Um Homem Sério

Sometimes these things just aren’t meant to be. And it can take a while before you feel what was always there, for better or worse.

Direção: Joel e Ethan Coen

Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick, Peter Breitmayer, Ari Hoptman, Aaron Wolff, Jessica McManus

A Serious Man, EUA, 2009, Drama, 106 minutos, 14 anos

Sinopse: Em 1967, Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) é um professor de Física da Universidade de Midwestern, que acaba de ser informado que sua esposa Judith (Sari Lennick) o está deixando. Ela apaixonou-se por um de seus colegas , Sy Ableman (Fred Melamed). A família de Larry também não é lá essas coisas: seu irmão Arthur (Richard Kind) mora em sua casa e dorme no sofá; seu filho Danny (Aaron Wolf) é um estudante problemático e rebelde; e sua filha Sarah (Jessica McManus) pega, frequentemente, dinheiro de sua carteira. Uma carta anônima também ameaça sua carreira na universidade. Larry, então, decide pedir conselhos a três diferentes rabinos que poderão ou não ajudá-lo diante de tantos problemas.

Entro em completo pânico quando abro uma janela de texto e não consigo sequer pensar em o que escrever sobre determinado filme. Isso é algo raríssimo de acontecer comigo. Na maioria das vezes, essa situação surge de um filme que não deixa impressão alguma ou que sequer tem um aspecto mais interessante a ser destacado. Um Homem Sério é assim e, ao meu ver, só teve reconhecimento por causa da boa fase em que os irmãos Coen estavam passando no Oscar com Onde os Fracos Não Têm Vez e na aceitação de um público mais abrangente com o êxito cômico de Queime Depois de Ler.

O único ponto admirável desse longa-metragem é a ótima atuação de Michael Stuhlbarg. O ator entendeu os propósitos do texto para o personagem e demonstrou uma naturalidade digna de reconhecimento. É ele que dá vida para a trama mal ajustada dos Coen. Mal ajustada no sentido de que pouco funciona no drama e pouco funciona na comédia. Um Homem Sério atira para os dois lados e raramente acerta. Fica sempre aquela sensação de que tudo vai engrenar a qualquer momento. A comédia está sempre prestes a sair do básico e o drama parece que quase vai decolar para dilemas mais interessantes. Mas nada acontece.

Em determinado momento, pouco importa a vida do personagem. Se no início dá até pra se interessar pelas figuras que ele encontra em seu cotidiano ou pelas bizarrices trágicas que acontecem, logo se perde o interesse. O roteiro – esse, arrisco dizer, o aspecto mais decepcionante de todo o filme – parece não saber direito o que fazer com as tramas e algumas situações parecem perfeitamente soltas no conjunto geral. Fica aquele clima de aborrecimento e a decepção com um filme que não faz jus ao verdadeiro talento de seus diretores.

Se não fosse pelo ótimo ator principal e por alguns atores coadjuvantes, teríamos aqui uma completa perda de tempo. É uma pena que um filme que começa tão bem (a cena inicial é independente do resto do filme, mas muito original) vá aos poucos decaindo até chegar no nível do monótono. É mais um longa-metragem que nem deveria estar entre os dez melhores do Oscar. Uma prova de que a Academia não poderia ter escolhido momento mais fraco para aumentar o número de concorrentes na categoria principal.

FILME: 6.0


18 comentários em “Um Homem Sério

  1. Vinícius, achei um dos mais fracos deles…

    Kamila, same here.

    Robson, bem chato, né?

    Vinnie, é bem isso mesmo!

    Brenno, eu achei “Queime Depois de Ler” muito divertido!

    Rodrigo, eu acho “Educação” um dos melhores desse Oscar.

    Raphael, concordamos bastante sobre o filme, então. E obrigado pelo convite!

    Rafael, eu não gostei muito =/

    Vinicius, nunca estamos sozinhos =P

    Fael, esse “Um Homem Sério” é bem diferente dos dois últimos filmes deles.

    Mark, já está no ar!

    Reinaldo, acho que tinha tantos outros filmes melhores que “Um Homem Sério” para essa lista…

  2. Como vc bem conclui no final de seu texto, o ano é fraquíssimo e o Oscar com 10 filmes, inadvertidamente, reflete isso. Contudo, embora seja um filme inferior aos últimos trabalhos dos Coen, um homem sério é um belo filme na minha opinião. Há toda a verborragia característica dos Coen, a visão de mundo é a mesma e o hemertismo de sua obra permanece.

  3. Quero ver, mas estou com certo receio pela divisão de opiniões. Dos Coen só conheço seus dois últimos filme, que gosto bastante à propósito. Devo ver amanhã, sem falta! :D

  4. Ainda bem que eu não fui único a não gostar desse filme uahuisuhsuhis
    nossa, o pessoal quase me mata quando escrevi o texto dele, jesus cristo!

    abraços!

