Cinema e Argumento

Lua Nova

Direção: Chris Weitz

Elenco: Kristen Stewart, Taylor Lautner, Robert Pattinson, Michael Sheen, Dakota Fanning, Jamie Campbell Bower, Peter Facinelli

New Moon, EUA, 2009, Romance/Aventura, 130 minutos, 12 anos

Sinopse: Bella Swan (Kristen Stewart) está devastado com a partida repentina de seu namorado, Edward Cullen (Robert Pattinson), após um incidente durante sua festa de aniversário. Mas seu espírito é reanimado pela crescente amizade com Jacob Black (Taylor Lautner). De repente, ele se vê atraída pelo mundo dos lobisomens, inimigos ancestrais dos vampiros, e vê sua lealdade e sua verdadeira paixão, sendo testadas.

Até hoje não entendo como Stephenie Meyer alcançou um tremendo sucesso com a tal saga Crepúsculo. Tá certo, nunca li sequer um livro da escritora, mas, baseado no que se pode encontrar na série cinematográfica, é muito sensato dizer que o êxito de Meyer pode ser considerado totalmente inexplicável. A história é de uma obviedade absurda, os personagens são comuns (leia-se, sem qualqer abordagem interessante) e faltam acontecimentos sólidos.

Tudo o que acontece em Lua Nova, assim como em Crepúsculo, parte de situações bobas e que não justificam os efeitos que aparecem logo em seguida. Superficialidade é uma palavra que pode definir o roteiro. Ou seja, os conflitos dramáticos da história partem de situações inverossímeis, que parecem ter sido escritas somente para que algo acontecesse no insosso romance entre Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson). Nem mesmo a entrada de Jacob (Taylor Lautner), compondo um triângulo amoroso, traz ar de originalidade aos conflitos.

No entanto, a boa notícia é que o diretor Chris Weitz conseguiu criar um filme mais evoluído que Crepúsculo. Lua Nova é uma produção de maior pretensão cinematográfica e isso se pode notar em diversos momentos – como na acertada escolha  da trilha sonora de Alexandre Desplat, por exemplo. Weitz, que está tentando se reerguer depois do fracasso comercial e artístico de A Bússola de Ouro, tem uma direção correta, mas que não consegue rivalizar com o enredo raso.

O elenco continua sendo um caso a parte. Uma atuação pior que a outra. Kristen Stewart está vesga e tapada como sempre enquanto Robert Pattinson aparece inexpressivo e sem qualquer brilho. O “melhor” deles é Taylor Lautner, mas ainda assim é muito pouco para sequer merecer elogios. Esse é um dos maiores problemas da saga, nenhum dos atores consegue ser digno de bons momentos.  Temos, também, participações de nomes como Michael Sheen e Dakota Fanning integranto o elenco.

Mas, apesar de tudo que já foi citado, Lua Nova não é um filme  ruim. Tem seus erros, é verdade, mas essa segunda parte da saga é bem mais assistível que Crepúsculo. Talvez pelo fato de que a equipe parece ter aprendido a não se levar a sério, colocando até doses de humor em alguns momentos – algo que não existia antes. Mas, na realidade, se a série não alça vôo, a culpa verdadeira não é dos profissionais e sim da autora dos livros – que criou uma história limitada e que não permite inovações. Meyer deveria assistir True Blood para aprender algumas coisas…

FILME: 6.0


Melhores de 2009 – Animação

Não sei até quando a Pixar vai lançar animações maravilhosas. Up – Altas Aventuras segue o notável ritmo da produtora que, desde Ratatouille, vem ganhando todos os prêmios consecutivamente. Nada mais justo. E não é diferente com essa nova animação do estúdio. Tá certo que não tem toda a grandiosidade de WALL-E, mas Up aposta completamente na emoção, apoiando-ne nas ternas memórias do protagonista Fredericksen para montar sua atmosfera emocional. Temos aqui um roteiro muito especial unindo-se com uma maravilhosa trilha sonora para, mais uma vez, entreter o espectador. É uma acertada mistura de comédia, aventura e drama que consegue conquistar qualquer um.

VALSA COM BASHIR

Seguindo o estilo Persépolis de animação adulta e com conteúdo, Valsa Com Bashir é um filme para poucos, já que, além de ter tratamento documental, aposta em assuntos politizados. Somente quem aprecia filmes assim vai entrar nessa maravilhosa viagem visual, onde o lado estético é simplesmente excepcional. A animação pode até perder o ritmo diversas vezes e ser um pouco cansativa, mas isso não chega a afetar o magnetismo simbólico de Valsa Com Bashir.

