49º Festival de Cinema de Gramado #1: apresentação dos filmes concorrentes

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Roger Lerina e Marla Martins foram os responsáveis pela apresentação da coletiva que anunciou as novidades do evento. Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto.

Uma definição clássica acerca do Festival de Cinema de Gramado é a de que ele simboliza uma histórica resistência, seja ela da cidade, do evento e do cinema brasileiro. Às vésperas de completar 50 anos, o Festival mais uma vez não deixa de acontecer, mesmo em um ano que segue enfrentando a pandemia do Coronavírus. Para tanto, a acertada estratégia de ter suas mostras competitivas em formato híbrido (Canal Brasil e streaming) é repetida, levando produções tradicionalmente circunscritas apenas ao Palácio dos Festivais para todos os cantos do país. O único porém envolvendo essa decisão é que as exibições foram movidas para às 21h30, o que levará os espectadores para perto da madrugada.

Ainda que semelhante à edição do ano passado, há de se notar que o Festival de Cinema de Gramado apresenta uma edição mais comedida, com a mostra competitiva de longas estrangeiros reduzida a quatro títulos e a de longas-metragens gaúchos sintetizada em três títulos. O segundo caso carrega certa dúvida: em um ano em que a organização divulgou o recorde de inscrições na categoria (24 títulos ao todo), só teríamos três títulos à altura de serem selecionados? Na linha dos filmes selecionados, estranho a escolha de Fourth Grade, de Marcelo Galvão, como filme de encerramento. OK, o diretor é brasileiro e se trata de uma refilmagem de um longa brasileiro do próprio Galvão, mas encerrar um festival brasileiro e latino com um filme produzido nos Estados Unidos e falado em inglês? Soa estranho.

Outro atrativo, especialmente midiático do evento, foi configurado de modo diferente. Tradicionalmente dividida em quatro troféus, as homenagens desse ano estarão representadas em uma só, celebrando todos os profissionais do cinema à frente ou atrás das telas que tiveram a missão de resistir e se reinventar em um momento tão delicado para o segmento. Se o evento não terá o glamour e o apelo de seus tradicionais homenageados, certamente o faz por uma belíssima e importante causa, principalmente quando nos encontramos diante de um governo que tanto vilipendia a categoria.

Chegando aos filmes propriamente ditos, destaque absoluto para a mostra de longas-metragens brasileiros, talvez pela primeira vez em dez anos sem cinebiografias, documentários musicais ou títulos mais “comerciais”, se pudermos dizer assim. Não há nada de errado com o comercial, mas é interessante estarmos diante de uma lista que nos instiga a desbravar cada um dos títulos, investigando a carreira dos envolvidos e criando expectativas pelas sinopses de projetos que novamente são inéditos em território nacional. Minha curiosidades específicas ficam com A Primeira Morte de Joana, com enredo muito interessante, e Homem Onça, que, desde já fazendo um palpite às escuras, deve render o Kikito de melhor ator ao grande Chico Díaz.

Reservo a conclusão dessa breve análise para dar uma palavrinha para a mostra de curtas-metragens brasileiros, sempre uma das mais instigantes do Festival por revelar novos talentos e já dar palco para os realizadores de longas-metragens de amanhã. Neste ano, tive o prazer e a imensa responsabilidade de assinar a seleção dos curtas, ao lado de Jaqueline Beltrame, Milena Moura e Thaís Cabral. Foram mais de 500 filmes inscritos, e tivemos que chegar a uma lista com 14. Trabalho árduo e que, a partir do nosso olhar, acabou por representar uma mostra onde o Brasil se (re)conhecerá em muitas de suas facetas. Mas discutiremos esse assunto logo mais em detalhes, antes da realização do próprio evento, que acontece entre os dias 13 e 21 de agosto.

Confira abaixo a lista de filmes selecionados:

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
Álbum em Família (RJ), de Daniel Belmonte
Carro Rei (PE), de Renata Pinheiro
Homem Onça (RJ), de Vinícius Reis
Jesus Kid (PR), de Aly Muritiba
O Novelo (SP), de Claudia Pinheiro
A Primeira Morte de Joana (RS), de Cristiane Oliveira
A Suspeita (RJ), de Pedro Peregrino

LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS
Gran Avenida (Chile), de Moises Sepulveda
La Teoría de los Vidrios Rotos (Uruguai/Brasil/Argentina), de Diego Fernández Pujol
Planta Permanente (Argentina/Uruguai),de Ezequiel Radusky
Pseudo (Bolívia), de Gory Patiño e Luis Reneo

LONGAS-METRAGENS GAÚCHOS
A Colmeia (Porto Alegre), de Gilson Vargas

Cavalo de Santo (Porto Alegre), de Mirian Fichtner e Carlos Caramez
Extermínio (Cachoeira do Sul), de Mirela Kruel

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
A Beleza de Rose (CE), de Natal Portela

A Fome de Lázaro (PB), de Diego Benevides
Animais na Pista (PB), de Otto Cabral
Aonde Vão os Pés (PR), de Débora Zanatta
Da Janela Vejo o Mundo (PR), de Ana Catarina Lugarini
Desvirtude (RS), de Gautier Lee
Entre Nós e o Mundo (SP), de Fabio Rodrigo
Eu Não Sou Um Robô (RS), de Gabriela Lamas
Fotos Privadas (RJ), de Marcelo Grabowsky
Memória de Quem (Não) Fui (RJ), de Thiago Kistenmacker
O Que Há em Ti (SP), de Carlos Adriano
Per Capita (PE), de Lia Leticia
Quanto Pesa (MA),de Breno Nina
Stone Heart (AM), de Humberto Rodrigues

CURTAS-METRAGENS GAÚCHOS (PRÊMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA)
Brecha
(Pelotas), de Helena Thofehrn Lessa
Cacicus (Santa Cruz do Sul), de Bruno Cabral e Gabriela Dullius
Comboio Pra Lua (Pelotas), de Rebeca Francoff
Depois da Meia-Noite (Caxias do Sul), de Mirela Kruel
Desvirtude (Porto Alegre), de Gautier Lee
Um Dia de Primavera (Porto Alegre), de Lisi Kieling
Era Uma Vez… Uma Princesa (Porto Alegre), de Lisiane Cohen
Eu Não Sou Um Robô (Porto Alegre), de Gabriela Lamas
(Porto Alegre), de Thais Fernandes
Hora Feliz (Porto Alegre), de Alex Sernambi
Isso Me Faz Pensar (Porto Alegre), de Hopi Chapman
Jardim das Horas (Porto Alegre), de Matheus Piccoli
Love do Amor (Restinga Sêca), de Fabrício Koltermann
Não Sou Eu (Porto Alegre), de Theo Tajes
Nave Mãe (Sapucaia do Sul), de Gisa Galaverna e Wagner Costa
Nilson, Filho do Campeão (Santa Cruz do Sul), de Diego Tafarel
Noite Macabra (Canoas), de Felipe Iesbick
Para Colorir (Porto Alegre), de Juliana Costa
Rota (São Leopoldo), de Mariani Ferreira
Rufus (São Leopoldo), de Eduardo Reis
Solilóquio (Porto Alegre), de Marcelo Stifelman
Tom (Porto Alegre), de Felippe Steffens
Tormenta (Porto Alegre), de Emiliano Cunha e Vado Vergara
Trem do Tempo (Pelotas), de Vitor Rezende Mendonça

3 comentários em “49º Festival de Cinema de Gramado #1: apresentação dos filmes concorrentes

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