Cinema e Argumento

As melhores composições de 2009

Esse foi um ano muito forte para as trilhas sonoras. Portanto, resolvi fazer uma lista das melhores composições do ano. Eu, que sou um apaixonado e  viciado por trilhas, fiquei encantado com cada uma das composições citadas abaixo. Esse post, também, já é uma prepapração para a lista de melhores do ano do Cinema e Argumento, que começará em breve. E lembrando que todas as composições dessa lista são puramente instrumentais.

A.R. Rahman – “Mausam & Escape”, from Slumdog Millionaire

Alberto Iglesias – “Final y a Ciegas”, from Los Abrazos Rotos

Alexandre Desplat – “Postcards”, from The Curious Case of Benjamin Button

Alexandre Desplat – “Benjamin and Daisy”, from The Curious Case of Benjamin Button

Alexandre Desplat – “Sunrise on Pontchartrain”, from The Curious Case of Benjamin Button

Alexandre Desplat – “Casino de Deauville”, from Coco Avant Chanel

Alexandre Desplat – “Julia’s Theme”, from Julie & Julia

Clint Eastwood – “Main Title”, from Changeling

Hans Zimmer – “503”, from Angels & Demons

Hans Zimmer – “Watergate”, from Frost/Nixon

Howard Shore – “Doubts”, from Doubt

James Newton Howard – “War”, from Duplicity

Michael Giacchino – “Memories Can Weigh You Down”, from Up

Michael Giacchino – “Stuff We Did”, from Up

Nico Muhly – “Go Back to Your Friends”, from The Reader

Nicholas Hooper – “Harry & Hermione”, from Harry Potter and the Half-Blood Prince

Nicholas Hooper – “Farewell, Aragog”, from Harry Potter and the Half-Blood Prince

Abraços Partidos

Direção: Pedro Almodóvar

Elenco: Lluís Homar, José Luis Gómez, Penélope Cruz, Blanca Portillo, Rubén Ochandiano, Tamar Novas, Ángela Molina

Los Abrazos Rotos, Espanha, 2009, Drama, 127 minutos, 14 anos

Sinopse: Há 14 anos, o cineasta Mateo Blanco (Lluís Homar) sofreu um trágico acidente de carro, no qual perdeu simultaneamente a visão e sua grande paixão, Lena (Penélope Cruz). Sofrendo aparentemente de perda de memória, abandonou sua posição de cineasta e preservou apenas seu lado de escritor, cujo pseudônimo é Harry Caine. Um dia, Diego (Tamar Novas), filho de sua antiga e fiel diretora de produção, passa mal e Harry vai em seu socorro. Quando o jovem indaga Harry sobre seus dias de cineasta, o amargurado homem revela se lembrar de detalhes marcantes de sua vida e do acidente.

É sempre gratificante assistir a qualquer filme de Pedro Almodóvar. O espanhol é um profissional que tem grandes características cinematográficas e seus filmes sempre possuem um estilo muito autoral e que se diferencia dos demais diretores de seu país. Mesmo quando o resultado é meio insuficiente, vale a pena dar uma conferida. É o caso de Abraços Partidos, que se encaixa como uma certa decepção na carreira de Almodóvar.

Penélope Cruz, novamente, é a musa da história. Mas, quem estiver esperando uma atuação surpreendente como a de Volver ou empolgante como a de Vicky Cristina Barcelona vai se decepcionar. Cruz não tem tanto destaque em cena e, infelizmente, não chega a ter o destaque que merecia e que poderia ter tido. Ora, ela cumpre a sua missão de apresentar uma boa atuação, mas o problema de Abraços Partidos é o roteiro, que tira um pouco do brilho da atriz.

Não sei se o problema é a história neutra, mas o resultado não empolga em momento algum. A película tem o sério problema de não envolver o espectador – e isso se deve ao tratamento frio e distante que permeia o filme durante todo o tempo. Não conseguimos sentir a paixão que supostamente os personagens têm por Lena (Penélope Cruz) ou muito menos que tipos de sentimentos algumas lembranças trazem para Mateo/Harry (Lluís Homar). Fica tudo muito vago e sem vida.

