Melhores de 2011 – Direção de Arte

Ao longo de oito filmes, a direção de arte da saga Harry Potter sempre foi impecável. O resultado, no entanto, é diferenciado em As Relíquias da Morte – Parte 2. Ao mostrar a escola de Hogwarts em ruínas ou, então, os detalhes do banco de Gringottes em uma invasão dos protagonistas, o trabalho encerrou sua jornada em grande estilo. A direção de arte também serve para mostrar toda a falta de esperança não só dos personagens, mas dos próprios lugares de Harry Potter que, nos longas iniciais de Chris Columbus, foram palcos de total encantamento. Além de acima dos padrões para um blockbuster, esse setor de Harry Potter também deve comemorar por ter sobrevivido de forma impecável ao longo dos anos, sempre mantendo-se fiel ao que cada diretor propôs na série. E a forma como a direção de arte dialoga com o estilo de David Yates, em As Relíquias da Morte – Parte 2, merece reconhecimento.
•

O DISCURSO DO REI
Oscar à parte, temos de reconhecer a boa direção de arte de O Discurso do Rei. Eve Stewart, junto com a decoração de set de Judy Farr, conseguiu captar com o devido requinte o mundo do rei George VI. Da residência do protagonista até os detalhes dos artefatos que decoram as sessões em que ele treina a voz, O Discurso do Rei foi bem sucedido nesse setor. Impressionante? Não. Mas nem por isso abaixo da média.

O PALHAÇO
A segunda incursão de Selton Mello atrás das câmeras mostra um profissional também muito atento à linguagem visual de seu filme. O Palhaço não seria o mesmo sem a ótima direção de arte que mostra desde o encantamento dos circos até a visível melancolia dos personagens. Ou seja, é um trabalho completo que serve para reproduzir ambientes e também para falar muito sobre as figuras da história.

BRAVURA INDÔMITA
Nancy Haigh e Jess Gonchor colocaram a parte técnica de Bravura Indômita em um outro patamar. Escapando das obviedades esperadas para um faroeste, a direção de arte e a decoração de set conseguiram traduzir o espírito proposto pelos irmãos Coen. Os momentos finais do filme são um belo exemplo de como Bravura Indômita acertou em cheio nesse segmento, já que o espectador, também através da direção de arte, consegue se sentir parte da história de Mattie Ross (Hailee Steinfeld).

ÁGUA PARA ELEFANTES
A direção de arte de Água Para Elefantes está longe de ser extraordinária como a de, por exemplo, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas. Mas o mundo circense foi capturado em um nível bem satisfatório no filme estrelado por Robert Pattinson e Reese Witherspoon. Assim como em O Palhaço, a direção de arte também se presta a retratar a decadência e desesperança de alguns personagens, condizendo com o que o filme deseja passar em sua história.
EM ANOS ANTERIORES: 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button
_
Escolha do público:
1. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (58,82%, 20 votos)
2. O Palhaço (17,65%, 6 votos)
3. O Discurso do Rei (11,76%, 4 votos)
4. Bravura Indômita (8,82%, 3 votos)
5. Água Para Elefantes (2,94%, 1 voto)
Melhores de 2011 – Trilha Sonora

A Última Estação chegou ao Brasil com mais de um ano de atraso. O tempo, no entanto, não conseguiu diminuir o brilho do russo Sergey Yevtushenko na trilha sonora. Esse é o primeiro filme mais relevante em que ele está envolvido, mas é bom ficar de olho no nome, uma vez que o resultado alcançado é de impressionar. A trilha de A Última Estação, em vários momentos, parece inspirada no que Claude Debussy fez em Clair de Lune – e isso, na realidade, é um grande elogio. Melancólica, a trilha claramente presta tal homenagem, em especial na composição Morning Song. Só que existem outras passagens muito interessantes, como a própria The Last Station, que faz um belíssimo uso de violino e piano em um nível simplesmente arrebatador. Yevtushenko, infelizmente, não teve o reconhecimento que merecia, recebendo apenas uma indicação ao World Soundtrack Award como revelação do ano. Um trabalho eficiente dentro do filme e ainda mais interessante fora dele. Como disse o pianista Jean-Yves Thibauted, as trilhas sonoras são as óperas dos dias de hoje. Então, a de A Última Estação, em quesito de beleza e despertar sentimentos, pode muito bem se encaixar nessa definição.
•

