Melhores de 2012 – Atriz

Só uma atriz como Tilda Swinton poderia interpretar uma personagem tão complexa quanto a Eva Katchadourian de Precisamos Falar Sobre o Kevin. Com traços exóticos inconfundíveis, ela é uma das poucas que não hesita em abandonar vaidades para se entregar totalmente à crueza de um papel. É justamente isso o que acontece no filme de Lynne Ramsay: Tilda, totalmente submersa no inferno vivido por Eva, faz questão de evidenciar, em cada detalhe de sua interpretação, o transe vivido por uma mãe que teve sua vida destruída após um trágico evento escolar. É um trabalho avassalador que, apesar de não ter um momento mais apelativo, consegue ser ainda mais eficiente e claustrofóbico em função desse sofrimento silencioso. A atriz, que aqui alcança o melhor momento de sua carreira, entrega um desempenho surpreendente – e inexplicavelmente subestimado – que, sem qualquer forçação de barra, é um dos mais marcantes dos últimos anos.
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OUTRAS INDICADAS:

CHARLIZE THERON (Jovens Adultos)
Em Jovens Adultos, Charlize Theron tem um raro momento de sua carreira: a possibilidade de interpretar um papel que lhe dá várias chances e a chance de usar toda a sua beleza a favor dele. E a fórmula é infalível: mais bela do que nunca, Charlize não precisou ficar irreconhecível como em Monster – Desejo Assassino para mostrar mais uma vez seu talento. No filme de Jason Reitman, ela defende muito bem a difícil Mavis Gary e consegue fazer com que reconheçamos os méritos de sua interpretação, mesmo com uma personagem que não tem motivo algum para conquistar a torcida do público.

GLENN CLOSE (Albert Nobbs)
Faltou muito para o filme de Rodrigo García conseguir dar verdadeira chance de ouro para a sempre injustiçada Glenn Close, mas ela não desaponta como o mordomo Albert Nobbs. Talvez a circunstância não seja lá muito convincente (será mesmo que todos acreditariam que aquela mulher é mesmo um homem?), mas a atriz consegue sempre se esquivar de um roteiro que volta e meia tenta lhe sabotar. Se falta intensidade e complexidade no texto, Close deixa esses detalhes de lado e interpreta com elegância um papel que também representou seu grande momento como atriz no teatro.

MERYL STREEP (A Dama de Ferro)
A intenção de Phyllida Lloyd era mais do que nobre: colocar Meryl Streep frente a um papel histórico. E, como a britânica Margaret Thatcher, Meryl Streep realmente arrasou em A Dama de Ferro. O que ela não teve foi o pacote completo com um filme sofisticado e inteligente para, de fato, marcar época. De qualquer jeito, é um dos momentos mais interessantes da carreira de Meryl, onde a atriz, de novo, explora sua grande versatilidade ao transitar por todas as fases da primeira ministra com total naturalidade. Ninguém poderia fazer Thatcher, sobreviver ilesa a um filme ruim e ainda conquistar prêmios mundialmente como ela.

MICHELLE WILLIAMS (Sete Dias Com Marilyn)
Ela não tem qualquer semelhança com o mito Marilyn Monroe e sua caracterização para Sete Dias Com Marilyn é no máximo esforçada. Mas Michelle Williams é uma excelente atriz e, com muita habilidade, trabalha todos os interessantes dramas de uma protagonista que, além de já ter um brilho próprio, ganha uma luz extra nas mãos da atriz. Por essa simpática e eficiente cinebiografia, que ainda traz no elenco Judi Dench e o jovem Eddie Redmayne, recebeu uma merecida indicação ao Oscar.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia) | 2010 – Carey Mulligan (Educação) | 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho) | 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!) | 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. Tilda Swinton, por Precisamos Falar Sobre o Kevin (36.36%, 20 votos)
2. Charlize Theron, por Jovens Adultos (27.27%, 15 votos)
3. Meryl Streep, por A Dama de Ferro (18.18%, 10 votos)
4. Glenn Close, por Albert Nobbs (10.91%, 6 votos)
5. Michelle Williams, por Sete Dias Com Marilyn (7.27%, 4 votes)
Melhores de 2012 – Trilha Sonora

