Melhores de 2010 – Direção de Arte

O mundo imaginário criado para ilustrar o mundo maluco do dr. Parnassus (Christopher Plummer) não teria o mesmo efeito se não fosse a direção de arte. O diretor do filme, Terry Gilliam costuma sempre caprichar nesse segmento e, inclusive, ele é o responsável pela direção de arte do filme junto com David Warren. Utilizando decorações e cenários extremamente alegóricos, esse setor técnico consegue chamar a atenção sem cometer exageros visuais. Tudo o que podemos perceber na direção de arte de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus é fruto de um trabalho simples e que também tem muito de origem teatral. Nada mais apropriado para um longa que tem o teatro de rua como sua principal engrenagem. Essa é uma história que não agrada a todos e que ficou marcado por ser o último trabalho do falecido Heath Ledger. Contudo, vale ressaltar que, apesar das falhas, O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus tem os seus méritos. E, possivelmente, a direção de arte é o maior deles.
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A JOVEM RAINHA VICTORIA
Estranho como, na maioria das vezes, só costumam reconhecer os figurinos dos filmes de época. O que seria dessas produções se não fosse, também, a direção de arte? A Jovem Rainha Vitória tem a sua parte técnica ainda mais requintada em função do ótimo trabalho na direção de arte. O visual palaciano está muito bem representado em cenários decorados com exatidão e também no detalhismo de cada set utilizado para narrar a história da rainha Vitória (Emily Blunt).

SHERLOCK HOLMES
Por mais que seja um dos filmes mais insuportáveis do ano, Sherlock Holmes tem alguns aspectos interessantes. O primeiro deles é, sem dúvida, a ótima trilha de Hans Zimmer. Mas, também, não dá para deixar de lado a boa direção de arte que ajuda a levar o espectador ao mundo do protagonista. Conquistando pela simplicidade, não é um trabalho de grandes aspectos. Entretanto, faz o necessário para que o saldo seja uma boa ferramente para ilustrar a época em que o personagem-título vive.

TRON – O LEGADO
Não sei o porquê de tão poucos terem se encantado com o lado técnico de Tron – O Legado. Fiquei impressionado com a técnica do filme, especialmente no uso dos efeitos e no setor sonoro. Arquiteto e engenheiro mecânico que se tornou criador multimídia, o diretor Joseph Kosinski utilizou toda sua formação profissiional para criar o mundo tecnológico que assistimos no filme. O resultado? Uma direção de arte diferente e muito interessante.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Confesso que nem a parte técnica de Alice no País das Maravilhas conseguiu me empolgar. Nada do que vemos aqui nos remete ao melhor que Tim Burton já produziu, mas é o suficiente para explorar o mundo encantado em que a jovem Alice (Mia Wasikowska) chega. Usando muitas cores e extravagâncias, a direção de arte tenta atrair atenção para si e disfarçar o fraco roteiro. Normalmente, isso seria um erro. Mas, aqui, isso chega até a ser positivo. Já que Alice não acerta no conteúdo, pelo menos tem uma embalagem bem elaborada.
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Escolha do público:
1. Alice no País das Maravilhas (9 votos, 28.13%)
2. A Jovem Rainha Vitória (7 votos, 21.88%)
3. O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (7 votos, 21.88%)
4. Sherlock Holmes (5 votos, 15.63%)
5. Tron – O Legado (4 votos, 12.05%)
Melhores de 2010 – Atriz Coadjuvante

Quando penso em Nine o primeiro nome que me vem à cabeça é o de Marion Cotillard. Preterida pelas premiações enquanto a sua companheira de tela Penélope Cruz recebia várias indicações, Cotillard foi a verdadeira estrela desse musical decepcionante. Dona dos melhores momentos musicais, a francesa, mais uma vez, demonstrou grande versatilidade. Introspectiva (ela é total destaque quando canta My Husband Makes Movies) e sensual (arrasa em Take it All), Cotillard é o coração de Nine. Sua Luisa Contini é a única lembrança positiva que o espectador leva dessa passageira experiência proporcionada pelo diretor Rob Marshall. Marion, portanto, conseguiu se firmar como uma das mais talentosas atrizes de sua geração e, desde já, é um nome que sabemos que dificilmente desapontará. Afinal, ser a melhor interpretação de um elenco que traz Daniel Day-Lewis, Judi Dench e Sophia Loren não é para qualquer uma. Cotillard nos entrega uma atuação na medida e que ficou comigo durante um bom tempo após o filme. E existe melhor jeito de avaliar o quanto uma interpretação marcou se não o quanto ela fica na nossa memória após os créditos finais?
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VERA FARMIGA (Amor Sem Escalas)
Anna Kendrick tinha o papel mais “simpático” e que também utilizava muito mais a emoção do que o de Vera Farmiga. Entretanto, como na maioria dos casos, tenho forte tendência a apreciar melhor os papéis contidos. Combinando perfeitamente com George Clooney (os dois formam um dos melhores casais do cinema contemporâneo), Farmiga demonstra competência em cada cena de Amor Sem Escalas. Transmitindo toda a independência e maturidade de uma mulher dedicada por completo ao mundo profissional, a atriz foi um dos grandes destaques do filme de Jason Reitman. Pena que não teve chances contra Mo’Nique na época dos prêmios.