Falta paixão narrativa em Abraços Partidos. O que é estranho, já que Almodóvar sempre tem o costume de deixar bem evidente toda a sua veia sentimental em suas histórias. Não é o que acontece aqui. Sempre fica aquela incômoda sensação de que algo está faltando. Algo que vai fazer a produção alçar voo. É um descompasso que incomoda. Enquanto os atores estão bem em cena, o roteiro fica sem se destacar.

Por um outro lado, não dá pra ficar indiferente com Abraços Partidos. É um longa-metragem que todo mundo vai ver, independente de opiniões negativas. Críticas não desmotivam os fãs do diretor – que podem até encontrar coisas boas na história. E elas existem sim, já que o filme funciona sem maiores problemas e consegue, com muita facilidade, ser um bom drama. Só que é pouco vindo de um diretor que sempre encantou com sua paixão pelo cinema em obras visivelmente cheias de sentimentalismo como  em Fale Com Ela e como no mais recente Volver.

FILME: 6.5

Uma Prova de Amor

Direção: Nick Cassavetes

Elenco: Cameron Diaz, Abigail Breslin, Alec Baldwin, Jason Patric, Evan Ellingson, Sofia Vassilieva, Joan Cusack, Nicole Marie Lenz

My Sister’s Keeper, EUA, 2009, Drama, 104 minutos, 12 anos

Sinopse: A pequena Anna (Abigail Breslin) não é doente, mas bem que poderia estar. Por treze anos, ela foi submetida a inúmeras cirurgias e transfusões para que sua irmã mais velha Kate (Sofia Vassilieva) pudesse, de alguma forma, lutar contra a leucemia que a atingiu ainda na infância. Anna foi concebida para que sua medula óssea prorrogasse os anos de vida de Kate, papel que ela nunca contestou… até agora. Tal como a maioria dos adolescentes, ela está começando a questionar quem ela realmente é. Mas, ao contrário da maioria dos adolescentes, ela sempre teve sua vida definida de acordo com as necessidades da irmã. Então, Anna toma uma decisão que seria impensável para a maioria, uma atitude que irá abalar sua família.

Todo mundo já sabe, antes mesmo de assistir o filme, que Uma Prova de Amor é feito para arrancar lágrimas. Assim como quase todo longa-metragem que fala de câncer, essa história vai ter lembranças familiares muito ternas, várias situações lacrimosas e frases sentimentais. Portanto, quem vai assistir um filme assim, não pode esperar muita coisa. E é isso mesmo, a película de Nick Cassavetes usa a velha fórmula cancerígena de narrar situações assim e obtem um resultado até que positivo, mas não isento de falhas.

Até aí tudo bem, mas o que incomoda no enredo é a falta de estrutura dele. Tudo é narrado com diversos pontos de vista (em determinado momento, a cada minuto, um personagem passa ser o narrador da história) e a trama vai e volta no tempo com a intenção de explicar como a situação chegou no atual ponto. Mas, mais do que isso, a verdadeira intenção de Uma Prova de Amor é querer emocionar. Nick Cassavetes, o diretor, faz de tudo para isso. Desde a trilha sonora com músicas de bandas tristes, muito choro e personagens com visuais realmente chocantes (a persoagem de Sofia Vassilieva causa tristeza com a sua aparência tão detonada).

Mas, a questão é: o filme consegue emocionar? Bom, cumpre a sua missão com quem é mais fraco com esse tipo de história, mas deixa muito a desejar com quem espera emoções mais genuínas. Não é que Uma Prova de Amor não seja sincero, ele só não consegue soar muito natural a exemplo de outros excelentes filmes dessa temática como Lado a Lado. Podemos unir a isso, ainda, uma surpresinha no final da trama – que, de certa forma, acovarda uma personagem afim de trazer ainda mais emoção para a película.