Alexandre Desplat tem vida pessoal? Impossível não fazer essa pergunta, já que o francês deve realizar no mínimo três trilhas por ano, para chutar uma média qualquer. Às vezes, cai na lógica de que quantidade não é qualidade, mas frequentemente entrega trabalhos muito especiais. E Tão Forte e Tão Perto figura, sem dúvida, entre os melhores de toda a sua magnífica carreira – sendo, no mínimo, a mais impressionante desde O Curioso Caso de Benjamin Button, que marcou época. O filme de Stephen Daldry não é especial, mas vale a pena prestar atenção no eficiente uso das composições, todas trazendo um Desplat impecável no uso do piano. É um trabalho muito sensível, responsável por boa parte dos momentos mais emocionantes desse filme que frequentemente fica no meio do caminho ao desenvolver seus dramas. Da primeira a última faixa, a trilha, completamente esquecida na sua respectiva temporada de premiações, nunca perde o fôlego e é um dos pontos mais preciosos de Tão Forte e Tão Perto. Bravo, Desplat!
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OUTROS INDICADOS:
Depois de pequenos trabalhos não muito conhecidos, Mychael Danna finalmente saiu do quase anonimato com a ótima trilha de As Aventuras de Pi / A trilha de O Impossível cumpre com louvor a missão de tornar o filme de Juan Antonio Bayona ainda mais emocionante / Jane Eyre é um trabalho menor do italiano Dario Marianelli, mas tão encantador quanto seus melhores momentos / Abel Korzeniowski está em mais um belíssimo momento de sua carreira com W.E. – O Romance do Século.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – A Rainha
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. As Aventuras de Pi (33.33%, 10 votos)
2. Tão Forte e Tão Perto (23.33% , 7 votos)
3. O Impossível (20%, 6 votos)
4. W.E. – O Romance do Século (13.33%, 4 votos)
5. Jane Eyre (10%, 3 votos)
Melhores de 2012 – Montagem

Sempre é válido reiterar a decepção que foi Guerreiro ter sido lançado diretamente em home video aqui no Brasil. Mais do que um excelente drama familiar, o filme de Gavin O’Connor merecia as telas de cinema em função de seu excelente trabalho técnico. Seria, por exemplo, uma imensa satisfação conferir, no melhor formato possível, a montagem do filme, cujo mérito vai muito além das dinâmicas e eletrizantes lutas de MMA. É, antes de mais nada, um trabalho que sabe distribuir com precisão a importância de cada um dos personagens. Nada de uma história dividida em blocos e muito menos que esquece um personagem durante certo tempo para que outro tenha destaque: tudo é sequencial, conectado e amarrado sem deixar qualquer aresta. O mais surpreendente da montagem de Guerreiro é que ela foi realizada por nada menos que quatro pessoas, o que poderia muito bem dar um resultado fragmentado ao filme. Porém, Sean Albertson, Aaron Marshall, John Gilroy e Matt Chesse provaram que a o trabalho compartilhado não passou nem perto de ser um obstáculo.
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OUTROS INDICADOS:
A montagem só ajuda o excelente ritmo de Argo / Se não fosse pelos méritos de Christopher Tellefsen no segmento em questão, a história de O Homem Que Mudou o Jogo poderia muito bem cair na total monotonia / Apesar da longa duração, Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres tem um admirável trabalho de montagem / O vai-e-vem da narrativa de Precisamos Falar Sobre o Kevin é executado com precisão pelo trabalho de Joe Bini.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – 127 Horas | 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez | 2007 – Babel
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (50%, 17 votos)
2. Argo (20.59%, 7 votos)
3. Guerreiro (17.65%, 6 votos)
4. Precisamos Falar Sobre o Kevin (8.82%, 3 votos)
5. O Homem Que Mudou o Jogo (2.94%, 1 voto)
Melhores de 2012 – Canção Original

É provável que You Know My Name, canção de Chris Cornell para 007 – Cassino Royale, ainda seja o momento mais interessante da franquia musicalmente. Entretanto, o que Adele e Paul Epworth realizaram em Skyfall demonstra total conhecimento e sintonia com o que é proposto pelo diretor Sam Mendes no mais novo longa-metragem estrelado pelo icônico personagem James Bond – que, em 2012, completou cinco décadas no cinema com um trabalho a sua altura. Na inconfundível e poderosa voz de Adele, a canção vencedora do Oscar 2013 tem uma sonoridade retumbante e uma letra que merece ser descoberta. E o mais importante: é um belo diálogo entre o passado e o presente. Se o estilo de Skyfall lembra bastante o charme que tornou James Bond um personagem clássico, logo nos lembramos que ela foi criada por uma dupla que ainda tem muito pela frente, tanto em termos de idade quanto em termos de carreira. A nova geração compreendeu muito bem o que o agente secreto simboliza. E, no ano de seu aniversário, ele não poderia pedir uma canção mais adequada.
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OUTROS INDICADOS:
Em Albert Nobbs, Glenn Close foi quem escreveu a letra da ótima Lay Your Head Down, que se torna quase uma lullaby com a melodia de Brian Byrne / W.E. – O Romance do Século é um filme repleto de erros, mas, junto com a ótima trilha de Abel Korzeniowski, Madonna dá conta do recado em Masterpiece / A adorável Strange Love, de Frankenweenie, é mais um acerto de Karen O no cinema / Who Were We?, de Holy Motors, foi a canção que melhor compreendeu o uso da música como ferramenta narrativa entre os filmes lançados em 2012.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets) | 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar) | 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália) | 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. “Skyfall”, de 007 – Operação Skyfall (63.33%, 19 votos)
2. “Who Were We?”, de Holy Motors (20%, 6 votos)
3. “Masterpiece”, de W.E. – O Romance do Século (10%, 3 votos)
4. “Strange Love”, de Frankenweenie (6.67%, 2 votos)
5. “Lay Your Head Down”, de Albert Nobbs (0%, 0 votos)
Melhores de 2012 – Ator Coadjuvante