BOLT – SUPERCÃO

Fazia tempo que nenhum outro estúdio além da Pixar conseguia divertir tanto. Bolt – Supercão é um excelente exemplar de coo se fazer animações sem cair nas obviedades de desenhos já saturados como Madagascar ou qualquer outra produção que envolva bichos falantes. Não são apenas os personagens carismáticos que conquistam, mas também o roteiro satisfatória, as canções e tambem a aventura.

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Escolha do público:

1. Up – Altas Aventuras, 80% (24 votos)

2. Bolt – Supercão, 10% (3 votos)

3. Valsa Com Bashir, 10% (3 votos)

Melhores de 2009 – Trilha Sonora

Logo quando surgiu para o cinema com O Despertar de Uma Paixão e A Rainha, Alexandre Desplat já chegou sendo considerado um dos compositores mais promissores dessa geração. Tal título se confirmou e hoje ele é um dos profissionais mais ativos do ramo. Quando se pensava que Desplat não fosse realizar um novo trabalho brilhante tão cedo, eis que ele vem com a maravilhosa trilha sonora de O Curioso Caso de Benjamin Button. O álbum é excepcional, com os típicos arranjos de Desplat – que dessa vez soam mais melancólicos e efetivos do que nunca. É por faixas como Postcards e Benjamin and Daisy que dá pra perceber o porquê dessa trilha ser a mais bela e impecável do ano. Desplat ainda veio com várias outras trilhas de qualidade em 2009. Todos trabalhos que merecem ser conferidos. Em anos anteriores: 2006 – John Williams (Memórias de Uma Gueixa), 2007 – Alexandre Desplat (A Rainha) e 2008 – Dario Marianelli (Desejo e Reparação, escolha do público: idem).

NICHOLAS HOOPER (Harry Potter e o Enigma do Príncipe)

Nicholas Hooper foi uma das melhores aquisições da série Harry Potter. Criticado pelos fãs por abandonar a clássica sonoridade da saga do bruxo, Hooper acertou em cheio com essa escolha. Ele consegue dar um grande ar de maturidade para a história e em O Enigma do Príncipe isso fica evidente, uma vez que ele tem ótimos momentos de versatilidade e composições maravilhosas que ficam entre as melhores do ano.

ALEXANDRE DESPLAT (Coco Antes de Chanel)

Alexandre Desplat já se tornou um dos grande profissionais de seu ramo e em 2009 ele confirmou isso mais do que nunca. Além de ter a melhor trilha do ano com O Curioso Caso de Benjamin Button, apresentou outros inúmeros trabalhos de excelência. Entre eles, Coco Antes de Chanel, uma das trilhas mais harmônicas do diretor, onde todas as composições tem o mesmo excelente nível de qualidade. Merece reconhecimento.

MICHAEL GIACCHINO (Up – Altas Aventuras)

Só pela inesquecível melodia de Stuff We Did, que fica perpetuando na cabeça após o filme, Michael Giacchino já merecia algum reconhecimento. Mas o maior mérito desse ótimo compositor é demonstrar grande versatilidade em Up – Altas Aventuras. Ele vai desde sonoridades melancólicas até outras de pura aventura. Dá até pra se arrepiar com a originalidade, como na composição já citada e em Memories Can Weigh You Down.

NICO MUHLY (O Leitor)

Cinéfilos pegaram um certo parâmetro de que uma trilha só é boa se aparecer sutilmente. Até o mestre Philip Glass já foi chamado de “exagerado” por ter feito uma trilha que era constanemente presente, em Notas Sobre Um Escândalo. O jovem Nico Muhly, que já trabalhou com Glass, sofreu do mesmo mal. Sua trilha foi desdenhada por causa disso – o que é uma grande injustiça, já que as melodias que Muhly criou para O Leitor são maravilhosas.

