Cinema e Argumento

Adeus, 2016! (e as melhores cenas do ano)

Tem virado rotina: ao final de cada ano, encerro os trabalhos do blog dizendo que vi menos filmes do que gostaria (o que se reflete, claro, na quantidade de textos que publiquei aqui). Não foi diferente em 2016, que foi, como muitos já disseram, um período difícil para praticamente todo mundo. No entanto, se não assisti a tantos filmes quanto planejava, pelo menos estar no escuro do cinema me trouxe momentos altamente recompensadores. Poucas foram as vezes em que conferi uma quantidade tão restrita de produções, mas que me comovi tanto com a maioria delas. Gosto de acreditar que também vem um pouco da experiência: com o passar dos anos, dispensei filmes em que era fácil identificar, pelo trailer ou pelo que era repercutido do projeto, o gosto duvidoso ou a péssima qualidade das obras em questão. Tentando regular a falta de tempo com o que poderia ver de melhor, fui bastante arrebatado e tento sintetizar na lista abaixo, os momentos que mais ficaram comigo ao longo de 2016. As minhas cenas favoritas do ano estão elencadas por ordem de preferência, e espero que vocês gostem da seleção. Em 2017, quero continuar contando com a melhor companhia para curtir o cinema: vocês. Feliz ano novo e até lá!

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#1 – Um sorriso na multidão (Carol)

Filmes como O Segredo de Brokeback MountainAzul é a Cor Mais Quente, citando obras mais célebres do universo LGBT, são sempre bem-vindos, mas também precisamos de mais experiências como a de Carol, onde o romance se sobrepõe ao drama. O filme de Todd Haynes não se exime de discutir questões importantíssimas do ponto de vista dramático, porém, o foco aqui é outro. No maravilhamento de descobrir o amor e na felicidade de finalmente realizá-lo, a história de Carol (Cate Blanchett) e Therese (Rooney Mara) encanta do início ao seu emblemático fim, que é o nosso momento favorito do cinema em 2016. É reconfortante, esperançoso e até mesmo de tirar o fôlego, seja por aquilo que comunica ou por sua concepção estética (como esquecer a trilha de Carter Burwell?). Impecável.

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#2 – Os astronautas e a piscina (Ponto Zero)

Destaque no grupo de filmes que mexeram intimamente comigo em 2016, Ponto Zero não poderia deixar de estar presente nessa lista, tanto pelo fator emoção quanto pelo apuro técnico. Não é preciso pensar duas vezes: a cena que abre o filme – e depois se repete ao final dele com importantes complementos narrativos – impacta sensorialmente (reforço aqui meu apreço pela trilha sonora assinada por Leo Henkin) e deixa o recado: certas distâncias são dolorosas, mas somente nós podemos suportar os nossos próprios pesos e juntar forças para jogá-los ao alto. Aos olhos, esse momento de Ponto Zero é puro encantamento. Ao coração, será sempre uma forma de remontar nossos pedaços.

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#3 – Clara (Sonia Braga) diz a Diego (Humberto Carrão) que só sairá morta de seu apartamento (Aquarius)

Há quem prefira a cena final (também maravilhosa), mas possivelmente não exista sequência que sintetize com tanta maestria as discussões de Aquarius do que essa em que Clara chega no limite de sua paciência com Diego e afirma categoricamente que só sairá morta de seu apartamento. No tenso encontro (conduzido de forma extremamente simples no texto e na direção, o que só amplia sua veracidade), o diretor e roteirista Kleber Mendonça Filha dá um tapa de luva em muita gente, em especial nas pessoas que, como bem diz a protagonista, acham que dinheiro define caráter. Sem qualquer proselitismo, a cena mexe em muitas feridas de um Brasil contemporâneo – e, de quebra, entrega o melhor momento de Sonia Braga em toda a projeção.

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#4 – “Você pediria em casamento a pessoa que eu sou hoje?” (De Onde Eu Te Vejo)

Distribuindo sensibilidade em cada uma de suas cenas, De Onde Eu Te Vejo alcança um novo patamar nos seus minutos derradeiros quando une dois momentos de forma impecável. Primeiro, a viagem de Fábio (Domingos Montagner) por lugares de São Paulo que marcaram seu relacionamento com Ana (Denise Fraga) a partir de uma carta em forma de gravação escrita por ela. Segundo, o emocionante encontro da dupla, quando, em poucas palavras, ambos reconhecem a beleza de uma história de amor e também da maturidade em reconhecer o fim dela. Tanto Denise quanto Domingos combinam perfeitamente e são fundamentais para a emoção que uma cena como essa é capaz de transmitir.

