Cinema e Argumento

Melhores de 2016 – Canção Original

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Em todos os sentidos, “Simple Song #3” é uma canção impecável. Por si só, já seria uma ópera de arrepiar, mas, contextualizada em A Juventude, ganha um valor extremamente simbólico. É importante valorizar músicas narrativas porque essa é a melhor função que elas podem ter no cinema: complementar, sintetizar ou simplesmente traduzir histórias. E o diretor Paolo Sorrentino, que costuma prezar por esse diálogo em seus trabalhos, faz uma perfeita representação de tal ideia com a canção escrita por David Lang. Encerrando A Juventude, “Simple Song #3”, com beleza e elegância, dá o tom a um momento muito aguardado do filme. Sam Smith que me perdoe, mas todos os prêmios que ele recebeu com a tediosa “Writing’s on the Wall” para 007 Contra Spectre se tornam uma ofensa quando o perfeito tino cinematográfico de “Simples Song #3” entra na jogada. Ainda disputavam a categoria: “Canção da Metrópole” (Sinfonia da Necrópole), “None of Them Are You” (Anomalisa), “Still Falling for You” (O Bebê de Bridget Jones) e “Try Everything” (Zootopia – Essa Cidade é o Bicho).

EM ANOS ANTERIORES: 2015 – “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) | 2014 – “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante) | 2013 – “Last Mile Home” (Álbum de Família) | 2012 – “Skyfall” (007 – Operação Skyfall) | 2011 – “Life’s a Happy Song” (Os Muppets) | 2010 – “Better Days” (Comer Rezar Amar) | 2009 – “By the Boab Tree” (Austrália) | 2008 – “Falling Slowly” (Apenas Uma Vez)

Melhores de 2016 – Roteiro Original

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O Som ao Redor, longa de estreia do pernambucano Kleber Mendonça Filho, pode até ser mais afiado em determinadas leituras da contemporaneidade brasileira, mas isso não diminui o valor do grande roteiro de Aquarius. É, inclusive, mera questão de estilo. No filme estrelado por Sonia Braga, Kleber reforça sua total influência como uma das grandes vozes do cinema brasileiro. E isso não se deve apenas ao que o filme representou em um conturbado momento político do nosso país. O roteiro escrito por ele, na verdade, encontra sua real excelência em outros aspectos que ficaram em segundo plano na época do lançamento do flonga. Analisado mais isoladamente, Aquarius é, antes de qualquer coisa, um hino à força feminina, construindo, com intensidade e delicadeza, a bela história de uma mulher de meia-idade independente, forte, muito bem posicionada e ativa sexualmente. A partir da riquíssima personalidade de Clara (Sonia Braga), Kleber entrega um roteiro rico em interpretações e reforça, assim como o recente Elle, a ideia que, às vezes, basta uma grande personagem ser plenamente compreendida e lida de forma inteligente em suas mais diversas facetas para que o roteiro de uma obra seja suficientemente fascinante. Ainda disputavam a categoria: De Onde Eu Te Vejo, A Juventude, Spotlight – Segredos Revelados e Sinfonia da Necrópole.

EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Que Horas Ela Volta? | 2014 – Relatos Selvagens |  2013 – Antes da Meia-Noite | 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille

Melhores de 2016 – Figurino

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Com três Oscars na bagagem, Sandy Powell já foi figurinista de mais de 40 filmes e teve a oportunidade de ir do clássico (Shakespeare Apaixonado, A Jovem Rainha Victoria, O Aviador) ao mágico (Cinderela, A Invenção de Hugo Cabret e atualmente criando para Mary Poppins Returns). São muitos os figurinos de destaque em sua admirável carreira, e Carol certamente está entre eles. Antes da elegância incontestável dos casacos e vestidos de Carol (Cate Blanchett) ou da delicadeza e introspecção das roupas de Therese (Rooney Mara), os figurinos impressionam pela imensa inteligência em definir com precisão a personalidade de suas protagonistas e toda a jornada emocional que elas atravessam no filme dirigido por Todd Haynes. Se Therese usa roupas delicadas e de tons mais leves como o verde, representando sua identidade dócil, Carol é frequentemente vista usando vermelho, simbolizando a paixão vista pelos olhos da jovem interpretada por Rooney Mara. Quando se enamoram, ambas frequentemente trocam de cores, o que claramente denota o profundo conhecimento dos figurinos acerca do envolvimento emocional dessas duas mulheres. Já a sociedade que tanto impõe fronteiras às duas se veste com ternos marrons e beges, criando um padrão estético que leva o espectador imediatamente a associá-lós a um impedimento da paixão por qual tanto torcemos. É trabalho de sintonia rara. Ainda disputavam a categoria: Animais Fantásticos e Onde Habitam, Animais Noturnos, Brooklin e A Garota Dinamarquesa.

EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2016 – Design de Produção

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Uma das melhores decisões de Animais Fantásticos e Onde Habitam é criar uma personalidade própria ao invés de ser apenas uma extensão de Harry Potter. E quando falamos sobre personalidade própria, isso também se estende a toda técnica do filme, que, ao transportar sua história do Reino Unido para os Estados Unidos, já ganha uma nova roupagem. Mas Animais Fantásticos é mais ambicioso do que somente a ideia de trocar de país. Unindo a experiência de Stuart Craig no mundo bruxo (ele participou de todos os filmes de Harry Potter) com a competência de James Hambridge em aventuras contemporâneas (ele se junto ao time com Batman: O Cavaleiro das Trevas e 007 – Cassino Royale entre outros grandes trabalhos na bagagem), o design de produção de Animais Fantásticos consegue fazer uma mistura perfeita entre a magia dos bruxos e a normalidade dos trouxas (aos que não sabem: esse é o termo usado para definir quem não faz parte do mundo mágico). Por ambientar boa parte de sua história na vida dos que não desfrutam de feitiços, o longa precisa registrar uma época com fidelidade (a história se passa nos anos 1920), e o faz com grande frescor, além de mesclar tudo isso com a inventividade não menos impressiva de um realidade paralela repleta de cenários transformados pela magia e pela imaginação. Ainda disputavam a categoria: Ave, César!, A Bruxa, Carol e O Roubo da Taça.

EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Expresso do Amanhã | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2016 – Som

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A estrutura de Ponto Zero é fascinante porque pega o drama aparentemente comum (mas incrivelmente denso) de um garoto de 14 anos preso em um doentio furacão familiar para, lá na metade, jogá-lo em uma noite surrealista, acompanhada quase em tempo real pelo filme, que irá transformá-lo para sempre. Ao entrar nesse universo noturno e chuvoso, o requinte técnico do filme de José Pedro Goulart se acentua, explorando ainda mais o poder narrativo de setores como o de som, aqui assinado pela dupla Chrístian Vaisz e Kiko Ferraz. Entre os barulhos que ilustram eventuais momentos de horror do protagonista Ênio (Sandro Aliprandini), como o acidente na rua e o mistério em relação ao que pode estar ou não embaixo de um carro, o som também captura o minimalismo dos silêncios embalados pelo melancólico barulho de uma chuva incessante. Ponto Zero sabe, assim como em tantas outras de suas virtudes, que o trabalho de Vaisz e Ferraz é tão fundamental para a ambientação da história quanto a direção, o roteiro e o elenco dela. Ainda disputavam a categoria: A Chegada, O Contador, O Regresso e O Silêncio do Céu.

EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne