Cinema e Argumento

Há Tanto Tempo Que Te Amo

Direção: Philippe Claudel

Elenco: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Frédéric Pierrot, Catherine Hosmalin, Claire Johnston, Jean-Claude Arnaud

Il y a Longtemps Que Je T’aime, França, 2008, Drama, 14 anos

Sinopse: Depois de passar 15 anos na cadeia, Juliette (Kristin Scott Thomas) reencontra a irmã mais nova, Léa (Elsa Zylberstein). Léa não via Juliette desde criança e após a prisão da irmã passou a ser criada como filha única. Agora ela se sente na obrigação de reintegrá-la na família e na sociedade.

O documentário O Cárcere e a Rua, dirigido por Liliana Sulzbach, narrava a história de três presidiárias. Uma delas estava saindo do presídio e tentando se preparar para voltar ao mundo real, que ela já não conhecia mais. Há Tanto Tempo Que Te Amo, assim como o documentário, foca toda a sua atenção exatamente nesse ponto: como reconstruir toda uma vida depois de anos perdidos no isolamento de uma prisão? Ambos os filmes não são sobre a culpa das protagonistas ou muito menos sobre como elas foram parar na cadeia, mas sobre como elas lutam por perdão e aceitamento.

Kristin Scott Thomas e Elsa Zylberstein representam muito bem essa história de aceitação que permeia Há Tanto Tempo Que Te Amo. A primeira representa uma mulher fechada, de poucas palavras e que, ao mesmo tempo em que deseja uma vida de volta, também parece não ter muita esperança no seu horizonte. A segunda traz a figura da irmã caridosa e que sente, de alguma forma, que deve alguma coisa para sua irmã. São atuações muito subestimadas e que não foram devidamente valorizadas. Tanto Kristin quando Elsa são o principal atrativo da história narrada pelo diretor Philippe Claudel.

Outro ponto que contribui para a boa recepção do filme é a sua estrutura. Há Tanto Tempo Que Te Amo foge um pouco das típicas narrativas subjetivas e complexas que ficaram tão conhecidas no cinema francês como em longas difíceis como A Professora de Piano, de Michael Haneke. É uma história bem acessível, tanto em seu conteúdo quanto em sua estrutura. Mas, pode afastar quem esperava conflitos mais densos. A trama é moldada por sentimentos sutis e que podem até mesmo passar despercebidos por espectadores menos atenciosos.

FILME: 8.0

35

As indicações ao Oscar de… Meryl Streep – Parte 2

1991 – MELHOR ATRIZ

Anjelica Houston (Os Imorais)

Joanne Woodward (Cenas de Uma Família)

Julia Roberts (Uma Linda Mulher)

Kathy Bates (Louca Obsessão)

Meryl Streep (Lembranças de Hollywood)

Meryl estava ótima em Lembranças de Hollywood, onde teve seu primeiro papel musical. Inclusive, também cantou no Oscar daquele ano, já que uma música do filme, I’m Checking Out, concorreu na categoria de canção original. Porém, a melhor daquele ano realmente era Kathy Bates, numa poderosa atuação como a maluca protagonista de Louca Obsessão. Nem Meryl em bom momento nem Julia Roberts com o hit chamado Uma Linda Mulher eram capazes de derrotar Bates, que mereceu a premiação incontestavelmente.

1996 – MELHOR ATRIZ

Elisabeth Shue (Despedida em Las Vegas)

Emma Thompson (Razão e Sensibilidade)

Meryl Streep (As Pontes de Madison)

Sharon Stone (Cassino)

Susan Sarandon (Os Últimos Passos de Um Homem)

Esse, pra mim, foi um dos anos mais complicados na história do Oscar nessa categoria. Todas ótimas atrizes em excelentes momentos. As veteranas Thomspon, Sarandon e Streep em momentos muito significativos de suas carreiras. Sem falar da Sharon Stone que estava radiante em Cassino (ainda que eu a considere coadjuvante). A Academia fez o caminho mais óbvio (e nem por isso injusto), o de premiar Sarandon, que já tinha concorrido várias vezes até então e nunca tinha vencido. Porém, pra mim, o grande desempenho daquele ano era o de Meryl, que estava perfeita em As Pontes de Madison. Ainda mais porque era ajudada por uma história extremamente emocionante. O terceiro Oscar dela já poderia ter acontecido aqui, por mais que o prêmio para Sarandon não tenha sido injusto.