CISNE NEGRO (Clint Mansell)
Existe essa polêmica de que a trilha de Clint Mansell não deve ser considerada por ser baseada no trabalho de Tchaikovsky. Mas, ora, se Mansell trabalhou com esse material e desenvolveu uma nova abordagem dele para Cisne Negro, não seria o suficiente para merecer reconhecimento? Difícil ignorar um trabalho tão contundente e tão essencial para a narrativa proposta pelo diretor Darren Aronosfky. Outro grande momento de Clint Mansell, que, em momentos como Perfection, alcança, sem trocadilhos, a perfeição.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 2 (Alexandre Desplat)
Depois do decepcionante resultado na primeira parte de As Relíquias da Morte, Alexandre Desplat se reergueu e apresentou outro excelente momento no último filme da saga Harry Potter. O que mais conta aqui é a sutileza, uma vez que o francês não precisou criar composições exageradas para detalhar a grandiosidade do filme de David Yates. Faixas como Statues e Severus and Lily são (de novo) provas da versatilidade do compositor. Trabalho digno para os padrões da saga e do próprio Desplat.

A PELE QUE HABITO (Alberto Iglesias)
Colaborador fiel de Pedro Almodóvar, Alberto Iglesias nunca foi tão bem sucedido em uma parceria com o diretor espanhol como em A Pele Que Habito. Os violinos nervosos de Iglesias situam com precisão o espectador na angústia emocional e no suspense do filme. Sem dúvida, A Pele Que Habito não seria o mesmo filme sem o trabalho do compositor – que deveria ter sido lembrado no Oscar por essa trilha, e não por aquela que realizou para O Espião Que Sabia Demais.

A ÁRVORE DA VIDA (Alexandre Desplat)
Desplat, de novo. Alguns dizem que ele está ficando sem personalidade ou que os milhares de trabalhos por ano diluem o seu talento. Bobagem. A Árvore da Vida é uma prova disso. Realizada no mesmo ano de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, consegue demonstrar o trabalho camaleônico de Desplat. A trilha que ele fez para o filme de Terrence Malick é cheia de minúcias que coincidem completamente com a proposta do diretor. Belo resultado.
EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Abel Korzeniowski (Direito de Amar) | 2009 – Alexandre Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button) | 2008 – Dario Marianelli (Desejo e Reparação) | 2007 – Alexandre Desplat (A Rainha)
_
Escolha do público:
1. Cisne Negro (40,91%, 18 votos)
2. A Pele Que Habito (22,73%, 10 votos)
3. A Árvore da Vida (20,45%, 9 votos)
4. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (13,64%, 6 votos)
5. A Última Estação (2,27%, 1 voto)
Melhores de 2011 – Atriz Coadjuvante

Não foi um ano particularmente interessante para as atrizes coadjuvantes. Tanto que a única que apresentou um desempenho realmente superlativo (Lesley Manville, em Another Year) sequer teve seu filme lançado em território brasileiro. Por isso, a escolha de melhor atriz coadjuvante de 2011 não é necessariamente pelo melhor desempenho (até porque todas estão basicamente no mesmo nível), mas, de certa forma, pelo conjunto da carreira. Nesse sentido, Amy Adams é a que mais chama atenção. Por sua performance em O Vencedor, foi indicada ao Oscar pela terceira vez. Como uma jovem de aparência frágil (mas de personalidade forte), Adams é exatamente o contraponto de tudo o que existe em O Vencedor: seu trabalho é simples, ao passo que a personagem é a única que parece ser digna de confiança no meio de figuras tão oportunistas, a exemplo das interpretadas por Christian Bale e Melissa Leo. Adams, como boa atriz que é, saiu-se bem mais uma vez, mostrando que novas variações podem sim lhe fazer muito bem. É pelos momentos em que deixa sua aparência angelical de lado para sair no tapa com outras mulheres que ela prova que, um dia, ainda vai arrasar quando receber a chance de interpretar uma personagem completamente diferente de todas as figuras, digamos, “queridas” que já interpretou. O Vencedor foi uma verdadeira prova dessa tendência.
•

MARISA PAREDES (A Pele Que Habito)
Dona de uma personagem essencial para A Pele Que Habito (aquela que faz a ligação entre várias figuras da história), Marisa Paredes voltou a trabalhar com Pedro Almodóvar depois de quase uma década. E não desapontou: sua Marilia atende exatamente a tudo aquilo que o clima da história pede. É, de certa forma, bizarra dramaticamente (notem as várias tragédias da vida dela), mas sem nunca descambar para o absurdo. Paredes acertou em cheio.

