Filmes em DVD

Acusados, de Jonathan Kaplan
Com Jodie Foster, Kelly McGillis e Bernie Coulson

Antes de ganhar o Oscar por seu desempenho como Clarice Starling em O Silêncio dos Inocentes, a impecável Jodie Foster já havia recebido a estatueta dourada por seu trabalho em Acusados. Certamente, é nesse drama de tribunal que ela apresenta seu melhor momento no cinema, em performance ousada para a época do filme, contando com uma pesada e longa cena de estupro. O mais interessante do longa de Jonathan Kaplan é que ele faz questionamentos sobre a identidade da protagonista, que está abrindo processo por causa do tal estupro, deixando uma incógnita para o espectador: seria ela uma mentirosa ou realmente uma vítima? Somente no final descobrimos isso, quando enxergamos a encenação do crime. Tudo muito bem conduzido, com excelentes doses de suspense e drama, sem falar daquela típica tensão que tanto hipnotiza em filmes bons de tribunal. Mas os maiores méritos mesmo são de Foster.
FILME: 8.0

O Assasinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, de Andrew Dominik
Com Brad Pitt, Casey Affleck e Sam Rockwell

Tive certa relutância para assistir esse O Assassinato de Jesse James. Assistindo ao longa, cheguei a conclusão que eu deveria ter sido mais generoso com ele, uma vez que o filme de Andrew Dominik é cheio de pontos positivos que transformam a experiência no mínimo válida. A começar pelo maior destaque, Casey Affleck. O jovem ator foi indicado ao Oscar de coadjuvante por seu desempenho. Nada mais merecido, pois ele é a total estrela de O Assassinato de Jesse James, ofuscando até mesmo Bradd Pitt (que, apesar de estar em momento inspirado, ainda tem muito o que aprender como ator). Affleck hipnotiza como o Robert Ford do título, trazendo para o espectador uma incógnita. Ele ilumina cada cena em que aparece e é um grande achado do longa. A parte técnica não deixa a desejar em nenhum momento. A trilha sonora é um dos maiores acertos, sendo usada na medida exata e conseguindo até mesmo surpreender com sua melancolia e minimalismo em diversos momentos. Mas o destaque mesmo é a bela fotografia, que foi indicada ao prêmio da Academia (e, sem sombra de dúvida, deveria ter sido premiada). O único fator que fez com que eu não gostasse tanto do filme foi o seu roteiro. Tenho que concordar que ele trabalha de forma mais do que exemplar as personalidades dos personagens. Mas, a história foi alongada demais e já na metade do filme eu já não o assistia com entusiasmo. Esse é o único defeito da produção. Porém, um defeito quase que decisivo no resultado final.
FILME: 7.5

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet.
Com Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz e Yolande Maureau

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um dos filmes estrangeiros mais cults da história do cinema. Conquistou uma boa parcela de cinéfilos e ainda conseguiu cinco indicações ao Oscar (incluindo melhor filme estrangeiro). Não faço parte dos admiradores em potencial dessa simpática produção francesa, que nada mais é que uma homenagem ao amor e a felicidade. O grande acerto do filme é ter a maravilhosa Audrey Tautou como protagonista. Ela, que mais tarde iria repetir a parceria com o diretor Jeunet em Eterno Amor, interpreta Amélie Poulain de forma única e especial, deixando a personagem na lista das mais queridas do cinema. A produção tem um belo visual – a fotografia é esplêndida, assim como direção de arte e outros setores técnicos. Sem falar, é claro, de toda inventividade narrativa (fiquei particularmente encantado com os primeiros minutos, onde conhecemos a infância da protagonista). Mas, pouco a pouco, comecei a perder meu interesse pelo filme, que começa a ficar repetitivo e não parece chegar a lugar algum. No desfecho, depois de já passadas duas horas, não acabaei com o mesmo sorriso no rosto que comecei. Acho que O Fabuloso Destino de Amélie Poulain vale mais pelo seu lado técnico. Mas, ainda assim, é uma prova de que o cinema francês seja, talvez, o melhor entre os estrangeiros.
FILME: 7.5

Scoop – O Grande Furo, de Woody Allen
Com Scarlett Johansson, Woody Allen e Hugh Jackman

Difícil entender como Woody Allen foi fazer essa produção totalmente sem graça depois de realizar o ótimo Match Point. Okay, ele não precisava realizar um outro filme na mesma qualidade que esse, mas ao menos poderia ter feito algo mais simpático e envolvente. Scoop – O Grande Furo não chega a possuir defeitos, só é muito mediano em todos os seus aspectos. A começar pelo elenco – Scarlett Johansson é bela e talentosa, mas aqui não conseguiu dar vida ao personagem e segurar o filme sozinha, Woody Allen volta a interpretar a si mesmo com seus trejeitos e tiradinhas engraçadas (mas chega uma hora em que começa a saturar) e Hugh Jackman tem cara de nada, sendo o mais inexpressivo da história. Além disso, mistura suspense e comédia em doses irregulares, alternando momentos de monotonia com outros de boa lineariedade. Não é um momento ruim de Woody Allen – o pior foi o incrivelmente monótono Melinda e Melinda – só vem pra mostrar que às vezes o diretor gosta de fazer umas bobagens só pra se divertir.
FILME: 6.0

Sob o Efeito da Água, de Roman Woods
Com Cate Blanchett, Sam Neill e Hugo Weaving

Eu já tenho certa dificuldade com filmes sobre drogados, porque até hoje não vi um filme exemplar sobre esse tipo de história. Sob o Efeito da Água é uma produção difícil de se definir e nem é bem um filme sobre esse assunto. A única razão para assisti-lo é Cate Blanchett (ótima, mas é difícil entender como ela veio a se interessar por esse projeto), que tenta extrair tudo de positivo que consegue da sua personagem pouco interessante e rasamente explorada. Sam Neill e Hugo Weaving não trazem nada de útil, muito pelo contrário. Um filme completamente irregular e que demora séculos para apresentar suas verdadeiras intenções, que mesmo assim não são suficiente para manter o interesse do espectador no roteiro arrastado. Por mais que fique bem dramático em seus momentos finais e tenha bons momentos, Sob o Efeito da Água mereceu seu fracasso.
FILME: 5.5

Segundas Intenções, de Roger Kumble
Com Ryan Phillipe, Sarah Michelle Gellar e Reese Witherspoon

Bobagem teen completamente clichê que usa um fiapo absurdo de história para criar um filme narrativamente pobre de noventa minutos. Na realidade, Segundas Intenções é um filme com teor sexual sem sexo. Nada na parte sexual é especialmente marcante ou pesado. Então, na idéia de criar um suspense erótico, falha completamente. Mas até que dá pra se divertir com algumas situações totalmente previsíveis, até porque o clima que o diretor Roger Kumble criou é de completo descompromisso. Difícil mesmo é não levar tudo a sério. O elenco tem seus momentos de competência, com Reese Witherspoon e Ryan Phillipe se sobressaindo, enquanto Sarah Michelle Gellar e Selma Blair são completos erros. Segundas Intenções não merece a fama entre o povão que possui, pois é uma produção muito boba e praticamente nula como cinema.
FILME: 5.5


















