Opinião – A verdade sobre Hanna Schmitz
Atenção! Se você ainda não assistiu o filme “O Leitor”, não continue a ler o texto, pois ele possui spoilers.

Não me recordo onde, mas li recentemente um texto que falava sobre o filme O Leitor e que debatia a seguinte questão: será que se Hanna Shmitz (Kate Winslet, soberba) soubesse ler, ela cometeria os crimes que cometeu durante o Holocausto? Pra começo de conversa, não é nem um pouco fácil interpretar a personagem de Kate Winslet. Alguns não a compreendem (minha avó, por exemplo, ficou indignada que a peronagem não admitiu que era analfabeta), outros acham que ela é digna de pena e uma outra parcela fica enojada de sua figura.
Conhecemos, no filme, pouco sobre a intimidade de Hanna Schmitz. São pouquíssimos os momentos em que vemos ela interagindo sozinha – na maioria das vezes, ela sempre está acompanhada do jovem Michael Berg (o ótimo David Kross). E é até por isso que eu considero a personagem coadjuvantes. De qualquer forma, se já é difícil entrar no mundo da figura de Hanna, imagina então compreender os atos que ela cometeu durante o Holocauso – assassinando centenas de mulheres ao mantê-las presas dentro de um incêndio em uma igreja – e as razões que a levaram a fazer isso.
Voltando a pergunta que fiz no início, não consigo dizer com certeza absoluta se Hanna teria ou não cometido aquelas barbáries. Se ela soubesse ler, talvez não tivesse que ter abandonado seu emprego por vergonha de ser analfabeta – assim, portanto, não teria aceitado o trabalho nos campos de concentração. Mas, aí vem outra pergunta: porque ela aceitou logo esse trabalho? Ela não sabia o que se passava ou estava a par e simplesmente simpatizava com os ideais do nazismo? Ela poderia ter escolhido um outro trabalho.
A crítica Isabela Boscov, da revista Veja, deu uma boa análise da situação: “É uma mulher bonita e jovem que, no entanto, é uma mulher gasta, que apanhou da vida. É uma mulher que passa dificuldades e que também cria dificuldades para ela mesma. Vive de uma maneira muito estranha e que o menino de 15 anos nunca seria capaz de entender. E, quando ele entende, ele fica enojado com o fato de ter se envolvido com uma mulher que ele achava maravilhosa e que, na verdade, era alguém muito diferente. Mas, o menino nunca vai conseguir, pro resto da vida, deixar de gostar dela como um indivíduo e nem de puni-la pelo que ela representa”.
A confusão em relação a personagem não estava somente na cabeça de Michael Berg. Eu, particularmente, não sei bem o que pensar dela. E eis que fica a dualidade da personagem: ela merece nossa compaixão ou a nossa repulsa? Afinal de contas, ela cometeu aqueles crimes consciente do que estava fazendo ou por que não tinha saída? É complicado entender a vergonha que ela sente por ser analfabeta. Mas, mais complicado ainda é entender como alguém se deixa a levar a extremos por causa de um segredo. Mas, como o próprio pôster pergunta, e você? How far would you go to protect a secret?
E aí, algum tema interessante que você gostaria de ver debatido aqui? Se sim, só colocar nos comentários =)
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