MO’NIQUE (Preciosa – Uma História de Esperança)
Para ser bem sincero, não acho que Mo’Nique seja todo esse estouro que as premiações disseram ou que a crítica apontou. De qualquer forma, não posso deixar de reconhecer tudo o que a atriz conseguiu realizar em Preciosa – Uma História de Esperança. Se durante mais da metade do filme ela surge como uma maquiavélica mãe que parece não ter nenhum sentimento pela filha ou por qualquer um, também alcança destaque quando humaniza a sua personagem em uma sequência decisiva do longa. Em determinados momentos, parece que sua representação cai em repetições – mas, por sorte, é um retrato que sempre consegue chamar a atenção e atingir o público.

JULIANNE MOORE (Direito de Amar)
Certas atrizes são tão maravilhosas que nem precisam de muito tempo em cena para uma marcante aparição. Se Viola Davis já havia conseguido esse feito com Dúvida, Julianne Moore conseguiu repetir a situação em Direito de Amar. No auge de sua beleza com um visual estonteante, a subestimada atriz brilhou em cada minuto no filme de Tom Ford. Como a rica e bela mulher que é cheia de amigos mas, no fundo, é solitária e frustrada por não ter sido a escolha amorosa de George (Colin Firth), Moore traduziu com perfeição o glamour e as decepções de uma mulher que está longe de ser o que aparenta. Trabalho irretocável.

SAMANTHA MORTON (O Mensageiro)
Outra atriz injustiçada não só na última temporada de premiações, mas também nos últimos anos. Samantha Morton compreendeu todo o lado emocional proposto por O Mensageiro e entregou uma atuação digna de aplausos. Emotiva mas longe da visceralidade dos seus companheiros de tela, Ben Foster e Woody Harrelson, Morton adota um tom mais singelo para compor sua personagem. Escolha acertada, já que esse tipo de representação combinou totalmente com Morton, que foi um dos destaques mais interessantes de O Mensageiro. Ela é uma grande contribuição para esse retrato humano sobre os efeitos da guerra do Iraque.
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Escolha do público:
1. Mo’Nique (13 votos, 34.21%)
2. Julianne Moore (11 votos, 28.95%)
3. Marion Cotillard (10 votos, 26.32%)
4. Samantha Morton (2 votos, 5.26%)
5. Vera Farmiga (2 votos, 5.26%)
Melhores de 2010 – Roteiro Adaptado

Fiquei duas vezes impressionado com o roteiro de Tom Ford e David Scearce para Direito de Amar. A primeira foi quando assisti o filme sem qualquer conhecimento da obra original, Um Homem Só – Flagrante de Uma Profunda Solidão, de Christopher Isherwood. A segunda foi após ter lido o texto do britânico. Em ambas oportunidades ficou evidente, pelo menos pra mim, a potente força dramática de um filme que encontra na sutileza a sua principal engrenagem. Direito de Amar é um filme de emoções contidas que se acumulam a cada minuto de projeção e que no, final das contas, resultam em algo extremamente melancólico. A elegância da narrativa constrói uma das histórias mais bonitas sobre perda dos últimos anos. Sem falar de uma brusca mudança no protagonista que, no livro, era um sujeito amargamente antipático e que, no longa, tornou-se um homem sofrido e triste, porém admirável. Uma escolha mais do que acertada e que só melhorou ainda mais as emoções de Direito de Amar. Um filme que conseguiu ser melhor que o livro. Algo raro de se encontrar. Para uma dupla de iniciantes, Ford e Scearce se mostraram verdadeiros gênios.
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OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE
O roteiro de Os Famosos e os Duendes da Morte é um dos mais raros no cinema brasileiro contemporâneo. Gostando ou não do longa de Esmir Filho, ninguém poderá dizer que o resultado se parece com qualquer outro que tenha sido produzido no Brasil recentemente. Muito disso se deve não apenas ao trabalho de Esmir atrás das câmeras como diretor, mas também ao roteiro que ele escreveu junto com Ismael Caneppele, autor do livro que deu origem ao filme. Trabalhando os dilemas do protagonista de forma extremamente metafórica e subjetiva, o roteiro de Os Famosos e os Duendes da Morte pode, sem dúvida alguma, servir de exemplo de inspiração e maturidade para o cinema nacional.

