Salt

Direção: Phillip Noyce
Elenco: Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Daniel Olbrychski, August Diehl, Hunt Block, Olek Krupa, Corey Stoll
EUA, 2010, Ação, 100 minutos
Sinopse: Evelyn Salt (Angelina Jolie) jurou servir e honrar seu país. Agora trabalhando como agente da CIA, ela é colocada à prova ao ser acusada por um desertor russo de ser uma espião russa infiltrada. Decidida a provar sua inocência, ela foge e passa a usar suas habilidades para proteger não apenas sua vida, mas também a de seu marido.

Além de Angelina Jolie ser mais reconhecida como uma celebridade do que como uma atriz, ela também tem que rivalizar com uma constante característica de sua carreira: a alternância de gêneros. Ao mesmo tempo em que Jolie parece querer uma carreira mais “séria” quando realiza filmes como A Troca ou O Preço da Coragem, ela também resolve fazer produções muito comerciais, como O Procurado e, agora, esse Salt. Isso dificulta a visão de muita gente em relação a atriz. Afinal, o que Jolie pretende? Ser uma atriz “séria” ou uma profissional de produções de adrenalina?
Se em longas mais autorais ela não consegue se livrar de sua própria imagem (afinal, ao menos para mim, é Angelina Jolie em cena, não uma personagem), em filmes como Salt isso não tem o menor problema. Dá até gosto de ver a atriz lutando, correndo para todos os lados e dando tiros em todo mundo. Ela tem o porte físico para isso e ainda dispensa o uso de dublês para fazer essas cenas. Portanto, ao meu ver, Jolie é feita para estrelar filmes de ação. E em Salt ela está exatamente nesse território.
Falando mais especificamente do filme, ele deve ser visto por aquele tipo de público que aceita todo e qualquer absurdo. Quem acha que é impossível Angelina Jolie não levar um tiro ou sair ilesa de toda e qualquer situação, deve ficar longe de Salt. A ação tem exageros, ainda que, como outrosfilmes recentes, se baseeie um pouco no estilo da trilogia Bourne de causar adrenalina. Ou seja, lutas corpo a corpo, correrias nas ruas e com o mínimo possível de uso de efeitos especiais. Ao mesmo tempo em que é absurdo, Salt também tem um tom “realista”.
Até a metade, portanto, Phillip Noyce faz um bom trabalho guilty pleasure envolvendo ação. Difícil não entrar no clima e se divertir com as inúmeras acrobacias de Jolie ou com toda a correria. No entanto, a partir da metade, tudo começa a ir por água abaixo. Até então, a ação tinha algum pretexto, mas, a partir da segunda parte, começa a ficar gratuita demais e com algumas desculpas pouco convicentes para que alguma movimentação aconteça. Sem falar que a história fica sem assunto e algumas reviravoltas extremamente desnecessárias (e até um pouco covardes, já que querem sempre inocentar, sem necessidade, a protagonista) começam a aparecer.
Salt, numa análise final, nunca chega a ser um filme mais interessante. É uma produção que tem momentos de entretenimento, mas que tem carência muito forte de um roteirista mais dedicado e que tenha uma linguagem narrativa segura. Não quero dizer que complexidades precisam existir. Contudo, os desdobramentos da história são rasos demais, quando não nulos. É nessa falta de vitalidade narrativa que o filme fica vazio. Diverte em algumas partes? Sim. Mas, não tem como um filme se sustentar sem uma história sólida e bem conduzida. E as revelações previsíveis do desfecho, junto com uma cena final que pode ou não acarretar uma continuação, deixam mais ainda essa forte sensação de que o dever não foi cumprido.
FILME: 6.0












