Melhores de 2013 – Roteiro Original

Nas premiações, concorreu como roteiro adaptado – o que é sempre um absurdo com as continuações, que só são classificadas assim porque supostamente se “baseiam” em personagens já existentes. Mas a história é inteiramente nova, e por isso, na nossa concepção, se enquadra como original. E que história! Sincera e real como a própria vida. Difícil, também. Agridoce, esperançosa, pessimista. Uma mistura de sensações tão verossímeis que só esse estudo de relacionamentos proposto por Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy desde 1995 poderia trazer. Aqui, a história de Jesse (Hawke) e Celine (Delpy) alcança sua total maturidade. Nada de uma história romântica para fechar de vez o ciclo de sonhos e amores dessas duas pessoas. Não. Antes da Meia-Noite é mais doloroso do que poderia se esperar, mas nem por isso pesado ou incoerente com tudo o que o casal um dia já viveu. As discussões levantadas por esse roteiro em diálogos simplesmente brilhantes e minuciosos nos mostram como a vida como ela é já basta para envolver e arrebatar. Qualquer identificação com a história não é mera coincidência.
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OUTROS INDICADOS:
Em Blue Jasmine, Woody Allen faz o mais fascinante estudo de personagem de sua carreira recente / Realizando talvez o roteiro mais complexo de sua carreira, Paul Thomas Anderson mais uma vez é superlativo com o texto de O Mestre / Com inúmeros personagens, Kleber Mendonça Filho fez uma precisa radiografia da vida em comunidade em O Som ao Redor / O roteiro de Os Suspeitos consegue misturar investigação e drama em um resultado forte e surpreendente.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille
Melhores de 2013 – Efeitos Visuais

Existe uma corrente de cinéfilos que desgosta profundamente de Gravidade. Falam da previsibilidade do roteiro, da falta de conteúdo e até mesmo de alguns clichês. Só que é quase impossível achar alguém que questione a parte técnica do filme, em especial o impecável trabalho de efeitos visuais. Se não fôssemos seres bem informados, poderíamos muito bem acreditar que o filme de Alfonso Cuarón foi inteiramente gravado em pleno espaço. Não existe um plano sequer que denuncie descuidos ou pelo menos um vislumbre de algo fake nessa concepção técnica. Cada centímetro e cada minuto de Gravidade é inteiramente real. Uma verdadeira revolução tecnológica que deixa um legado sem precedentes.
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OUTROS INDICADOS:

Não estivesse Gravidade na disputa, Além da Escuridão – Star Trek certamente seria o dono dos melhores efeitos visuais de 2013 / A barulheira de O Homem de Aço é infinita, mas os efeitos servem muito bem a esse atordoante propósito.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2| 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar
Melhores de 2013 – Atriz Coadjuvante

No ano em que Anne Hathaway ganhou todos os prêmios da temporada de atriz coadjuvante por uma cena avassaladora que externalizava todas as suas angústias e sofrimentos em Os Miseráveis, a melhor concorrente na mesma categoria sequer tinha um momento de explosão. Foi se apoiando na sutileza que Helen Hunt ficou entre as melhores intérpretes de 2013 com As Sessões. Se, a princípio, John Hawkes tem o papel com maiores chances (é o poeta Mark O’Brien, que perdeu todos os movimentos do corpo da cabeça para baixo), Hunt logo cresce em cena com uma naturalidade simplesmente indiscutível. Despindo-se de vaidades, ela nunca chega perto de vulgarizar sua Cohen, mulher especialista em “exercícios de consciência corporal” – e não uma prostituta, como a própria Hunt faz questão de enaltecer. É um trabalho minucioso (talvez o melhor da atriz) e que, como sempre, não foi lá muito festejado em tempos que biografias, choros e outras alegorias parecem contar mais que a internalização – o que, convenhamos, é o maior desafio de todos.
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OUTRAS INDICADAS:

AMY ADAMS (O Mestre)
Dos desempenhos de Amy Adams, esse deve ser um dos mais atípicos. Normalmente conhecida por papeis frágeis, meigos e quase ingênuos, aqui ela surge extremamente firme como Peggy Dodd, a esposa de Lancaster (Philip Seymour Hoffman), em O Mestre. Em um primeiro momento, pode parecer novamente uma figura delicada, mas se revela, aos poucos, discretamente confrontativa e até mesmo manipuladora. Claro que é complicado para Adams se equiparar aos furacões Joaquin Phoenix e Hoffman, mas a atriz tira o melhor proveito de seus momentos – em especial de sua última cena com os dois atores.

JULIA ROBERTS (Álbum de Família)
Depois de anos sem uma chance realmente digna, Julia Roberts volta a brilhar como atriz dramática em Álbum de Família. O que ela fez (muito bem) em Erin Brokovich era apenas uma entrada para filmes como Closer – Perto Demais e agora Álbum de Família, onde ela, neste segundo, em momento algum fica menor diante da maravilhosa Meryl Streep. Já com cabelos grisalhos e abandonando maquiagens, Roberts mostra que o tempo lhe fez muito bem e que merece mais chances como essa. Sua Barbara Weston é complexa e forte, mas também cheia de feridas e mágoas silenciadas. Tudo capturado com a devida força pela atuação da atriz.

LÉA SEYDOUX (Azul é a Cor Mais Quente)
Adèle Exachorpoulos tem a chance de uma vida em Azul é a Cor Mais Quente – e a agarra com unhas e dentes. Mas não dá para falar dela sem também colocar o nome de Léa Seydoux na mesa. É mais um admirável caso onde uma interpretação de suporte é um brilhante complemento para principal. Se Adèle tira de letra a constrição da menina que recém está descobrindo sua vida pessoal e profissional, Léa esbanja naturalidade como a garota de cabelos azuis que há muito já firmou sua personalidade. Quando as duas estão em cena, Azul é a Cor Mais Quente se engrandece – mérito que, certamente, também a assinatura de Seydoux.

SALLY HAWKINS (Blue Jasmine)
Junto com Helen Hunt, Sally Hawkins deve ter o papel mais difícil entre as coadjuvantes de 2013. É fácil prestar a atenção somente em Cate Blanchett em Blue Jasmine e analisar cada camada da protagonista, mas a figura vivida por Hawkins também está repleta delas. Como a irmã que tinha tantos motivos quanto Jasmine para viver uma vida completamente amargurada, ela segue justamente o caminho oposto. Mas não por ingenuidade ou tolice – e sim talvez por simplesmente decidir ver o que existe de melhor na vida e nas pessoas, mesmo em tempos difíceis. Como Blanchett bem disse ao vencer o Screen Actor Guild Awards por Blue Jasmine, ela se sentiria solitária – no filme e nos prêmios -, sem Sally Hawkins. Uma dupla brilhante.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas) | 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)
Melhores de 2013 – Figurino

É impressionante como o britânico Joe Wright vem se tornando um diretor cada vez mais atento e dedicado aos setores técnicos de seus filmes de época. Basta comparar Orgulho e Preconceito com esse recente Anna Karenina para perceber a indiscutível evolução dele. O mais importante desse novo filme é que nunca uma história contada por Wright dependeu tanto de fotografia, direção de arte e figurinos. A roupagem elaborada pela veterana Jacqueline Durran (em mais uma colaboração vitoriosa com o diretor) dá o tom perfeito para a história, que tem lá seus problemas narrativos mas que nunca deixa de encher os olhos. Keira Knightley sabe desfilar com um vestido de época como poucas e todos os outros personagens vestem peças cheias de detalhes e deslumbres. Por Anna Karenina, Durran ganhou merecidamente seu primeiro Oscar depois de ter assinado o figurino de outros 11 longas – e sendo uma fiel colaboradora de Wright e Mike Leigh.
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OUTROS INDICADOS:

Para reproduzir os tempos do presidente estadunidense Abraham Licoln, os figurinos de Lincoln apostaram na discrição / Já O Grande Gatsby não esconde que mais é a palavra de ordem – e acerta nos exageros / Constante colaborador de Pedro Almodóvar, Paco Delgado foi merecidamente indicado às premiações de sua respectiva temporada por Os Miseráveis / O Rio de Janeiro dos anos 1950 e as personalidades das protagonistas são capturados com precisão pelos figurinos de Marcelo Pies em Flores Raras.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta
Melhores de 2013 – Canção Original

Sabe-se lá porque as premiações não deram muita atenção para essa excelente canção da banda Kings of Leon para Álbum de Família. Além do quarteto por si só já ser um apelo para “Last Mile Home”, a canção funciona perfeitamente na conclusão do filme de John Wells. A banda estadunidense formada pelos irmãos Followill apresentou a canção no álbum Mechanical Bull, mas foi a versão acústica dela que terminou em Álbum de Família. Nada mais apropriado para exaltar a melancolia da família Weston, que há muito tempo deixou de ser… uma família. Difícil saber quem tem mais razão ali (todos têm as suas), mas o que resta de certeza é que, independente do caminho que cada um seguiu, ninguém saiu dessa dinâmica familiar ileso. “Talvez seja eu o danificado. Talvez seja eu quem parte corações. Estou solitário desde a última vez que nos falamos. Tem sido solitário, baby… Tem sido difícil”, diz a letra dos Followill. Nada mais apropriado, em melodia e letra, para sintetizar as vidas isoladas dessa família cheia de cicatrizes.
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OUTROS INDICADOS:

A execução de “Young and Beautiful” é um dos pontos altos do romance de O Grande Gatsby / O espírito libertário de Tatuagem está todo sintetizado na irreverente “Polka do Cu” / Susanne Sundfør, em parceria com M83, foi bem sucedida ao realizar “Oblivion”, canção que tem tudo a ver com o filme de mesmo título / “Suddendly“, escrita originalmente para essa versão cinematográfica de Os Miseráveis, é responsável por um dos momentos mais sensíveis do filme de Tom Hooper.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall) | 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets) | 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar) | 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália) | 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)