Cinema e Argumento

Melhores de 2011 – Efeitos Especiais

Na época de seu lançamento, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 foi um verdadeiro estouro. Hoje, por alguma razão, parece ser desdenhado e pouco valorizado. Não entendo o porquê, pois estamos falando do melhor filme de toda a série. Aqui, tudo se aprimora. Não só o trabalho de elenco melhorou (até o jovem Daniel Radcliffe está satisfatório), mas como a própria técnica, que sempre foi excelente. Os efeitos são particularmente impecáveis, alcançando um nível nunca visto até então em Harry Potter. Também não é para menos: a história precisava dessa perfeição. A batalha final em Hogwarts, por exemplo, não poderia ter sido retratada de forma mais verossímil pelo excelente uso dos efeitos. Nada muito exagerado ou fora de tom. Pelo contrário, um setor que ajudou As Relíquias da Morte – Parte a se tornar um dos grandes eventos cinematográficos de 2011.

•

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM

Boa parte da verossimilhança do macaco Cesar se deve ao talento do ator Andy Serkis. No entanto, seu trabalho anda lado a lado com os ótimos efeitos visuais de Planeta dos Macacos: A Origem. Talvez nem existam grandes variações (além dos macacos, nada chega a ser tão inovador), mas o resultado alcançado já foi o suficiente para impressionar muita gente. E com todos os méritos.

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE

Era fácil esperar ótimos efeitos de um filme como X-Men: Primeira Classe. Não só porque a série sempre acertou nesse quesito mas também porque se tratava de um esperado reboot que precisava convencer. E o resultado não decepcionou. Os efeitos são dignos de figurar entre os melhores dos blockbusters recentes. Blockbusters de qualidade, claro.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar

_

Escolha do público:

1. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (53,7%, 29 votos)

2. Planeta dos Macacos: A Origem (44,44%, 24 votos)

3. X-Men: Primeira Classe (1.85%, 1 voto)

Melhores de 2011 – Animação

Continuações e mais continuações. Busca pela perfeição técnica. Spin-off de personagens. Tudo isso, em alguns (raros) casos, pode ser muito interessante, mas, de vez em quando, é extremamente satisfatório lembrar do passado, quando animações conquistavam simplesmente por sua simplicidade e ingenuidade. O Ursinho Pooh é um exemplo de como ainda precisamos de histórias assim. No ano em que até mesmo a Pixar se rendeu a continuações desnecessárias, Pooh e seus amigos conseguiram se destacar. O filme da dupla  Stephen J. Anderson e Don Hall traz um delicioso sentimento nostálgico, remetendo todos, inclusive, a um estilo de infância que não existe mais. O Ursinho Pooh não tem pretensão alguma, é apenas uma ode ao passado, o que por si só já tornaria a experiência gratificante. O resultado é irresistível, sustentado por personagens carismáticos e por uma história idílica. Infelizmente, já não deve funcionar para o público infantil de hoje, que tem uma concepção completamente diferente sobre o que é uma boa animação. Pena, não é todo dia que vemos um trabalho tão sutil como esse. Que pelo menos, então, sirva como uma certa viagem ao tempo para os adolescentes e adultos de hoje.

•

RIO

Colorido, cheio de vida e com personagens divertidíssimos, Rio pode até ser extremamente previsível em seu roteiro – mas, no final das contas, a impressão que fica é bem positiva. É de se lamentar que as premiações não embarcaram nessa animação agradável, que tem um visual digno de ser assistido com a melhor qualidade possível. Claro que o diretor Carlos Saldanha toma algumas liberdades hollywoodianas aqui, mostrando uma visão muito estrangeira do Brasil, mas nada que estrague esse filme simpático e que tem uma trilha sonora bastante eficiente (Real in Rio e Telling the World são as melhores).

ENROLADOS

A Disney ainda não perdeu o pique para histórias sobre princesas. Enrolados é uma prova disso. Ok, o filme está longe de se comparar aos clássicos filmes do gênero, mas faz um excelente trabalho ao recriar esse tipo de história que, atualmente, anda tão escasso. E não é apenas um bom trabalho só de roteiro, mas também de técnica – onde podemos destacar, facilmente, a bela cena da canção I See the Light. Só fica a dica: se puder, fuja da versão dublada. Primeiro pelas músicas de Alan Menken, que ficam muito melhores na versão original. E segundo pelo péssimo trabalho de Luciano Huck ao dar voz a um dos personagens principais.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Mary & Max: Uma Amizade Diferente | 2009 – Up: Altas Aventuras

