Cinema e Argumento

Road To The Oscars – Outras Apostas

Cinema e Argumento acertou todos os seus palpites nas categorias de melhor filme, ator e roteiro adaptado. Comentários em breve =)

Melhor Filme:

  1. Quem Quer Ser Um Milionário?
  2. O Curioso Caso de Benjamin Button
  3. Frost Contra Nixon – A Luta Pela Democracia
  4. Milk – A Voz da Igualdade
  5. O Leitor

Os quatro primeiros são bem óbvios e os mais cotados nas listas que andam sendo construídas por aí. Já o meu quinto escolhido, O Leitor, deve conseguir agarrar a última vaga. A Academia tem certa dívida com o Stephen Daldry (só eu acho que eles precisam se deculpar pela esnobação total de As Horas?) e o filme é sobre Holocausto, assunto que eles adoram. Depois de indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA de melhor filme e diretor, é bem possível que  seja lembrado aqui também. Na medidade em que Batman – O Cavaleiro das Trevas foi ignorado no Globo de Ouro e no BAFTA na categoria principal (mesmo com nomeações em diversos prêmios menores), acho meio improvável que venha a ser uma exceção aqui. Por melhor que seja o resultado do filme, ainda existe preconceito por parte da Academia para consagrar um longa desse tipo. Mesmo sendo mais politizado, realista e maduro, Batman – O Cavaleiro das Trevas ainda é um filme de quadrinhos. Sobre um herói mascarado. Sobre um vilão maluco. Sobre cenas de ação. Não tenho nada contra isso (muito pelo contrário), mas os votantes acredito que ainda tenham. É por preconceito também que WALL-E ficará de fora. Uma pena, já que é outro filme muito merecedor de uma indicação. Deixo registrado também a possibilidade significativa de Dúvida conseguir uma nomeação. Com tantos atores sendo nomeados em listas, é possível que os votantes superestimem o filme por causa do elenco. Caso de Conduta de Risco ano passado. Sem falar que Dúvida é o favorito ao Screen Actors Guild de melhor elenco. E, normalmente, quem vence a categoria de melhor elenco, fica entre os cinco finalistas da categoria principal.

Melhor Direção:

  1. Danny Boyle, por Quem Quer Ser Um Milionário?
  2. David Fincher, por O Curioso Caso de Benjamin Button
  3. Stephen Daldry, por  O Leitor
  4. Ron Howard, por Frost Contra Nixon – A Luta Pela Democracia
  5. Christopher Nolan, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Roteiro Original

  1. WALL-E
  2. Vicky Cristina Barcelona
  3. Milk – A Voz da Igualdade
  4. Simplesmente Feliz
  5. Queime Depois de Ler

Melhor Roteiro Adaptado

  1. Quem Quer Ser Um Milionário?
  2. O Curioso Caso de Benjamin Button
  3. Frost Contra Nixon – A Luta Pela Democracia
  4. O Leitor
  5. Dúvida

Melhor Canção Original

  1. “The Wrestler”, de O Lutador
  2. “Down To Earth”, de WALL-E
  3. I Thought I Lost You”, de Bolt – Supercão
  4. “Jai Ho”, de Slumdog Millionaire
  5. “Gran Torino”, de Gran Torino

Melhor Direção de Arte:

  1. O Curioso Caso de Benjamin Button
  2. A Troca
  3. Quem Quer Ser Um Milionário?
  4. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
  5. Austrália

Melhor Trilha Sonora

  1. O Curioso Caso de Benjamin Button, por Alexandre Desplat
  2. Quem Quer Ser Um Milionário?, por A.R. Rahman
  3. WALL-E, por Thomas Newman
  4. Milk – A Voz da Igualdade, por Danny Elfman
  5. O Leitor, por Nico Muhly

Melhor Animação

  1. WALL-E
  2. Bolt – Supercão
  3. Valsa Com Bashir

Melhor Figurino

  1. A Duquesa
  2. A Troca
  3. Sex And The City
  4. O Curioso Caso de Benjamin Button
  5. Austrália

Melhor Maquiagem

  1. O Curioso Caso de Benjamin Button
  2. Batman – O Cavaleiro das Trevas
  3. O Leitor

Melhor Fotografia:

  1. O Curioso Caso de Benjamin Button
  2. Quem Quer Ser Um Milionário?
  3. Batman – O Cavaleiro das Trevas
  4. Foi Apenas Um Sonho
  5. O Leitor

Melhores Efeitos Especiais:

  1. Batman – O Cavaleiro das Trevas
  2. Homem de Ferro
  3. Hellboy 2 – O Exército Dourado

Melhor Montagem:

  1. Quem Quer Ser Um Milionário?
  2. O Curioso Caso de Benjamin Button
  3. Frost Contra Nixon – A Luta Pela Democracia
  4. Batman – O Cavaleiro das Trevas
  5. WALL-E

Melhor Mixagem de Som

  1. Batman – O Cavaleiro das Trevas
  2. WALL-E
  3. Quem Quer Ser Um Milionário?
  4. 007 – Quantum Of Solace
  5. Homem de Ferro

Melhor Edição de Som

  1. Batman – O Cavaleiro das Trevas
  2. WALL-E
  3. O Curioso Caso de Benjamin Button
  4. Homem de Ferro
  5. Austrália

Melhor Filme Estrangeiro:

  1. Entre Les Murs (França)
  2. The Necessities Of Life (Canadá)
  3. Everlasting Moments (Suécia)
  4. Três Macacos (Turquia)
  5. Revanche (Áustria)

Os principais concorrentes:

* de acordo com as previsões do Cinema e Argumento

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO: 9 indicações

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON 11 indicações

BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS 9 indicações

FROST CONTRA NIXON – A LUTA PELA DEMOCRACIA 5 indicações

MILK – A VOZ DA IGUALDADE 5 indicações

O LEITOR 6 indicações

WALL-E 7 indicações

Road To The Oscars – Apostas (atuações)

Os indicados de cada lista estão ordenados pela chance de indicação, sendo o primeiro, o mais provável de conseguir uma nomeação.

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Melhor Atriz

  1. Meryl Streep, por Dúvida
  2. Anne Hathaway, por O Casamento de Rachel
  3. Kate Winslet, por Foi Apenas Um Sonho
  4. Sally Hawkins, por Simplesmente Feliz
  5. Angelina Jolie, por A Troca

As presenças de Meryl Streep, Anne Hathaway e Kate Winslet são incontestáveis. Sally Hawkins, mesmo ignorada no Screen Actors Guild, ganhou o Globo de Ouro e tem tudo para marcar presença aqui – especialmente porque o Mike Leigh é um grande diretor de atores (Brenda Blethyn? Imelda Staunton?). Uma quinta vaga, no entanto, é bem disputada. Pode ser Melissa Leo, por Rio Congelado ou Kristin Scott Thomas por Yl Y a Longtemps Que Je T’aime. Mas fico com uma escolha mais óbvia – Angelina Jolie, por A Troca. Além de ter o selo de aprovação de Clint Eastwood (que a Academia adora), Angelina é considerada injustiçada por não ter sido indicada ano passado por O Preço da Coragem.

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Melhor Atriz Coadjuvante

  1. Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona
  2. Viola Davis, por Dúvida
  3. Kate Winslet, por O Leitor
  4. Marisa Tomei, por O Lutador
  5. Amy Adams, por Dúvida

Depois de Volver, questionamento de talento não é mais problema para Penélope Cruz, principalmente com um trabalho tão excelente como Vicky Cristina Barcelona. É a mais forte das candidatas para uma indicação. Viola Davis vem com a força de um papel pequeno, coisa que a Academia adora (Judi Dench? Ruby Dee? Kim Basinger?). Já Kate é quase certa, mas ainda existe a possibilidade de eles quererem submetê-la na categoria de protagonista por O Leitor, já que todos alegam que seu papel é o principal da história. Ela sendo indicada apenas em uma categoria, fortaleceria as chances da atriz finalmente conseguir seu primeiro Oscar. As outras indicadas já não possuem tanto mistério – tanto Marisa Tomei quanto Amy Adams (que, por alguma razão, é desacreditada por muitos) possivelmente conseguirão suas vagas. Ainda existe a chance de alguma coadjuvante de O Casamento de Rachel roubar uma vaga.

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Melhor Ator

  1. Mickey Rourke, por O Lutador
  2. Frank Langella, por Frost Contra Nixon – A Luta Pela Democracia
  3. Sean Penn, por Milk – A Voz da Igualdade
  4. Brad Pitt, por O Curioso Caso de Benjamin Button
  5. Richard Jenkins, por The Visitor

Uma categoria particularmente difícil de prever, principalmente porque estamos longe de ter um favorito e os candidatos não são tão interessantes quanto as candidatas femininas. Rourke, vencedor do Globo de Ouro; Langella, considerado um dos trunfos de seu filme; Sean Penn, um excelente ator que se deu bem em seu filme. Todos eles têm grandes chances de aparecerem na lista do dia 22 de fevereiro. Brad Pitt, outra figura que muita gente queria que tivesse sido indicado ano passado (por O Assassinato de Jesse James…) parece ser uma barbada, mas não é muito sensato considerar isso, já que a Academia ainda sim vitima atores com o preconceito que tem por eles. Uma última vaga ficaria entre o independente Richard Jenkins, elogiado por The Visitor e Clint Eastwood, que parece ter feito Gran Torino almejando uma nomeação aqui. Como não gostei do filme e Eastwood não faz nada diferente nele, aposto em uma interpretação que difere da obviedade. Fico com Jenkins.

