Cinema e Argumento

Filmes em DVD

devildead

Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto, de Sidney Lumet

Com Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke e Albert Finney

4

Certamente não é um filme original – essa temática de um plano simples onde tudo dá errado já foi trabalhada muitas vezes. No entanto, Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto conduz essa história com grande competência. Não é só o roteiro que cria situações interessantes, mas também o elenco (que é o principal atrativo). Albert Finney e Philip Seymour Hoffman aparecem com grande vitalidade, em interpretações viscerais. Não aprecio tanto a narrativa fragmentada, já que eu acho que isso diminui um pouco o impacto, mas isso não chega a ser grande empecilho. É um filme que merece ser descoberto.

FILME: 8.5

bookclub

O Clube de Leitura de Jane Austen, de Robin Swicord

Com Emily Blunt, Hugh Dancy e Maria Bello

3

Quem conhece e aprecia a carreira da escritora Jane Austen, vai conseguir apreciar melhor esse filme. Contudo, isso não quer dizer que os leigos não conseguirão entrar na atmosfera. O Clube de Leitura de Jane Austen é cheio de diálogos com citações aos romances da escritora e o roteiro usa os livros de Austen exatamente para traçar um paralelo entre a ficção criada pela autora inglesa e a vida amorosa dos personagens do filme. O resultado é, no mínimo interessante. Ainda que não seja um produto digno de maior nota, temos aqui um elenco muito bem entrosado, uma trilha sonora bem legal (incluindo Snow Patrol e Aimee Mann) e bons conflitos sentimentais.

FILME: 7,5

silkwood

Silkwood – O Retrato de Um Coração, de Mike Nichols

Com Meryl Streep, Cher e Kurt Russell

3

Meryl Streep e Cher receberam nomeações ao Oscar por seus desempenhos nesse didático filme de Mike Nichols. Silkwood trata da verídica histórica de Karen Silkwood contra a indústria nuclear. Mas, se o longa poderia ser um interessante retrato de coragem trabalhista ao estilo do ótimo Norma Rae, não conseguiu esse feito. O longa até faz um bom retrato da protagonista, mas falta um pouco mais de humanização, de maiores motivações. É centralizado em excesso na profissão de Karen e pouco em seus sentimentos. É por isso que a jornada dela não se torna tão interessante como poderia ter sido. A protagonista não nos envolve. Mas, isso não quer dizer que Streep não se saia bem. Sua atuação está nos conformes e não desaponta. O porém está no roteiro mesmo.

FILME: 6.5

lastfather

Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?, de Anand Tucker

Com Colin Firth, Jim Broadbent e Juliet Stevenson

3

Um simpático filme familiar que tem que como principal atrativo a presença do sempre ótimo Jim Broadbent. Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez? tem um roteiro arrstado, onde parece que nada acontece em cena. Isso é o que faz com que o longa não consiga obter um resultado mais contundente, pois está isento de momentos especiais ou emocionantes. Mesmo assim, dá pra entrar na história e se envolver com a história de pai e filho, que é contada em flashbacks. Se não fosse pela dupla Broadbent e Firth – mais especialmente pelo primeiro – o longa seria completamente dispensável.

FILME: 6.5

phoebe

A Menina no País das Maravilhas, de Daniel Barnz

Com Elle Fanning, Felicity Huffman e Patricia Clarkson

3

Elle Fanning, a irmã da chata Dakota, é o grande destaque de A Menina no País das Maravilhas. O filme, pra ser bem sincero, é bem morno e não tem nenhum grande momento. Mas, a garotinha se sobressai e apresenta notável desenvoltura e talento para o drama. Em alguns momentos, a história pode parecer repetitiva e até mesmo irritante – principalmente por causa dos ataques de histeria das crianças em cena – mas a bela trilha sonora, a jovem Elle e as boas Huffman e Clarkson conseguem dar conta do recado. É sim um longa irregular e que fica dando voltas e voltas num mesmo assunto para não sair do lugar, mas tem a sua graça.

FILME: 6.5

theotherman

O Amante, de Richard Eyre

Com Liam Neeson, Antonio Banderas e Laura Linney

2

A única razão de eu ter procurado esse filme é Laura Linney. Para a minha surpresa, ela mal tem uma participação significativa aqui. Fiquei furioso com a enganação e tive que assistir um fraquíssimo duelo de Antonio Banderas e Liam Neeson. Mas, verdade seja dita, a culpa não é inteiramente deles. O roteiro é muito neutro, trabalhando uma história insossa e previsível – mais difícil ainda é acreditar que isso é baseado numa história de Bernhard Schlink (que escreveu o excelente livro que deu origem a O Leitor). O Amante funciona com total êxito somente quando Linney está em cena, já que ela tem uma incrível facilidade de iluminar qualquer cena. Se ela aparecesse mais, talvez o filme tivesse fugido do resultado decepcionante (especialmente no que se refere ao desfecho).

