Cinema e Argumento

As indicações ao Oscar de… Julianne Moore

1998 – MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Gloria Stuart (Titanic)

Kim Basinger (Los Angeles – Cidade Proibida)

Minnie Driver (Gênio Indomável)

Joan Cusack (Será Que Ele é?)

Julianne Moore (Boogie Nights – Prazer Sem Limites)

Dizer que Julianne Moore poderia ter vencido o Oscar logo na sua primeira indicação não é nenhu exagero. Principalmente porque a vitória de Kim Basinger foi um completo absurdo. É fato que Julianne não tem grande espaço em cena na trama de Boogie Nights, mas cada vez que a atriz aparece em cena, consegue iluminar e atrair todas as atenções para si. Mais linda do que nunca, ela encanta e é a verdadeira prova de que beleza e talento podem sim andar lado a lado. Era a minha favorita entre as concorrentes e poderia fácil fácil ter levado a sua primeira estatueta pelo filme de Paul Thomas Anderson.

2000 – MELHOR ATRIZ

Annette Bening (Beleza Americana)

Hilary Swank (Meninos Não Choram)

Janet McTeer (Livre Para Amar)

Julianne Moore (Fim de Caso)

Meryl Streep (Música do Coração)

É, não tinha jeito. Por mais que eu aprecie a interpretação de Julianne em Fim de Caso (um filme que não gosto tanto, mas que vale pelas grandes interpretações dos protagonistas), ela não tinha chances nesse ano. Estava atrás de Annette Bening e Hilary Swank, ambas ótimas em seus respectivos filmes. Swank, por sinal, entregou um trabalho tão excepcional em Meninos Não Choram que ficava muito complicado premiar alguém além dela. Mas, só o fato de receber uma indicação como protagonista depois da nomeação como coadjuvante e ainda conseguir estar em momento mais inspirado que a diva Meryl Streep, já foi uma grande vitória para a atriz.

2003 – MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Catherine Zeta-Jones (Chicago)

Kathy Bates (As Confissões de Schmidt)

Julianne Moore (As Horas)

Meryl Streep (Adaptação)

Queen Latifah (Chicago)

Catherine Zeta-Jones está sim um arraso em Chicago, mas esse ano era todo de Julianne Moore. Não só ela manteve a qualidade dos seus trabalhos desde a sua primeira indicação ao prêmio da Academia, como também foi apresentando interpretações ainda melhores. Sua perfeita personificação em As Horas era digna de todos os prêmios da temporada. A atriz saiu de mão abanando em todas as importantes cerimônias. Um grande absurdo, se formos levar em consideração que, além de concorrer como coadjuvante, ainda apresentava outro trabalho excepcional como protagonista em Longe do Paraíso. Julianne merecia o prêmio de coadjuvante. Sem pensar duas vezes.

2003 – MELHOR ATRIZ

Diane Lane (Infidelidade)

Julianne Moore (Longe do Paraíso)

Nicole Kidman (As Horas)

Renée Zellweger (Chicago)

Salma Hayek (Frida)

Por mim, Julianne poderia sair com os dois prêmios no Oscar de 2003. Eu sei que a Nicole Kidman estava em alta naquela época e que muita gente torcia por ela, mas eu não consigo enxergar o Oscar de Kidman como uma verdadeira vitória. Parece que foi mais pelo efeito que ela estava exercendo na época. Moore foi quem entregou o trabalho mais bem matizado das cinco concorrentes, expressando todos os tipos de nuance e encontrando o tom perfeito em Longe do Paraíso. Depois disso, não conseguiu mais engrenar (sem falar dos péssimos filmes que realizou) e encara um jejum de seis anos longe das premiações. O que também é outra injustiça com a atriz, que merecia ter sido lembrada por Ensaio Sobre a Cegueira.

O que eu (não) absorvi de Anticristo

Não sei se já aconteceu com algum de vocês, mas sabe aquele tipo de filme em que simplesmente não dá pra absorver o que viu? Ou quando o filme parece complexo demais para a sua capacidade de percepção? Pois é, apesar da premissa absurdamente simples, Anticristo é um filme repleto de entrelinhas. É o longa mais estranho que Lars Von Trier já realizou na sua carreira e, possivelmente, o mais difícil.

Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg se entregam de corpo e alma para seus respectivos papéis; o prológo é uma das aberturas mais sencacionais dos últimos tempos; o drama aparece de forma contundente no princípio. Mas, em determinado momento, Anticristo começa a falar somente por imagens e tudo parece cabeça demais. É para o público que aceita desafios narrativos, que consegue enxergar muito além do que está sendo mostrado na tela.

