Melhores de 2016 – Trilha Sonora

Auge da carreira eclética mas subestimada de Carter Burwell (Fargo, Adaptação, Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto, Quero Ser John Malkovich), a trilha sonora de Carol marca a nova colaboração do compositor com o diretor Todd Haynes. A proximidade dos dois em trabalhos como Velvet Goldmine e a minissérie Mildred Pierce certamente foi um ganho para toda a delicadeza alcançada por essa mais recente parceria. Em Carol, a trilha sonora cumpre com perfeição a mais importante das funções desse segmento em qualquer obra: a narração. Não apenas as partituras de Burwell criam temas inesquecíveis para o romance de Therese Belivet (Rooney Mara) e Carol Aird (Cate Blanchett), como também conduzem a dramaticidade da história sem nunca sublinhar o que é óbvio ou forçar emoções. A intensidade da trilha de Carol está na sutileza, e ela é tanta que reverbera durante muito tempo após a sessão sem que tenha exagerado em qualquer nota para alcançar tal feito. É trabalho de mestre. Ainda disputavam a categoria: A Bruxa, A Chegada, Ponto Zero e O Regresso.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Sicario: Terra de Ninguém | 2014 – Ela | 2013 – Gravidade | 2012 – Tão Forte e Tão Perto | 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação| 2007 – A Rainha
Melhores de 2016 – Ator Coadjuvante

Certamente deve ter acontecido algum equívoco por parte dos votantes das premiações em 2016 para que Christian Bale fosse indicado como melhor ator coadjuvante no lugar de Steve Carell por A Grande Aposta. É de indignar a preguiça: quando Carell está sob pesada maquiagem fazendo drama (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo), o reconhecimento é garantido. Já quando volta às raízes da comédia, é como se praticamente não existisse (já era assim lá em 2006 com Pequena Miss Sunshine, onde Alan Arkin acabou sendo o único do elenco masculino a receber qualquer honraria). Em A Grande Aposta, Carell é novamente subestimado, mas a situação é muito mais grave porque não há desculpas para o esquecimento, seja pelo status já alcançado pelo ator ou por sua própria expressividade em cena. Como um sujeito que parece sempre à beira de um infarto tamanha a ansiedade com o trabalho, o ator entrega uma de suas interpretações mais completas ao transitar entre a comédia e o drama, uma vez que, apesar do humor, seu Mark Baum é um homem atormentado por fantasmas do passado (mais especificamente aqueles envolvendo o suicídio do irmão) e pela consciência de que sua profissão pode agraciar ou devastar vidas na mesma proporção. E Carell o faz com toda versatilidade, humanidade e sutileza que sempre foram tão subestimadas em filmes como Amor a Toda Prova e Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada. Ainda disputavam a categoria: Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos), Humberto Carrão (Aquarius), Michael Shannon (Animais Noturnos) e Tom Hardy (O Regresso).
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)
Melhores de 2016 – Maquiagem e Penteados

Se como um todo Ave, César! divide opiniões, não há como negar a excelência da reconstituição de época que o filme faz da Hollywood dos anos 1950. E o trabalho técnico se torna ainda mais interessante porque a história captura os bastidores da indústria cinematográfica, o que abre um extenso leque de criação para segmentos como o de maquiagem e penteados, por exemplo. O trabalho da dupla Cydney Cornell e Jean Black para recriar o visual da época nesse sentido é fruto de uma grande temporada de pesquisa que abrange desde filmes como Quo Vadis ao visual de estrelas como Esther Williams e Roy Rogers. Na maquiagem e nos penteados, Cornell e Black realmente imergem astros como Channing Tatum e Scarlett Johansson na era de ouro do cinema da década de 1950, fazendo com que eles pareçam teletransportados diretamente de lá. E se a dupla ainda teve o desafio de trabalhar Tilda Swinton no papel de irmãs gêmeas com personalidades distintas, é importante valorizar outras grandes dimensões quantidade: Ave, César, por registrar os bastidores de um épico, conta com uma grande quantidade de figurantes, exigindo da maquiagem uma infinidade de borrifadas de spray para garantir um bronzeamento coletivo e convincente. Ainda disputavam a categoria: Florence: Quem é Essa Mulher? e A Garota Dinamarquesa.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – A Morte do Demônio | 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)
Melhores de 2016 – Efeitos Visuais

Doutor Estranho é um sopro de criatividade na fatigada lista de adaptações de quadrinhos para o cinema. Bem humorado e eficiente, o filme de Scott Derrickson também surpreende pela parte técnica, que dá vida a um universo muito particular de forma completamente instigante. Os efeitos visuais têm missão fundamental nessa jornada, pois nunca soam artificiais mesmo quando o longa precisar tomar escalas mais impressionantes: as cenas em que os protagonistas embaralham cidades ao brincar com suas dimensões são de tirar o fôlego pelo requinte técnico e pela originalidade. Não é sempre que heróis e vilões travam combates tão interessantes esteticamente, e Doutor Estranho, a partir da criatividade de seus efeitos, consegue se destacar nesse marasmo de filmes de quadrinhos que parecem todos iguais. Ainda disputavam a categoria: Animais Fantásticos e Onde Habitam e Deadpool.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Planeta dos Macacos: O Confronto | 2013 – Gravidade | 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar (primeiro ano da categoria)
Melhores de 2016 – Atriz Coadjuvante

Não é por abandonar qualquer glamour que enalteça sua beleza já natural que Juliana Paes é uma grande revelação em A Despedida. Carismática atriz ela sempre foi, mas aqui encontra o trabalho mais íntimo de sua carreira, construindo uma personagem cuja dramaticidade vem quase inteiramente de dentro para fora. É lançando um olhar carinhoso sem que isso se confunda com piedade ou arquitetando secretamente momentos de generosidade para que Almirante (Nelson Xavier), seu amante 55 anos mais velho, não se sinta enfraquecido e até mesmo inválido que Juliana Paes constrói uma personagem fascinante: apesar de nova, sua Fátima é uma mulher visivelmente calejada e triste que se ilumina por completo com a mais atípica das paixões. Ao contrário do que se poderia esperar, principalmente pela disparidade de idade, não há um momento sequer de A Despedida em que o espectador duvide de sua paixão por Almirante. Afinal, para ela, hombridade não está na idade – e sim na retidão de caráter, no carinho, na integridade. E bastam cerca de meros vinte minutos (no belíssimo ato final do filme) para que ela permaneça na memória tanto quanto o protagonista. Ainda disputavam a categoria: Anya Taylor-Joy (A Bruxa), Jane Fonda (A Juventude), Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) e Kate Winslet (Steve Jobs).
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens) | 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas)| 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)