FILME: 5.0

Histórico do Blog – Ator Coadjuvante

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Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)

Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)

Paul Dano (Sangue Negro)

Albert Finney (Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto)

David Strathairn (Um Beijo Roubado)

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Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James)

Djimon Houson (Diamante de Sangue)

Jackie Earle Haley (Pecados Íntimos)

Tom Wilkinson (Conduta de Risco)

John Travolta (Hairspray – Em Busca da Fama)

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Jack Nicholson (Os Infiltrados)

Steve Carell (Pequena Miss Sunshine)

Paul Dano (Pequena Miss Sunshine)

George Clooney (Syriana – A Indústria do Petróleo)

Michael Caine (Filhos da Esperança)

Os Normais 2

Direção: José Alvarenga Jr.

Elenco: Fernanda Torres, Luiz Fernando Guimarães, Cláudia Raia, Drica Moraes, Danielle Winits, Daniel Dantas, Alinne Moraes, Daniele Suzuki, Mayana Neiva

Brasil, 2009, Comédia, 75 minutos, 16 anos

Sinopse: Vani (Fernanda Torres) e Rui (Luiz Fernando Guimarães) estão diante da crise dos 13 anos e resolvem tomar uma atitude para apimentar a relação: realizar uma de suas fantasias mais loucas – um ménage à trois. Em sua busca na noite carioca por alguém que tope embarcar na aventura, eles encontram as mais diferentes figuras: uma prima de Vani, uma freqüentadora de karaokê, uma bicampeã de kickboxing, uma bissexual, uma francesa e uma garota de programa.

“Nem a dupla de protagonistas salva Os Normais 2 da tragédia. É um filme exagerado, sem noção e mal feito.”

O pôster era terrível e o trailer vergonhoso. Tudo anunciava que Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todos (pra quê esse subtítulo cretino?) seria uma tragédia. Não foi diferente. Praticamente tudo dá errado nessa continuação que, possivelmente, deve desapontar até mesmo quem é fã de carterinha do seriado. O primeiro filme já não era lá tão original, mas ao menos tinha mais graça, era menos grotesco do que esse.

É extremamente complicado entender como um filme desses foi produzido. Será que ninguém na produção se deu conta de que estava diante de algo péssimo? É de se admirar que uma atriz do calibre de Fernanda Torres tenha se metido em uma cilada dessas. Os Normais 2 começa bem (a cena de Vani fazendo um gráfico da vida sexual de várias mulheres no banheiro é ótima) e se mantem durante certo tempo.

No entanto, a falta de história começa a ficar visível e algumas piadas simplesmente não fazem sentido algum. Em determinados casos, inclusive, assistimos situações constrangedoras (a do hospital é terrível) que nos despertam a vontade de sair correndo da frente do filme. Pesaram demais no tom sexual, na abordagem do grotesco e nas piadas de mal gosto.

É uma história mal matizada, cheia de tropeços e sem propósito algum. Não dá pra levar a sério nem pra se divertir com situações tão sem noção. A direção parece descontrolada, dando um tratamento televisivo demais (mas vale lembrar que isso nunca iria ao ar na TV por ser tão bagaceiro e explícito). Os 75 minutos de filme parecem mais um episódio comprido e não existem traços cinematográficos na produção.

Agora, por que razão assistir Os Normais 2? Não existe justificativa plausível e que possa encobrir os defeitos. O único detalhe que merece grande crédito nesse filme de mal gosto é a perfeita sintonia de Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães. Ambos sabem conduzir seus personagens com perfeição. São eles que nos lembram que Rui e Vani são excepcionais e hilários. São eles que justificam os míseros quatro pontos que eu concedi ao filme. Somente eles.

FILME: 4.0

15

A Bela Junie

Direção: Chritophe Honoré

Elenco: Léa Seydoux, Louis Garrel, Grégoire Leprince-Ringuet, Esteban Carvajal-Alegria, Simon Truxillo, Jacob Lyon

La Belle Personne, França, 2008, Drama, 90 minutos, 14 anos

Sinopse: Após a morte de sua mãe, Junie (Léa Seydoux) muda-se para um novo colégio onde conhece Otto (Grégoire Leprince-Ringuet), um timído rapaz de quem vira amiga. Nesse tempo, ela se apaixona por seu professor de italiano, Nemours (Louis Garrel).

Irregular em algumas histórias, mas bem sucedido em outras, A Bela Junie tem resultado mediano por ter problemas de roteiro.”

