Melhores de 2016 – Ator Coadjuvante

Certamente deve ter acontecido algum equívoco por parte dos votantes das premiações em 2016 para que Christian Bale fosse indicado como melhor ator coadjuvante no lugar de Steve Carell por A Grande Aposta. É de indignar a preguiça: quando Carell está sob pesada maquiagem fazendo drama (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo), o reconhecimento é garantido. Já quando volta às raízes da comédia, é como se praticamente não existisse (já era assim lá em 2006 com Pequena Miss Sunshine, onde Alan Arkin acabou sendo o único do elenco masculino a receber qualquer honraria). Em A Grande Aposta, Carell é novamente subestimado, mas a situação é muito mais grave porque não há desculpas para o esquecimento, seja pelo status já alcançado pelo ator ou por sua própria expressividade em cena. Como um sujeito que parece sempre à beira de um infarto tamanha a ansiedade com o trabalho, o ator entrega uma de suas interpretações mais completas ao transitar entre a comédia e o drama, uma vez que, apesar do humor, seu Mark Baum é um homem atormentado por fantasmas do passado (mais especificamente aqueles envolvendo o suicídio do irmão) e pela consciência de que sua profissão pode agraciar ou devastar vidas na mesma proporção. E Carell o faz com toda versatilidade, humanidade e sutileza que sempre foram tão subestimadas em filmes como Amor a Toda Prova e Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada. Ainda disputavam a categoria: Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos), Humberto Carrão (Aquarius), Michael Shannon (Animais Noturnos) e Tom Hardy (O Regresso).
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)
Melhores de 2016 – Maquiagem e Penteados

Se como um todo Ave, César! divide opiniões, não há como negar a excelência da reconstituição de época que o filme faz da Hollywood dos anos 1950. E o trabalho técnico se torna ainda mais interessante porque a história captura os bastidores da indústria cinematográfica, o que abre um extenso leque de criação para segmentos como o de maquiagem e penteados, por exemplo. O trabalho da dupla Cydney Cornell e Jean Black para recriar o visual da época nesse sentido é fruto de uma grande temporada de pesquisa que abrange desde filmes como Quo Vadis ao visual de estrelas como Esther Williams e Roy Rogers. Na maquiagem e nos penteados, Cornell e Black realmente imergem astros como Channing Tatum e Scarlett Johansson na era de ouro do cinema da década de 1950, fazendo com que eles pareçam teletransportados diretamente de lá. E se a dupla ainda teve o desafio de trabalhar Tilda Swinton no papel de irmãs gêmeas com personalidades distintas, é importante valorizar outras grandes dimensões quantidade: Ave, César, por registrar os bastidores de um épico, conta com uma grande quantidade de figurantes, exigindo da maquiagem uma infinidade de borrifadas de spray para garantir um bronzeamento coletivo e convincente. Ainda disputavam a categoria: Florence: Quem é Essa Mulher? e A Garota Dinamarquesa.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – A Morte do Demônio | 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)
Melhores de 2016 – Efeitos Visuais

Doutor Estranho é um sopro de criatividade na fatigada lista de adaptações de quadrinhos para o cinema. Bem humorado e eficiente, o filme de Scott Derrickson também surpreende pela parte técnica, que dá vida a um universo muito particular de forma completamente instigante. Os efeitos visuais têm missão fundamental nessa jornada, pois nunca soam artificiais mesmo quando o longa precisar tomar escalas mais impressionantes: as cenas em que os protagonistas embaralham cidades ao brincar com suas dimensões são de tirar o fôlego pelo requinte técnico e pela originalidade. Não é sempre que heróis e vilões travam combates tão interessantes esteticamente, e Doutor Estranho, a partir da criatividade de seus efeitos, consegue se destacar nesse marasmo de filmes de quadrinhos que parecem todos iguais. Ainda disputavam a categoria: Animais Fantásticos e Onde Habitam e Deadpool.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto | 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)
Melhores de 2016 – Atriz Coadjuvante

Não é por abandonar qualquer glamour que enalteça sua beleza já natural que Juliana Paes é uma grande revelação em A Despedida. Carismática atriz ela sempre foi, mas aqui encontra o trabalho mais íntimo de sua carreira, construindo uma personagem cuja dramaticidade vem quase inteiramente de dentro para fora. É lançando um olhar carinhoso sem que isso se confunda com piedade ou arquitetando secretamente momentos de generosidade para que Almirante (Nelson Xavier), seu amante 55 anos mais velho, não se sinta enfraquecido e até mesmo inválido que Juliana Paes constrói uma personagem fascinante: apesar de nova, sua Fátima é uma mulher visivelmente calejada e triste que se ilumina por completo com a mais atípica das paixões. Ao contrário do que se poderia esperar, principalmente pela disparidade de idade, não há um momento sequer de A Despedida em que o espectador duvide de sua paixão por Almirante. Afinal, para ela, hombridade não está na idade – e sim na retidão de caráter, no carinho, na integridade. E bastam cerca de meros vinte minutos (no belíssimo ato final do filme) para que ela permaneça na memória tanto quanto o protagonista. Ainda disputavam a categoria: Anya Taylor-Joy (A Bruxa), Jane Fonda (A Juventude), Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) e Kate Winslet (Steve Jobs).
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens) | 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas)| 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)
Melhores de 2016: indicados

Lembrado em oito categorias, o drama Carol é o líder de indicações da lista de melhores do ano do Cinema e Argumento em 2016. As produções A Bruxa, A Juventude, Aquarius e Ponto Zero aparecem em segundo lugar com cinco indicações cada.
Essa é uma lista de escolhas guiadas basicamente pelo coração. Também é uma lista que tenta, na medida do possível, conciliar os filmes de viagens profundamente pessoais com aqueles que, aqui ou ali, conquistaram nossa admiração cinematográfica em determinados aspectos. Quando se pensa prioritariamente com o coração, muita coisa legal pode ficar de fora (Boi Neon, por exemplo, que é um ótimo filme), mas nada é melhor do que a autenticidade em um momento como esse. Liderando a nossa seleção de melhores filmes de 2016, o drama Carol concorre em oito categorias (filme, direção, atriz para Cate Blanchett e Rooney Mara, roteiro adaptado, trilha sonora, design de produção e figurino), seguido de perto pelos brasileiros Aquarius e Ponto Zero, representando o ano marcante para produções realizadas no nosso país (De Onde Eu Te Vejo, A Despedida, Sinfonia da Necrópole ainda são lembradas em categorias pontuais) e por A Bruxa e A Juventude, todos com cinco indicações cada. Os vencedores serão divulgados nos próximos posts aqui do blog. Enquanto isso, não deixe de conferir na aba melhores do ano os nossos vencedores desde 2007.
MELHOR FILME
Aquarius
Carol
Elle
A Juventude
Ponto Zero
MELHOR DIREÇÃO
José Pedro Goulart (Ponto Zero)
Kleber Mendonça Filho (Aquarius)
Paul Verhoeven (Elle)
Robert Eggers (A Bruxa)
Todd Haynes (Carol)
MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Carol)
Denise Fraga (De Onde Eu Te Vejo)
Isabelle Huppert (Elle)
Rooney Mara (Carol)
Sonia Braga (Aquarius)
MELHOR ATOR
Domingos Montagner (De Onde Eu Te Vejo)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)
Michael Fasbender (Steve Jobs)
Nelson Xavier (A Despedida)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anya Taylor-Joy (A Bruxa)
Jane Fonda (A Juventude)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Juliana Paes (A Despedida)
Kate Winslet (Steve Jobs)
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
Humberto Carrão (Aquarius)
Michael Shannon (Animais Noturnos)
Steve Carell (A Grande Aposta)
Tom Hardy (O Regresso)
MELHOR ELENCO
A Juventude
Animais Noturnos
Aquarius
De Onde Eu Te Vejo
Spotlight – Segredos Revelados
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Aquarius
De Onde Eu Te Vejo
A Juventude
Sinfonia da Necrópole
Spotlight – Segredos Revelados
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Carol
A Chegada
Elle
Steve Jobs
O Quarto de Jack
MELHOR MONTAGEM
O Contador
A Grande Aposta
Ponto Zero
Spotlight – Segredos Revelados
Steve Jobs
MELHOR FOTOGRAFIA
A Bruxa
A Chegada
Fogo no Mar
Ponto Zero
O Regresso
MELHOR TRILHA SONORA
A Bruxa
A Chegada
Carol
Ponto Zero
O Regresso
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Ave, César!
A Bruxa
Carol
O Roubo da Taça
MELHOR FIGURINO
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Animais Noturnos
Brooklin
Carol
A Garota Dinamarquesa
MELHOR SOM
A Chegada
O Contador
Ponto Zero
O Regresso
O Silêncio do Céu
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Canção da Metrópole” (Sinfonia da Necrópole)
“None of Them Are You” (Anomalisa)
“Simple Song #3” (A Juventude)
“Still Falling for You” (O Bebê de Bridget Jones)
“Try Everything” (Zootopia – Essa Cidade é o Bicho)
MELHORES EFEITOS VISUAIS
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Deadpool
Doutor Estranho
MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Ave, César!
Florence: Quem é Essa Mulher?
A Garota Dinamarquesa