Cinema e Argumento

Melhores de 2010 – Diretor

Logo quando saí da sala de cinema já considerava a direção de Christopher Nolan para A Origem como uma das melhores dos últimos anos. Hoje, a cada dia, essa minha certeza só aumenta. Toda vez que tenho a oportunidade de rever esse longa, fico ainda mais impressionado com o resultado alcançado pelo britânico. A Origem é orquestrado de forma magistral, onde Nolan consegue deixar todos os elementos visuais e narrativos em plena sintonia. Autor também do ótimo roteiro, ele não só realizou um verdadeiro clássico contemporâneo como também representa o novo jeito de fazer blockbuster com conteúdo. A Origem é para se divertir e para se ver em tela grande, mas também para pensar e prestar atenção em cada detalhe com o objetivo de juntar todas as peças da história mirabolante. E quem, hoje em dia, consegue unir tudo isso em um só trabalho? Poucos. E Nolan é um deles.

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TOM FORD (Direito de Amar)

Já não é de hoje que novatos impressionam em seus primeiros trabalhos. Sam Mendes foi um que arrasou logo no seu trabalho de estreia, Beleza Americana. Ao meu ver, Tom Ford alcança o mesmo feito. Dono de uma linguagem visual de impressionar, o estilista mostra pleno domínio de habilidades cinematográficas para comandar uma história melancólica e sofrida, que sempre pulsa em suas emoções e em seus setores técnicos. Subestimado, é um diretor para ficar de olho.

JUAN JOSE CAMPANELLA (O Segredo dos Seus Olhos)

Se até então Juan Jose Campanella realizava longas menores e sem o intuito de grandiosidades, eis que ele aparece com O Segredo dos Seus Olhos, um filme mais ambicioso (o plano-sequencia do estádio de futebol é executado com perfeição) e comandado com precisão. Romance, drama e investigação formam o eficiente retrato proposto por Campanella. Ou seja, O Segredo dos Seus Olhos passeia pelos mais variados gêneros – e sai vitorioso em todos eles.

JOSÉ PADILHA (Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro)

José Padilha já se destacava no primeiro Tropa de Elite. Agora, ele está ainda melhor – inclusive, já entra para a lista dos mais importantes diretores brasileiros da atualidade. Mestre em dirigir sequências de ação, agora ele também mostra alta competência ao comandar uma história que vai além do cotidiano policial. Política e ideologias também são bem retratadas por Padilha. Tropa de Elite 2, desde já, é um dos grandes filmes brasileiros em função da maravilhosa direção.

MICHAEL HANEKE (A Fita Branca)

Adoro Michael Haneke. Quase sempre admiro todos os seus trabalhos (a exceção é Caché, pretensioso demais para o meu gosto) e A Fita Branca seguiu o mesmo caminho. Incutindo suspense e subjetividade em um cenário que lembra muito o clima de A Vila (e isso é um bom sinal, já que sou fã desse filme de M. Night Shyamalan), Haneke desenvolve personagens com a precisão de sempre e ainda tem o dom de deixar tudo sempre interessante. O cinema estrangeiro de 2010 está de parabéns!

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Escolha do público:

1. Christopher Nolan (22 votos, 59.46%)

2. Michael Haneke (5 votos, 13.51%)

3. Tom Ford (5 votos, 13.51%)

4. Juan Jose Campanella (3 votos, 8.11%)

5. José Padilha (2 votos, 5.41%)

Melhores de 2010 – Elenco

Não sei o porquê de terem apreciado tanto Minhas Mães e Meu Pai. Na minha opinião, o único aspecto realmente digno de reconhecimento no filme de Lisa Cholodenko é o elenco. E, convenhamos, que elenco ótimo! Longe de ser apenas um monólogo de Annette Bening como as premiações apontaram, o longa é muito mais do que apenas a atriz. Bening, claro, está ótima, mas é muito injusto resumir tudo somente a ela. Julianne Moore, igualmente boa, faz um excelente par com a atriz de Beleza Americana. Uma dupla impecável. Os filhos também estão em bons momentos. Enquanto o jovem Josh Hutcherson comprova que deixou conseguiu se desvencilhar da imagem infantil que tanto lhe marcou em ABC do Amor, Mia Wasikowska comprova que não é aquela ineficiência vista em Alice no País das Maravilhas. Para completar, Mark Ruffalo mostra estar super à vontade como o mais novo intruso da família. Por isso, volto a repetir: se não fosse por esse elenco excelente, Minhas Mães e Meu Pai seria um longa-metragem esquecível do início ao fim.

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PRECIOSA – UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA

Mais do que uma direção que evita melodramas, Preciosa – Uma História de Esperança é, primordialmente, um filme de atuações – e dos mais variados tipos. Temos a intensidade dramática da sofrida Gabourey Sidibe, a crueldade de Mo’Nique e a luz no fim do túnel que Paula Patton faz questão de mostrar para a personagem-título. Ainda, claro, existe a pequena mas satisfatória participação de Mariah Carrey. Ótimo grupo de atrizes!

TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

Tropa de Elite não é só Wagner Moura! É de se lamentar que ele seja o único ator do longa que é ressaltado pela maioria do público e da crítica. Se o anterior já tinha André Ramiro em papel extremamente eficiente, agora o elenco ganha mais figuras e alcança um nível digno de reconhecimento. Eficiência presente em coadjuvantes como Irandhir Santos, humanidade e visceralidade formam o verossímil Tropa de Elite 2.

A ORIGEM

Todos os atores de A Origem estão impecáveis em seus respectivos papéis. Claro que alguns não brilham tanto quanto outros, mas é bom ver um elenco em plena sintonia, onde todos parecem trabalhar para o completo êxito do longa-metragem. Se Leonardo DiCaprio prova, de uma vez por todas, que é um sujeito extremamente confiável, ele também recebe o suporte de uma coadjuvante maravilhosa (Marion Cotillard) e de tantos outros que são sempre eficientes.

AMOR SEM ESCALAS

Você consegue imaginar Amor Sem Escalas sem o charme de George Clooney, a simpatia de Anna Kendrick ou a competência de Vera Farmiga? Pois é, o longa de Jason Reitman não seria o mesmo sem esse trio perfeito de atores. Além de terem o timing cômico perfeito para os momentos cômicos e a habilidade necessária para fazer drama, conseguem conquistar qualquer um com a sinceridade de suas interpretações.

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Escolha do público:

1. A Origem (13 votos, 35.14%)

2. Minhas Mães e Meu Pai (7 votos, 18.92%)

3. Amor Sem Escalas (7 votos, 18.92%)

4. Preciosa – Uma História de Esperança (6 votos, 16.22%)

5. Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (4 votos, 10.81%)

Melhores de 2010 – Roteiro Original

Quando escrevi sobre A Origem, comentei que apoiava a ideia da crítica  de cinema Isabela Boscov que o longa de Christopher Nolan é apenas uma brincadeira. Permaneço um pouco com essa opinião. Ainda acredito que A Origem é ligeiramente mais genial pela sua montagem impecável do que propriamente pelo seu conteúdo. Longe de ser filosófico – já ouvi até comparações com o cinema de Bergman (!), por exemplo – o roteiro de Nolan, no entanto, tem a história mais interessante de 2010. Não entendo como Nolan foi capaz de criar uma história tão mirabolante e ainda assim deixá-la compreensível e muito instigante. Presente de um cara que ainda tem muito o que nos proporcionar. E, a julgar pelo que vimos no roteiro de A Origem, podemos esperar muitas outras histórias diferentes e cheias de inventividades na carreira do britânico.

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LUNAR

Mais do que um maravilhoso trabalho de Sam Rockwell, Lunar é um filme completo até mesmo no roteiro. Instigante do início ao fim, o trabalho do novato Duncan Jones nunca deixa de despertar interesse no espectador. Bebendo muito da fonte de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, o roteiro de Lunar, no entanto, consegue se desprender do clássico de Stanley Kubrick e criar algo novo e que nunca parece fake. Outro motivo para assistir essa produção que passou completamente despercebida.

TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

É aquele velho blá blá blá de que toda continuação é roteiro adaptado porque é baseada em personagens que já existiam previamente. Não aqui. Para o Cinema e Argumento, o que conta é a história, não os personagens. Tropa de Elite 2, então, chega entre os meus finalistas de roteiro original. E, convenhamos, que grande evolução a história do Capitão Nascimento teve! Discutindo política, violência e também humanidade, o roteiro se mantem seguro durante todo o tempo, mostrando o quão maduro é o texto.

