro ali. Um deles é a indicação de Mj Rodriguez (Pose), a primeira atriz transexual a estar na disputa por um Emmy. Igualmente especiais são as menções a Hacks, uma das pérolas da temporada, mesmo que Hannah Einbinder concorra a coadjuvante sendo protagonista em pé de igualdade com a maravilhosa Jean Smart.
O que se pode esperar para a premiação é que a Netflix finalmente leve o prêmio de melhor série com The Crown, especialmente se levarmos em consideração que, além de não haver forte concorrência, a série está em seu melhor momento. Entre as comédias, o domínio de Ted Lasso deve ser completo, visto o amor dos votantes traduzido no número de indicações. Quanto às minisséries, tudo leva a crer que WandaVision reinará, mas nunca, em hipótese alguma, duvide do poder da HBO, destaque na lista com Mare of Easttown.
Os vencedores serão conhecidos no dia 19 de setembro. Confira os indicados:
MELHOR SÉRIE DE DRAMA
The Boys
Bridgerton
The Crown
The Handmaid’s Tale
Lovecraft Country
The Mandalorian
Pose
This is Us
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Emma Corrin (The Crown)
Jurnee Smollett (Lovecraft Country)
Mj Rodriguez (Pose)
Olivia Colman (The Crown)
Uzo Aduba (In Treatment)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA
Billy Porter (Pose)
Jonathan Majors (Lovecraft Country)
Josh O’Connor (The Crown)
Matthew Rhys (Perry Mason)
Rege-Jean Page (Bridgerton)
Sterling K. Brown (This is Us)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA
Ann Dowd (The Handmaid’s Tale)
Aunjanue Ellis (Lovecraft Country)
Emerald Fennell (The Crown)
Gillian Anderson (The Crown)
Helena Bonham Carter (The Crown)
Madeline Brewer (The Handmaid’s Tale)
Samira Wiley (The Handmaid’s Tale)
Yvonne Strahovski (The Handmaid’s Tale)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA
Bradley Whitford (The Handmaid’s Tale)
John Lithgow (Perry Mason)
Max Minghella (The Handmaid’s Tale)
Michael K. Williams (Lovecraft Country)
O-T Fagbenle (The Handmaid’s Tale)
Tobias Menzies (The Crown)
Giancarlo Esposito (The Mandalorian)
Chris Sullivan (This is Us)
MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Black-ish
Cobra Kai
Emily in Paris
Hacks
The Flight Attendant
The Kominsky Method
Pen15
Ted Lasso
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Aidy Bryant (Shrill)
Allison Janney (Mom)
Jean Smart (Hacks)
Kaley Cuoco (The Flight Attendant)
Tracee Ellis Ross (Black-ish)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Anthony Anderson (Black-ish)
Jason Sudeikis (Ted Lasso)
Kenan Thompson (Kenan)
Michael Douglas (The Kominsky Method)
William H. Macy (Shameless)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Aidy Bryant (Saturday Night Live)
Cecily Strong (Saturday Night Live)
Hannah Einbinder (Hacks)
Hannah Waddingham (Ted Lasso)
Juno Temple (Ted Lasso)
Kate McKinnon (Saturday Night Live)
Rosie Perez (The Flight Attendant)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Bowen Yang (Saturday Night Live)
Brendan Hunt (Ted Lasso)
Brett Goldstein (Ted Lasso)
Carl Clemons-Hopkins (Hacks)
Jeremy Swift (Ted Lasso)
Kenan Thompson (Saturday Night Live)
Nick Mohammed (Ted Lasso)
Paul Reiser (The Kominsky Method)
MELHOR MINISSÉRIE/ANTOLOGIA
I May Destroy You
Mare of Easttown
The Queen’s Gambit
The Underground Railroad
WandaVision
MELHOR TELEFILME
Dolly Parton’s Christmas on the Square
Oslo
Robin Roberts Presents: Mahalia
Sylvie’s Love
Uncle Frank
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/ANTOLOGIA/TELEFILME
Anya Taylor-Joy (The Queen’s Gambit)
Cynthia Erivo (Genius: Aretha)
Elizabeth Olsen (WandaVision)
Kate Winslet (Mare of Easttown)
Michaela Coel (I May Destroy You)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/ANTOLOGIA/TELEFILME
Ewan McGregor (Halston)
Hugh Grant (The Undoing)
Leslie Odom, Jr. (Hamilton)
Lin-Manuel Miranda (Hamilton)
Paul Bettany (WandaVision)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/ANTOLOGIA/TELEFILME
Jean Smart (Mare of Easttown)
Julianne Nicholson (Mare of Easttown)
Kathryn Hahn (WandaVision)
Moses Ingram (The Queen’s Gambit)
Phillipa Soo (Hamilton)
Renée Elise Goldsberry (Hamilton)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Anthony Ramos (Hamilton)
Daveed Diggs (Hamilton)
Evan Peters (Mare of Easttown)
Jonathan Groff (Hamilton)
Paapa Essiedu (I May Destroy You)
Thomas Brodie-Sangster (The Queen’s Gambit)
* Categorias de direção, roteiro, variedades, reality shows e outros segmentos técnicos podem ser encontrados na relação completa de indicados disponibilizada em inglês pelo Emmy.