_

Escolha do público:

1. Rio (42%, 21 votos)

2. Enrolados (40%, 20 votos)

3. O Ursinho Pooh (18%, 9 votos)

Melhores de 2011 – As regras e os elegíveis

I. São considerados todos os filmes lançados comercialmente nos cinemas brasileiros no ano de 2011.

II. Qualquer filme lançado diretamente em DVD (desde que inédito no Brasil) também está apto a concorrer.

III. As categorias são: filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original, roteiro adaptado, elenco, montagem, fotografia, canção original, efeitos especiais, trilha sonora, figurino, animação, edição/mixagem de som e direção de arte

IV. Em cada categoria, são admitidos apenas cinco concorrentes. A exceção encontra-se em efeitos especiais e animação, onde são três filmes na disputa.

V. Após divulgados, os indicados e os vencedores não poderão ser alterados posteriormente. A avaliação é feita de acordo com os filmes conferidos em 2011 e o que for assistido após a premiação não poderá interferir no resultado já divulgado.

VI. Algumas definições se adaptam aos princípios do autor do blog. Por exemplo: ana passado, o circuito de premiações considerou os roteiros de Toy Story 3 e Tropa de Elite 2 adaptados por se basearem em personagens que já existiam antes. No entanto, o Cinema e Argumento considera como roteiro a história de um longa e não os personagens. Portanto, os filmes já citados se enquadraram na definição de roteiro original.

VII. Não existe limite de indicações indicações ou vitórias para determinado profissional em uma categoria. Como visto em premiações passadas, Meryl Streep recebeu indicação dupla, ao passo que Kate Winslet venceu em duas categorias diferentes.

VIII. Os filmes elegíveis para a edição do 2011 do prêmio Cinema e Argumento são: 127 Horas, Água Para Elefantes, Além da Vida, Amizade Colorida, Amor a Toda Prova, Amor e Outras Drogas, A Árvore da Vida, Biutiful, Bravura Indômita, Bruna Surfistinha, Burlesque, As Canções, Capitão América: O Primeiro Vingador, A Casa, Cisne Negro, Como Você Sabe, A Condenação, Contágio, Contra o Tempo, Um Conto Chinês, Cópia Fiel, Deixe-me Entrar, Desenrola, Um Dia, O Discurso do Rei, Em Um Mundo Melhor, Enrolados, Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família, Entre Segredos e Mentiras, Esposa de Mentirinha, A Garota da Capa Vermelha, Gato de Botas, Um Gato em Paris, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, Inquietos, Inverno da Alma, Um Lugar Qualquer, O Mágico, Uma Manhã Gloriosa, Margin Call – O Dia Antes do Fim, Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual, Meia-Noite em Paris, Melancolia, Minha Versão do Amor, Missão Madrinha de Casamento, A Morte e Vida de Charlie, Os Muppets, Namorados Para Sempre, Não Me Abandone Jamais, Não Tenha Medo do Escuro, Um Novo Despertar, O Palhaço, Pânico 4, A Pele Que Habito, Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, Planeta dos Macacos: A Origem, Professora Sem Classe, Reencontrando a Felicidade, Reféns, Reino Animal, Rio, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, Sem Saída, Sexo Sem Compromisso, Um Sonho de Amor, Super 8, Tarde Demais, Toda Forma de Amor, Tudo Pelo Poder, O Turista, A Última Estação, O Ursinho Pooh, Vejo Você no Próximo Verão, O Vencedor, VIPs, X-Men: Primeira Classe.

(Um agradecimento mais do que especial para o meu amigo Alex Majkowski, responsável pelas imagens dos vencedores que vocês verão nos próximos posts).

Dez cenas do cinema em 2011

A perfeição de Nina (Natalie Portman), em Cisne Negro.

A sequência final de Um Sonho de Amor.

Kermit relembra o passado cantando Pictures in My Head, em Os Muppets.

O desfecho de Melancolia.

Uxbal (Javier Bardem) pede que a filha nunca o esqueça, em Biutiful.

Emily (Julianne Moore) inventa uma desculpa e liga para Cal (Steve Carell), em Amor a Toda Prova.

O passado de Snape (Alan Rickman) no flashback de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.

“Já conheço os passos dessa estrada. Sei que não vai dar em nada”, em As Canções.

All the Lovers encerra Aphrodite: Les Folies, show de Kylie Minogue gravado em 3D especialmente para os cinemas.

Discussão final + créditos de Namorados Para Sempre.