Porém, é aquela velha situação: não dá pra ser crítico com um filme que é assumidamente projetado para arrancar lágrimas. Uma Prova de Amor tem bons momentos, atuações na medida e reflexões interessantes. Só não consegue ser muito feliz na hora de estruturar a história, que é contada de forma um pouco questionável e que tira um pouco do impacto. Nesse sentido, temos aqui um filme que desaponta por não conseguir ser tão emocionante como poderia. Contudo, basta ter boa vontade para tirar alguma coisa boa da produção.

FILME: 6.5


Filmes em DVD

Jean Charles, de Henrique Goldman

Com Selton Mello, Vanessa Giácomo e Luís Miranda

Jean Charles é um dos filmes brasileiros mais contidos dos últimos tempos, tornando-se especial justamente por causa dessa abordagem. O roteiro foge de exageros e de cenas explosivas. Aqui, a movimentação sentimental dos personagens é muito sutil e tal “calma” contribui de forma muito positiva para o resultado geral. O diretor Henrique Goldman criou um filme que se diferencia de tantos produzidos pelo cinema brasileiro e entrega uma obra interessante, que é chefiada por mais uma excelente interpretação de Selton Mello – possivelmente uma de suas melhores. Com certeza Jean Charles vai ter o público que reclame de sua narrativa devagar e parada em acontecimentos. O que é uma pena.

FILME: 8.0


O Quarto Poder, de Costa Gavras

Com Dustin Hoffman, John Travolta e Blythe Danner

Filme com uma boa essência jornalística e que traz muitas questões para serem debatidas sobre o mundo da imprensa. Além de ser tenso com frequência, O Quarto Poder se dá ao direito de discursar sobre a mídia e ainda consegue criar dramas suficientemente interessantes para manter a atenção do espectador. É certo que o final é meio abrupto e que tudo termina com aquela velha sensação de inversão de papéis entre os personagens para causar justiça, mas a direção de Costa Gavras é segura, Dustin Hoffman é controla as rédeas muito bem como protagonista e a história tem saldo positivo.

FILME: 8.0

Veronika Decide Morrer, de Emily Young

Com Sarah Michelle Gellar, David Thewlis e Melissa Leo

Sinto uma grande satisfação quando sou surpreendido por filmes que eu desprezava antes mesmo de assistir. É o caso de Veronika Decide Morrer – baseado no best-seller do intelectual de araque Paulo Coelho. A produção surpreende em diversos aspectos, em especial na verossimilhança de suas intenções. O filme não é ganancioso, é bastante humilde na sua condução. As emoções são válidas, a abordagem dramática é satisfatória e as interpretações são na medida (até mesmo Sarah Michelle Gellar, no melhor papel de sua carreira). Veronika Decide Morrer, portanto, é um drama que merece ser conferido. Especialmente porque não é o que parece ser.

FILME: 8.0

Eu Te Amo, Cara, de John Hamburg

Com Paul Rudd, Rashida Jones e Rob Huebel

Longe de ser uma comédia com genialidades, Eu Te Amo, Cara encontra a sua graça na simplicidade. É um filme divertido, que apenas quer ser um entretenimento descompromissado. Tem um ritmo legal, um protagonista competente (Paul Rudd sempre se sai bem nesse gênero) e uma história que traz muitas risadas. Claro que não dá pra querer que o roteiro seja mais elaborado, já que a história em si é muito rada, limitada. No entanto, a história lida bem com a temática e transforma Eu Te Amo, Cara em uma experiência, no mínimo, comicamente válida.

FILME: 7.5

A Vida Secreta das Abelhas, de Gina Prince-Bythewood

Com Dakota Fanning, Jennifer Hudson e Queen Latifah

Típico filme melodramático que faria muito sucesso nas tardes da Globo. A Vida Secreta das Abelhas é meloso do início ao fim, desde o seu roteiro até suas resoluções para os conflitos. O que vale ressaltar aqui é o bom elenco feminino, todas atrizes que, quando administradas da maneira correta, funcionam em cena. No entanto, o roteiro meio vazio não segura a peteca e o filme parece sempre estar carente de algo mais, de algo diferente. Dá pra assistir numa boa, mas resta saber até onde você consegue ir com uma história tão novelesca como essa.

FILME: 6.0

Julie & Julia

Direção: Nora Ephron

Elenco: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Mary Lynn Rajskub, Jane Lynch, Linda Emond

EUA, 2009, Comédia, 123 minutos, 12 anos

Sinopse: 1948. Julia Child (Meryl Streep) é uma americana que passou a morar em Paris devido ao trabalho de seu marido, Paul (Stanley Tucci). Em busca de algo para se ocupar, ela se interessou por culinária e, anos mais tarde, passou a a apresentar um programa de TV sobre o assunto. Cinquenta anos depois, Julie Powell (Amy Adams) está prestes a completar 30 anos e está frustrada com a vida que leva. Em busca de um objetivo, ela resolve passar um ano cozinhando as 524 receitas do livro de Julia Child, “Mastering the Art of French Cooking”. Ao longo deste período Julie escreve para um blog, onde relata suas experiências.

Todos os filmes recentes sobre gastronomia têm algo em comum: eles utilizam a comida para metaforizar a batalha dos personagens, a busca dos protagonistas por seus respectivos sonhos. Se em Ratatouille acompanhamos a inusitada jornada de um ratinho querendo ser cozinheiro, aqui em Julie & Julia observamos a vida de duas mulheres muito reais que mudaram seu jeito de viver ao descobrirem um refúgio na culinária.

A primeira é Julia Child, famosa mestre-cuca que, com muita dedicação, tornou-se uma grande cozinheira, mesmo quando os profissionais do ramo diziam que ela não tinha futuro. Ela é interpretada por Meryl Streep que, mais uma vez, apresenta uma metamorfose, desaparecendo em mais uma personificação muito divertida – e que aqui é pontuada por uma personagem impagável e inusitada, mas que conquista facilmente com seu jeito de ser. Streep está, claramente, divertindo-se em cena.

A segunda é Julie Powell, mulher comum e frustrada com o trabalho, mas que encontrou nas receitas de Julia Child uma razão para se reinventar. Tal figura ganha contornos nas mãos de Amy Adams. Sem dúvida a personagem perde – e muito – em questão de carisma para Julia Child, mas Adams é tão adorável, que fica difícil querer reclamar dela, que está visivelmente confortável durante todo o filme.

Julie & Julia é o que pode se esperar de um filme da diretora Nora Ephron. Ela sempre dirigiu longas agradáveis, mas que nunca saem do básico. Aqui não é diferente. Parece que o roteiro do filme nunca engata numa marcha que fará o diferencial. A história é carente de variações e tudo o que se enxerga é uma repetição. Por sorte, temos uma Meryl Streep divertida (e reparem no excepcional trabalho corporal dela também) e uma Amy Adams suficientemente satisfatória para encobrir esses defeitos.

É certo que esse filme vai ser esquecido depois de alguns minutos da sessão e o que ficará perpetuando na cabeça é a presença de Streep. Mas, até que para um filme previsível e certinho, Julie & Julia tem bons atrativos: é bem feito e  não subestima a paciência ou inteligência de ninguém. O filme sabe que realmente não é grande coisa e por isso não tem ambição de pesar a mão no humor ou de querer ser diferente em algum aspecto. É na obviedade que ele encontra seu pecado, mas também a sua redenção.

FILME: 7.5


1948. Julia Child (Meryl Streep) é uma americana que passou a morar em Paris devido ao trabalho de seu marido, Paul (Stanley Tucci). Em busca de algo para se ocupar, ela se interessou por culinária e passou a apresentar um programa de TV sobre o assunto. Cinquenta anos depois, Julie Powell (Amy Adams) está prestes a completar 30 anos e está frustrada com a vida que leva. Em busca de um objetivo, ela resolve passar um ano cozinhando as 524 receitas do livro de Julia Child, “Mastering the Art of French Cooking”. Ao longo deste período Julie escreve para um blog, onde relata suas experiências.