A FITA BRANCA

Amado e odiado, A Fita Branca foi um dos filmes mais controversos de 2010. Baseado quase que completamente em suposições e mensagens subjetivas, o roteiro de Michael Haneke desperta a admiração daqueles que são conquistados por esse tipo de história. Por sorte, consegui ficar nesse seleto grupo. Aliás, A Fita Branca foi uma surpresa para mim. Pensei que fosse aquele tipo de filme pedante metido a cult. Ainda bem que fiquei com uma percepção completamente diferente desse roteiro que, além de criar boas tramas, desenvolve muito bem os personagens.

MARY & MAX – UMA AMIZADE DIFERENTE

Não sei se existe uma animação tão adulta no que se refere a roteiro como Mary & Max – Uma Amizade Diferente. Ou seja, o roteiro que Adam Eliott escreveu poderia muito bem servir para um filme em live action. Melancólico, mas extremamente certeiro também em outras emoções, o roteiro faz uma maravilhosa construção psicológica de seus protagonistas, além de trazer inúmeras mensagens que deixam qualquer fã de cinema reflexivo – principalmente aqueles que têm ou já tiveram relacionamentos à distância.

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Escolha do público:

1. A Origem (23 votos, 67.65%)

2. A Fita Branca (6 votos, 17.65%)

3. Mary & Max – Uma Amizade Diferente (5 votos, 14.71%)

4. Lunar (0%, 0 votos)

5. Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (0%, 0 votos)

Melhores de 2010 – Atriz

Se justiça existisse nesse mundo, Meryl Streep teria levado o seu terceiro Oscar quando concorreu, esse ano, por Julie & Julia. Entretanto, a justiça teria sido ainda maior caso a jovem Carey Mulligan tivesse vencido o prêmio da Academia. Encantadora como Jenny, uma jovem que deixa de lado sua vida estudantil para aproveitar sua idade ao lado de um homem mais velho, Mulligan é uma das grandes revelações do ano. Em Educação, a britânica trabalha com sutilezas: a sua Jenny não é aquele tipo de jovem que chora, grita e esperneia. No entanto,  faz tudo diferente dos padrões comportamentais da época retrada no filme. Incorporando de forma categórica o amadurecimento da personagem, Mulligan estava lindamente radiante em cada minuto da projeção e nunca nos deixava esquecer que um talento promissor estava aparecendo ali. Uma revelação para ficar de olho.

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ANNETTE BENING (Minhas Mães e Meu Pai)

Annette Bening demonstra pura versatilidade em Minhas Mães e Meu Pai. Ao contrário do que apontam por aí, a verdadeira protagonista do filme é Julianne Moore, mas Bening tem quase a mesma importância em cena. Representando a mãe responsável e que financia a casa, Bening, ao contrário de Moore, possui uma representação mais contida. A sua Nic fala com os olhos (e a cena do jantar, onde ela canta Joni Mitchell comprova isso), sempre tentando manter a ordem emocional na casa. Trabalho certeiro de uma atriz que entendeu por completo os propósitos de sua personagem

GABOUREY SIDIBE (Preciosa – Uma História de Esperança)

Gabourey Sidibe poderia chorar incansavelmente em Preciosa – Uma História de Esperança. Ora, a sua personagem é, possivelmente, a mais sofrida dos últimos tempos. Contudo, a novata Sidibe fez justamente o oposto: preferiu adquirir a simpatia do espectador como uma jovem que, apesar das dificuldades da vida, ainda quer encontrar esperança em tudo. A explosão de emoções está presente em uma cena ou outra, mas Sidibe, acertadamente, preferiu não vitimizar sua Claireece Precious Jones. Para uma novata, a atriz teve muita competência ao fazer uma ótima abordagem de uma figura que poderia cair no exagero nas mãos de outras profissionais.

JULIANNE MOORE (Minhas Mães e Meu Pai)

Se Annette Bening é a “razão” de Minhas Mães e Meu Pai, Julianne Moore é a emoção. Ao contrário da Nic de Bening, a Jules de Moore tem mais desenvoltura ao falar de sentimentos, expressar o que pensa e fazer aquilo que suas vontades pedem. Ela não está presa em regras. O melhor de tudo isso é que Julianne Moore não deixa que sua personagem pareça superficial ou até mesmo vilã só porque não é rígida nem mais esquemática como a figura de Bening. A atriz conquista o espectador e trabalha, com seu talento habitual, uma caracterização verdadeira e sincera. Deveria receber  também todas as honrarias que sua companheira de tela vem recebendo nas premiações.

ABBIE CORNISH (Brilho de Uma Paixão)

Passando despercebida em filmes como Um Bom Ano e Elizabeth – A Era de Ouro, Abbie Cornish tem em Brilho de Uma Paixão o seu primeiro grande papel. O filme de Jane Campion dividiu opiniões, mas o talento de Cornish nunca foi questionado. Também não é para menos: assemelhando-se muito com o estilo de Carey Mulligan em Educação, a atriz representou com sutilezas a sua personagem jovem e apaixonada. Num ano em que as revelações foram destaques no mundo das atrizes, Cornish conseguiu ficar entre as melhores. Só a cena final de Brilho de Uma Paixão já é capaz de explicar o porquê.

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Escolha do público:

1. Carey Mulligan (13 votos, 40.63%)

2. Gabourey Sidibe (6 votos, 18.75%)

3. Julianne Moore (6 votos, 18.75%)

4. Abbie Cornish (4 votos, 12.05%)

5. Annette Bening (3 votos, 9.38%)

Melhores de 2010 – Montagem

A montagem é, possivelmente, o que existe de mais brilhante no setor técnico de A Origem. Dando uma simetria impecável para as múltiplas histórias que se desenvolvem em dimensões diferentes, o trabalho de Lee Smith é o que traz essa estrutura “complicada” para o longa de Christopher Nolan. Afinal, se a montagem não fosse tão elaborada, talvez A Origem não tivesse todo o impacto que tem. Certamente, é um resultado que merece aplausos, já que poucas vezes no cinema contemporâneo vimos uma montagem tão impecável como essa – especialmente porque Lee Smith ultrapassa barreiras e mostra que não é qualquer montador que tem o dom de transformar o “complicado” em algo espetacular. Sem falar, claro, que é a montagem que constrói todo o espetáculo que é esse longa de Nolan.

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A REDE SOCIAL

Não sou fã de A Rede Social e, inclusive, acho que o filme está longe de ser tudo o que dizem por aí e mais longe ainda do que as premiações apontam. De interessante mesmo só a atuação do coadjuvante Andrew Garfield e a montagem de Angus Wall. Intercalando os momentos iniciais da criação do Facebook com a batalha pelos direitos autorais dessa rede social, o longa de David Fincher ganha maior fluidez com a montagem dinâmica e bem aproveitada. Pena que o filme não seja tão interessante como o trabalho de Wall.

TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

Seria fácil resumir a qualidade da montagem de Tropa de Elite 2 ao conjunto de cenas de ação. É óbvio que o filme de José Padilha é excelente nesse aspecto, mas é também fundamental reconhecer que a montagem também tem destaque em todos os outros momentos. Apostando em uma estrutura muito mais dinâmica que a do primeiro longa para narrar os fatos da vida do capitão Nascimento, Tropa de Elite 2 torna-se um filme com excelente ritmo em função da ótima montagem.

AMOR SEM ESCALAS

É satisfatório ver a forma como a montagem de Amor Sem Escalas se ajusta ao tom contemporâneo da proposta do roteiro. Existem cenas particularmente interessantes (aquela em que o protagonista explica sua rotina de viagens logo no início é sensacional), mas todo o conjunto alcança resultado digno de elogios. Injustamente esquecida pelo Oscar (o que Preciosa fazia entre os indicados?) a montagem é um aspecto muito positivo desse ótimo filme.

DIREITO DE AMAR

Fico até hoje impressionado como o filme de um diretor novato conseguiu ser tão impecável. Até mesmo na montagem o longa de Tom Ford acertou com precisão. Sendo bastante efetiva na hora em que precisa mostrar as memórias de George (Colin Firth) com Jim (Matthew Goode), a montagem também acerta em momentos cruciais do longa metragem. Destaco, em particular, as primeiras e últimas cenas, onde o trabalho de edição se une com qualidade ao incrível trabalho de Abel Korzeniowski na trilha.

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Escolha do público:

1. A Origem (27 votos, 77.14%)

2. A Rede Social (3 votos, 8.57%)

3. Direito de Amar (3 votos, 8.57%)

4. Tropa de Elite 2 (1 voto, 2.86%)

5. Amor Sem Escalas (1 voto, 2.86%)