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Melhor Ator Coadjuvante

  1. Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas
  2. Philip Seymour Hoffman, por Dúvida
  3. Robert Downey Jr., por Trovão Tropical
  4. Ralph Fiennes, por A Duquesa
  5. Josh Brolin, por Milk – A Voz da Igualdade

Nem vou comentar a indicação de Heath Ledger. O Oscar vai sucumbir completamente ao desprezo de quase todos os cinéfilo se o ator não for indicado. Hoffman, já premiado na Academia, é outro nome certo na lista. Mesmo que por um filme de gosto questionável para os votantes, Robert Downey Jr. deve chegar a uma nomeação. Ralph Fiennes foi elogiado por seus desempenhos esse ano, e deve conseguir chegar na lista com A Duquesa e não com O Leitor como o esperado. A última vaga possivelmente será para um dos coadjuvantes de Milk – A Voz da Igualdade, com mais chances para Josh Brolin, por ter sido o protagonista do grande vencedor do Oscar do ano passado.

Melhores de 2008 – Montagem

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A montagem de Onde Os Fracos Não Têm Vez confere muita agilidade para o conflito entre Llewelyn Moss (Josh Brolin) e Anton Chigurh (Javier Bardem). O mais interessante, porém, é que o trabalho dos irmãos Coen na edição não fica com qualidade apenas no setor de ação. Cada cena foi montada de forma espetacular, especialmente aquelas que envolvem os tensos diálogos que o personagem de Javier Bardem trava com as suas vítimas. Provavelmente esse é o melhor aspecto técnico desse filme vencedor de quatro Oscar. Vencedor do ano passado: Babel.

edibutO Escafandro e a Borboleta / Só pelo artifício ousado de narrar boa parte de sua história através da visão do protagonista (literalmente), a edição de O Escafandro e a Borboleta já merecia ser mencionado. Realmente é um trabalho muito bonito e digno que, junto com a linda fotografa (que já apareceu aqui na lista de melhores do ano na sua categoria), consegue ser o maior atrativo do longa-metragem.

ediwalleWALL-E / Outro setor técnico da Pixar que se aprimora cada vez mais quando um novo trabalho é apresentado. A montagem de WALL-E impressiona de tão madura, com seqüências que deixam muita gente por aí com inveja. Se Ratatouille ano passado já dava sinais de brilhantismo nessa categoria, WALL-E comprova que já chegou a hora de as animações serem reconhecidas da maneira que merecem.

edibatBatman – O Cavaleiro das Trevas / Mais um aspecto fundamental para a grande repercussão de O Cavaleiro das Trevas. Não importa se são as grandiosas cenas de ação ou os tensos diálogos travados pelo vilão Coringa; o filme de Christopher Nolan é ótimo em sua montagem e é possivelmente a melhor já apresentada em uma adaptação de história de quadrinhos. Mais uma parte de um filme excelente.

edibloodSangue Negro / Com certeza não é o setor mais brilhante de Sangue Negro, mas a montagem é fundamental para a narrativa da saga de ambição de Daniel Plainview. Tal grandiosidade exposta pelo filme de Anderson é mérito da boa edição realizada no filme, que imprime ao longa a alma de uma produção que já pode ser considerada cult. Sem falar que é a produção mais madura do diretor.

