Cinema e Argumento

Filmes em DVD

doubtd

Dúvida, de John Patrick Shanley (revisto)

Com Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams

4

Continua sendo um dos grandes filmes do ano. Com um elenco maravilhoso e um roteiro impecável, Dúvida é um dos filmes mais intrigantes dessa década. Existem aqueles que amam e aqueles que odeiam. Faço parte do primeiro grupo, uma vez que admiro o conjunto geral e acho até que o longa foi injustiçado na temporada de premiações. Claro que a direção um pouco amadora do John Patrick Shanley estraga um pouco a festa com enquadramentos desconfortáveis e estranhos. Mas, não chega a comprometer o resultado. Até porque os atores e o elenco já fazem a experiência valer muito a pena.

FILME: 8.5

lars

A Garota Ideal, de Craig Gillespie

Com Ryan Gosling, Emily Mortimer e Patricia Clarkson

4

Pena que esses filmes independentes não ganham maior repercussão. A Garota Ideal é mais um exemplo de como histórias originais estão escondidas nessas produções que não são reconhecidas. O filme de Craig Gillespie (do péssimo Em Pé de Guerra) prima por ser original e diferente, com uma história muito curiosa – que funciona tanto no humor quanto na comédia. O grande destaque aqui, além do roteiro, é a interpretação do Ryan Golsing, em momento super inspirado. Renegado nas premiações, A Garota Ideal é uma pedida para todos que procuram uma comédia-dramática-romântica que fuja dos típicos padrões norte-americanos.

FILME: 8.5

thevisitor

O Visitante, de Thomas McCarthy

Com Richard Jenkins, Haaz Sleiman e Danai Jekesai Gurira

35

Richard Jenkins teve um merecido reconhecimento com O Visitante. Ele é o principal atrativo desse pequeno filme, que encontra as suas forças exatamente no protagonista e no roteiro. A abordagem que a história dá para o personagem principal é muito interessante, especialmente porque faz dele uma pessoa solitária e distante, mas nunca tenta vitimizá-lo ou sequer compor uma figura rabugenta para justificar a solidão dele. Para alguns, O Visitante pode parecer parado e sem história. Mas, na realidade, não é assim. Muita coisa acontece por dentro das figuras em cena. E isso é passado de forma tão sutil que quase não dá pra notar.

FILME: 8.0

bashir

Valsa Com Bashir, de Ari Folman

Com as vozes de Ron Ben-Yishai, Ronny Dayag e Ari Folman

3

Valsa Com Bashir transita entre o monótono e o excepcional. Ou seja, tem momentos de pura inspiração (achei maravilhosa aquela cena onde os soldados ficam boiando na água e olhando para o clarão em amarelo da cidade destruída) e outros de puro tédio. Todo mundo sabe que o longa de Ari Folman é desenho para adultos e consegue muito bem dialogar com esse público, pois trata com seriedade e estética diferente o assunto em questão. O resultado só não é melhor porque o tema não combina muito com animação e a discussão do assunto, em determinado momento, já não empolga tanto.

FILME: 7.5

manonwire

O Equilibrista, de James Marsh

Documentário

3

Não adianta um documentário ter uma história diferente se a estrutura é convencional. O Equilibrista narra uma história fantástica, mas o faz de forma muito banal. Tanto, que seria muito mais interessante caso fosse um curta-metragem, uma vez que o longa é cheio de enrolações e encenações desnecessárias. Mas dá pra entrar no clima e se impressionar com a força de vontade de Philippe Petit, que nunca desistiu de seus sonhos. Apesar de tudo, O Equiibrista é uma lição de determinação e que tem os seus méritos.

FILME: 6.5

passengers

Passageiros, de Rodrigo García

Com Anne Hathaway, Patrick Wilson e Dianne Wiest

2

São raros os bons filmes que conseguem fazer um suspense com toques dramáticos. Passageiros é fracassado nessa tentativa e obtem um péssimo resultado. Se não bastasse o desenvolvimento tortuoso, ainda somos brindados com aquele tipo de desfecho que todo mundo já cansou de ver por aí. A simpática Anne Hathaway está, como sempre, dando luz e simpatia, mas fica difícil competir com um roteiro mal realizado como esse. Wilson e Wiest, outros rostos conhecidos do elenco, são subutilizados ou ineficientes. Passageiros tem alguns pontos positivos. Pena que os negativos sejam muito mais chamativos.

FILME: 5.0

Opinião – Os personagens de Closer

Atenção! Se você ainda não assistiu o filme “Closer – Perto Demais”, não continue a ler o texto, pois ele possui spoilers.”

Dan (Jude Law), Larry (Clive Owen), Anna (Julia Roberts) e Alice (Natalie Portman). Todos personagens construídos com maestria, mas que despertam as mais variadas sensações. Tanto para o bem quanto para o mal. O que importa em Closer – Perto Demais é que ninguém é bandido ou mocinho. Todos possuem a sua parcela de culpa. Todos mentem. Todos traem. Ninguém se salva. Nem mesmo o personagem de Jude Law, que, à primeira vista, parece ser o vitimizado da história simplesmente porque é romântico e utiliza frases bonitas para transmitir suas sensações.

Dan, na verdade, é o mais inseguro de todos. Não sabe o que quer e acredita que pode amar duas pessoas ao mesmo tempo. Tal pensamento faz com que ele fique todo o tempo todo indo de um lado para o outro, indeciso entre Anna e Alice. Ele pode ser sentimental e amoroso, mas é tão culpado quanto os outros. Pena que o roteiro tenha uma forte tendência a fazê-lo de vítima na história, especialmente porque ele é o que mais fica em ruínas no final do filme – sem ninguém e sem rumo na sua vida amorosa.

Enquanto isso, a outra figura masculina da história, Larry, é totalmente o oposto de Dan. Larry é mais bruto, sexual, racional. “I am a cave man!”. Quer, a todo custo, se sentir no poder. Essa sua ira por comando fica evidente em duas cenas. A primeira, quando descobre que Anna o traiu. A segunda, quando se encontra a sós com Alice na boate. É um personagem difícil e, possivelmente, o mais complicado de todos. Clive Owen driblou os obstáculos e fez uma maravilhosa composição. Queremos distância de Larry, mas também conseguimos admirar o excelente desempenho de Clive.

As mulheres, assim como os homens, são bem distintas no filme. Anna é a personagem mais passiva, sempre com uma expressão de “eu não me importo”. A paixão que ela diz ter pelos homens nunca fica muito visível, nem mesmo na hora em que seus sentimentos são confrontados ou questionados. Julia Roberts – a mais subestimada do quarteto – pode até ter o papel mais sem graça de Closer, mas conseguiu acertar no tom de sua composição.

Alice, por outro lado, é a pessoa mais complicada dos quatro. Difícil entender as suas motivações e, principalmente, as suas escolhas. É alguém que nos surpreende até o último minuto em cena. Portman está maravilhosa, mas a personagem não simpatiza tanto. É complicada e enigmática demais. Sexualidade e sensibilidade não combinam na personalidade dela e isso, ao meu ver, atrapalha a recepção do espectador com ela. Closer, no final das contas, é uma ciranda super interessante de relações. Elas podem até ser fracassadas e não ter final feliz, mas ensinam bastante coisa. Afinal, a vida não é assim?

E você? O que acha dos personagens de Closer?

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Anteriormente:

A culpa do Padre Flynn, em Dúvida

A escolha de Francesca, em As Pontes de Madison

O segredo da vila, em A Vila

A verdade sobre Hanna Schmitz, em O Leitor

A felicidade de Poppy, em Simplesmente Feliz

A obsessão de Barbara, em Notas Sobre Um Escândalo

A culpa de Briony, em Desejo e Reparação

A Partida

Direção: Yôjirô Takita

Elenco: Masahiro Motoki, Tsutomo Yamazaki, Ryoko Hirosue, Kazuko Yoshiyuki, Kimiko Yo, Takashi Sasano

Okuribito, Japão, 2008, Drama, 130 minutos, 12 anos

Sinopse: Depois que a orquestra onde toca é dissolvida, um modesto violoncelista (Masahiro Motoki) volta à cidade natal com a esposa. Lá ele começa a trabalhar como funcionário funerário e fica extremamente orgulhoso de sua nova profissão, apesar das críticas dos que o rodeiam.