Eu apreciei muitas coisas, mas não vou cometer o erro de fazer uma crítica para um filme que eu talvez nem tenha entendido. Bom ou não, Anticristo é um filme polêmico, que traz discussões. Quem vai para o cinema assistir tem que estar ciente de que estará diante de um cinema diferente e estranho. Vai depender do paladar do espectador se a experiência será ou não positiva. Eu não sei o que penso até agora.

Filmes em DVD

devildead

Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto, de Sidney Lumet

Com Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke e Albert Finney

4

Certamente não é um filme original – essa temática de um plano simples onde tudo dá errado já foi trabalhada muitas vezes. No entanto, Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto conduz essa história com grande competência. Não é só o roteiro que cria situações interessantes, mas também o elenco (que é o principal atrativo). Albert Finney e Philip Seymour Hoffman aparecem com grande vitalidade, em interpretações viscerais. Não aprecio tanto a narrativa fragmentada, já que eu acho que isso diminui um pouco o impacto, mas isso não chega a ser grande empecilho. É um filme que merece ser descoberto.

FILME: 8.5

bookclub

O Clube de Leitura de Jane Austen, de Robin Swicord

Com Emily Blunt, Hugh Dancy e Maria Bello

3

Quem conhece e aprecia a carreira da escritora Jane Austen, vai conseguir apreciar melhor esse filme. Contudo, isso não quer dizer que os leigos não conseguirão entrar na atmosfera. O Clube de Leitura de Jane Austen é cheio de diálogos com citações aos romances da escritora e o roteiro usa os livros de Austen exatamente para traçar um paralelo entre a ficção criada pela autora inglesa e a vida amorosa dos personagens do filme. O resultado é, no mínimo interessante. Ainda que não seja um produto digno de maior nota, temos aqui um elenco muito bem entrosado, uma trilha sonora bem legal (incluindo Snow Patrol e Aimee Mann) e bons conflitos sentimentais.

FILME: 7,5

silkwood

Silkwood – O Retrato de Um Coração, de Mike Nichols

Com Meryl Streep, Cher e Kurt Russell

3

Meryl Streep e Cher receberam nomeações ao Oscar por seus desempenhos nesse didático filme de Mike Nichols. Silkwood trata da verídica histórica de Karen Silkwood contra a indústria nuclear. Mas, se o longa poderia ser um interessante retrato de coragem trabalhista ao estilo do ótimo Norma Rae, não conseguiu esse feito. O longa até faz um bom retrato da protagonista, mas falta um pouco mais de humanização, de maiores motivações. É centralizado em excesso na profissão de Karen e pouco em seus sentimentos. É por isso que a jornada dela não se torna tão interessante como poderia ter sido. A protagonista não nos envolve. Mas, isso não quer dizer que Streep não se saia bem. Sua atuação está nos conformes e não desaponta. O porém está no roteiro mesmo.

FILME: 6.5

lastfather

Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?, de Anand Tucker

Com Colin Firth, Jim Broadbent e Juliet Stevenson

3

Um simpático filme familiar que tem que como principal atrativo a presença do sempre ótimo Jim Broadbent. Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez? tem um roteiro arrstado, onde parece que nada acontece em cena. Isso é o que faz com que o longa não consiga obter um resultado mais contundente, pois está isento de momentos especiais ou emocionantes. Mesmo assim, dá pra entrar na história e se envolver com a história de pai e filho, que é contada em flashbacks. Se não fosse pela dupla Broadbent e Firth – mais especialmente pelo primeiro – o longa seria completamente dispensável.

FILME: 6.5

phoebe

A Menina no País das Maravilhas, de Daniel Barnz

Com Elle Fanning, Felicity Huffman e Patricia Clarkson

3

Elle Fanning, a irmã da chata Dakota, é o grande destaque de A Menina no País das Maravilhas. O filme, pra ser bem sincero, é bem morno e não tem nenhum grande momento. Mas, a garotinha se sobressai e apresenta notável desenvoltura e talento para o drama. Em alguns momentos, a história pode parecer repetitiva e até mesmo irritante – principalmente por causa dos ataques de histeria das crianças em cena – mas a bela trilha sonora, a jovem Elle e as boas Huffman e Clarkson conseguem dar conta do recado. É sim um longa irregular e que fica dando voltas e voltas num mesmo assunto para não sair do lugar, mas tem a sua graça.