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#5 – “Simple Song #3” (A Juventude)

Como conferir as duas horas de A Juventude sem criar expectativas pela execução da canção “Simple Song #3”? E não é apenas pela beleza musical de uma ópera que o momento emociona, mas principalmente porque muito da história do maestro Fred Ballinger (Michael Caine) se ilumina a partir dele. A soprana sul-corena Sumi Jo é um arraso ao interpretar a canção, ampliando de forma natural a dramaticidade de uma cena que, assim como tantas outras do longa dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino, comove tanto pela emoção propriamente dita quanto pela beleza com que é capturada.

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#6 – Encontro com o céu (O Quarto de Jack)

A primeira metade de O Quarto de Jack dá um baile na segunda, e é a transição entre elas que reserva o momento mais emblemático do filme. Elogiar o garotinho Jacob Tremblay é chover no molhado, mas não custa reforçar: seu trabalho aqui é coisa de gente grande (e de deixar a celebrada Brie Larson muitas vezes em segundo plano), especialmente nessa cena que, muitíssimo bem dirigida por Lenny Abrahamson, pula de uma crescente tensão para uma inegável beleza dramática em questão de segundos. Presenciar Jack (Tremblay) contemplando um céu limpíssimo com olhos de puro encantamento é de arrepiar.

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#7 – “Não há nada que você possa fazer além de resistir” (Brooklin)

Carinhoso drama de forma clássica, Brooklin carrega boa parte de seu charme na ótima interpretação de Saoirse Ronan ao mesmo tempo em que a direção de John Crowley extrai elegância e delicadeza de situações que, analisadas essencialmente pelo texto, poderiam muito bem descambar para o clichê. Um reencontro da protagonista nos minutos finais da projeção comprovam essa tese. É impossível não se emocionar com o que é visto na tela, mesmo que o espectador já tenha deduzido minutos antes o que estava prestes a acontecer. A narração é sincera, o tom é sutil e a emoção surge irresistível.

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#8 – “Girls Just Wanna Have Fun” (Anomalisa)

Anomalisa é uma experiência emocionalmente marcante. Com uma excepcional dublagem onde se destaca o delicado trabalho de Jennifer Jason Leigh, o filme da dupla Charlie Kaufman e Duke Johnson transforma uma divertida canção como Girls Just Wanna Have Fun em algo profundamente tocante. O momento em que a música de Cindy Lauper ganha vida sintetiza toda a maturidade e a delicadeza dessa obra que discute, com muito talento, questões íntimas que volta e meia soam até superficiais em inúmeros dramas com pessoas de carne e osso.

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#9 – Mesa para dois? (Animais Noturnos)

Filme que divide opiniões, Animais Noturnos tem muitos momentos que só poderiam levar a assinatura do estilista e cineasta Tom Ford. O meu favorito, no entanto, tem menos a ver com apuro estético e mais com apuro emocional. Lindamente vestida (óbvio) para um aguardando encontro, Susan (Amy Adams) chega a um restaurante, pede uma bebida e… aguarda. Ford captura com maestria o que acontece nessa espera, e a trilha de Abel Korzeniowski só engrandece tudo o que se passa internamente com a protagonista em um momento aparentemente corriqueiro mas interminável. Um deslumbre de dramaticidade!

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#10 – Almirante (Nelson Xavier) acorda (A Despedida)

São simplesmente arrebatadores os primeiros minutos de A Despedida, onde o veterano Nelson Xavier se despe (literalmente) de qualquer vaidade para mostrar a via crucis enfrentada por seu personagem para simplesmente levantar da cama, escovar os dentes e se vestir. O trabalho físico do ator é irretocável, mas também existe muito vindo de dentro para fora. Mais do que isso, a sequência de abertura impressiona pela ousadia de sua condução (são longos minutos que transcorrem sem pressa alguma) e pelo apuro dos sentidos (o trabalho de som é fantástico e fundamental para a imersão do espectador). Uma bela abertura para um grande filme.

Melhores de 2015 – Filme

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Não há filme que tenha revolucionado mais do que Mad Max: Estrada da Fúria em 2015. O que o diretor George Miller cria vai além de uma grande aula para o gênero ação. Mad Max chega a ser, na realidade, uma reflexão sobre como o cinema pode e deve acompanhar novos tempos e ideias, quebrando barreiras sexistas e subvertendo o que é esperado de mocinhos e vilões. Grandioso em seu realismo técnico e preenchido por uma adrenalina nunca excessivamente frenética, o longa estrelado por Charlize Theron (Tom Hardy que me desculpe, mas o filme se revela indiscutivelmente dela) é mais do que um espetáculo de efeitos visuais e sonoros como a temporada de premiações apontou. A grande verdade é que Mad Max, além de ser por si só uma verdadeira sinfonia de instrumentos muitíssimo bem afinados, chega para marcar época – e não é nem necessário, tamanha a força do filme, esperar o tempo passar para chegarmos a essa constatação. Confira abaixo os outros filmes do nosso top 10 de 2015 com trechos das críticas publicadas aqui no blog.