Pena que Guerreiro não tenha recebido a atenção que merecia devido a sua má distribuição (aqui no Brasil, chegou a ser lançado diretamente em home video). O máximo de reconhecimento que recebeu foi para o coadjuvante Nick Nolte, que, inclusive, concorreu ao Oscar 2012 de melhor ator coadjuvante. Na realidade, ele merecia ter levado todos os prêmios daquela temporada. Entre os inúmeros méritos do filme de Gavin O’Connor, a interpretação de Nolte é, certamente, um dos mais impressionantes. É verdade que o seu Paddy Conlon pode ser uma vez ou outra baseado na vida pessoal do ator (Nolte já chegou a ser preso por dirigir embriagado), mas o ator lida com o papel do pai ex-alcoolista com uma dignidade singular. Assim como todo o longa, ele sabe conduzir um personagem essencialmente previsível sem cair em qualquer clichê. Por mais que os filhos de Paddy sejam resistentes em aceitá-lo de volta devido a um passado doloroso que nunca é esmiuçado (e nem precisa), também sentimos compaixão por esse homem que, agora velho, solitário e sóbrio, quer recuperar os laços familiares que um dia destruiu. É um trabalho forte (a cena com Tom Hardy no hotel é de arrepiar) e que em nada é apelativo ou fora de tom. Digno de aplausos.
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OUTROS INDICADOS:

EWAN MCGREGOR (O Impossível)
Em certo ponto de O Impossível, parece que Ewan McGregor será completamente esquecido. Por sorte, quando o ator retorna, consegue recuperar cada minuto que ficou fora de cena. Com pelo menos um momento de partir o coração (o da ligação), o ator segura com vitalidade o papel do pai que, mesmo desesperado e inseguro, precisa sempre ser uma fortaleza diante de seus pequenos filhos. McGregor tem aqui a sua melhor chance em anos e dá sua contribuição ao excepcional trabalho de elenco do filme.

EZRA MILLER (As Vantagens de Ser Invisível)
Talvez o maior destaque da interpretação de Ezra Miller em As Vantagens de Ser Invisível seja a versatilidade. Isso se apóia na ideia de que o ator poderia carregar eternamente o fardo de ter sido um dos personagens mais asquerosos dos últimos anos em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Só que Ezra mudou o seu destino: surgindo iluminado e cheio de desenvoltura nesse hit alternativo jovem de 2012, ele entregou uma composição muito sutil de um homossexual que, apesar das excentricidades, nunca cai no exagero.

JAVIER BARDEM (007 – Operação Skyfall)
Sem qualquer resquício do seu inesquecível Anton Chigurh de Onde os Fracos Não Têm Vez, Javier Bardem construiu, em 007 – Operação Skyfall, um vilão inteiramente novo. E o ator deveria se especializar nessa habilidade, já que Silva foi considerado por muitos como o melhor vilão de toda franquia James Bond. Exagero? Longe disso. Mesmo com Judi Dench em um ótimo momento, Bardem roubou a cena entre os coadjuvantes com uma interpretação intrigante e cheia de dubiedades.

MAX VON SYDOW (Tão Forte e Tão Perto)
Veterano com uma carreira bastante ativa (participa de pelo menos um filme por ano), Max Von Sydow não chega, no entanto a receber papeis com chances mais significativas. Mas Tão Forte e Tão Perto é uma dessas raras interpretações que só poderia dar certo e se destacar nas mãos de um ator com a experiência dele. Sem dizer uma palavra (literalmnt), Von Sydow é responsável por boa parte das emoções genuínas do filme de Stephen Daldry.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. Ezra Miller, por As Vantagens de Ser Invisível (31.82%, 14 votos)
2. Javier Bardem, por 007 – Operação Skyfall (29.55%, 13 votos)
3. Nick Nolte, por Guerreiro (20.45%, 9 votos)
4. Max Von Sydow, por Tão Forte e Tão Perto (11.36%, 5 votos)
5. Ewan McGregor, por O Impossível (6.82%, 3 votos)


