Cinema e Argumento

Oscar 2010: Apostas

MELHOR FILME

QUEM LEVA: Guerra ao Terror. Olha, já venceu tudo (o Globo de Ouro não conta porque é comercial), é o queridinho da crítica e ainda é favorecido por todo o buzz em torno da Kathryn Bigelow.

PODE VENCER: Avatar. Sucesso estrondoso, maior bilheteria da história, alto indíce de aprovação. Isso basta. Mas vai lembrar que é desfavorecido por não ter nenhum ator e nem o roteiro indicado.

MEU VOTO: Direito de Amar. Oi? Não tá indicado? Então vai Educação mesmo ou até Up – Altas Aventuras. Se bem que eu ficaria feliz até se o Amor Sem Escalas vencesse.

QUEM MENOS MERECE: Um Sonho Possível e Um Homem Sério. Obras decepcionantes e que nem deveriam estar entre os dez indicados.

MELHOR DIREÇÃO

QUEM LEVA: Kathryn Bigelow. Ela se saiu muito bem mesmo em Guerra ao Terror e vai ser legal ver uma mulher finalmente levando o prêmio. Prêmio que não contesto – e até apóio.

PODE VENCER: Meio difícil a Bigelow perder, mas não seria surpresa se o James Cameron vencesse novamente.

MEU VOTO: Kathryn Bigelow.

QUEM MENOS MERECE: Lee Daniels, mas vale lembrar que eu não desmereço a indicação dele.

.

MELHOR ATRIZ

QUEM VENCE: Meryl Streep. Pelas razões mais óbvias: merece e já está à beira de um novo prêmio faz horas.

PODE VENCER: Sandra Bullock. Vai entender o porquê, né. Não faz absolutamente nada no filme.

MEU VOTO: Meryl Streep. Se fosse por merecimento exclusivamente do desempenho nomeado, Carey Mulligan venceria. Mas como a jovem nem tem chances e eu costumo sempre apoiar a Streep por um terceiro Oscar, meu voto seria para ela.

QUEM MENOS MERECE: Sandra Bullock mesmo. Seria uma das maiores palhaçadas da categoria em anos.

MELHOR ATOR

QUEM LEVA: Jeff Bridges. Nessa altura do campeonato é meio difícil ele perder. Levou tudo quanto é prêmio e tem uma carreira que todos dizem ser merecedora de reconhecimento.

PODE VENCER: Colin Firth. Ganhou o BAFTA e ainda realiza um dos melhores trabalhos dos últimos anos. Querem fazer justiça? Coloquem os prêmios nas mãos dele.

MEU VOTO: Colin Firth. Sou fã absoluto de Direito de Amar e Firth arrasou completamente no filme. Algo de impressionar mesmo.

QUEM MENOS MERECE: Morgan Freeman, que não poderia estar cômodo e mais básico em Invictus. Interpretação sem qualquer atrativo maior.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

QUEM LEVA: Mo’Nique, que é outra figura que faturou todos os prêmios da temporada. Algo ia parecer muito errado se ela não vencesse.

PODE VENCER: Vera Farmiga, a coadjuvante mais interessante de Amor Sem Escalas. Não só por merecimento, mas por ter uma interpretação bem sutil e contida. Contudo, é uma possibilidade que vai além da remota.

MEU VOTO: Não sei. Não sou fã de carteirinha de ninguém nessa categoria. Mas fico entre Farmiga e Mo’Nique.

QUEM MENOS MERECE: Penélope Cruz. Estaríamos diante de uma verdadeira piada se ela vencesse. Indicação absurda e vitória mais absurda ainda caso aconteça.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

QUEM VENCE: Christoph Waltz. Precisa explicar?

PODE VENCER: Ninguém, é só Waltz.

MEU VOTO: Waltz, de novo.

QUEM MENOS MERECE: Matt Damon. Aliás, o que ele tá fazendo indicado, hein?!

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

QUEM LEVA: Amor Sem Escalas, já que o filme tem que ser premiado de alguma maneira e é aqui que reside a grande chance de vitória do filme. Mas, além disso, é um ótimo roteiro – que merece a estatueta.

PODE VENCER: Meio difícil outro concorrente vencer…

MEU VOTO: Amor Sem Escalas. Gosto muito de Educação e aprecio demais o roteiro, mas o de Amor Sem Escalas é de uma maturidade notável. Sem falar, claro, que é o principal atrativo do longa.

QUEM MENOS MERECE: Distrito 9, porque eu estou até agora tentando entender o que viram nesse filme (sem falar que nem tem um trabalho bom no que se refere a roteiro).

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

QUEM LEVA: Bastardos Inglórios. É meio improvável que um filme tão celebrado e com tantas indicações vá sair só com o prêmio de ator coadjuvante. E vale considerar também que o Tarantino tem que ser celebrado de alguma maneira…

PODE VENCER: Guerra ao Terror, que está quase com a mão no prêmio.

MEU VOTO: Não é novidade aqui que eu tenho muita resistência com o texto de Bastardos Inglórios. E como não acho Um Homem Sério e Guerra ao Terror grande coisa, fico com o sentimentalismo de Up – Altas Aventuras.

QUEM MENOS MERECE: Um Homem Sério. Eita filmezinho mais chato…

_

OUTRAS CATEGORIAS:

Direção de Arte: Avatar

Trilha Sonora: Up – Altas Aventuras

Fotografia: A Fita Branca

Filme Estrangeiro: O Segredo de Seus Olhos

Canção Original: “The Weary Kind” (Coração Louco)

Figurino: A Jovem Vitória

Maquiagem: Star Trek

Efeitos Visuais: Avatar

Edição de Som: Guerra ao Terror

Mixagem de Som: Avatar

Montagem: Guerra ao Terror

Animação: Up – Altas Aventuras

Direito de Amar

For the first time in my life I can’t see my future. Everyday goes by in a haze, but today I have decided will be different.

Direção: Tom Ford

Elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Lee Pace, Matthew Goode, Ginnifer Goodwin, Aaron Sanders, Ryan Simpkins

A Single Man, EUA/Inglaterra, 2009, Drama, 101 minutos, 16 anos

Sinopse: George (Colin Firth) é um professor de inglês, que repentinamente perde seu companheiro de 16 anos. Sentindo-se perdido e sem conseguir levar adiante sua vida, ele resolve se matar. Para tanto passa a planejar cada passo do suicídio, mas neste processo alguns pequenos momentos lhe mostram que a vida ainda pode valer a pena.

Ainda lembro da primeira vez que assisti ao trailer de Direito de Amar. Tinha ficado impressionado com o resultado alcançado pela prévia e sempre tive a sensação de que ali estava um filme muito interessante. Não deu outra: fiquei encantado com o que vi no cinema. Para quem duvidava que a inexperiência do estilista Tom Ford fosse atrapalhar a condução da história, eis a boa notícia de que isso não acontece. Ford se mostra surpreendentemente seguro como diretor. Ele, que demonstrou extrema devoção ao projeto (além de ter escrito, produzido e dirigido, também investiu dinheiro próprio na produção), alcança não só um admirável êxito estético, mas também cinematográfico.

O visual é, sem sombra de dúvidas, um dos pontos altos de Direito de Amar. A produção se mostra impecável: os figurinos fazem jus ao trabalho estilista de Ford, a direção de arte é detalhista, a fotografia impressiona a cada quadro e ainda a trilha sonora é de arrepiar. São elementos estéticos que por si só já valeriam uma conferida gratificante ao filme. A visão artística é um elemento fundamental para a construção da trama. Tudo salta aos olhos (em uma cena ou outra, até demais) e Direito de Amar já começa acertando por aí, no fato de ser um produto muito sedutor aos olhos.

Mas se a abordagem visual de Tom Ford está fortemente presente no longa-metragem, também podemos encontrar aqueles intensos teores homoeróticos que o estilista costuma deixar também em seus ensaios fora das telas. Toda sedução homossexual do filme se apresenta com uma determinada sutileza misturada com uma intensidade que chega até a ser incômoda. Talvez, por ser muito verossímil. Podemos levar como exemplo o interesse de um aluno (Nicholas Hoult) pelo protagonista, que traz para a audiência cenas que beiram ao tenso de tão insinuantes – ainda que chegue a ser explícita em determinados momentos.

No entanto, a boa notícia é que esse lado mais sexual de Direito de Amar nunca se sobrepõe ao verdadeiro interesse narrativo do filme. A atração física é mero acessório de uma história triste. Baseado no livro Um Homem Só, de Christopher Isherwood, o roteiro é de uma melancolia única. O texto aposta naquele velho e bom tom de contar tudo de forma lenta com flashbacks e acerta inteiramente. Conhecemos o personagem a fundo, ficamos comovidos com a vida dele e também nos envolvemos com todos os acontecimentos do dia que é narrado pela história. Um roteiro certeiro, que transita entre os mais diversos assuntos – entre eles solidão, dor e inconformidade com o mundo.

Direito de Amar pode ter todos os aspectos maravilhosos do mundo (e, realmente, tem), mas nenhum se compara ao perfeito desempenho de Colin Firth. Normalmente, não gosto de usar a palavra “perfeito”, pois a considero definitiva demais. Mas não existe outra palavra para definir o ator. Ele é a alma do filme e desempenha um papel espetacular, onde não existe espaço para cenas fora de tom. Firth é impecável na composição e se justiça existisse nesse mundo, ele deveria levar todos os prêmios possíveis por sua atuação. Ele é a grande estrela, mas também podemos ressaltar as participações menores de alguns coadjuvantes como Julianne Moore (essa uma injustiçada) e do jovem Nicholas Hoult (que soube aplicar sedução e dramaticidade num bom tom para o personagem).

Não é um filme que seja acertado por completo, pois tem um defeito que vai incomodar muita gente: fica claro, em diversas partes, que a área artística parece predominar sobre a cinematográfica. A fotografia parece desviar a atenção da cena em si, por exemplo. É tudo muito lindo e perfeito, como se o mundo de Direito de Amar fosse uma verdadeira pintura sem defeitos. Incômodo esse pode deixar muitos resistentes com a produção. Mas, sinceramente, o conjunto geral é tão impressionante que quase não dá pra se fixar nesses detalhes. Temos aqui, portanto, um lindíssimo filme que não teve a recepção que merecia – tanto do público quanto da crítica. Dá pra saber bem o porquê. É um filme bem dirigido ao mundo homossexual e que não faz questão de ser algo para as grandes massas. É algo autêntico. E não estaria aí o grande triunfo de tudo?

FILME: 9.5

NA PREMIAÇÃO 2010 DO CINEMA E ARGUMENTO:

It takes time in the morning for me to become George, time to adjust to what is expected of George and how he is to behave. By the time I have dressed and put the final layer of polish on the now slightly stiff but quite perfect George I know fully what part I’m suppose to play.

Um Homem Sério

Sometimes these things just aren’t meant to be. And it can take a while before you feel what was always there, for better or worse.

Direção: Joel e Ethan Coen

Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick, Peter Breitmayer, Ari Hoptman, Aaron Wolff, Jessica McManus

A Serious Man, EUA, 2009, Drama, 106 minutos, 14 anos

Sinopse: Em 1967, Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) é um professor de Física da Universidade de Midwestern, que acaba de ser informado que sua esposa Judith (Sari Lennick) o está deixando. Ela apaixonou-se por um de seus colegas , Sy Ableman (Fred Melamed). A família de Larry também não é lá essas coisas: seu irmão Arthur (Richard Kind) mora em sua casa e dorme no sofá; seu filho Danny (Aaron Wolf) é um estudante problemático e rebelde; e sua filha Sarah (Jessica McManus) pega, frequentemente, dinheiro de sua carteira. Uma carta anônima também ameaça sua carreira na universidade. Larry, então, decide pedir conselhos a três diferentes rabinos que poderão ou não ajudá-lo diante de tantos problemas.

Entro em completo pânico quando abro uma janela de texto e não consigo sequer pensar em o que escrever sobre determinado filme. Isso é algo raríssimo de acontecer comigo. Na maioria das vezes, essa situação surge de um filme que não deixa impressão alguma ou que sequer tem um aspecto mais interessante a ser destacado. Um Homem Sério é assim e, ao meu ver, só teve reconhecimento por causa da boa fase em que os irmãos Coen estavam passando no Oscar com Onde os Fracos Não Têm Vez e na aceitação de um público mais abrangente com o êxito cômico de Queime Depois de Ler.

O único ponto admirável desse longa-metragem é a ótima atuação de Michael Stuhlbarg. O ator entendeu os propósitos do texto para o personagem e demonstrou uma naturalidade digna de reconhecimento. É ele que dá vida para a trama mal ajustada dos Coen. Mal ajustada no sentido de que pouco funciona no drama e pouco funciona na comédia. Um Homem Sério atira para os dois lados e raramente acerta. Fica sempre aquela sensação de que tudo vai engrenar a qualquer momento. A comédia está sempre prestes a sair do básico e o drama parece que quase vai decolar para dilemas mais interessantes. Mas nada acontece.

Em determinado momento, pouco importa a vida do personagem. Se no início dá até pra se interessar pelas figuras que ele encontra em seu cotidiano ou pelas bizarrices trágicas que acontecem, logo se perde o interesse. O roteiro – esse, arrisco dizer, o aspecto mais decepcionante de todo o filme – parece não saber direito o que fazer com as tramas e algumas situações parecem perfeitamente soltas no conjunto geral. Fica aquele clima de aborrecimento e a decepção com um filme que não faz jus ao verdadeiro talento de seus diretores.

Se não fosse pelo ótimo ator principal e por alguns atores coadjuvantes, teríamos aqui uma completa perda de tempo. É uma pena que um filme que começa tão bem (a cena inicial é independente do resto do filme, mas muito original) vá aos poucos decaindo até chegar no nível do monótono. É mais um longa-metragem que nem deveria estar entre os dez melhores do Oscar. Uma prova de que a Academia não poderia ter escolhido momento mais fraco para aumentar o número de concorrentes na categoria principal.

FILME: 6.0


the viva la vida tour.

Podem falar à vontade que Coldplay é sem graça (que mancada, hein, revista Veja?!).

Lá estarei eu no domingo, firme e forte.

As malas para o Rio de Janeiro começam a ser montadas.

E o encontro que acontecerá lá com o blogueiro Wally, do Cine Vita, também se aproxima.

Fim-de-semana promete ser inesquecível.

E é por causa desses acontecimentos que o Cinema e Argumento, depois de uma semana tendo posts quase que diários, vai ficar desativado durante alguns dias a partir de hoje.

Semana que vem o blog está de volta com novas críticas e uma preparação para o Oscar (que promete ser o mais chato dos últimos anos).

So long, farewell.

Um Sonho Possível

If you go to Tennessee, I’ll be there at all the games. I’ll be there to support you.

Direção: John Lee Hancock

Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw, Kathy Bates, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kim Dickens

The Blind Side, EUA, 2009, Drama, 129 minutos, Drama, Livre

Sinopse: Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) é uma mãe de família que ao levar seu filho para escola, vê que o menino ganhou uma nova amizade, Michael Oher (Quinton Aaron), um rapaz que passou por sete instituições diferentes e que nunca frequentou uma escola. Sabendo disso, Leigh adota o rapaz e o aconselha a jogar futebol americano, e é isso o que ele faz. Com grande potencial o rapaz se torna um astro do futebol americano.

Algumas atrizes são tão populares que são ovacionadas mesmo quando não deveriam. Vejam Sandra Bullock, por exemplo, que passou a vida inteira fazendo sucesso em comédias como Miss Simpatia e agora colhe os frutos desse carinho dos fãs. Só isso para explicar a celebração de Bullock em Um Sonho Possível. Bastou ela fazer algo diferente do habitual (ou seja, algo que possa ser reconhecido por crítica e premiações) que ela começou a ser apoiada nos quantro cantos do planeta. E quase todo esse apoio é resultado do público que a faz estrela e não necessariamente da atuação dela.

Mas, a verdade é que Bullock alcança apenas o nível do correto no filme. Com um cabelo bizarro e suas habituais expressões, a atriz não faz nada além do óbvio aqui e toda badalação em torno de seu desempenho é injustificável, pois não existem maiores méritos em sua atuação. Mas, para dizer que não peguei muito pesado, reconheço o envolvimento dela no projeto. Bullock embarcou na história e fica visível que fez o que era necessário para um filme como esses. Entretanto, isso, como todo mundo sabe, não é o suficiente.

Um Sonho Possível é aquela corriqueira história de auto-estima que o povo americano adora: um sujeito totalmente loser, de repente, se torna um grande ídolo. Ele é ajudado por muitas pessoas que, por alguma razão obscura, acreditam que ele tem potencial para alguma coisa. Temos, então, uma história que narra uma bonita trajetória de superação, correto? Errado. O roteiro não poderia ser mais datado, deixando o enredo arrastado (são longas duas horas de filme) com o uso de velhas fórmulas batidas. Uma pena. Histórias assim podem ser muito eficientes, quando bem trabalhadas.

Até que para um filme pequeno como esse, Um Sonho Possível tem interessantes atributos e se sai bem dentro de suas restrições. Está longe de ser um grande filme, isso é verdade, mas é bem certo que várias pessoas vão aprovar o resultado justamente por causa do jeito óbvio do longa-metragem. A história é banal, mas consegue ser efetiva com muita gente. É aquele típico caso onde o lado crítico tem que ser deixado de lado para não ver o filme de todo ruim. Agora, difícil é levar a sério como o Oscar conseguiu se envolver tanto com um filme como esses ao ponto de indicá-lo na categoria principal, onde é o concorrente mais fraco.

FILME: 6.0