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Gravidade | 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne

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2. BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), de Alejandro González Iñárritu: “O mexicano sempre foi ótimo diretor de atores (aqui não é diferente), mas nunca entregou uma obra tão completa em temática e técnica como essa. É o auge de sua carreira. Dos meros bastidores de um teatro às calçadas da Times Square, sua câmera, aliada a uma ótima fotografia de Emmanuel Lubezki e a uma trilha difícil mas inovadora de Antonio Sanchez, está sempre surpreendendo, do primeiro a ao último plano (o final com Emma Stone na janela é excepcional)”.

3. QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert: “Escapa à memória a última vez que um filme tão simples e pequeno se engrandeceu tanto em seus detalhes. O Brasil e seu povo das mais variadas classes estão retratados nesta história executada sem qualquer artifício. Na verdade, nossa realidade está representada com a maior delicadeza, inteligência, contemporaneidade e verossimilhança possíveis. Aqui, Que Horas Ela Volta? funciona como entretenimento de grande reflexão. Lá fora, como veículo de importantes informações sobre um país que, para os estrangeiros, ainda está resumido aos retratos feitos em Cidade de DeusTropa de Elite“.

4. DIVERTIDA MENTE, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen: “Tão genial quanto parece ou quanto qualquer análise pode apontar, Divertida Mente recupera uma força criativa que parecia perdida na Pixar – e o faz transbordando criatividade e emoção em um roteiro atento a todos os detalhes, onde nenhum detalhe é esquecido. Porém, assim como em quase todos os filmes do estúdio, o que fica de mais válido é a série de ensinamentos deixados pela história em questão”.

5. 45 ANOS, de Andrew Haigh: “Passando do inesperado romance jovem de Weekend para o relato maduro de um casamento de mais de quatro décadas que entra em uma intensa reflexão, Andrew Haigh não tropeça na significativa transição temática e entrega, em 45 Anos, uma sólida história onde o presente é reinterpretado a partir do passado rumo a um futuro agora incerto. Sabendo o mínimo possível sobre os detalhes da trama, a experiência de mergulhar nesta repentina reavaliação matrimonial se torna ainda mais envolvente”.

6. DOIS DIAS, UMA NOITE, de Jean-Pierre e Luc Dardenne: “Não espere ver aqui Marion Cotillard ajoelhada frente aos personagens implorando por emprego ou incansáveis choros desesperados dela. Na verdade, as cenas mais belas de Dois Dias, Uma Noite são aquelas que fazem justamente o contrário – e uma das mais bonitas é aquela em que Sandra, frente ao espelho e prestes a cair em lágrimas, se recompõe e repete para si mesma: “você não tem que chorar”.

7. FOXCATCHER – UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO, de Bennett Miller: “Esta dinâmica [a dos protagonistas] tão suscetível a tons mais elevados é conduzida com plena sobriedade por Miller que, mesmo nos mínimos detalhes, age discretamente para envolver o espectador, como no espetacular uso da trilha sonora de Rob Simonsen. Isto não anula, entretanto, a tensão que existe no ar: sempre algo parece prestes a explodir – o que é mérito justamente do diretor de nunca pesar a mão nas cenas”.

8. WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, de Damien Chazelle: “O diretor, também autor do roteiro, é certeiro ao desenvolver quase todo o filme em cenas com as duras aulas do personagem de J.K. Simmons e ao transmitir toda a força destes momentos não só para o texto mas também para a técnica: percebam como a todo o momento a câmera está extremamente próxima aos rostos do personagens, além de capturar, com planos bastante fechados, toda a intimidação que o mestre passa quando fala incessantemente ao pé do ouvido do aprendiz Andrew (Miles Teller) na hora de um ensaio”.

8. ACIMA DAS NUVENS, de Olivier Assayas: É de tirar o chapeu como o francês Assayas fala praticamente o tempo inteiro sobre interpretação, escolha de papeis e preparação de elenco sem nunca entregar o seu filme à teatralidade. As longas cenas de ensaios e bastidores entre as personagem de Binoche e Kristen Stewart são bastante envolventes porque, além de filmadas com bastante fluidez, discorrem dinamicamente sobre outros temas pertinentes às figuras em cena e também ao mundo artístico no geral, como o conflito de gerações, os limites de envolvimento de um ator com um papel e os caminhos cada vez mais distorcidos da relação entre obra e público.

9. CÁSSIA ELLER, de Paulo Henrique Fontenelle: “o documentário de Fontenelle, além de completo e delicado ao passear pela vida da cantora, acerta na sua lição de casa ao explorar a contribuição musical da carioca que até os dias de hoje é considerada referência. Respeitoso, Cássia Eller nos leva ao íntimo de sua personagem com depoimentos de amigos e admiradores e também com um vasto material pessoal (as fotos, muito íntimas, são de uma beleza única, assim como as cartas lidas por Malu Mader)”.

