
Um Dia de Cão, de Sidney Lumet
Com Al Pacino, Chris Sarandon e Charles Durning
Arrisco dizer que Um Dia de Cão é o melhor filme de assalto que já assisti. Tudo é muito bem conduzido harmonicamente nesse filme tenso e poderoso, que prende o espectador até o último minuto. Não é só o roteiro premiado com o Oscar que faz com que tenhamos essa excelente produção. Ainda que ele e a direção de Sidney Lumet sejam essenciais para o bom andamento, é Al Pacino que brilha a anos-luz na frente de todo mundo. Impressionante como esse ótimo ator, aqui em início de carreira (33 anos atrás), consegue hipnotizar como o protagonista que nem desperta ódio no espectador – na realidade, até torcemos por ele. Recebeu uma merecida indicação ao Oscar por seu trabalho. Ele viria a conquistar o prêmio da Academia mais tarde, com o maravilhoso Perfume de Mulher. Um Dia de Cão, apesar de um pouco extenso, é poderoso e intrigante. Um verdadeiro exercício de tensão como não se vê há muito tempo em filmes desse estilo.
FILME: 8.5

As Pontes de Madison, de Clint Eastwood (revisto)
Com Meryl Streep, Clint Eastwood e Annie Corley
Um dos mais belos romances da década de 90 e talvez o mais sincero. Incrível como tudo em As Pontes de Madison é verossímil, desde os personagens até às situações que eles vivem. O roteiro de Richard LaGravanese (diretor de P.S. Eu Te Amo e Escritores da Liberdade) consegue ser emocionante na medida exata. Contudo, a grande estrela do filme é Meryl Streep, indicada ao Oscar por seu trabalho (perdeu para Susan Sarandon, por Os Últimos Passos de Um Homem), e no melhor desempenho de sua carreira. É aqui que ela volta a mostrar porque é a melhor atriz do cinema, uma profissional exemplar e impecável. De forma alguma a estrutura romântica convencional atrapalha As Pontes de Madison, pois seu teor romântico anula os defeitos do longa. Emocionante e belo, o filme merecia mais reconhecimento e com certeza não são poucas as pessoas que se encantaram com essa linda história de amor.
FILME: 9.5

Coisas Belas e Sujas, de Stephen Frears (revisto)
Com Chiwetel Ejiofor, Audrey Tautou e Sophie Okonedo
Um trabalho menor mas nem por isso menos competente e desinteressante do diretor Stephen Frears (um de meus diretores favoritos, que realizou excelentes produções como A Rainha e Ligações Perigosas). É uma mistura de filme-denúncia com boas doses de tensão e que trata de um tema difícil – o mundo do tráfico de órgãos – de forma muito instigante. A gélida e nebulosa fotografia ajuda a exaltar todo o mistério que envolve essa criminosa prática. Infelizmente não dá pra deixar de se notar que a estrutura parece com aqueles filmes que passam de madrugada na Globo, mas é a direção e o bom elenco (em especial Audrey Tautou, no seu primeiro filme de língua inglesa) que compesam esse defeito. Coisas Belas e Sujas recebeu uma merecida indicação ao Oscar de melhor roteiro original. Mesmo que não seja uma pérola, merece ser conferido.
FILME: 8.0

Feitiço do Tempo, de Harold Ramis
Com Bill Murray, Andie MacDowell e Chris Elliott
Filme de sucesso dos anos 90 que funciona exatamente por causa de sua proposta. Talvez seja também um dos melhores momentos de Bill Murray (que até então só tinha me conquistado com Encontros e Desencontros) no mundo das comédias. Por mais que o tratamento de Feitiço do Tempo seja quase que totalmente cômico, existe uma pitada de melancolia naquela história. O diretor Harold Ramis percebeu isso e misturou muito bem esses dois gêneros quando necessário. A grande excelência do filme fica mesmo no roteiro e em seus atores (até a insossa Andie MacDowell está em boa atuação), os maiores atrativos desse ótimo filme que é diversão garantida para qualquer público. Seu único defeito é ficar repetindo a mesma comédia até o último minuto de filme. O que não funcionaria em um filme irregular. Mas aqui definitivamente não é o caso.
FILME: 8.0

