
Louca Obsessão, de Rob Reiner (revisto)
Com Kathy Bates, James Caan e Lauren Bacall

Filme que rendeu um merecidíssimo Oscar de melhor atriz para a espetacular Kathy Bates, que é a grande estrela desse Louca Obsessão. A variação de humor e personalidade que sua personagem sofre através dos acontecimentos é representada de maneira assustadora por ela, que cria uma figura marcante. Se não fosse por ela, Louca Obsessão talvez não teria metade de sua excelência já que estamos diante de um suspense bem simples. O mais importante aqui é o estudo sobre a loucura que o roteiro faz, adaptado da obra Misery de Stephen King. O filme prende a atenção até o último minuto e nunca desanda para exageros, mantendo-se linear e interessante.
FILME: 8.0

Extermínio 2, de Juan Carlos Fresnadillo
Com Robert Carlyle, Rose Byrne e Amanda Walker

Pra começo de conversa já devo ressaltar que o primeiro Extermínio não me conquistou como a maioria. Sim, eu me diverti, mas não vi muita coisa interessante. Já nesse segundo volume, fui pego de surpresa. Fazia bastante tempo que o cinema não apresentava um filme tão bem produzido sobre zumbis. Aumentando exponencialmente a tensão e o suspense de seu antecessor, Extermínio 2 surpreende pela direção competente (lembrando-me bastante o estilo frenético de Paul Greengrass) e pelas inúmeras cenas de ação. Se existe um porém em toda a excelência do longa, esse é o seu segundo ato falho. Quando se encaminha para o final, repete-se bastante (ainda que culmine em um final perturbador). Sem contar que faltou, por exemplo, um James Newton Howard na trilha sonora para o setor ser melhor.
FILME: 8.0

Carne Trêmula, de Pedro Almodóvar
Com Javier Bardem, Liberto Rabal e Francesca Neri

Uma das melhores produções do espanhol Pedro Almodóvar, mas estranhamente não muito marcante. Ao contrário do que o título e a sinopse indicam, falta maior impacto na trama de Carne Trêmula, que se beneficia por ter personagens enxtremamente bem construídos e dilemas emocionais interessantes. A história é sobre uma tragédia acidental que dá novos rumos na vida para as pessoas envolvidas nela. Não tem um quê de Crash ou Babel, conseguindo ter uma estrutura própria que revela ser o maior triunfo de filmes – nada de situações desnecessárias ou conflitos maximizados. Carne Trêmula é um bom exemplar da carreira do diretor, que dessa vez foi ofuscado pelo excelente elenco que dirigiu.
FILME: 8.0

Livre Para Voar, de Paul Greengrass
Com Kenneth Branagh, Helena Bonham Carter e Ray Stevenson

Paul Greengrass é aquele diretor que só faz filmes com câmera na mão e seqüências de tensão eletrizantes, certo? Errado. Esse Livre Para Voar é um desconhecido filme dele que não tem absolutamente nada das características que o tornaram famoso – estamos diante de um drama humano que é pontuado por boas atuações de Kenneth Branagh. E justamente o longa não é melhor por causa de Greengrass; é visível que ele está fora de seu gênero e se a história tivesse sido conduzida por um diretor mais sensível, teria mais impacto. Mesmo assim o trabalho de direção é bem regular, desenvolvendo tudo com muita naturalidade. Os fatos são um pouco surreais em alguns momentos, mas nada que os atores não possam resolver. Especialmente Helena.
FILME: 7.5

Manhattan, de Woody Allen
Com Woody Allen, Diane Keaton e Meryl Streep

Se Woody Allen tem seus momentos de originalidade, ele também tem suas crises de idéias. Manhattan se encaixa nessa segunda opção. O longa é um interessante estudo de relacionamentos – até superior ao realizado em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, já que aqui temos temas muito mais sérios e densos – mas nunca alcança ritmo para que possamos nos envolver com a história. Assistimos os encontros e desencontros dos personagens, mas nunca torcemos ou simpatizamos com eles. Culpa do roteiro, indicado ao Oscar, que se preocupa mais em dizer frases pseudo-cômicas do que desenvolver as dimensões psicológicas. Se existe um ponto em que não posso reclamar de Allen, esse é a sua direção de elenco. Mesmo que ele apareça um pouco egocêntrico como protagonista (será que só sou eu que acho que ele faz sempre o mesmo tipo de papel?), convence. Suas coadjuvantes são mais interessantes, como a Diane Keaton. Curiosamente, quando ambos contracenam em cena, o filme ganha mais vida. Minha única reclamação é Meryl Streep, desperdiçada pelo roteiro em um papel interessante – como a ex-mulher do protagonista que agora é lésbica e está escrevendo um livro sobre o relacionamento e a separação deles.
FILME: 7.0

Studio 54, de Mark Christopher
Com Ryan Phillippe, Salma Hayek e Mike Myers

Eu entendo a implicância de tanta gente com esse filme – ele é batido (e eu nunca fui muito fã desses filmes de discoteca, nem mesmo Os Embalos de Sábado à Noite), frio, vazio e até apelativo. E ainda assim consegue ser um ótimo guilty pleasure embalado por boas canções e um roteiro sem enrolação. Consegui me divertir com a história e com os personagens sem nenhum problema; o único porém do elenco foi o Mike Myers, terrível e destoando de todo o resto como o dono do Studio 54 do título do filme. Ryan Phillippe foi indicado ao Framboesa de Ouro de pior ator por seu desempenho aqui. Injustiça. Mesmo que não apresente muita força para segurar sozinho um filme, esse é o seu trabalho de maior destaque. Até mais que Segundas Intenções.
FILME: 7.0

Últimos Dias, de Gus Van Sant
Com Michael Pitt, Asia Argento e Lukas Haas

A primeira experiência que tive com o diretor Gus Van Sant foi o espetacular Elefante. Depois comecei a duvidar dele com a terrível refilmagem de Psicose e o totalmente sem-graça Gênio Indomável. Com esse Últimos Dias, não acho mais que ele seja um diretor tão bom. Gus Van Sant quer criar um filme cult a todo momento e com isso termina por criar um longa estranho e que não diz muita coisa. Silencioso demais e lento em seu desenvolvimento, Últimos Dias é uma decepção em quase todos os sentidos. A exceção é Michael Pitt, ator que nunca tinha chamado minha atenção, e que aqui está na sua melhor fase. Reconheço algumas passagens originais, mas simplesmente não consegui ser cativado.
FILME: 6.0