10. MAPAS PARA AS ESTRELAS, de David Cronenberg: “Mapas Para as Estrelas não é para qualquer um. Além do final que transborda pessimismo, este é um longa de personagens difíceis inseridos em situações e vidas sufocantes. Assombrados por expectativas e alucinações, tentam colocar suas vidas nos trilhos. Mas tudo isso não impede que o resultado seja uma viagem gratificante, reflexiva e subversiva. Mais do que isso, uma investida bastante completa, como há tempos Cronenberg não fazia”.

Melhores de 2015 – Atriz

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Desde 2007, quando a premiação do blog foi criada, registramos somente um empate: o de melhor atriz, em 2011, quando Charlotte Gainsbourg e Kirsten Dunst se saíram vitoriosas por Melancolia. A exceção se repete agora, com a mesma justificativa que descreveu o trabalho das atrizes dirigidas por Lars Von Trier: em Que Horas Ela Volta?, Regina Casé e Camila Márdila dependem tanto uma da outra que é impossível descolá-las ao falar da qualidade de suas interpretações. Márdila, provocativa e cheia de personalidade, é o contraponto perfeito para um Regina Casé que esbanja humanidade com uma personagem altamente complexa em sua subserviência. Quando as duas estão juntas, Que Horas Ela Volta? é fascinante, mérito também do ótimo texto escrito por Anna Muylaert. Márdila e Casé são impecáveis, transitando entre o drama e a comédia com uma complementariedade invejável. Ainda disputavam a categoria: Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria), Charlotte Rampling (45 Anos), Juliette Binoche (Acima das Nuvens) e Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite).

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Rosamund Pike (Garota Exemplar) | 2013 – Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente) | 2012 – Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin) | 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia| 2010 – Carey Mulligan (Educação| 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho| 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!| 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

Melhores de 2015 – Direção

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Se o auge da vitalidade de um diretor experiente parecia ser Clint Eastwood aos 76 anos comandando dois ambiciosos dramas de guerra como A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima, George Miller veio com tudo para roubar tal título em 2015. Afinal, é embasbacante constatar que um longa tão grandioso, criativo, contemporâneo e visceral como Mad Max: Estrada da Fúria seja capitaneado por um diretor de mais de 70 anos que, nos últimos tempos, estava concentrado apenas em projetos menores e dedicados mais ao coração como O Óleo de LorenzoHappy Feet: O Pinguim Babe – O Porquinho Atrapalhado na Cidade. Não é por Miller não ter perdido o tino para ação desde que realizou o último Mad Max em 1985 que Estrada da Fúria se firma desde já como um clássico contemporâneo, mas porque o diretor realmente revoluciona atrás das câmeras, repaginando o gênero, mostrando inteligência ao criar um universo próprio e regulando a ação como há muitos anos não testemunhávamos. Miller ainda inverte o jogo, fazendo o belo serviço de dar total protagonismo para as mulheres e provando que, mais do que se adaptar às novas tecnologias, diretores também precisam aprender a contribuir de forma conceitual para a indústria. Ainda disputavam a categoria: Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)), Andrew Haigh (45 Anos), Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?) e Bennett Miller (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo).

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – David Fincher (Garota Exemplar) | 2013 – Alfonso Cuarón (Gravidade) | 2012 – Leos Carax (Holy Motors) | 2011 – Darren Aronofsky (Cisne Negro| 2010 – Christopher Nolan (A Origem| 2009 – Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?| 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro| 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel)

Melhores de 2015 – Roteiro Adaptado

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Baseado no conto In Another Country, de David Constantine, 45 Anos reafirmou Andrew Haigh como um talentoso contador de histórias sobre as relações humanas. Dessa vez, no entanto, era difícil prever que ele tivesse tanta maturidade guardada entre suas habilidades. Isso porque o retrato de um casamento que começa a desmoronar a partir de uma notícia aparentemente banal é verossímil a ponto de nos fazer acreditar que Haigh, também autor do roteiro, já tenha experimentado tudo aquilo na vida. Tanto o naturalismo com que ele constrói as cenas quanto a forma angustiante com que o filme envolve o espectador mostram que o roteiro é grande em forma e conteúdo, o que é raro em uma história extremamente desafiadora por si só. Afinal, como narrar com a devida inteligência os dias de uma mulher, que, beirando os 70 anos, vê toda uma história de vida que acreditava ser certa desabar? Não há dúvidas: Andrew Haigh mostra o caminho. Ainda disputavam a categoria: Dívida de HonraExpresso do AmanhãMacbeth: Ambição e GuerraWhiplash: Em Busca da Perfeição.

EM ANOS ANTERIORES: 2014 Garota Exemplar | 2013Azul é a Cor Mais Quente | 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo