Arraste-Me Para o Inferno

Direção: Sam Raimi
Elenco: Alison Lohman, Justin Long, David Paymer, Adriana Barraza, Chelcie Ross, Lorna Raver
Drag Me to Hell, EUA, 2009, Suspense/Terror, 95 minutos
Sinopse: A vida de Christine Brown (Alison Lohman) vai bem até que uma misteriosa senhora aparece no banco em que ela trabalha para implorar por uma extensão do empréstimo de sua casa. Quando Christine nega o pedido e despeja a idosa, ela lança a maldição da Lâmia sobre a jovem, transformando sua vida em um pesadelo. Assombrada por um espírito maligno e desacreditada por um namorado cético (Justin Long), Christine recorre a um vidente para salvar sua alma da condenação eterna. Enquanto as forças do mal ganham terreno, Christine precisa encarar o impensável: até onde ela irá para se livrar da maldição?

Antes que me acusem de não ter entrado no clima trash de Arraste-Me Para o Inferno, já anuncio: mesmo sem sequer assitir o filme, eu já defendia essa visão de encará-lo de forma despretensiosa, de entrar no clima dos absurdos e de se divertir o máximo possível com as bobagens mostradas por ele. Tanto, que quando alguém criticava o longa, eu dizia que a pessoa não tinha mergulhado no clima. É verdade, Sam Raimi volta para as suas raízes e realiza um filme de terror trash na essência da palavra. Mas, até que ponto o público de hoje está preparado para filmes assim?
Na realidade, o que me incomodou em Arraste-Me Para o Inferno foi a fraca história, que não sustenta o roteiro do filme. Fica impressão de que temos uma pequena ideia que é explorada demais, deixando a história cheia de excessos. É fácil encontrar momentos desnecessários – e cito, especialmente, aquela boba participação de Adriana Barraza em uma cena completamente histérica. Falando em histeria, a trilha também não poderia ser mais inapropriada. Se M. Night Shyamalan usa esse artifício como um belo instrumento de suspense, Raimi faz o oposto em diversos momentos, levando o filme a tons até mesmo gritantes e óbvios auditivamente.
A princípio, o filme diverte com seus absurdos e chega a ser bem divertido. Mas, aos poucos, vai perdendo as rédeas e termina causando mais humor involuntário do que deveria. Inclusive, Alison Lohman (uma atriz por quem tenho grande simpatia) parece mais uma Anna Farris vivendo situações toscas como em Todo Mundo Em Pânico. Outro ponto que atrapalha é quando o terror é expressado através de efeitos especiais. Isso sim que estraga a festa, trazendo até mesmo alguns momentos verdadeiramente constrangedores por conta da qualidade técnica.
Pra não dizer que deixei de elogiar o filme, confesso que, em certos momentos, ele realmente é muito agradável. É tanta bobagem que lembra mesmo aquele filmes trash de Sam Raimi, em que o espectador entra no clima e consegue ter um delicioso entretenimento. O problema é que o público de hoje já não é mais o de antigamente. Os filmes atuais já não são como antes. Arraste-Me Para o Inferno é, portanto, prejudicado por ser lançado na hora errada. O público do cinema contemporâneo não aprendeu a gostar de filmes assim. E eu estou incluído nesse grupo.
FILME: 5.0

