Já virou uma parceria do estilo Tim Burton + Johnny Depp. O diretor Christophe Honoré e o ator Louis Garrel estão constantemente trabalhando juntos. A Bela Junie representa mais um trabalho dos dois. Só que dessa vez, o resultado não passa do regular e o longa não consegue transmitir muita segurança ou interesse para o espectador. Na verdade, Louis Garrel é um personagem secundário da história – que foca a sua atenção no encantamento que a Junie (Léa Seydoux) do título causa nos personagens. Seja no seu tímido colega, no seu professor de italiano ou nos seus amigos. Mas, por um outro lado, a Junie é igualmente confusa e, no seu interior, é cheia de problemas.

O roteiro trabalha os conflitos emocionais muito superficialmente e a Junie, no final das contas, soa mais como uma garota sem vida do que como uma pessoa encantadora como a sinopse e o título indicam. Mas, isso não é empecilho para a triz Léa Seydoux, que tem bom desempenho aqui. Se, por um lado, A Bela Junie peca ao traçar a jornada da protagonista, acerta nas histórias secundárias. Especialmente nos casos amorosos de Nemours (Louise Garrel) com alunas e colegas de trabalho e nos relacionamentos adolescentes na escola da história (e nisso também se inclui uma relação homossexual que aparece timidamente).

Incluindo uma tomada onde um personagem começa a cantar para expressar seus sentimentos – exatamente como aconteceu em outro filme de Honoré, o Em Paris – o longa-metragem tem pontos positivos, mas, às vezes, se estima demais, achando que é intelectual e cult. Isso termina por tirar a simplicidade que poderia existir em A Bela Junie. Mais vale um filme simples e efetivo do que um filme complexo e sem muita eficiência. Contudo, vale ressaltar que é uma história boa. Só ficou devendo maior dinamismo.

FILME: 6.5

3

Up – Altas Aventuras

Direção: Pete Docter e Bob Peterson

Com as vozes originais de: Edward Asner, Christopher Plummer, John Ratzenberg, Jordan Nagai, Jerome Ranft

Up, EUA, 2009, Animação, 103 minutos, Livre

Sinopse: Carl Fredricksen é um vendedor de balões de 78 anos que finalmente realiza o sonho de uma vida inteira partindo em uma grande aventura depois de prender milhares de balões à sua casa e voar para as florestas da América do Sul. Mas ele descobre – tarde demais – que seu pior pesadelo embarcou com ele na viagem: um menino de 8 anos, excessivamente otimista e explorador da natureza, chamado Russell. Numa jornada emocionante, esses parceiros improváveis encontram uma paisagem inóspita, vilões inesperados e criaturas selvagens.

Já virou evento cinematográfico. Todo ano, quando a Pixar lança alguma animação nova, os cinéfilos já se preparam para assistir um dos grandes filmes do ano. Foi assim com Ratatouille e com WALL-E. E, agora, o feito se repete com Up – Altas Aventuras. A mais nova produção do estúdio pode até não ser superior aos últimos trabalhos apresentados. Mas, sem dúvida, é o mais emotivo – conseguindo, com muita facilidade, emocionar e divertir na medida perfeita.

Claro que não dá pra levar as situações de Up – Altas Aventuras ao pé da letra. Tudo é muito improvável e surreal, mas a Pixar sabe lidar tão bem com os seus próprios exageros (em alguns momentos, parece não existir senso de gravidade ou peso na animação), que isso quase passa despercebido. A história é relativamente fraca e sem muito conteúdo. Entretanto,  graças a um excelente tratamento narrativo, ganhou contornos muito agradáveis e, principalmente, sensíveis.

Temos aqui uma animação que percorre diversos caminhos emocionais. Amizade, amor e companheirismo se unem para causar no espectador diversas reflexões. Isso fica particularmente evidente em uma linda sequência logo no início do filme, onde acompanhamos toda a vida do personagem com sua esposa. Mais do que isso, Up – Altas Aventuras ainda constrói uma ótima relação de parceria entre o protagonista rabugento e o garotinho chato. Tudo isso sem soar piegas ou clichê. Como é de hábito na Pixar.

Falar sobre a parte técnica é cair no lugar comum, já que a produtora é impecável nesse assunto. Mas carimbo aqui a minha grande satisfação com a trilha do Michael Giacchino. O filme é o primeiro a ser rodado em 3D no estúdio e o que vale ressaltar é que esse formato é de total indiferença para a qualidade da história. O que mais importa é o elenco de personagens, todos simpáticos e engraçados – ainda que óbvios.

Up – Altas Aventuras não é uma animação espetacular ou exatamente marcante, mas é com muita firmeza que se estabelece como uma das melhores produções do ano. Isso prova que, mesmo quando não alcança o brilhantismo, a Pixar consegue deixar muita gente comendo poeira. E, no final das contas, a caricatura do vilão e os destinos óbvios da trama não comprometem em nada o resultado. Fruto de um estúdio que sabe o que está fazendo.

FILME: 8.5

4

NA PREMIAÇÃO DO CINEMA E ARGUMENTO: