Melhores de 2010 – Figurino

Não adianta. Não consigo fugir do óbvio e deixar de celebrar outros figurinos que não sejam os de época. Alguns podem dizer que já se tornou clichê elogiar esses trabalhos ou que não existe mais originalidade nesse segmento. Pode até ser verdade, mas, pelo menos pra mim, os filmes de época continuam impecáveis no que se refere ao trabalho de figurinos. A Jovem Rainha Victoria não foge desse esquema e entrega uma roupagem excelente. Longe da extravagância visual (que eu adoro, admito) dos figurinos de Elizabeth – A Era de Ouro, as roupas criadas por Sandy Powell apostam na elegância sutil para reconstituir o guarda-roupa da rainha Victoria (Emily Blunt). Escolha mais do que acertada, uma vez que os figurinos encantam pelos pequenos detalhes e pela simplicidade de cores e acessórios.
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BRILHO DE UMA PAIXÃO
Por um triz os figurinos de Brilho de Uma Paixão não ganharam nessa categoria. É aquele tipo de trabalho onde parece que os personagens estão constantemente trocando de figurinos só para chamar a atenção. Excetuando isso, Janet Patterson teve um trabalho muito satisfatória como figurinista, aproveitando-se dos mais variados estilos para compôr não apenas o lado visual do filme, mas também a própria personalidade dos personagens.

DIREITO DE AMAR
Não foi nenhuma surpresa ver que os figurinos de Direito de Amar eram impecáveis. Afinal, o que esperar das roupas do filme de um diretor que tem sua principal carreira profissional no mundo da moda? O longa de Tom Ford fez ótimas escolhas nesse segmento, desde o belo vestido que Charley (Julianne Moore) usa no jantar com George (Colin Firth) até aos mais previsíveis ternos e gravatas do protagonista. Tudo ideal e na medida: impecável, mas sem nunca saltar demais aos olhos ou ser extravagante.

EDUCAÇÃO
Traduzindo com precisão as roupas da Inglaterra dos anos 60, Odile Dicks-Mireaux fez um ótimo trabalho como figurinista de Educação. Reproduzindo desde os trajes colegiais de Jenny (Carey Mulligan) até as roupas mais sofisticadas usadas pelos personagens na glamourosa viagem à Paris, os figurinos foram uma peça fundamental para a reconstituição de época do filme de Lone Scherfig.

CHÉRI
Consolata Boyle deve ter o trabalho mais previsível entre os indicados nessa categoria. Nada do que podemos ver em relação aos figurinos de Chéri chega a ser mais impressionante. Contudo, é sempre bom ver trabalhos de época que, pelo menos, conseguem resultado satisfatório nesse setor. Apostando no básico para esse tipo de filme, a roupagem apresentada em Chéri está longe de ser dececpionante.
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Escolha do público:
1. A Jovem Rainha Vitória (11 votos, 34.38%)
2. Direito de Amar (10 votos, 31.25%)
3. Educação (5 votos, 15.63%)
4. Brilho de Uma Paixão (4 votos, 12.05%)
5. Chéri (2 votos, 6.25%)
Melhores de 2010 – Fotografia

Depois da perfeita trilha sonora de Abel Korzeniowski, acredito que a fotografia de Eduard Grau seja o aspecto técnico mais impressionante em Direito de Amar. Utilizando uma característica marcante (as cores se ajustam aos sentimentos do protagonista), a fotografia é outro elemento que ajuda a construir todo o espetacular visual do filme de Tom Ford. Ela não se destaca apenas por ser original ou por ser um elemento que explora o lado emocional de George Falconer (Colin Firth), mas também por utilizar de forma impactante tudo o que cada cena lhe proporciona em detalhes – e nesse aspecto, destaca-se o momento em que Colin Firth conversa com um estranho na frente de um gigante cartaz de Psicose, de Hitchcock. Eduardo Grau inovou na fotografia e ajudou a construir o extraordinário lado visual desse filme que é um dos mais impactantes nesse segmento dos últimos anos.
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A FITA BRANCA
Nem existia tanta necessidade para que A Fita Branca fosse filmado em preto e branco. Entretanto, o uso desse artifício, pelo menos pra mim, sempre traz um saldo muito positivo – principalmente para essa história cheia de mistérios. Explorando muito bem as paisagens do interior da Alemanha, a fotografia ajuda a criar o clima dúbio que cada personagem transmite. Nesse sentido, o uso do preto e branco só auxilia A Fita Branca a trazer ainda mais a doutrina rígida e misteriosa dos personagens do filme.