Crimes do Coração, de Bruce Beresford
Com Diane Keaton, Sissi Spacek e Jessica Lange
O diretor Bruce Beresford sabe lidar com amor e amizade de uma forma bem convencional, mas que no final das contas acaba conquistando qualquer um. Antes desse Crimes do Coração ele havia ganho o Oscar de Melhor Filme por Conduzindo Miss Daisy, excelente filme que falava sobre a improvável amizade entre uma senhora e um negro. Nesse seu novo trabalho, que recebeu três indicações ao prêmio da Academia – incluindo melhor atriz para Sissi e roteiro adaptado – ele não apresenta nada que já não tenhamos visto no cinema. São três irmãs com personalidades diferentes que em um momento da vida (nesse caso quando o avô adoece) são obrigadas a se reunirem novamente. Uma está sendo acusada de tentativa de homicídio, outra quer ser famosa e a terceira envelheceu antes do tempo por ser a única que permaneceu cuidando do parente enfermo. A partir daí, elas vão destilar todas as frustrações que adquiriram através dos anos e tentar entender as suas histórias de vida. O enredo e a estrutura banal não prejudicam o filme, mas também não ajudam. Quem consegue fazer com que Crimes do Coração seja uma boa experiência é o excelente trio de atrizes, em especial Sissi e Diane, ambas excelentes e com uma grande química. De resto, nada de novo ou muito original.
FILME: 7.5

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, de Tim Story
Com Jessica Alba, Chris Evans e Ioan Gruffudd
Um velho ditado popular diz que “errar é humano”, mas também diz que “persistir no erro é burrice”. E é exatamente o que essa continuação de Quarteto Fantástico faz. Pior ainda, além de persistir em todos os pontos negativos de seu filme anterior, consegue tornar tudo mais desinteressante e pobre. Confesso que o filme anterior é um guilty pleasure meu, consegui assiti-lo sem criticismo e me diverti com o resultado, mas mesmo assim eu reconhecia todos os seus erros. Em Surfista Prateado também entrei na onda, mas a fórmula saturou e a infantilidade se tornou algo inaceitável para mim. Os efeitos especiais pouco ajudam a trama absurda e completamente inverossímil (mesmo se tratando de uma história em quadrinhos) e o elenco parece completamente perdido, como se estivessem atuando como “favor”. O diretor Tim Story mais uma vez se mostra um diretor medíocre e sem qualquer domínio em seu cargo. A aventura funciona durante alguns momentos, mas logo se perde na obviedade.
FILME: 5.5

Norbit, de Brian Robbins
Com Eddie Murphy, Thandie Newton e Cuba Gooding Jr.
Logo quando acabei de ver Norbit, minha sensação foi de alívio. Primeiro porque eu nunca vi tanta bobagem junta em toda minha vida, e segundo por Eddie Murhpy não ter um Oscar em mãos. Todo mundo sabe que ele não é um bom ator e que talvez Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho tenha sido um golpe de pura sorte, mas é difícil entender como Murhpy foi se meter em algo tão acéfalo depois de quase ter ganho o Oscar de ator coadjuvante. Não apenas ele, mas Thandie Newton e Cuba Gooding Jr. também não mereciam participar de tamanha idiotice. O filme nada mais é que isso – ridículo, sem graça, idiota e completamente inútil. A única coisa que presta mesmo é o excelente trabalho de maquiagem que foi indicado ao prêmio da Academia e que merecidamente não levou. Se alguém, um dia, me disser que gostou dessa “coisa”, perco a minha fé nesse mundo.
FILME: 2.0