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Escolha do público:

1. Alexandre Desplat – O Curioso Caso de Benjamin Button, 43% (12 votos)

2. Michael Giacchino – Up: Altas Aventuras, 32% (9 votos)

3. Nicholas Hooper – Harry Potter e o Enigma do Príncipe, 18% (5 votos)

4. Alexandre Desplat – Coco Antes de Chanel, 7% (2 votos)

5. Nico Muhly – O Leitor, 0% (0 votos)

Melhores de 2009 – Efeitos Especiais

James Cameron sabe trabalhar muito bem o lado técnico de seus filmes. Isso fica evidente nos efeitos especiais, que, nos filmes do diretor, nunca são mero pretexto para ação desenfreada. Cameron utiliza os efeitos para criar uma atmosfera e para trazer o espectador para o mundo que o filme quer trabalhar. Não é diferente em Avatar. É claro que o espectador mais corriqueiro vai prestar atenção nas cenas de ação e na forma como os Navi são retratados, mas quem estiver disposto a prestar a atenção em toda a computação gráfica utilizada para moldar meticulosamente os “cenários” e a “direção de arte”, certamente vai perceber que o trabalho de efeitos em Avatar é fruto da experiência de um mestre nesse assunto. Esse é o primeiro ano da categoria aqui no blog (lembrando que algumas categorias não serão montadas caso não existam filmes suficientes/dignos de serem mencionados).

2012

Não é novidade pra ninguém que 2012 é uma verdadeira porcaria. Mas também não é novidade que os efeitos são espetaculares, realmente de deixar qualquer um de boca aberta. Está certo que eles são utilizados da maneira mais óbvia possível e a partir de qualquer pretexto… Entretanto, são de uma magnitude impressionante – talvez os melhores já visto em qualquer filme-catástrofe do cinema. Pena que isso não compense tudo, não é mesmo?

STAR TREK

Difícil reviver uma série clássica com a tecnologia de hoje. Star Trek não cai na armadilha de deixar os efeitos maiores que o próprio filme – é tudo na medida, deixando o espectador totalmente envolvido pelo clima proposto por J.J. Abrams. No entanto, quando a ação pede, os efeitos especiais entram em pleno vapor, trazendo um dinamismo muito interessante para a trama. Esse setor é um dos pontos altos dessa grata surpresa de 2009.

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Escolha do público:

1. Avatar, 79% (37 votos)

2. Star Trek, 17% (8 votos)

3. 2012, 4% (2 votos)

Comunicado de fim de ano [2]

Com esse post, inauguro a temporada de premiações aqui do Cinema e Argumento. Ainda não estou publicando uma categoria oficial, mas fiz uma seleção dos meus cinco momentos favoritos desse ano. E, abaixo, listo todos os filmes que, de acordo com as minhas regras (ou seja, longas lançados no circuito brasileiro – cinema ou dvd – em 2009), podem concorrer aqui no blog. E, desde já, agradeço a ajuda da minha amiga Daniela Mainardi com algumas imagens que vocês verão nos posts.

(500) Dias Com Ela, 17 Outra Vez, 2012, Abraços Partidos, O Amante, Amantes, Anjos e Demônios, Anticristo, Arraste-Me Para o Inferno, Austrália, Avatar, Bastardos Inglórios, A Bela Junie, Bolt – Supercão, Brüno, O Casamento de Rachel, Coco Antes de Chanel, O Contador de Histórias, O Curioso Caso de Benjamin Button, O Dia Em Que a Terra Parou, Divã, Duplicidade, Dúvida, Entre os Muros da Escola, O Equilibrista, A Festa da Menina Morta, Foi Apenas Um Sonho, Frost/Nixon, A Garota Ideal, Gran Torino, Guerra ao Terror, Há Tanto Tempo Que Te Amo, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, Inimigos Públicos, Intrigas de Estado, Jean Charles, Jogando Com Prazer, Julie & Julia, O Leitor, O Lutador, A Menina no País das Maravilhas, Milk – A Voz da Igualdade, Minhas Adoráveis Ex-Namoradas, A Mulher Invisível, Os Normais 2, Operação Valquíria, Pagando Bem Que Mal Tem?, A Partida, Passageiros, Por Amor, Presságio, Uma Prova de Amor, Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?, Quarentena, Quem Quer Ser Um Milionário?, Recém Chegada, Rio Congelado, Simplesmente Feliz, Star Trek, Tinha Que Ser Você, Trama Internacional, A Troca, Up – Altas Aventuras, Valsa Com Bashir, Veronika Decide Morrer, A Vida Secreta das Abelhas, O Visitante, X-Men Origens: Wolverine, W.


O prólogo de “Anticristo”

A conversa com Sra. Miller, em “Dúvida”

A vida de Carl e Ellie, em “Up – Altas Aventuras”

O discurso de Mary, em “Orações Para Bobby”

Chicas y Maletas, em “Abraços Partidos”