Cinema e Argumento

Melhores de 2013: indicados

O Mestre lidera a lista com oito indicações, seguido de Gravidade e Os Suspeitos com sete cada

O Mestre lidera a lista de melhores do ano do Cinema e Argumento com oito indicações, seguido de Gravidade e Os Suspeitos com sete cada

Premiações continuam sendo pauta aqui no blog. Agora, chegou a nossa vez de escolher os melhores filmes de 2013! Pelo sétimo ano consecutivo, fazemos essa lista, que, em edições anteriores, teve como grandes vencedores os seguintes longas: O Ultimato Bourne (2007), WALL-E (2008), Dúvida (2009), Direito de Amar (2010), Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (2011) e Precisamos Falar Sobre o Kevin (2012).

O recordista de vitórias até o momento é Direito de Amar, que faturou cinco categorias: filme, ator, roteiro adaptado, fotografia e trilha sonora. Entre os atores, três já repetiram vitórias: Colin Firth, Marion Cotillard e Kate Winslet. Outra curiosidade é que um empate já aconteceu: em 2011, quando Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg dividiram o prêmio de melhor atriz por Melancolia.

Contemplando os filmes lançados comercialmente no circuito brasileiro em 2013 (tanto no cinema quanto em home video), a lista do ano em questão é liderada por O Mestre com oito indicações. Gravidade e Os Suspeitos vêm logo em seguida com sete indicações cada. Uma importante mudança deste ano é a eliminação definitiva da categoria de melhor animação. Todos os filmes merecem ser analisado em uma única lista, sem subdivisões de documentários, animações ou produções nacionais, por exemplo – pensamento que este que já estávamos amadurecendo desde o ano passado. Fiquem abaixo com a nossa lista completa e acompanhem o blog para conhecer os vitoriosos! As artes dos posts ficarão a cargo do Márcio Ramos, meu amigo e colaborador de longa data do Cinema e Argumento.

MELHOR FILME

Gravidade
O Lugar Onde Tudo Termina
O Mestre
Os Miseráveis
Os Suspeitos

MELHOR DIREÇÃO

Alfonso Cuarón (Gravidade)
Denis Villeneuve (Os Suspeitos)
Derek Cianfrance (O Lugar Onde Tudo Termina)
Jacques Audiard (Ferrugem e Osso)
Paul Thomas Anderson (O Mestre)

MELHOR ATRIZ

Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)
Meryl Streep (Álbum de Família)
Miranda Otto (Flores Raras)

MELHOR ATOR

Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Joaquin Phoenix (O Mestre)
John Hawkes (As Sessões)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Adams (O Mestre)
Helen Hunt (As Sessões)
Julia Roberts (Álbum de Família)
Léa Seydoux (Azul é a Cor Mais Quente)
Sally Hawkins (Blue Jasmine)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Christoph Waltz (Django Livre)
Eddie Redmayne (Os Miseráveis)
Jake Gyllenhaal (Os Suspeitos)
Philip Seymour Hoffman (O Mestre)

MELHOR ELENCO

Álbum de Família
O Mestre
O Que Se Move
Os Suspeitos
Tatuagem

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Antes da Meia-Noite *
Blue Jasmine
O Mestre
O Som ao Redor
Os Suspeitos

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Álbum de Família
Azul é a Cor Mais Quente
Ferrugem e Osso
O Lugar Onde Tudo Termina
As Sessões

MELHOR TRILHA SONORA

Anna Karenina
Flores Raras
Gravidade
Indomável Sonhadora
O Mestre

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Anna Karenina
Gravidade
O Hobbit: A Desolação de Smaug
Rush – No Limite da Emoção
Serra Pelada

CANÇÃO ORIGINAL

“Last Mile Home” (Álbum de Família)
“Oblivion” (Oblivion)
“Polka do Cu” (Tatuagem)
“Suddendly” (Os Miseráveis)
“Young and Beautiful” (O Grande Gatsby)

EDIÇÃO/MIXAGEM DE SOM

Gravidade
A Hora Mais Escura
Os Miseráveis
Rush – No Limite da Emoção
O Som ao Redor

FIGURINO

Anna Karenina
Flores Raras
O Grande Gatsby
Lincoln
Os Miseráveis

FOTOGRAFIA

Amor Pleno
Anna Karenina
Gravidade
Ferrugem e Osso
Os Suspeitos

MONTAGEM

Capitão Phillips
A Hora Mais Escura
O Lugar Onde Tudo Termina
Rush – No Limite da Emoção
Os Suspeitos

MAQUIAGEM

Além da Escuridão – Star Trek
Os Miseráveis
A Morte do Demônio

EFEITOS VISUAIS

Além da Escuridão – Star Trek
Gravidade
O Hobbit: A Desolação de Smaug

* por questões pessoais, consideramos o roteiro de Antes da Meia-Noite original. Não acreditamos que uma continuação deve ser considerada adaptada só por dar sequência a um história já existente. Se é uma continuação com uma trama inteiramente nova, adotamos o posicionamento que ela é sim original. O que conta é a origem da história em questão.