Melhores de 2010 – Filme

A premiação dos melhores de 2010 do Cinema e Argumento chega ao fim. Espero que vocês tenham gostado das minhas seleções. E, agora, depois de dois meses com atualizações quase que diárias, o blog tira uma curta temporada de férias. O retorno fica programado para semana que vem! Até mais, pessoal!

Amor. Tragédia. Solidão. Colin Firth. Julianne Moore. Tom Ford. Abel Korzeniowski. Cada cena é uma obra de arte. O filme do ano.

A ORIGEM, de Christopher Nolan

A Origem é um filme grandioso com jeito de clássico contemporâneo. Claro, não é sempre que encontramos um longa com uma direção tão magistral e elementos técnicos notáveis. Engenhoso e cheio de bons atores, A Origem foi um marco do cinema em 2010. Basta assistir ao filme para saber o porquê.

TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO, de José Padilha

Fui assistir Tropa de Elite 2 com extrema desconfiância. O primeiro estava longe de ser tudo aquilo que diziam e esse segundo parecia receber elogios ainda mais exagerados. Fiquei feliz em estar enganado. De fato, essa continuação é um exemplar de grande qualidade do cinema brasileiro. Produzido com competência, também tem muito conteúdo. Grande surpresa.

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, de Esmir Filho

Identificação é meio caminho andado para eu adorar um filme. Foi assim com Os Famosos e os Duendes da Morte. Identificação não apenas no jeito de fazer cinema de Esmir Filho, mas também no lado emotivo da história. Filme singular no cinema brasileiro recente e que merecia muito mais reconhecimento e compreensão.

LUNAR, de Duncan Jones

Lunar, além de ser um filme subestimado, foi uma das grandes surpresas de 2010. Injusto seria redimi-lo apenas ao marcante desempenho de Sam Rockwell. O diretor e roteirista Duncan Jones nos trouxe uma história bem pontuada e que consegue se sustentar com apenas um personagem. A parte técnica (em especial a trilha de Clint Mansell) é outro achado.

EDUCAÇÃO, de Lone Scherfig

Crescer não é tarefa das mais fáceis e Educação consegue mostrar essa jornada de uma forma muito atrente. Com o habitual charme britânico, a produção faz um ótimo desenvolvimento psicológico e emocional da protagonista, interpretada pela excelente Carey Mulligan. Destaco, também, a reconstituição de época e os outros atores do elenco, mesmo aqueles em breves participações, como Emma Thompson.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1, de David Yates

Surpreendente trabalho de adaptação da primeira e monótona parte do livro de J.K Rowling, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 consegue fazer aquilo que O Enigma do Príncipe não conseguiu: evolução de cinema sem mutilar as origens da história. Yates acertou em todas escolhas, trazendo um tom apocalíptico e melancólico para a saga.

A FITA BRANCA, de Michael Haneke

Antes de assistir A Fita Branca, já tinha quatro pedras nas mãos e me irritava só de pensar que esse filme pudesse ser pretensioso e pedante. Fui desarmado. Haneke, mais uma vez, me conquistou. Não é o meu longa favorito dele (ainda prefiro A Professora de Piano), mas, sem dúvida, temos aqui outro trabalho marcante do diretor.

A ENSEADA, de Louie Psihoyos

Documentário é um gênero que me atrai bastante, principalmente aqueles filmes que seguem esse estilo ao fazer uma denúncia. A Enseada o faz com louvor, trazendo belas imagens e, também, momentos chocantes. Um filme bem completo e que, por sinal, traz uma maravilhosa trilha produzida por J. Ralph. Merece ser conferido.

AMOR SEM ESCALAS, de Jason Reitman

Um filme que vai além de seus méritos de elenco ou direção. Amor Sem Escalas tem sinceridade e passa uma sensação muito agradável. O desfecho é clichê e não segue tudo aquilo que o roteiro até então tinha trabalhado, mas nada que apague o charme dessa produção cheia de excelentes diálogos.

_

Escolha do público:

1. A Origem (27 votos, 40.03%)

2. Direito de Amar (16 votos, 23.88%)

3. A Fita Branca (6 votos, 8.96%)

4. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (5 votos, 7.46%)

5. Amor Sem Escalas (4 votos, 5.97%)

6. Os Famosos e os Duendes da Morte (4 votos, 5.97%)

7. Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (4 votos, 5.97%)

8. Educação (1 voto, 1.49%)

9. A Enseada (0%, 0 votos)

10. Lunar (0%, 0 votos)