EDUCAÇÃO
O estilo britânico de narrar histórias não está presente apenas na direção de Lone Scherfig ou na reconstituição de época de Educação. O estilo britânico também se mostra vivo na forma como o roteiro faz um preciso delineamento da trajetória de Jenny (Carey Mulligan). Para muitos, pode ter um ritmo meio lento e sem acontecimentos, mas isso é essencial para que o texto de Nick Hornby construa, com várias sutilezas, o crescimento emocional e psicológico da personagem. Pode ser que, durante o filme, até não notemos (e esse é um grande mérito), mas, no final, vemos que a Jenny do desfecho está longe de ser aquela que nos foi apresentada inicialmente.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1
Pelo menos para mim, essa primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte era uma tragédia anunciada. Detesto a primeira parte do livro de J.K. Rowling e o filme tinha tudo para seguir a monotonia que reinava durante a primeira parcela do livro. Para a minha surpresa, Steve Kloves fez um trabalho surpreendente com o roteiro. A maioria do público que não teve contato com a obra original condenou o ritmo lento do enredo. Porém, a verdade é que a versão cinematográfica conseguiu ser bem melhor que a literária. Não só no sentido de descobertas ou de acontecimentos mágicos na vida do protagonista. A emoção também foi bem pontuada.

AMOR SEM ESCALAS
Quando Preciosa – Uma História de Esperança tirou o Oscar de roteiro adaptado das mãos de Amor Sem Escalas, a confusão foi grande. Muitos reclamaram da escolha, enquanto uma pequena parcela apoiava. Fico no grupo que considerava essencial a vitória do filme de Jason Reitman na categoria, ao passo que o melhor, Direito de Amar, nem concorria. Amor Sem Escalas tem aquele tipo de texto que narra uma história contemporânea e, ao mesmo tempo, traz diálogos inteligentes e reflexivos. Existem algumas previsibilidades no desenvolvimento – especialmente no final – mas nada que apague o dinamismo desse ótimo trabalho.
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Escolha do público:
1. Direito de Amar (15 votos, 38.46%)
2. Amor Sem Escalas (14 votos, 35.09%)
3. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (5 votos, 12.82%)
4. Educação (3 votos, 7.69%)
5. Os Famosos e os Duendes da Morte (2 votos, 5.13%)
Melhores de 2010 – Figurino

Não adianta. Não consigo fugir do óbvio e deixar de celebrar outros figurinos que não sejam os de época. Alguns podem dizer que já se tornou clichê elogiar esses trabalhos ou que não existe mais originalidade nesse segmento. Pode até ser verdade, mas, pelo menos pra mim, os filmes de época continuam impecáveis no que se refere ao trabalho de figurinos. A Jovem Rainha Victoria não foge desse esquema e entrega uma roupagem excelente. Longe da extravagância visual (que eu adoro, admito) dos figurinos de Elizabeth – A Era de Ouro, as roupas criadas por Sandy Powell apostam na elegância sutil para reconstituir o guarda-roupa da rainha Victoria (Emily Blunt). Escolha mais do que acertada, uma vez que os figurinos encantam pelos pequenos detalhes e pela simplicidade de cores e acessórios.
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BRILHO DE UMA PAIXÃO
Por um triz os figurinos de Brilho de Uma Paixão não ganharam nessa categoria. É aquele tipo de trabalho onde parece que os personagens estão constantemente trocando de figurinos só para chamar a atenção. Excetuando isso, Janet Patterson teve um trabalho muito satisfatória como figurinista, aproveitando-se dos mais variados estilos para compôr não apenas o lado visual do filme, mas também a própria personalidade dos personagens.

DIREITO DE AMAR
Não foi nenhuma surpresa ver que os figurinos de Direito de Amar eram impecáveis. Afinal, o que esperar das roupas do filme de um diretor que tem sua principal carreira profissional no mundo da moda? O longa de Tom Ford fez ótimas escolhas nesse segmento, desde o belo vestido que Charley (Julianne Moore) usa no jantar com George (Colin Firth) até aos mais previsíveis ternos e gravatas do protagonista. Tudo ideal e na medida: impecável, mas sem nunca saltar demais aos olhos ou ser extravagante.