1999 – MELHOR ATRIZ

Cate Blanchett (Elizabeth)

Emily Watson (Hilary & Jackie)

Fernanda Montenegro (Central do Brasil)

Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado)

Meryl Streep (Um Amor Verdadeiro)

Esse ano da categoria de melhor atriz entra para o rol dos maiores micos da Academia. Premiar a insossa Gwyneth Paltrow num ano em que qualquer uma das concorrentes estava melhor do que ela foi uma completa bobagem. Até mesmo Streep, em papel óbvio (pra não dizer programado pra fazer o público chorar) e que nem era protagonista da história, merecia mais. Contudo, quem deveria ter vencido aqui era Fernanda Montenegro, Cate Blanchett ou até mesmo Emily Watson. Todas ótimas e dignas de reconhecimento. Essa indicação para Meryl foi mais por prestígio ao nome dela do que por merecimento.

2000 – MELHOR ATRIZ

Annette Bening (Beleza Americana)

Hilary Swank (Meninos Não Choram)

Janet McTeer (Livre Para Amar)

Julianne Moore (Fim de Caso)

Meryl Streep (Música do Coração)

Outro papel bem óbvio de Meryl, mas que também é merecedor de elogios. Música do Coração é um filme previsível. Contudo, a atriz transforma o longa-metragem numa experiência muito agradável, sendo, portanto, o carro-chefe da história. Era certo que ela não tinha chances nesse ano – Annette Bening, Julianne Moore e, principalmente, Hilary Swank tinham papéis e atuações muito melhores – mas só a indicação já foi uma vitória para ela, que provou que, mesmo em tramas banais, consegue continuar sempre se sobressaindo.

2002 – MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Catherine Zeta-Jones (Chicago)

Julianne Moore (As Horas)

Kathy Bates (As Confissões de Schmidt)

Meryl Streep (Adaptação)

Queen Latifah (Chicago)

Foi um ano bem significativo para Meryl, que tinha dois trabalhos igualmente mravilhosos. Primeiro, em Adaptação. Segundo, em As Horas. Recebeu uma indicação pelo primeiro. Ainda prefiro sua Clarissa Vaughan do filme de Stephen Daldry, mas a sua nomeação por Adaptação foi inconstestável. O problema é que Julianne Moore estava impecável e tinha o melhor desempenho da carreira dela em As Horas. Era a maior merecedora das indicadas. Mas, também não levou. O prêmio foi para Catherine Zeta-Jones que, de fato, estava um arraso em Chicago. Contudo, a interpretação dela não tinha metade da complexidade e minuciosidade de Moore e de Streep.

2007 – MELHOR ATRIZ

Helen Mirren (A Rainha)

Judi Dench (Notas Sobre Um Escândalo)

Kate Winslet (Pecados Íntimos)

Meryl Streep (O Diabo Veste Prada)

Penélope Cruz (Volver)

Ela poderia, facilmente, ter levado mais um Oscar (seria o quarto, na minha lista) – caso estivesse concorrendo como coadjuvante. Sinceramente, não acho que Streep seja a protagonista de O Diabo Veste Prada e sua indicação como lead actrees foi uma grande jogada de marketing dos produtores. Poderosa e impecável como Miranda Priestly, a atriz teria facilmente levado mais uma estatueta se estivesse na categoria certa. Ou será mesmo que a Academia daria o Oscar pra Jennifer Hudson com Streep na lista de coadjuvantes? No mais, minha favorita entre as cinco era Judi Dench, perfeita em Notas Sobre Um Escândalo.

2009 – MELHOR ATRIZ

Angelina Jolie (A Troca)

Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)

Kate Winslet (O Leitor)

Melissa Leo (Rio Congelado)

Meryl Streep (Dúvida)

Quebrando seu próprio recorde, Meryl alcançou sua décima quinta indicação. E, além de ter conquistado esse feito, já começa a colecionar várias torcidas para que finalmente ganhe um novo Oscar. A torcida foi tanta, que conseguiu levar a atriz para as cinco finalistas, já que ela nao está em uma interpretação particularmente inspirada – ou seria por causa do papel antipático e difícil? Caso não tivesse uma Kate Winslet em seu caminho, teria levado. No entanto, o embate entre torcidas das duas atrizes acabou definindo o jogo. Winslet nunca tinha levado e já estava em sua sexta indicação. A dívida com Winslet era maior. Mas nem por isso ela deixou de merecer a vitória. Aliás, longe disso.

Amantes

Direção: James Gray

Elenco: Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Vinessa Shaw, Isabela Rossellini, Elias Koteas, John Ortiz, Bob Ari

Two Lovers, EUA, 2009, Drama, 105 minutos, 14 anos.

Sinopse: Leonard (Joaquin Phoenix) é um homem solteiro que mora no bairro de Brooklyn, em Nova York. Quando duas mulheres completamente diferentes entram em sua vida, ele vê tudo virar de cabeça para baixo ao ficar dividido entre ambas. Uma é a bela e misteriosa vizinha Michelle (Gwyneth Paltrow), que acaba de se mudar, a segunda é Sandra (Vinessa Shaw), a amável filha de uma família de amigos, apresentada por seus pais.

Amantes é aquele tipo de filme que deixa o espectador pensando depois da última cena. Por duas razões. Primeiro, a sequência final diz muita coisa. Segundo, os créditos finais aparecem abruptamente. Admito que esperava mais de todo enredo, mas é impossível ficar indiferente com toda a melancolia presente nessa produção que é um dos retratos mais interessantes sobre relacionamentos dos últimos anos. O resultado é intimista e que envolve o espectador.

Pelo que diz Joaquin Phoenix, esse é o último trabalho de sua carreira. Se isso for verdade, o ator encerrou a sua filmografia de forma digna, com um papel minucioso e complexo. Além dele, encontramos uma boa surpresa vindo da insossa Gwyneth Paltow. A vencedora do Oscar (!!!) por Shakespeare Apaixonado está muito inspirada na atuação que é, possivelmente, uma das melhores de sua carreira. Outro rosto que chama atenção é o de Isabela Rossellini como a mãe de Phoenix.

Não vou mentir e dizer que Amantes me surpreendeu. Isso não aconteceu mesmo. É um filme que não traz surpresas dentro do gênero, não existe nada de inovador nele. Mas, como em tantos outros filmes, o que faz o diferencial aqui é como a história é conduzida. O enredo é banal? Sim. A condução nem um pouco. Ela tem um certo diferencial: é intimista, dramática nos tons certos. O longa de James Gray, portanto, diferencia-se dos demais por ser bem real, próximo do espectador.

FILME: 8.0

35

Arraste-Me Para o Inferno

Direção: Sam Raimi

Elenco: Alison Lohman, Justin Long, David Paymer, Adriana Barraza, Chelcie Ross, Lorna Raver

Drag Me to Hell, EUA, 2009, Suspense/Terror, 95 minutos

Sinopse: A vida de Christine Brown (Alison Lohman) vai bem até que uma misteriosa senhora aparece no banco em que ela trabalha para implorar por uma extensão do empréstimo de sua casa. Quando Christine nega o pedido e despeja a idosa, ela lança a maldição da Lâmia sobre a jovem, transformando sua vida em um pesadelo. Assombrada por um espírito maligno e desacreditada por um namorado cético (Justin Long), Christine recorre a um vidente para salvar sua alma da condenação eterna. Enquanto as forças do mal ganham terreno, Christine precisa encarar o impensável: até onde ela irá para se livrar da maldição?

Antes que me acusem de não ter entrado no clima trash de Arraste-Me Para o Inferno, já anuncio: mesmo sem sequer assitir o filme, eu já defendia essa visão de encará-lo de forma despretensiosa, de entrar no clima dos absurdos e de se divertir o máximo possível com as bobagens mostradas por ele. Tanto, que quando alguém criticava o longa, eu dizia que a pessoa não tinha mergulhado no clima. É verdade, Sam Raimi volta para as suas raízes e realiza um filme de terror trash na essência da palavra. Mas, até que ponto o público de hoje está preparado para filmes assim?

Na realidade, o que me incomodou em Arraste-Me Para o Inferno foi a fraca história, que não sustenta o roteiro do filme. Fica impressão de que temos uma pequena ideia que é explorada demais, deixando a história cheia de excessos. É fácil encontrar momentos desnecessários – e cito, especialmente, aquela boba participação de Adriana Barraza em uma cena completamente histérica. Falando em histeria, a trilha também não poderia ser mais inapropriada. Se M. Night Shyamalan usa esse artifício como um belo instrumento de suspense, Raimi faz o oposto em diversos momentos, levando o filme a tons até mesmo gritantes e óbvios auditivamente.

A princípio, o filme diverte com seus absurdos e chega a ser bem divertido. Mas, aos poucos, vai perdendo as rédeas e termina causando mais humor involuntário do que deveria. Inclusive, Alison Lohman (uma atriz  por quem tenho grande simpatia) parece mais uma Anna Farris vivendo situações toscas como em Todo Mundo Em Pânico. Outro ponto que atrapalha é quando o terror é expressado através de efeitos especiais. Isso sim que estraga a festa, trazendo até mesmo alguns momentos verdadeiramente constrangedores por conta da qualidade técnica.

Pra não dizer que deixei de elogiar o filme, confesso que, em certos momentos, ele realmente é muito agradável. É tanta bobagem que lembra mesmo aquele filmes trash de Sam Raimi, em que o espectador entra no clima e consegue ter um delicioso entretenimento. O problema é que o público de hoje já não é mais o de antigamente. Os filmes atuais já não são como antes. Arraste-Me Para o Inferno é, portanto, prejudicado por ser lançado na hora errada. O público do cinema contemporâneo não aprendeu a gostar de filmes assim. E eu estou incluído nesse grupo.

FILME: 5.0

2

As indicações ao Oscar de… Meryl Streep – Parte 1

Depois de comentar as indicações ao Oscar de Julianne Moore, prossigo essa série de posts com a recordista de nomeações, Meryl Streep. Dividi essa edição em duas partes. Quem quiser dar dicas de algum ator para o próximo post, é só deixar um comentário!

1979 – MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Dyan Cannon (O Céu Pode Esperar)

Maggie Smith (California Suite)

Maureen Stapleton (Interiores)

Meryl Streep (O Franco-Atirador)

Penelope Milford (Amargo Regresso)

Em sua primeira indicação ao Oscar, Meryl Streep não tinha como concorrer com a veterana Maggie Smith, que estava impecável em California Suite. Mas, a primeira nomeação para ela não poderia ser mais justa. Streep, apesar de ter espaço extremamente limitado em O Franco-Atirador, chamava a atenção em cada minuto que aparecia. Iluminava a cena e ainda já mostrava alguns traços da excelente atriz que estava nascendo para o cinema. A nomeação, portanto, já foi uma vitória para ela, que, a partir desse momento, não parou mais.

1980 – MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Barbara Barrie (Correndo Pela Vitória)

Candice Bergan (Encontros e Desencontros)

Jane Alexander (Kramer vs. Kramer)

Mariel Hemingway (Manhattan)

Meryl Streep (Kramer vs. Kramer)

É um papel limitadíssimo, mas que confere grandes momentos de Streep. As cenas nos tribunais de Kramer vs. Kramer são um arraso e a atriz tira proveito disso, utilizando todo o seu talento para emocionar como a mãe relapsa e arrependida que quer seu filho de volta depois de abandoná-lo. Era fato consumado: Streep estava arrasadora e, mais uma vez, provou que consegue grandes feitos mesmo quando tem pequenas participações. O Oscar não podia ser mais justo e ela, definitivamente, se firmou como uma das grandes revelações daquela temporada.

1982 – MELHOR ATRIZ

Diane Keaton (Reds)

Katharine Hepburn (Num Lago Dourado)

Marsha Mason (Doce Sabor de Um Sorriso)

Meryl Streep (A Mulher do Tenente Francês)

Susan Sarandon (Atlantic City)

Primeiro papel de grande repercussão de Meryl como protagonista. O filme é um pouco estranho, mas esse é um dos desempenhos mais interessantes dela – em especial porque Meryl tem dos papéis bem distintos. O ano, sem dúvida, era concorrido, onde ela concorria com outras ótimas atrizes como Susan Sarandon (boa em Atlantic City, mas longe de apresentar um desempenho mais significativo) e Diane Keaton (pelo elogiado Reds). Perdeu para a lenda Katharine Hepburn, que aqui batia o recorde de vitórias entre as atrizes e parecia não dar chances para as suas concorrentes.

1983 – MELHOR ATRIZ

Debra Winger (A Força do Destino)

Jessica Lange (Frances)

Julie Andrews (Vítor ou Vitória?)

Meryl Streep (A Escolha de Sofia)

Sissy Spacek (Desaparecido – Um Grande Mistério)

Nesse ano, não tinha pra ninguém. Meryl Streep vinha mais intensa do que nunca. Não só vinha com a melhor interpretação de sua carreira até então, como também apresentava um dos desempenhos mais marcantes da história do cinema. Arrebatadora como a mãe que tem que escolher entre um de seus dois filhos em pleno nazismo, a atriz se firmou, definitivamente, como um dos grandes nomes de sua geração. A partir daqui, o prestígio dela só cresceu e, a cada trabalho, conquistava ainda mais fãs e admiradores.

1984 – MELHOR ATRIZ

Debra Winger (Laços de Ternura)

Jane Alexander (Herança Nuclear)

Julie Walters (O Despertar de Rita)

Meryl Streep (Silkwood – O Retrato de Um Coração)

Shirley MacLaine (Laços de Ternura)

Talvez, pela fraca concorrência, Streep conseguiu concorrer mais uma vez ao Oscar por seu desempenho em Silkwood – O Retrato de Um Coração. Não que a atuação seja insatisfatória, mas ela só conseguiu alcançar um nível linear, sem maiores nuances. Mas, vale lembrar que a culpa é do roteiro esquemático. O prêmio, portanto, foi parar nas mãos da ótima Shirley MacLaine, que estava em um momento inspirado no longa Laços de Ternura – que também recebeu o prêmio de ator coadjuvante para o igualmente competente Jack Nicholson.

1986 – MELHOR ATRIZ

Anne Bancroft (Agnes de Deus)

Geraldine Page (O Regresso Para Bountiful)

Jessica Lange (Um Sonho, Uma Lenda)

Meryl Streep (Entre Dois Amores)

Whoopi Goldberg (A Cor Púrpura)

Atuando com grande louvor e competência no grande épico de sua carreira, Streep segurou as rédeas desse filme que tem toques de grandiosidade e que, facilmente, poderiam ofuscá-la. Não é o que acontece. Ela se sobressai e, mais uma vez, merece sua indicação ao Oscar com todos os louvores. Só não levou mais uma vez porque a Academia estava em grande débito com a ótima Geraldine Page que, em O Regresso Para Bountiful, apresentou um desempenho muito singelo, nostálgico e sincero – que tocou o coração de muita gente.

1988 – MELHOR ATRIZ

Cher (Feitiço da Lua)

Glenn Close (Atração Fatal)

Holly Hunter (Nos Bastidores da Notícia)

Meryl Streep (Ironweed)

Sally Kirkland (Anna)

Ironweed tem um certo público que admira as atuações de Jack Nicholson e Meryl Streep. Eu, particularmente, não sou muito fã. Ambos os atores são prejudicados por um roteiro fraco, que conta toda a história de forma muito parada e monótona. Hector Babenco, o diretor, também não aparece inspirado atrás das câmeras. Portanto, Streep não merecia uma vitória nesse ano. Especialmente porque outras estrelas como Cher estavam em alta. Mas, a minha favorita aqui era Glenn Close, que apresentava uma marcante atuação em Atração Fatal.

1989 – MELHOR ATRIZ

Glenn Close (Ligações Perigosas)

Jodie Foster (Acusados)

Melanie Griffith (Uma Secretária de Futuro)

Meryl Streep (Um Grito no Escuro)

Sigourney Weaver (Na Montanha dos Gorilas)

Nesse ano, as três principais concorrentes tinham papéis femininos muito fortes. Glenn Close, como a gélida Marquesa de Marteuil em Ligações Perigosas, Jodie Foster como a duvidosa vítima de um estupro em Acusados e Meryl Streep como a mãe que tenta provar que a morte de seu filho não foi sua culpa em Um Grito No Escuro. Todas ótimas. Mas, tanto Close como Foster apareciam beneficiadas por aparições mais intensas, já que Streep tinha uma interpretação sutil, de gestos (que foi premiada em Cannes). Particularmente, considero esse ano a melhor oportunidade que a Academia teve para celebrar Glenn Close…