FILME: 6.5

theotherman

O Amante, de Richard Eyre

Com Liam Neeson, Antonio Banderas e Laura Linney

2

A única razão de eu ter procurado esse filme é Laura Linney. Para a minha surpresa, ela mal tem uma participação significativa aqui. Fiquei furioso com a enganação e tive que assistir um fraquíssimo duelo de Antonio Banderas e Liam Neeson. Mas, verdade seja dita, a culpa não é inteiramente deles. O roteiro é muito neutro, trabalhando uma história insossa e previsível – mais difícil ainda é acreditar que isso é baseado numa história de Bernhard Schlink (que escreveu o excelente livro que deu origem a O Leitor). O Amante funciona com total êxito somente quando Linney está em cena, já que ela tem uma incrível facilidade de iluminar qualquer cena. Se ela aparecesse mais, talvez o filme tivesse fugido do resultado decepcionante (especialmente no que se refere ao desfecho).

FILME: 5.0

Histórico do Blog – Ator Coadjuvante

argbard

Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)

Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)

Paul Dano (Sangue Negro)

Albert Finney (Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto)

David Strathairn (Um Beijo Roubado)

argcas

Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James)

Djimon Houson (Diamante de Sangue)

Jackie Earle Haley (Pecados Íntimos)

Tom Wilkinson (Conduta de Risco)

John Travolta (Hairspray – Em Busca da Fama)

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Jack Nicholson (Os Infiltrados)

Steve Carell (Pequena Miss Sunshine)

Paul Dano (Pequena Miss Sunshine)

George Clooney (Syriana – A Indústria do Petróleo)

Michael Caine (Filhos da Esperança)

Os Normais 2

Direção: José Alvarenga Jr.

Elenco: Fernanda Torres, Luiz Fernando Guimarães, Cláudia Raia, Drica Moraes, Danielle Winits, Daniel Dantas, Alinne Moraes, Daniele Suzuki, Mayana Neiva

Brasil, 2009, Comédia, 75 minutos, 16 anos

Sinopse: Vani (Fernanda Torres) e Rui (Luiz Fernando Guimarães) estão diante da crise dos 13 anos e resolvem tomar uma atitude para apimentar a relação: realizar uma de suas fantasias mais loucas – um ménage à trois. Em sua busca na noite carioca por alguém que tope embarcar na aventura, eles encontram as mais diferentes figuras: uma prima de Vani, uma freqüentadora de karaokê, uma bicampeã de kickboxing, uma bissexual, uma francesa e uma garota de programa.

“Nem a dupla de protagonistas salva Os Normais 2 da tragédia. É um filme exagerado, sem noção e mal feito.”

O pôster era terrível e o trailer vergonhoso. Tudo anunciava que Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todos (pra quê esse subtítulo cretino?) seria uma tragédia. Não foi diferente. Praticamente tudo dá errado nessa continuação que, possivelmente, deve desapontar até mesmo quem é fã de carterinha do seriado. O primeiro filme já não era lá tão original, mas ao menos tinha mais graça, era menos grotesco do que esse.

É extremamente complicado entender como um filme desses foi produzido. Será que ninguém na produção se deu conta de que estava diante de algo péssimo? É de se admirar que uma atriz do calibre de Fernanda Torres tenha se metido em uma cilada dessas. Os Normais 2 começa bem (a cena de Vani fazendo um gráfico da vida sexual de várias mulheres no banheiro é ótima) e se mantem durante certo tempo.

No entanto, a falta de história começa a ficar visível e algumas piadas simplesmente não fazem sentido algum. Em determinados casos, inclusive, assistimos situações constrangedoras (a do hospital é terrível) que nos despertam a vontade de sair correndo da frente do filme. Pesaram demais no tom sexual, na abordagem do grotesco e nas piadas de mal gosto.

É uma história mal matizada, cheia de tropeços e sem propósito algum. Não dá pra levar a sério nem pra se divertir com situações tão sem noção. A direção parece descontrolada, dando um tratamento televisivo demais (mas vale lembrar que isso nunca iria ao ar na TV por ser tão bagaceiro e explícito). Os 75 minutos de filme parecem mais um episódio comprido e não existem traços cinematográficos na produção.

Agora, por que razão assistir Os Normais 2? Não existe justificativa plausível e que possa encobrir os defeitos. O único detalhe que merece grande crédito nesse filme de mal gosto é a perfeita sintonia de Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães. Ambos sabem conduzir seus personagens com perfeição. São eles que nos lembram que Rui e Vani são excepcionais e hilários. São eles que justificam os míseros quatro pontos que eu concedi ao filme. Somente eles.

FILME: 4.0

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