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE
Se a fotografia de A Fita Branca reconstituiu muito bem o tenso clima instalado entre as misteriosas paisagens do interior da Alemanha, a de Os Famosos e os Duendes da Morte explorou com muita habilidade o sentimento de solidão do mr. Tambourine Man (Henrique Larré). Apostando basicamente em um trabalho de tonalidades e uso de escuridão para mostrar a isolada cidade em que o personagem vive, a fotografia foi fundamental para que entendessemos o desespero do protagonista ao considerar a sua cidade um “fim do mundo”.

BRILHO DE UMA PAIXÃO
Esse deve ser o ano das fotografias que retratam o interior dos países. Brilho de Uma Paixão, com sua ótima fotografia, nos transportou para uma cidade no interior da Inglaterra. As belas paisagens já seriam o suficiente para encantar os olhos, mas a fotografia vai além e absorve cada detalhe não só dessas paisagens, mas também dos próprios cenários e dos atores. Esse é um trabalho mais convencional, mas que nem por isso deixa de ser tão satisfatório quanto os outros indicados.

A ESTRADA
O tom quase que monocromático da fotografia de A Estrada foi fundamental para que o filme de John Hillcoat alcançasse todo o clima apocalíptico necessário para retratar a melancolia e o desespero dos personagens em um mundo devastado. Javier Aguirresarobe entregou o aspecto técnico mais marcante de A Estrada e graças a ele conseguimos acompanhar com mais emoção a jornada dos personagens – emoção essa que, no geral, o filme não chegou a apresentar de forma tão marcante quanto a fotografia.
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Escolha do público:
1. A Fita Branca (17 votos, 34.69%)
2. Os Famosos e os Duendes da Morte (13 votos, 26.53%)
3. Direito de Amar (12 votos, 24.49%)
4. Brilho de Uma Paixão (5 votos, 10.02%)
5. A Estrada (2 votos, 4.08%)
Melhores de 2010 – Canção Original

Todas as incursões de Eddie Vedder no cinema foram maravilhosas. Na Natureza Selvagem, por exemplo, perderia parte de sua poesia se não tivesse aquela fabulosa trilha sonora. Em Comer Rezar Amar, Vedder, mais uma vez, resume muito bem a jornada de um personagem. Dessa vez, ele vem com Better Days. O filme de Ryan Murphy é monótono e sem vida, mas a canção dá um toque todo especial para os créditos finais da adaptação do best-seller de Elizabeth Gilbert. Não é só a letra cheia de significados – e nunca simples ou óbvias, como todas as outras de Vedder – mas também a melodia, que se incorpora com exatidão ao espírito que o longa-metragem tenta mas não consegue passar. Resumo da ópera: a canção teve o poder de sintetizar todo o filme. Melódica, com uma ótima letra e totalmente condizente com a mensagem do roteiro. Muito mais, foi além: tem vários significados que o próprio roteiro não conseguiu transmitir.
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WHEN YOU FIND ME (Adam)
Adam foi um filme que chegou diretamente em DVD no Brasil no início desse ano e quase não teve repercussão. Pois, então, fica a dica: esse é um sincero filme independente que merece ser conferido. Além do ótimo desempenho de Hugh Dancy como um jovem com síndrome de Asperger, a produção também traz a ótima canção When You Find Me. Cantada por Joshua Radin, ela tem uma melodia que fica na cabeça e que se encaixa de forma certeira no mundo do personagem-título.

WE BELONG TOGETHER (Toy Story 3)
Longe de ser um compositor que tem o meu apreço, Randy Newman, pelo menos, conseguiu me deixar bem satisfeito com a canção que fez originalmente para Toy Story 3. Mesmo que inserida em um contexto estranho (afinal, o filme acaba em um rio de lágrimas e, do nada, a música feliz começa a tocar quebrando o clima), We Belong Together é uma homenagem aos amigos e a tudo que passamos com essa nossa segunda família. Outro ponto alto dessa ótima animação da Pixar.

