Cinema e Argumento

Melhores de 2015 – Efeitos Visuais

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Descrito pelo diretor George Miller como uma alegoria que se aproxima da ideia de um western sobre rodas, Mad Max: Estrada da Fúria faz um belo serviço para os filmes de grande escala que ganham as telas de cinema: o de nos lembrar de que nem sempre o CGI é uma ferramenta indispensável. Isso porque mais de 80% do longa estrelado por  Charlize Theron e Tom Hardy utiliza efeitos práticos, com explosões reais, dublês e sets e maquiagens feitos especialmente para retratar determinado contexto. É puro realismo, mas isso também não desmerece o CGI muitíssimo bem empregado em momentos grandiosos (a imponente tempestade de areia) e em construções particularmente discretas (o braço mecânico da Imperatriz Furiosa). Ainda disputavam a categoria: No Coração do Mar e Star Wars: O Despertar da Força.

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto | 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2015 – Ator Coadjuvante

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Se não fosse por um imbatível J.K. Simmons (Whiplash – Em Busca da Perfeição), Edward Norton poderia muito bem ter vencido o seu primeiro Oscar por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). Seria não apenas um tributo ao talento do ator já explorado em outras obras, mas também aos altos níveis de interpretação que ele alcança no filme de Alejandro González Iñárritu. Perfeito em toda loucura, imprevisibilidade, egocentrismo e genialidade de um ator que acaba de embarcar na peça de teatro estrelada por Riggan Thomson (Michael Keaton), Norton rouba a cena toda vez que aparece, e não é de se duvidar que ele entregue a atuação mais marcante dentro de um elenco já excepcional. Nós amamos odiar o genioso Mike interpretado pelo ator, especialmente porque Edward Norton se esbalda em todas as possibilidades que lhe permitem brilhar. Ainda disputavam a categoria: Benicio Del Toro (Sicario: Terra de Ninguém), Irandhir Santos (Ausência), Lourenço Mutarelli (Que Horas Ela Volta?) e Mark Ruffalo (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo).

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)

Melhores de 2015 – Atriz Coadjuvante

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É preciso admirar a coragem de Kristen Stewart ao ter topado embarcar em um projeto como Acima das Nuvens. Amaldiçoada por seus desempenhos repetitivos e enjoados na saga Crepúsculo, a jovem atriz não se intimidou ao aceitar o desafio de trabalhar ao lado de uma gigante como Juliette Binoche. Em qualquer circunstância, era de se imaginar que esse seria um completo suicídio e que, por mais generosa que fosse La Binoche, Stewart estaria fadada a desaparecer diante dela. Poucas vezes – e poucas vezes mesmo! – foi maravilhoso estar enganado. Ninguém era capaz de prever que ela faria um trabalho minucioso em parceria com a protagonista, provando que seus dias no mundo vampiresco realmente ficaram para trás. Como Valentine, a fiel assistente da consagrada intérprete Maria Enders (Binoche), Kristen Stewart brilhou nos detalhes e nas discretas complexidades de um papel essencial para a ampliação dos dramas pensados pelo diretor e roteirista Olivier Assayas. A dinâmica cinematográfica e teatral entre as duas personagens e o confronto de gerações que surge cena a cena tiram o melhor de Stewart, que, muito merecidamente, se tornou a primeira atriz estadunidense a conquistar um César em mais de quatro décadas da premiação. Ainda disputavam a categoria: Karine Telles (Que Horas Ela Volta?), Laura Dern (Livre), Naomi Watts (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) e Tilda Swinton (Expresso do Amanhã).

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas)| 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

Melhores de 2015 – Elenco

Melhor Elenco - Birdman

É sempre admirável quando um filme consegue tirar o melhor proveito de seus atores, seja dos que protagonizam a história ou daqueles que aparecem brevemente em cena. Birdman se enquadra nesse grupo não simplesmente por ter atores talentosos por todos os cantos, mas por saber aproveitá-los. Se a ironia de ter Michael Keaton interpretando um sujeito de carreira decadente tentando dar a volta por cima é perfeitamente funcional, nomes como Zach Galifianakis e Amy Ryan se destacam em poucas cenas com versatilidade (é o caso dele) ou simplesmente por serem realmente ótimos com qualquer texto (Ryan prova mais uma vez que merecia chances melhores no cinema). E o que falar de Edward Norton totalmente ensandecido como o egocêntrico ator substituto que chega ao espetáculo encenado pelo filme? Ou de Naomi Watts, tão maravilhosa e subestimada como uma atriz insegura que está prestes a pisar pela primeira vez em um palco da Broadway? Mesmo Emma Stone, ovacionada em excesso com indicações para todos os prêmios por seu trabalho aqui, tem uma cena especial: aquela em que enfrenta o pai, acusando-o de estar alheio ao mundo a sua volta. Ainda disputavam a categoria: Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo, Mapas Para as Estrelas, Que Horas Ela Volta? e Sicario: Terra de Ninguém.

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Álbum de Família | 2012 – O Impossível | 2011 – Tudo Pelo Poder | 2010 – Minhas Mães e Meu Pai | 2009 – Dúvida | 2008 – Vicky Cristina Barcelona | 2007 – Bobby

Melhores de 2015 – Fotografia

Melhor Fotografia - Macbeth

Adam Arkapaw tem uma infinidade de trabalhos como diretor de fotografia em curtas-metragens, mas a sua credencial definitiva como o profissional ideal para esse segmento de Macbeth: Ambição e Guerra foi a trajetória em seriados e minisséries como Top of the Lake e True Detective, programas que, curiosamente, refletem, assim como o texto de Shakespeare no qual o filme é baseado, a ideia de que não existe nada mais sombrio na vida do que a própria mente humana. As escolhas de Arkapaw não são unânimes: há quem considere óbvio o uso das cores e a forma como as lentes exploram o design de produção. Particularmente, senti o oposto, e fui submerso (ou seria sufocado?) pela fotografia, seja quando Arkapaw enquadra lady Macbeth (Marion Cotillard) sorrateiramente atrás de seu marido, representando a figura aparentemente secundária mas manipuladora que ela é ou quando assombra o espectador ao fazer um personagem desaparecer em uma paisagem avermelhada que claramente remete ao inferno que destruiu todo um reino. Ainda disputavam a categoria: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), Mad Max: Estrada da Fúria, Sicario: Terra de Ninguém e Sr. Turner.

EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Ida | 2013 – Gravidade | 2012 – As Aventuras de Pi | 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira