Cinema e Argumento

Na coleção… Cantando na Chuva

Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen) são dois dos astros mais famosos da época do cinema mudo em Hollywood. Mas, uma novidade no mundo do cinema chega para mudar totalmente a situação de ambos no mundo da fama: o cinema falado, que logo se torna a nova moda entre os espectadores. Decidido a produzir um filme falado com o casal mais famoso do momento, Don e Lina precisam entretanto superar as dificuldades do novo método de se fazer cinema, para conseguir manter a fama conquistada.

Ainda que não seja um dos meus grandes musicais ou aquele tipo de filme que me deixa com as canções na cabeça, posso dizer, com a maior certeza, que Cantando na Chuva é um dos musicais mais bem executados que o cinema já teve o prazer de ver. Não só pela maravilhosa cena clássica que ilustra esse post, mas como também por tantos outros aspectos que o tornam um filme cheio de ótimos aspectos.  O longa, na época, teve duas míseras indicações ao Oscar.

Coreografado de forma brilhante, Cantando na Chuva possui um lado musical admirável. Tanto as encenações de cada número como a inserção deles na narrativa da história é trabalhada de forma exemplar. Sem falar, claro, que o impecável elenco sempre ajuda cada uma dessas cenas. Portanto, esse longa-metragem de Stanley Donen e Gene Kelly (que também atua aqui) pode até não ser um dos filmes da minha vida – mas, certamente, tem grande valor cinematográfico. Isso, por si só, já o torna obrigatório.

FILME: 8.5


As indicações ao Oscar de… Tom Hanks

1989 – MELHOR ATOR

Dustin Hoffman (Rain Man)

Edward James Olmos (Stand and Deliver)

Gene Hackman (Mississipi em Chamas)

Tom Hanks (Quero Ser Grande)

Max Von Sydow (Pelle, o Conquistador)

Conseguindo sua primeira indicação por um tipo de filme que normalmente não é reconhecido pela Academia, Tom Hanks parece ter a simpatia dos votantes. No entanto, ele não tinha chances contra o grande favorito Dustin Hoffman. O veterano ator ganhou sua segunda estatueta por várias razões, entre elas por fazer parte de um filme datadoque fez sucesso entre os prêmios e também por fazer aquele velho tipo de papel de pessoa com problemas mentais que a Academia adora reconhecer. Hanks, portanto, teve que se contentar com uma indicação.

1994 – MELHOR ATOR

Daniel Day-Lewis (Em Nome do Pai)

Tom Hanks (Filadélfia)

Liam Neeson (A Lista de Schindler)

Laurence Fishburne (What’s Love Got to do With It)

Anthony Hopkins (Vestígios do Dia)

Nessa que, talvez, seja a interpretação mais completa de sua carreira, Hanks deu um show. Além de Filadélfia ser um filme sobre luta, preconceito e coragem, também consegue ser muito humano no retrato que faz do seu protagonista. Portanto, prêmio mais do que merecido para uma atuação emblemática e cheia de ótimos momentos – que, claro, são ajudados por um filme muito bem realizado e até emotivo (quem não se emociona na cena final ao som de Philadelphia, do Neil Young?). Os outros concorrentes também tinham nomes de peso, como Anthony Hopkins e Daniel Day-Lewis (esse em desempenho muito competente, mas que tinha contra si o fato de já ter uma estatueta em casa). No páreo ainda tinha Liam Neeson no clássico A Lista de Schindler. No entanto, o ano era de Hanks mesmo.

1995 – MELHOR ATOR

Tom Hanks (Forrest Gump – O Contador de Histórias)

John Travolta (Pulp Fiction – Tempo de Violência)

Morgan Freeman (Um Sonho de Liberdade)

Nigel Hawthorne (As Loucuras do Rei George)

Paul Newman (O Indomável)

Se Tom Hanks perdeu na sua primeira indicação ao Oscar para um vencedor que representava uma pessoa com problemas mentais, foi a vez Hanks ganhar o Oscar com um papel desses. Não sou admirador de Forrest Gump, mas devo reconhecer a ótima composição do ator para o filme. De fato, era o melhor entre os indicados, ainda que rivalizasse com John Travolta em um dos melhores momentos de sua carreira em Pulp Fiction. Morgan Freeman também tinha sua credibilidade, mas deveria ter vencido o prêmio anteriormente por Conduzindo Miss Daisy, onde ele estava impecável ao lado de Jessica Tandy. Mas, em função do buzz em torno do filme e de seu ótimo desempenho, Hanks levou, merecidamente, pela segunda vez.

1999 – MELHOR ATOR

Tom Hanks (O Resgate do Soldado Ryan)

Ian McKellen (Deuses e Monstros)

Roberto Benigni (A Vida é Bela)

Edward Norton (A Outra História Americana)

Nick Nolte (Temporada de Caça)

Ano muito polêmico para a categoria. Tem gente que despreza por completo o prêmio para Roberto Benigni (alguns, inclusive, definem o ator como o Didi italiano), mas A Vida é Bela estava em alta aquele ano e o ator ajudava a construir a emoção desse ótimo filme. Era meio improvável – e até meio exagerado – que Tom Hanks levasse um terceiro Oscar por O Resgate do Soldado Ryan. Principalmente por um trabalho que não merecia tanto reconhecimento. Era mais fácil, por exemplo, Ian McKellen vencer por Deuses e Montros. Mesmo que, na época, muita gente considerasse Hanks como uma forte possibilidade, ao meu ver, ele era carta fora do baralho.