  5. Nossa, esse pode não ser um dos melhores filmes dos Coen, mas é muito bom, e um dos melhores do ano desde já. É incrível toda a maturidade cinematográfica dos dois e de como eles tiram tanta força de uma história aparentemente simples. Toda a composição dos personagens e a gama de situações que vão se complicando na vida de Larry são super bem explorados.

    Um filme que deixa muita coisa no ar, mas o principal aspecto da história, para mim, é a reflexão sobre como o “mal” entra em nossas vidas sem pedir licença e bagunça tudo. Quando um personage já é atrapalhado, a coisa é pior ainda. O toque de humor negro que os Coen imprimem ao todo é o grande lance. Muito bom.

  6. Esse filme foi, talvez, a minha maior decepção desse ano. Os irmãos Coen fazendo um filme irregular? E, realmente esse é o caso de “Um Homem Sério”. Um roteiro bastante confuso que não parece ser feito pelos irmãos diretores.
    O único que se salva é o ator principal, que não é ruim.
    Espero que no próximo filme eles voltem a acertar a mão.

    Matheus, domingo agora, chat ao vivo(a partir das 21hrs.) no site onde sou colaborador, o cinedica, você está convidado! Vê se aparece lá para debater com a gente a cerimônia do Oscar!

    Grande abraço, Raphael

  7. Para o nível dos Coen, achei o filme bem fraquinho mesmo. E a indicação ao Oscar foi totalmente infeliz. Junto com “Educação”, fizeram a dupla mais chatinha das indicações.

  8. Não sei o que esperar dessas novas comédias dos Irmãos Coen, “Queime Depois de Ler” não foi agradável aos meus olhos.

  9. E reafirmo que um filme tem que dar em alguma coisa sim! Por mais subjetivo que seja, alguém que tenha gostado do filme vai ter alguma coisa a dizer sobre ele, algo como “o papel do homem no mundo e as respostas para tudo”, a pessoa que apreciou o filme vai dizer que o filme foi sobre isso, ou foi sobre qualquer outra coisa, enfim, vai ter visto um objetivo do filme, onde ele quis dar. Eu, não vi nada disso, e digo que o filme não deu em nada, só em uma tentativa frustrada de mostrar alguma coisa.

  10. De fato, os Coen não são da escola do Cameron. Este último, tende a agradar multidões, os primeiros, possuem um público restrito. Enganava-se os que acreditaram que suas características estavam em “Queime depois de ler”.

    “A serious man” é um filme bem completo, desde a parábola inicial, até o desfecho ao som de Somebody to Love. É bem verdade, que devo confessar, que também tive a sensação de não ter entendido nada, assim que o longa terminou. No entanto, depois percebi que essa nova película deles, apenas enfatiza mais uma vez, a tese principal do diretores e roteiristas, qual seja, a de que ninguém se importa com ninguém neste mundo. O individualismo na obra deles é algo fundamental e presente em todas as facetas da vida. Enfim, eu gostei do filme, e o recomendaria.

    Abraço!

  11. Joel e Ethan Coen são duas pessoas que nunca me conquistaram 100%. Motivo? Quando querem voltar seus trabalhos para as comédias, exageram. Quando querem filmes mais sérios, filosofam. E os desfechos? Sempre ruins, incrível. Este aqui tem ótimos pontos, é construído inteligentemente, mas o final… Que anti-clímax! Colocando a imaginação para correr solta, talvez vislumbre-se um significado para tanta bobagem, mas se tratando dos Coen, nem perco meu tempo.

  12. Ótimo filme, mas que funciona melhor se vc lê-lo pelas entrelinhas. Os questionamentos sobre qual o papel do homem no mundo e porque precisamos de todas as respostas são claros. E o final… cheio de significados. A questão ai não é dar em alguma coisa, mas de entender que esse é o problema que os Coen querer discutir. Em tudo precisamos de um porque , de uma resposta clara … quando todos nós sabemos que algumas coisas simplesmente não tem respostas claras e objetivas.

    E a cena inicial não é independente do filme, ela te explica exatamente tudo sobre ele.

  13. Que filmezinho besta, né?! Começa de um jeito que nos faz não entender nada, mas desperta a curiosidade para descobrirmos o que há por vir. De repente, aquela coisa começa a ficar repetitiva e aborrecida e, no fim descobrimos que a espera para ver no que aquilo iría dar, na realidade não dá em nada! Decepção!

  14. Eu tenho séria propensão a não gostar desse filme. Porque eu não consigo gostar dos longas que os Coen fazem nesse gênero aí, irônico demais…

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