TAKE IT ALL (Nine)
Nine nem chega a ser esse horror todo que dizem por aí, mas é fato que o longa decepcionou – incluindo na parte musical. No entanto, a trilha tem seus bons momentos. Se Cinema Italiano é a mais pop e divertida de todas, peca por ter uma letra que beira ao ridículo. É por isso que Take It All é a melhor canção do musical de Rob Marshall. Entoada de forma impecável pela francesa Marion Cotillard, encaixa-se com precisão no contexto dramático em que é executada no filme, além da boa letra.

THE WEARY KIND (Coração Louco)
É sempre um problema escolher apenas uma música de um filme que está repleto delas. Coração Louco tem uma história musicalizada ao extremo e é meio injusto escolher apenas uma, como se ela se destacasse das demais. Todavia, The Weary Kind é uma espécie de “resumo” de todo o estilo musical do filme, tendo uma melodia bem simples e uma letra que nos lembra a mensagem e a proposta do filme. Nada espetacular, mas totalmente apropriada para o longa.
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Escolha do público:
1. “The Weary Kind” (9 votos, 30%)
2. “We Belong Together” (8 votos, 26.67%)
3. “Better Days” (6 votos, 20%)
4. “Take it All” (6 votos, 20%)
5. “When You Find Me” (1 voto, 3.33%)
Melhores de 2010 – Ator Coadjuvante

O Oscar que Michael Douglas recebeu por Wall Street – Poder e Cobiça foi meio questionável. Ora, ele nem era o verdadeiro protagonista da história! Mais um daqueles casos em que certa interpretação é maximizada pelas premiações só para que algum ator conceituado consiga um prêmio mais “importante”. Dessa vez, na continuação de subtítulo O Dinheiro Nunca Dorme, colocaram Michael Douglas no lugar certo e ajustaram o personagem à posição de coadjuvante. Os anos se passaram e o ator permanece impecável como o ganancioso Gordon Gekko. Contudo, a situação aqui é diferente. Gekko acaba de sair da prisão e, ao que tudo indica, está arrependido das escolhas erradas que fez no passado e quer se redimir. Só que a dúvida continua no ar e não sabemos se as atitudes dele são confiáveis ou não. Douglas trabalha com extremo talento esse personagem, deixando o espectador o tempo inteiro em dúvida sobre o caráter de Gekko. O ator sabe exatamente o que fazer com ele e, durante cada minuto que aparece em cena, todos os holofotes pairam sobre Douglas. Nada mais justo, já que seu personagem é o que existe de mais sofisticado no filme.
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ANDREW GARFIELD (A Rede Social)
Se todos os personagens de A Rede Social parecem unidimensionais, Andrew Garfield se destaca justamente por ter o único personagem que não parece um robô desprovido de emoções. Enquanto todas as outras figuras do filme de David Fincher são frias e mecânicas, o Eduardo Saverin de Garfield tem fúria, coragem e arrependimento. O ator é uma das revelações da temporada e, de todos do elenco, é o que tem a melhor interpretação. Ele é um sopro de humanidade num filme seco e frio, onde apenas a figura de Garfield traz humanidade para o enredo. O ator é uma grata surpresa que merece ter seu devido reconhecimento.

STANLEY TUCCI (Um Olhar do Paraíso)
Um Olhar do Paraíso foi uma das maiores frustrações de 2010. Além de estragar uma excelente história, não trabalhou de forma mais interessante as ótimas atrizes que tinha em mãos, como Saoirse Ronan e Susan Sarandon. Entretanto, foi bom ver um irreconhecível Stanley Tucci sendo o total destaque entre o elenco. Alguns dizem que Tucci beira o caricatural e que, em diveros momentos, cai em exageros. Não vejo dessa forma. Intenso e eficiente como o problemático vizinho que assassina a protagonista, o ator demonstrou versatilidade e competência no papel que é a verdadeira engrenagem de Um Olhar do Paraíso.