Quem já teve a oportunidade de acompanhar alguma temporada do seriado Six Feet Under não vai encontrar nenhuma novidade nos dramas apresentados por A Partida, filme vencedor do Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro. Mas, isso não quer dizer que não se pode entrar no clima do longa-metragem. Muito pelo contrário. O diretor Yôjirô Takita arquitetou um filme muito melancólico e com interessantes tons dramáticos.

Por mais que A Partida tenha um passo lento – por vezes monótono – e um ritmo arrastado, consegue contornar esses defeitos e moldar um retrato competente sobre a morte. Ou, mais especificamente, sobre o ritual feito para homenagear o falecido em seus últimos momentos com os familiares. O que se destaca nesse contexto é a beleza desse ritual, que no Japão ganha uma abordagem ainda mais bonita, já que a cerimônia é muito emblemática e de uma grande estética visual.

A Partida consegue, também, ser emocionante com grande frequência. Parte desse feito se deve ao lindo trabalho na trilha sonora – a parte sonora aqui é bastante valorizada, sendo peça fundamental para construir a atsmofera dramática do filme. O elenco, claro, também valoriza esses momentos – unindo drama e comédia (sim, a história também tem toques cômicos) com bom balanceamento.

Encontramos aqui um filme singelo, mas que ganha maiores proporções em função de sua humildade ao tratar de forma acessível uma temática tão difícil. A Partida não vai mudar a vida de ninguém e nem é um filme diferenciado, mas ao menos pode dizer que cumpriu a sua missão: atingiu a emoção do espectador e teve bom resultado como cinema.

FILME: 8.0

35

Intrigas de Estado

Direção: Kevin MacDonald

Elenco: Russel Crowe, Ben Affleck, Rachel McAdams, Helen Mirren, Jeff Daniels, Robin Wright Penn, Jason Bateman

State of Play, EUA, 2009, Drama, 117 minutos, 14 anos

Sinopse: O ambicioso congressista americano Stephen Collins (Ben Affleck) é o futuro de seu partido – até que sua assistente morre tragicamente, e segredos começam a ser elucidados. Cal McAffrey (Russell Crowe), repórter veterano de Washington D.C., tem uma antiga amizade com Collins, mas, seguindo ordens de sua editora, Cameron Lynne (Helen Mirren), precisa investigar a história. Na medida em que ele e sua parceira novata Della Frye (Rachel McAdams) tentam desvendar a identidade do assassino, se deparam com uma conspiração envolvendo algumas das mais promissoras figuras políticas e corporativas dos Estados Unidos.

Com bom resultado, mas com estrutura previsível, Intrigas de Estado vale como um entretenimento passageiro.”

Não se engane, Intrigas de Estado não é o que parece. A sinopse pode sugerir um filme complexo e difícil, mas não é. O roteiro é bem claro, objetivo – característica já marcante do diretor Kevin MacDonald (do ótimo O Último Rei da Escócia). No entanto, o longa se dedica demais ao fácil entendimento e o conjunto geral acaba soando muito correto e, pior ainda, formulaico. Fica aquela sensação de filme noturno de televisão sobre determinado jornalista fazendo papel de policial para desvendar um caso de assassinato.

Uma jogada esperta do roteiro foi esconder a figura de Ben Affleck (que é um péssimo ator e que sempre corre o risco de colocar tudo a perder) e centrar a trama na figura de Russell Crowe. Ainda temos nomes talentosos como a jovem Rachel McAdams e a vencedora do Oscar Helen Mirren. Eles estão longe de apresentar algo louvável no longa, porém, são o que sustentam o filme – junto com o bom roteiro.

Num balanço, Intrigas de Estado tem bom diretor, elenco e roteiro. Mas, não cativa. É simplista demais, pouco ousado ou sequer original. Esse é o grande mal dos filmes que carregam bons nomes na equipe. O espectador acaba aguardando demais. E, na maioria das vezes, o resultado não corresponde. É o caso aqui. Se não tivessemos esses nomes no filme, talvez ele pudesse ser mais interessante.

Apesar de tudo isso, é um bom filme. A película de MacDonald prende a atenção e, como já citado, é objetiva, não enrola. São quase duas horas de bom entretenimento. Nada mais do que isso. Intrigas de Estado tem saldo positivo, só não é aquilo que poderia ter sido. Mas, isso não quer dizer que não mereça uma conferida.

FILME: 7.5

3