Melhores de 2012 – Filme

twelvepicture

Não é a unanimidade do ano. Muito menos o filme mais acessível de 2013. Só que Precisamos Falar Sobre o Kevin foi o filme que mais me impactou no ano que passou. Nem mesmo o fator que muitos consideram o grande problema (Kevin como um personagem unidimensional) sabotou a minha experiência com o longa de Lynne Ramsay. Adaptando a obra homônima de Lionel Shriver com várias (justificáveis) liberdades, Precisamos Falar Sobre o Kevin acerta ao utilizar um tom muito subjetivo para narrar a vida interrompida da protagonista Eva Katchadourian, cujo sofrimento é muito bem transmitido não só pelo texto e pela direção (atenção para as várias rimas visuais apresentadas por Ramsay) mas, principalmente, pelo extraordinário desempenho de Tilda Swinton. Denso, Precisamos Falar Sobre o Kevin deixa muitos pontos abertos para discussão e interpretação, o que só torna a experiência ainda mais interessante. Como drama – o gênero favorito desse escriba que vos fala – o filme de Lynne Ramsay consegue colocar o espectador a par de todas as angústias de sua protagonista. Sem concessões. E, por isso mesmo, único.

•••

warriorposter

2. Guerreiro

Uma das grandes surpresas de 2012, Guerreiro não recebeu a devida atenção. Além do ótimo elenco masculino, o filme de Gavin O’Connor é exemplar na hora de transformar histórias essencialmente simples em uma verdadeira viagem sensorial. Das eletrizantes lutas de MMA aos confrontos familiares devidamente pontuados nas emoções, o filme envolve todos os públicos e nunca se restringe a um perfil específico.

separationposter

3. A Separação

Qualquer preconceito com o cinema iraniano é imediatamente desfeito após A Separação. Asghar Farhadi apresenta uma verdadeira aula de roteiro em um filme muito bem atuado. De pequenos dramas universais a dilemas angustiantes (quem não ficou tenso durante todos os confrontos dos personagens?), o filme surpreende pela firmeza com que conduz todos os seus elementos, do texto ao elenco. Merecidamente, venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro.

skyfallposter

4. 007 – Operação Skyfall

Dos filmes da série James Bond que vimos recentemente, 007 – Operação Skyfall é, certamente, o mais completo. Além da elegante direção de Sam Mendes, o filme estrelado por Daniel Craig é contemporâneo, tem um notável elenco de suporte e ainda consegue homenagear elementos que fizeram o personagem se tornar um verdadeiro ícone do cinema. Resta saber se o alto nível será mantido daqui para frente agora que foi anunciada a saída de Sam Mendes da franquia.

argoposter

5. Argo

É o auge da carreira de Ben Affleck, que já vinha mostrando uma boa evolução, e não dá para negar seus méritos. Realizado com uma simplicidade que nunca descamba para o superficial, Argo sabe muito bem balancear os complicados detalhes de uma trama política com uma linguagem super acessível. Tem um ou outro excesso (no desfecho, principalmente), mas não é nada que tire a grande eficiência alcançada por Affleck. Fique de olho no elenco, repleto de nomes consagrados da TV.

imposibleposter

6. O Impossível

Foi uma das melhores surpresas do ano por reverter qualquer expectativa em torno de excessos e melodramas. O Impossível poderia ser insuportável de tão forçado, mas o resultado segue um caminho completamente oposto: no filme de Juan Antonio Bayona, toda e qualquer decisão tomada para emocionar o espectador funciona. Humano e muito bem realizado (destaque para trilha e direção de arte), ainda entrega um belo trabalho de elenco.

