Ma Mère

Direção: Christophe Honoré
Elenco: Louis Garrel, Isabelle Huppert, Emma de Caunes, Joana Preiss, Jean-Baptiste Montagut, Dominique Reymond, Olivier Rabourdin
Ma Mère, França, 2004, 110 minutos
Sinopse: Pierre (Louis Garrel), um adolescente de 17 anos, tem um amor cego pela mãe, (Isabelle Huppert) mas ela não está disposta a assumir o que o filho projeta dela. Recusando a ser amada por aquilo que não é, ela decide quebrar o mistério e revelar sua verdadeira natureza – a de uma mulher para quem a imoralidade se tornou um vício. Pierre pede para ser iniciado por ela e deixa-se levar até ao limite em jogos cada vez mais perisogosos.

O cinema do diretor Christophe Honoré nunca me conquistou. Apesar de alguns trabalhos até terem certos pontos interessantes, todos possuem aquele ar de “quero ser cult”. Problemas com filmes cults não tenho. Só acho uma pena quando alguma produção quer, a todo custo, se encaixar nesse perfil e não consegue. A maioria dos filmes de Honoré é assim. Mas, esse Ma Mère ultrapasa certos limites para conseguir essa classificação. Protagonizado por duas estrelas do cinema francês (a veterana Isabelle Hupert e o astro do momento, Louis Garrel), o longa-metragem se perde nas próprias pretensões.
Filmes onde filhos se atraem pelas mães sempre causam desconforto. Não exclusivamente pela temática, mas porque os roteiros não traduzem os conflitos de maneira satisfatória. Pecados Inocentes, por exemplo, falha ao ser frio e distante. O mesmo pode se dizer de Ma Mère, que não alcança nenhum momento inspirado. Mas, ao contrário do filme estrelado por Julianne Moore, o longa de Honoré usa e abusa de sexo para querer impactar o espectador. É fácil notar que o impacto está nas cenas de sexo e não no conteúdo.
O elenco é outro problema. Todos parecem perdidos ou inexpressivos com o roteiro mal elaborado. Nunca pensei que ia dizer isso na vida, mas Isabelle Hupert está completamente sem vida e tem pouco a fazer como a mãe do protagonista. Falta aquele vigor de personagem complexo ou a sexualidade repreendida de A Professora de Piano. Louis Garrel, apesar de linear, nunca esteve tão ineficiente. É o caso onde dois aspectos ruins (a direção e o roteiro) conseguem tirar força até mesmo daquilo que poderia ser um atrativo que salvasse o resultado final.
Ma Mère, portanto, confirma Christophe Honoré como um dos diretores mais trabalhadores do cinema francês (difícil achar algum outro diretor que lance filmes com a mesma frequência que ele), mas que não sabe equilibrar quantidade com qualidade. Na verdade, talvez não seja nem esse o problema. Provavelmente, já tenha passado da hora de Honoré perceber que nem tudo o que ele realiza tem o poder de ser cult ou inteligente. Existe uma linha muito tênue entre esses dois aspectos e a prentensão que é capaz de afundar um filme.
FILME: 5.0