MELISSA LEO (O Vencedor)
Depois do teatro desnecessário quando recebeu o Oscar, Melissa Leo quase nos fez esquecer que é uma ótima atriz (com destaque para Rio Congelado). De qualquer forma, Leo é uma atriz extremamente versátil, e não desaponta como a cafona matriarca de O Vencedor. Em suas caricaturas, conseguiu chamar a atenção, principalmente ao fazer uma boa dupla com Christian Bale.

BARBARA HERSHEY (Cisne Negro)
Muito se falou sobre os méritos de Mila Kunis como coadjuvante em Cisne Negro e pouco se comentou o desempenho de Barbara Hershey. Ora, como a controladora mãe de Nina (Natalie Portman), Hershey foi bem sucedida ao mostrar como as atitudes de sua personagem foram fundamentais para a formação das fragilidades de Nina. Melhor ainda é quando ela se escandaliza com a total mudança de comportamento da filha. Desempenho subestimado.

ROSE BYRNE (Missão Madrinha de Casamento)
Outra atriz que, em 2011, foi injustamente ofuscada por uma colega inferior. Difícil compreender como Rose Byrne foi ignorada por sua atuação em Missão Madrinha de Casamento ao passo que Melissa McCarthy conseguiu, misteriosamente, chegar até mesmo ao Oscar. Como a pedante madrinha que deseja controlar todos os passos do casamento e tomar o brilho de Annie (Kristen Wiig), Byrne abandonou toda sua inércia do seriado Damages para roubar a cena em momentos muito divertidos.
EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)
_
Escolha do público:
1. Amy Adams, por O Vencedor (39,13%, 18 votos)
2. Melissa Leo, por O Vencedor (32,61%, 15 votos)
3. Barbara Hershey, por Cisne Negro (17,39%, 8 votos)
4. Marisa Paredes, por A Pele Que Habito (6,52%, 3 votos)
5. Rose Byrne, por Missão Madrinha de Casamento (4,35%, 2 votos)
Melhores de 2011 – Edição/Mixagem de Som

Como o filme mais grandioso de toda a série, era de se esperar que Harry Potter fizesse um belo trabalho não só nos efeitos visuais como também nos sonoros. E quem teve a oportunidade de assistir ao capítulo final da saga em uma boa tela de cinema conseguiu perceber a excelência do resultado. Da visita ao banco de Gringotes até os confrontos na escola de Hogwarts, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 não foi certeiro ao ambientar o espectador em cada cena com o uso da edição e mixagem de som. Nós realmente estamos dentro daquele mundo fantástico, compartilhando das sensações de cada um dos personagens. Um trabalho sonoro exemplar e que só contribuiu para o maravilhoso resultado do longa que fechou em grande estilo a história de Harry Potter (Daniel Radcliffe).
•

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE
Na overdose de filmes baseados em quadrinhos, X-Men: Primeira Classe conseguiu apresentar diferenciais. E eles se estendem, também, ao próprio lado técnico. Há quem diga que não existe nada de muito novo aqui, mas é difícil achar filmes tão bem acabados na técnica como esse. E a parte sonora também tem a sua contribuição. Mais um ótimo aspecto técnico a favor de uma boa história.

SUPER 8
J.J. Abrams é um sujeito muito talentoso ao usar a parte técnica para ambientar o espectador. Star Trek já foi uma prova disso, mas tal talento (principalmente na união dos efeitos com a parte sonora) fica mais evidente em Super 8, principalmente porque a história não é lá tão interessante. Uma cena exemplar do uso de som é aquela em que os protagonistas presenciam um acidente de trem.