holymotorsposter

7. Holy Motors

Inventivo em todo o seu DNA, Holy Motors foi a experiência cinematográfica mais difícil de 2013. Nem todos conseguem embarcar no alucinante mundo criado por Leos Carax – o que é totalmente compreensível. Porém, os que entram são brindados com uma diversidade infinita de interpretações. Analisado de forma mais prática, Holy Motors tem um desempenho fantástico de Denis Lavant, um eficiente trabalho de maquiagem e uma direção pra lá de autoral.

weekendposter

8. Weekend

Retrato intimista e muito delicado da breve relação de dois jovens que se conhecem em uma festa, Weekend nunca se restringe ao mundo homossexual. O filme de Andrew Haigh quer, antes de mais nada, falar sobre as dúvidas e expectativas de qualquer ser humano envolvido em um relacionamento – o que só valoriza ainda mais os vários méritos dessa pequena produção britânica que merece ser descoberta por sua sinceridade e simplicidade.

moonriseposter

9. Moonrise Kingdom

Auge de Wes Anderson como realizador, Moonrise Kingdom consegue trazer todos os maneirismos do diretor sem que o filme se torne insuportável ou bastante questionável como em investidas anteriores dele (destaque para o incompreensível A Vida Marinha). Aqui, toda a técnica, o elenco em plena sintonia e a direção muito inventiva de Anderson caminham juntos em um resultado bem divertido e também nostálgico. Recomendável para todos os públicos.

helenoposter

10. Heleno

Jogadores de futebol raramente têm bom resultado no cinema brasileiro (Garrincha e Pelé amargaram filmes terríveis), mas esse Heleno é um verdadeiro achado. Contando os altos e baixos da vida pessoal e profissional de Heleno de Freitas, jogador do Botafogo, o filme é esteticamente irrepreensível (atenção para a belíssima fotografia) e traz mais um grande desempenho de Rodrigo Santoro (que colocou dinheiro do próprio bolso na produção).

_

ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. Precisamos Falar Sobre o Kevin (27.27%, 12 votos)

2. A Separação (20.45%, 9 votos)

3. 007 – Operação Skyfall (11.36%, 5 votos)

4. Guerreiro (9.09%, 4 votos)

5. Argo (9.09%, 4 votos)

6. O Impossível (6.82%, 3 votos)

7. Holy Motors (6.82%, 3 votos)

8. Weekend (6.82%, 3 votos)

9. Moonrise Kingdom (2.27%, 1 voto)

10. Heleno (0%, 0 votos)

Melhores de 2012 – Direção

twelvedirecting

Amado e odiado, Holy Motors bebe da melhor fonte de recepção para qualquer obra: a falta de indiferença. Ninguém assiste ao filme de Leos Carax sem comentá-lo fervorosamente, seja para o bem ou para o mal. Ponto, então, para o diretor Leos Carax, que, assim, fugiu completamente da normalidade. Ousado e completamente original, ele leva o espectador para um verdadeiro delírio, desafiando-os a participar dessa mais do que inusitada experiência. Dos personagens interpretados pelo monsieur Oscar (Dnnis Lavant) aos gêneros mais variados (o filme tem direito até a um belíssimo momento musical com a cantora pop Kylie Minogue), Holy Motors é suscetível a várias interpretações – e todas elas são válidas. Em suma, Carax apresenta uma direção de personalidade forte, com objetivos bem claros na relação filme x espectador e que nunca deixa de surpreender. Não é todo dia que vemos um trabalho tão fortemente autoral e ainda assim fascinante.

•••

OUTROS INDICADOS:

argoposter warriorposter aboutkevinposter skyfallposter

Conseguindo se superar a cada filme, Ben Affleck tem em Argo o melhor trabalho de direção de sua carreira / Com Guerreiro, Gavin O’Connor mostra que é possível emocionar e tirar o fôlego com tramas essencialmente convencionais e até mesmo clichês / Lynne Ramsay imprime intensidade e estilo ao difícil mundo familiar de Precisamos Falar Sobre o Kevin / Se Sam Mendes não parecia uma decisão das mais atraentes para 007 – Operação Skyfall, logo ele colocou a teoria abaixo realizando nada menos que um dos melhores filmes da franquia.

EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Darren Aronofsky (Cisne Negro) | 2010 – Christopher Nolan (A Origem) | 2009 – Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?) | 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro) | 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel)

_

ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. Leos Carax, por Holy Motors (33.33%, 12 votos)

2. Lynne Ramsay, por Precisamos Falar Sobre o Kevin (22.22%, 8 votos)

3. Ben Affleck, por Argo (16.67%, 6 votos)

4. Sam Mendes, por 007 – Operação Skyfall (16.67%, 6 votos)

5. Gavin O’Connor, por Guerreiro (11.11%, 4 votos)

Melhores de 2012 – Elenco

twelvecast

Juan Antonio Bayona pode ter muitos méritos ao insistir tanto e conseguir com que o espectador saia de O Impossível banhado em lágrimas. Mas vale lembrar: a experiência não seria a mesma sem o incrível trabalho de elenco do filme. Todos os atores têm seus momentos em cena: Naomi Watts transmite toda a angústia de uma mulher que depende do filho até para caminhar, Ewan McGregor aproveita cada minuto de seu papel ligeiramente menor e Tom Holland é de deixar qualquer um boquiaberto tamanha sua desenvoltura e segurança na hora em que precisa comandar o filme sozinho. As outras crianças também são de uma naturalidade absurda e até a única cena de Geraldine Chaplin tem um tom muito especial. Todos eles são responsáveis por boa parte da emoção de O Impossível. Convenceram individualmente, formaram uma bela família e só intensificaram com muito louvor uma das principais propostas do filme: aquela de que a tragédia é capaz de despertar o que existe de mais generoso dentro de todos nós.

•••

OUTROS INDICADOS:

warriorposter helpposter moonriseposter separationposter

Guerreiro não seria um drama tão verossímil sem seu poderoso elenco masculino / As atrizes são a razão de Histórias Cruzadas não cair no completo esquecimento / A química do elenco de Moonrise Kingdom deixa o filme de Wes Anderson ainda mais irresistível / O casamento entre o roteiro e os intérpretes de A Separação é para não se colocar defeito.

EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Tudo Pelo Poder | 2010 – Minhas Mães e Meu Pai | 2009 – Dúvida | 2008 – Vicky Cristina Barcelona | 2007 – Bobby

_

Escolha do público:

1. Histórias Cruzadas (35.71%, 15 votos)

2. O Impossível (26.19%, 11 votos)

3. A Separação (26.19% , 11 votos)

4. Moonrise Kingdom (9.52%, 4 votos)

5. Guerreiro (4.76%, 2 votos)

Melhores de 2012 – Roteiro Adaptado

twelveadscreen

Conferi Precisamos Falar Sobre o Kevin antes de ler a obra original de Lionel Shriver. E a minha percepção da versão cinematográfica continuou a mesma após entrar em contato com o livro. Ainda que tenham abordagens bastante opostas (o texto de Shriver é mais movimento, enquanto o filme aposta no subjetivo), as duas obras, de certa forma, conseguem se complementar. Entretanto, comparações entre filmes e livros são apenas um bônus. O mais adequando é analisar um roteiro adaptado de forma isolada, dentro do que se propõe de forma independente para o campo audiovisual. E o roteiro da diretora Lynne Ramsay, em parceria com Rory Kinnear, consegue ser um intenso retrato de uma vida completamente devastada. No caso, a da sofrida Eva Khatchadourian (Tilda Swinton), cuja viagem ao inferno é devidamente desenvolvida pelo roteiro. Em cada detalhe e situação, somos levados para dentro da prisão emocional da protagonista. Algumas escolhas são polêmicas (a principal é o fato do jovem Kevin nunca ser humanizado, representando uma figura completamente unilateral), mas, como um todo, o resultado é um drama extremamente eficiente e, por muitas vezes, até mesmo desconfortável por ser tão franco e sufocante.

•••

OUTROS INDICADOS:

argoposter frankenweenieposter helenoposter wallflowerposter

O ótimo casamento entre objetividade e eficiência é uma das grandes marcas do roteiro de Argo / Adaptado do curta original de Tim Burton, o roteiro de Frankenweenie é cheio de referências e certeiro no senso de diversão / Da glória à decadência, a adaptação de José Henrique Fonseca, Felipe Bragança e Fernanda Castets para Heleno pontua muito bem a vida do jogador Heleno de Freitas / Escapando das insuportáveis armadilhas indies tão comuns em filmes sobre adolescentes, o roteiro de As Vantagens de Ser Invisível acerta com louvor em importantes escolhas.

EM ANOS ANTERIORES: 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo

_

Escolha do público:

1. As Vantagens de Ser Invisível (42.22%, 19 votos)

2. Argo ( 31.11%, 14 votos)

3. Precisamos Falar Sobre o Kevin (20%, 9 votos)

4. Heleno ( 6.67%, 3 votos)

5. Frankenweenie (0%, 0 votos)