2001 – MELHOR ATOR

Ed Harris (Pollock)

Tom Hanks (Náufrago)

Geoffrey Rush (Contos Proibidos do Marquês de Sade)

Russell Crowe (Gladiador)

Javier Bardem (Antes do Anoitecer)

Não seria nada injusto Tom Hanks receber um prêmio por sua dedicada e notável performance em Náufrago. Contudo, o ano, claramente, pertencia aos atores que ainda não possuiam a estatueta. Se Ed Harris e Geoffrey Rush tinham papéis biográficos, Javier Bardem vinha cheio de vitalidade em Antes do Anoitecer e Russel Crowe estava começando a trilhar seus melhores momentos com Gladiador (ainda assim, seu trabalho em Uma Mente Brilhante é mais interessante). Não tenho um cadidato favorito, mas todos estavam em ótimo momento.

“Better Days”

Ryan Murphy não é um sujeito de muita sorte. Criou Nip/Tuck (que só deu certo no início e depois sucumbiu a total decadência), dirigiu Correndo Com Tesouras (um ótimo filme, mas que a grande maioria subestima) e agora está alcançando reconhecimento com o seriado Glee (e, mesmo assim, tem vários detratores). Julia Roberts também é outra profissional que não teve muito êxito em suas últimas escolhas. Desde Closer – Perto Demais, ela não conseguiu emplacar um trabalho mais notável ou sequer um sucesso de bilheteria…

Apesar de tudo isso, algo que não consigo identificar desperta muito a minha simpatia nas prévias de Comer, Amar, Rezar. Não sei se é porque parece ser um feel good movie ou se é um desses filmes com viagens onde a personagem principal descobre as belezas da vida. Não sei. A verdade é que essa música de Eddie Vedder, Better Days, e todas as locações e a fotografia me conquistaram completamente. Sem falar, claro, que tem Javier Bardem e Richard Jenkins no elenco. Comer, Rezar, Amar, pode até não ser um grande um filme – e duvido muito que seja – mas, certamente, parece ser algo muito agradável de se assistir.

Filmes em DVD

A Dança das Paixões, de Pat O’Connor

Com Meryl Streep, Michael Gambon e Catherine McCormack

A Dança das Paixões é um dos filmes menos conhecidos da carreira de Meryl Streep. E, também, um dos mais subestimados. É de se lamentar que um filme tão especial como esse não tenha o devido reconhecimento. Quer dizer, A Dança das Paixões está longe de ser um filme grandioso, mas tem pequenas sutilezas e tantos momentos sinceros que, no final, fica difícil não se envolver com a história. Não é só Meryl que está muito verdadeira e natural (parece, de verdade, que ela é uma irlandesa), mas também todo o elenco. A sinceridade passada por todos os atores é o que também confere para A Dança das Paixões um tom de pura verossimilhança. Um filme a ser descoberto, mas que pode não despertar tanta apreciação justamente por ser calcado em pequenos momentos.

FILME: 8.5

Duas Mulheres, de Vittorio De Sica

Com Sophia Loren, Eleonora Brown e Carlo Ninchi

Sophia Loren foi a primeira atriz de língua não-inglesa a vencer o Oscar de melhor atriz. E mesmo que sua nacionalidade seja apenas um detalhe (já que, no filme, ela fala inglês), Loren mereceu todas as honrarias que recebeu por seu desempenho em Duas Mulheres. Muito bela e radiante, a italiana encontra um equilíbrio maravilhoso entre a sutileza e a veracidade, fazendo um belo retrato da maternidade sofrida mas também inabalável. Vittorio De Sica realizou um filme interessante, que nunca se deixa eclipsar pelo ótimo momento de Loren. Afinal, Duas Mulheres vai além de uma interpretação especial. É um filme que também chama atenção em outros aspectos.

FILME: 8.0

Infâmia, de William Wyler

Com Audrey Hepburn, Shirley MacLaine e James Garner

Infâmia trata de uma temática que aprecio bastante: o poder da palavra e como uma mentira pode destruir vidas. Se Desejo e Reparação foi um dos melhores exemplares desse tipo de história recentemente, Infâmia foi um marco dos anos 60. Não só por “endiabrar” uma criança (que origina todos os conflitos do filme), mas, também, por tocar no delicado assunto de como a sociedade condenava homossexualidade naquela época. Apesar de beber bastante de uma fonte teatral (e, em certos momentos, parece samba de uma nota só), traz um notável trabalho de elenco, em especial das protagonistas Audrey Hepburn e Shirley MacLaine. Infâmia, portanto, pode até parecer datado em certos momentos, mas nunca perde o brilho e sempre deixa transparecer competência narrativa.