EWAN MCGREGOR (O Golpista do Ano)
Ewan McGregor já foi um sujeito promissor. Hoje, ele amarga participações em filmes que não fazem sucesso e que nem ganham muita repercussão. É o caso de O Golpista do Ano. O filme estrelado por Jim Carrey realmente não é grande coisa, mas tem um Ewan McGregor cheio de inspiração. Como o delicado presidiário gay que se apaixona pelo vigarista Steven Russell (Jim Carrey), McGregor encontrou o tom certo para representar seu personagem. Traduzido toda a paixão incondicional que seu Phillip Morris possui por seu namorado vigarista, McGregor, sem dúvida, é uma das razões para se assistir O Golpista do Ano.

JEREMY RENNER (Atração Perigosa)
Não sou um dos maiores fãs de Jeremy Renner. Inclusive, nem teria indicado o ator ao Oscar por Guerra ao Terror. Mas não dá para ignorar o desempenho dele em Atração Perigosa. Se Ben Affleck ainda deve muito como ator, Renner supriu as necessidades do longa de um bom desempenho masculino. Além de ter uma das cenas mais intensas do filme, Renner construiu um personagem decidido e que, ao contrário do protagonista, não se rende a sentimentos ou arrependimentos. Ele não abre mão de seus princípios, custe o que custar. E isso está muito bem representado na performance do ator.
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Escolha do público:
1. Andrew Garfield (22 votos, 53.66%)
2. Michael Douglas (7 votos, 17.07%)
3. Jeremy Renner (7 votos, 17.07%)
4. Stanley Tucci (4 votos, 9.76%)
5. Ewan McGregor (1 voto, 2.44%)
Melhores de 2010 – Edição/Mixagem de Som

Tron – O Legado é aquele tipo de filme para se assistir em uma grande tela de cinema, com óculos 3D, aproveitando toda a tecnologia que uma sala bem equipada pode trazer. Sorte que consegui assistir o filme de Joseph Kosinski nessas condições. Assim, fiquei impressionado com a potência sonora do longa-metragem, bem como pude perceber melhor o bom uso desse setor para a construção técnica da história. Alguns podem dizer que o resultado não passa do básico e que nem a parte técnica de Tron – O Legado consegue minimizar os erros do roteiro. Discordo completamente. Além dos já comentados maravilhosos efeitos especiais, a edição e a mixagem de som cumprem muito bem a sua missão de trazer ainda mais detalhes para o mundo tecnológico concebido por essa produção da Disney. Isso fica evidente não apenas nas cenas de ação, mas durante o filme inteiro. Todo o setor sonoro é acertado – e vale lembrar, também, da surpreendente trilha do Daft Punk, que ajuda a deixar essa impressão.
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COMO TREINAR O SEU DRAGÃO
Bons filmes de animação já possuem um ótimo trabalho de edição e mixagem de som. Como Treinar o Seu Dragão não foge à regra. Principalmente por ter vários momentos de aventura, o longa se utiliza bastante do setor sonoro não só para trazer vida aos personagens e aos dragões da trama, mas também para pontuar o dinamismo de cada cena.

LUNAR
Impressiona a quantidade de detalhes que Lunar apresenta no seu trabalho de som. Se já não bastasse a espetacular trilha sonora de Clint Mansell, a edição e a mixagem de som também conseguem ser minuciosos na hora de retratar a solitária vida do astronauta Sam Bell (Sam Rockwell) na lua. Trabalho que, inclusive, ajuda na hora de estruturar o certo suspense que o longa cria.

TOY STORY 3
O mundo dos brinquedos de Andy não teria a mesma eficiência se não fosse o excelente trabalho de som. Cada personagem possui suas particularidades sonoras, o que contribui para a sempre ótima diversão proporcionada por Toy Story 3. Vale lembrar que, assim como em Como Treinar o Seu Dragão a mixagem e a edição de som também são fundamentais na hora da aventura.

A ORIGEM
Muito mais do que uma ótima ideia bem desenvolvida pelo roteiro, A Origem também é um excelente trabalho técnico. No setor de edição e mixagem de som não foi diferente. Se a construção visual de Christopher Nolan é extremamente satisfatória, a sonora também consegue esse feito. Mais um acerto desse filme que é um dos melhores de 2010.
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Escolha do público:
1. A Origem (19 votos, 55.88%)
2. Tron – O Legado (9 votos, 26.47%)
3. Toy Story 3 (4 votos, 11.76%)
4. Lunar (1 voto, 2.94%)
5. Como Treinar o Seu Dragão (1 voto, 2.94%)