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM
Como um (bom) blockbuster, Planeta dos Macacos: A Origem fez um excelente trabalho de edição e mixagem de som. E isso se refere não apenas aos momentos de ação do filme (a batalha na ponte é um momento de destaque), mas também ao modo como a parte sonora tem sua missão ao ajudar na verossímil construção das figuras dos macacos.

CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR
Filmes de heróis já saturaram, mas, como é de esperar, conseguem cumprir as expectativas em torno do lado técnico. Capitão América: O Primeiro Vingador é sim decepcionante, mas constantemente funciona com seu estilo matinê. E a parte sonora tem papel fundamental ao levar o espectador para dentro da aventura.
EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne
_
Escolha do público:
1. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (46,15%, 12 votos)
2. Super 8 (30,77%, 8 votos)
3. Planeta dos Macacos: A Origem (11,54%, 3 votos)
4. X-Men: Primeira Classe (11,54%, 3 votos)
5. Capitão América: O Vingador (0%, 0 votos)
Melhores de 2011 – Canção Original

Sabe como é possível medir a qualidade das músicas de Os Muppets? Coloque todas na versão dublada que, mesmo assim, continuarão divertidas, contagiantes e espirituosas. As originais, claro, são mil vezes melhores, mas nem a dublagem, que normalmente mutila a verossimilhança das músicas, consegue estragar o resultado, principalmente se formos levar em consideração aquela que é a melhor do filme: Life’s a Happy Song. Lembrando muito o clima de Encantanda (não só por ter Amy Adams no elenco) e o sentimento de nostalgia de Hairspray – Em Busca da Fama, a canção é utilizada em dois momentos do filme – não por coincidência na abertura e no desfecho para receber destaque. Life’s a Happy Song, cuja letra transborda inocência (em um sentido muito positivo), contagia e consegue manter o ritmo mesmo com um diálogo no meio. Essa é a canção que deveria ter sido indicada ao Oscar 2012, e não Man or Muppet, que, é, disparada, uma das mais desinteressantes do filme.
•

“Pictures in My Head” (Os Muppets)
Mais uma música de Os Muppets que merecia muito mais ser indicada ao Oscar do que a fraca Man or Muppet. Ilustrando uma sequência de cortar o coração do filme, Pictures in My Head tem uma melancolia que combina perfeitamente com a mensagem que sua cena quer passar: a de que certos momentos não voltam, mesmo que permaneçam tão presentes e vivos em nossas mentes.

“You Haven’t Seen the Last of Me” (Burlesque)
Cafona e tudo mais. Agora, coloque essa música naquele momento dor de cotovelo para ver se não vai surtir efeito… Não existe, em 2011, canção que seja tão guilty pleasure como You Haven’t Seen the Last of Me. Vencedora do Globo de Ouro e indicada ao Grammy, a música, assim como várias outras, está avulsa em Burlesque. Só que tem um clima musical de choradeira dos anos 90 que é difícil resistir.

“Telling the World” (Rio)
Tenho esse fraco por canções de créditos finais. Telling the World passou despercebida pelos comentários sobre a trilha de Rio, mas é, sem dúvida, uma das melhores do filme de Carlos Saldanha. Na voz do britânico Taio Cruz, Telling the World encerra com a devida empolgação esse subestimado filme que merecia maior destaque na temporada de premiações.

“If I Rise” (127 Horas)
A.R. Rahman, apesar de ser um sujeito muito superestimado, tem talento. E, após a eficiente trilha de Quem Quer Ser Um Milionário?, ele voltou a dar provas de suas habilidades ao fazer dupla com a cantora Dido, na canção If I Rise, de 127 Horas. A melancólica vibração passada pela voz dos dois se encaixa de forma impecável com o clima do filme de Danny Boyle.
EM ANOS ANTERIORES: 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar) | 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália) | 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)
_
Escolha do público:
1. “You Haven’t Seen the Last of Me”, de Burlesque (40,91%, 18 votos)
2. “If I Rise”, de 127 Horas (22,73%, 10 votos)
3. “Life’s a Happy Song”, de Os Muppets (15,91%, 7 votos)
4. “Telling the World”, de Rio (15,91%, 7 votos)
5. “Pictures in My Head”, de Os Muppets (4,55%, 2 votos)