FILME: 8.0

Chico Xavier, de Daniel Filho

Com Nelson Xavier, Christiane Torloni e Tony Ramos

Ao contrário do que se pode imaginar, Chico Xavier está longe de ser um filme caça-níquel. E se é, consegue não deixar essa sensação. Na realidade, é um longa-metragem mais autoral de Daniel Filho (se é que podemos encaixar o diretor nesse estilo), com uma história mais humana e menos superficial. Ainda assim, fica claro que Daniel Filho não consegue se livrar de algumas manias “comerciais”. Por exemplo, o uso desnecessário da trilha sonora para criar suspense nos momentos “espíritas”, que é bastante incômodo. Mas, o principal problema do filme é que o roteiro só engrena a partir da metade, quando o protagonista já é uma celebridade. Antes disso, tem pouco a dizer e só encena determinados momentos para cumprir as típicas formalidades de cinebiografias. Além dos atores que interpretaram Chico Xavier, destaco, também, a ótima atuação de Christiane Torloni. Ela é uma ótima atriz e merecia muito mais tempo em cena, já que rouba a cena quando aparece.

FILME: 7.0

Maluca Paixão, de Phil Traill

Com Sandra Bullock, Bradley Cooper e Thomas Haden Church

Maluca Paixão traz, possivelmente, o papel mais imbecil de toda a carreira de Sandra Bullock. O único prêmio que ela merecia ter vencido nessa temporada era o de pior atriz por esse filme, que é pura vergonha alheia. Para falar bem a verdade, ela é apenas um dos inúmeros problemas lastimáveis desse longa. Se a escalação de elenco e as atuações dos atores já começam erradas (e nisso incluo, também, a canastrice de Thomas Haden Church e a ineficiência de Bradley Cooper), tudo piora com o roteiro. A história simplesmente não convence (até porque é difícil simpatizar com uma protagonista tão lesada mentalmente) e todo e qualquer conflito chega a ser impressionante de tão sem noção. Se um filme bobo desse fosse ao menos simpático, teríamos algo mais aceitável. Mas nem isso Maluca Paixão consegue ser. É chato, fora da casinha e totalmente descartável.

FILME: 4.0

Par Perfeito

Direção: Robert Luketic

Elenco: Ashton Kutcher, Katherine Heigl, Tom Selleck, Catherine O’Hara, Kevin Sussman, Katheryn Winnick, Casey Wilson, Rob Riggle

Killers, EUA, 2010, Aventura, 93 minutos

Sinopse: Jen (Katherine Heigl), conhece o homem perfeito. Seu nome é Spencer (Ashton Kutcher), ele é bonito, educado e inteligente. Mas o que Jen não sabe é que Spencer ganha a vida como matador de aluguel, contratado pelo governo. Eles vivem o casamento dos sonhos até que em uma bela manhã, o casal descobre que Spencer é o alvo de um golpe milionário. Mas, tudo se transforma num jogo de vida ou morte, enquanto eles tentam lidar com sogros, sogras, casamento, manter as aparências e ainda sobreviver.

Par Perfeito reúne várias características de outros filmes. Temos, para começar, uma estrutura bem parecida com a do recente Uma Noite Fora de Série: um casal que, de repente, está envolvido num jogo de vida ou morte e que, durante os acontecimentos, vai reavaliar alguns aspectos da relação. Mas, esse novo filme de Robert Luketic se parece bem mais com Sr. & Sra Smith. Ou seja, dois atores populares e bonitos participando de uma trama de ação cheia de exageros e tiroteios, mas que também tem doses de comédia e um pouco de romance.

Tem algo de novo? Não, absolutamente nada. É o velho formato já aplicado nesses filmes citados. Por que, então, assistir a um longa desses? Ora, é muito simples: mesmo que com falhas e cheio de bobagens, é aquele entretenimento pipoca para se ver num dia à tarde com os amigos. Quanto ao filme em si, Robert Luketic, que já fez algumas produções muito sem graça, parece ter se encaixado nesse gênero. Luketic soube dousar aventura e comédia numa mistura que nunca fica irritante. Ajudado pela boa trilha de Rolke Kent, o diretor sai com certo saldo positivo.

Créditos também devem ser dados ao casal Ashton Kutcher e Katherine Heigl. Ok, eles não são Tina Fey e Steve Carell nem Angelina Jolie e Brad Pitt, mas para um filme desse estilo e dessa abordagem, não precisa muita coisa, não é mesmo? Afinal, bastou a desenvoltura de Kutcher e Heigl para podermos notar a boa dinâmica entre os dois. Ainda que Heigl fique fora de tom em vários momentos (especialmente quando resolve gritar) e que Kutcher ainda precise melhorar em alguns aspectos em alguns aspectos, os dois funcionam.

Par Perfeito, então, além do título insatisfatório, é mais um daqueles filmes que todo mundo sabe como vai acabar. Ninguém vai se surpreender com nada que seja mostrado. Mas, assim como todos os longas desse estilo, dá para se divertir e entrar no clima. Basta não ser crítico e assistir sem qualquer expectativa. Porque, convenhamos, com um pôster desse e uma sinopse desse gênero, fica meio difícil achar que vai sair algo de extraordinário daqui, não é mesmo?

FILME: 7.0