EDUCAÇÃO
Traduzindo com precisão as roupas da Inglaterra dos anos 60, Odile Dicks-Mireaux fez um ótimo trabalho como figurinista de Educação. Reproduzindo desde os trajes colegiais de Jenny (Carey Mulligan) até as roupas mais sofisticadas usadas pelos personagens na glamourosa viagem à Paris, os figurinos foram uma peça fundamental para a reconstituição de época do filme de Lone Scherfig.

CHÉRI
Consolata Boyle deve ter o trabalho mais previsível entre os indicados nessa categoria. Nada do que podemos ver em relação aos figurinos de Chéri chega a ser mais impressionante. Contudo, é sempre bom ver trabalhos de época que, pelo menos, conseguem resultado satisfatório nesse setor. Apostando no básico para esse tipo de filme, a roupagem apresentada em Chéri está longe de ser dececpionante.
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Escolha do público:
1. A Jovem Rainha Vitória (11 votos, 34.38%)
2. Direito de Amar (10 votos, 31.25%)
3. Educação (5 votos, 15.63%)
4. Brilho de Uma Paixão (4 votos, 12.05%)
5. Chéri (2 votos, 6.25%)
Melhores de 2010 – Fotografia

Depois da perfeita trilha sonora de Abel Korzeniowski, acredito que a fotografia de Eduard Grau seja o aspecto técnico mais impressionante em Direito de Amar. Utilizando uma característica marcante (as cores se ajustam aos sentimentos do protagonista), a fotografia é outro elemento que ajuda a construir todo o espetacular visual do filme de Tom Ford. Ela não se destaca apenas por ser original ou por ser um elemento que explora o lado emocional de George Falconer (Colin Firth), mas também por utilizar de forma impactante tudo o que cada cena lhe proporciona em detalhes – e nesse aspecto, destaca-se o momento em que Colin Firth conversa com um estranho na frente de um gigante cartaz de Psicose, de Hitchcock. Eduardo Grau inovou na fotografia e ajudou a construir o extraordinário lado visual desse filme que é um dos mais impactantes nesse segmento dos últimos anos.
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A FITA BRANCA
Nem existia tanta necessidade para que A Fita Branca fosse filmado em preto e branco. Entretanto, o uso desse artifício, pelo menos pra mim, sempre traz um saldo muito positivo – principalmente para essa história cheia de mistérios. Explorando muito bem as paisagens do interior da Alemanha, a fotografia ajuda a criar o clima dúbio que cada personagem transmite. Nesse sentido, o uso do preto e branco só auxilia A Fita Branca a trazer ainda mais a doutrina rígida e misteriosa dos personagens do filme.

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE
Se a fotografia de A Fita Branca reconstituiu muito bem o tenso clima instalado entre as misteriosas paisagens do interior da Alemanha, a de Os Famosos e os Duendes da Morte explorou com muita habilidade o sentimento de solidão do mr. Tambourine Man (Henrique Larré). Apostando basicamente em um trabalho de tonalidades e uso de escuridão para mostrar a isolada cidade em que o personagem vive, a fotografia foi fundamental para que entendessemos o desespero do protagonista ao considerar a sua cidade um “fim do mundo”.

BRILHO DE UMA PAIXÃO
Esse deve ser o ano das fotografias que retratam o interior dos países. Brilho de Uma Paixão, com sua ótima fotografia, nos transportou para uma cidade no interior da Inglaterra. As belas paisagens já seriam o suficiente para encantar os olhos, mas a fotografia vai além e absorve cada detalhe não só dessas paisagens, mas também dos próprios cenários e dos atores. Esse é um trabalho mais convencional, mas que nem por isso deixa de ser tão satisfatório quanto os outros indicados.

A ESTRADA
O tom quase que monocromático da fotografia de A Estrada foi fundamental para que o filme de John Hillcoat alcançasse todo o clima apocalíptico necessário para retratar a melancolia e o desespero dos personagens em um mundo devastado. Javier Aguirresarobe entregou o aspecto técnico mais marcante de A Estrada e graças a ele conseguimos acompanhar com mais emoção a jornada dos personagens – emoção essa que, no geral, o filme não chegou a apresentar de forma tão marcante quanto a fotografia.
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Escolha do público:
1. A Fita Branca (17 votos, 34.69%)
2. Os Famosos e os Duendes da Morte (13 votos, 26.53%)
3. Direito de Amar (12 votos, 24.49%)
4. Brilho de Uma Paixão (5 votos, 10.02%)
5. A Estrada (2 votos, 4.08%)