Os visitantes não conseguiram se decidir e elegeram Batman – O Cavaleiro das Trevas e Onde Os Fracos Não Têm Vez como os melhores da categoria em iguais proporções. Abaixo, o resultado da pesquisa realizada:

1. Onde Os Fracos Não Têm Vez e Batman – O Cavaleiro das Trevas (29%, 5 votos)

2. O Escafandro e a Borboleta (24%, 4 votos)

3. WALL-E (12%, 2 votos)

4. Sangue Negro (6%, 1 voto)

Road To The Oscars – Danny Elfman

Danny Elfman, por Milk – A Voz da Igualdade

Nunca fui grande fã dos trabalhos de Danny Elfman. Essa trilha de Milk – A Voz da Igualdade é bem passageira, acabando num piscar de olhos. Isso acontece por ela ter uma grande qualidade. Não me lembro da última vez o compositor me agradou tanto – talvez com suas composições para o seriado Desperate Housewives. O trabalho de Elfman é relativamente curto em nessa trilha de Milk, com algumas faixas bem curtas (como The Kiss ou Weepy Donuts). Estranhamente algumas delas conquistam mais que as faixais mais compridas (Gay Rights Now! ou Politics Is Theater). Contudo, o balanceamento de qualidade é visível. Na corrida pela estatueta dourada, torço para uma indicação para o Danny Elfman. Não é a melhor trilha da temporada (O Curioso Caso de Benjamin Button, de Alexandre Desplat é), mas com certeza merece ser conhecida.

Potencial para indicação ao Oscar:


O Curioso Caso de Benjamin Button

Direção: David Fincher

Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Tilda Swinton, Elle Fanning, Julia Ormond, Faune A. Chambers, Elias Koteas, David Ross, Patterson

The Curious Case of Benjamin Button, EUA, 2008, Drama, 170 minutos, 14 anos.

Sinopse: Nova Orleans, 1918. Benjamin Button (Brad Pitt) nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê. Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Quando ainda criança ele conhece Daisy (Cate Blanchett), da mesma idade que ele, por quem se apaixona. É preciso esperar que Daisy cresça, tornando-se uma mulher, e que Benjamin rejuvenesça para que, quando tiverem idades parecidas, possam enfim se envolver.


O Curioso Caso de Benjamin Button pode ser comparado com Forrest Gump – O Contador de Histórias. Ambos os filmes relatam a trajetória de um homem diferente, que conhecem vários lugares e convivem com diversas pessoas pelo mundo. O mais novo filme de David Fincher é exatamente isso, um relato detalhado da vida de um homem que, desde o momento que nasceu, foi condenado a ter uma vida diferente. Muita expectativa foi crescendo em torno da excentricidade do filme, mas o que deve se ter em mente ao ir assisitir O Curioso Caso de Benjamin Button é que o filme não se importa muito em explorar os efeitos da “vida inversa” do protagonista, ele quer mostrar que, independente de nossas idades, todos nós somos seres humanos dotados de sentimentos. A idade não é necessariamente um problema, nós que fazemos com que ela seja assim.

O roteiro de O Curioso Caso de Benjamin Button podia ser um completo problema para o longa, já que é um trabalho que se utiliza de quase três horas para compôr a história do protagonista. Não é o caso aqui; é claro que fica uma pequena sensação de desconforto, afinal é complicado permanecer tanto tempo assistindo uma história que não tem muitas variações, mas a sensação que fica é de uma história bem contada. Pouca coisa fica parecendo desnecessária e ninguém pode alegar que a história ficou mal apresentada. O roteiro de Eric Roth pode até não ser enxuto ou objetivo, mas o detalhismo ajuda para que o longa tenha um saldo positivo. Junto com o bom trabalho realizado na parte escrita, temos a excepcional maquiagem. O que vemos em cena nesse setor é óbvio, mas espetacular. E não apenas no personagem de Brad Pitt. Outro aspecto técnico interessante é a bela trilha sonora do ótimo Alexandre Desplat, presente lidamente durante todo o filme.

Considerado forte candidato a diversos Oscar, O Curioso Caso de Benjamin Button merece mênção em diversos deles. Além dos óbvios técnicos, minha maior torcida é para que o protagonista Brad Pitt consiga ser lembrado. Assim como sua esposa Angelina Jolie, ele vem se mostrando um excelente ator faz bastante tempo e tem aqui seu maior momento de destaque – sem excessos, controlado e mutio adequado para o papel. Sua companheira de tela, Cate Blanchett, só vai aparecer depois da metade, mas realiza trabalho satisfatório. Ainda no elenco as boas Taraji P. Henson e Tilda Swinton.

Não há dúvidas de que esse filme de David Fincher é bem produzido e com aspectos muito interessantes. Agora, considerá-lo uma obra-prima ou sequer espetacular é uma heresia, uma vez que o diretor Fincher já mostrou maior genialidade em outros trabalhos. O Curioso Caso de Benjamin Button sofistica excepcionalmente uma história simples – que só é diferente em sua proposta – e que não vai nem deixar grandes lembranças. É bonito e competente, mas longe de ser alguma preciosidade.

FILME: 8.0

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NA PREMIAÇÃO DO CINEMA E ARGUMENTO: