Cinema e Argumento

Filmes em DVD

Como Treinar o Seu Dragão, de Dean DeBlois e Chris Sanders

Com as vozes de Jay Baruchel, Gerard Butler e America Ferrera

Uma boa surpresa vinda da Dreamworks, que parecia redimida a viver das fracassadas continuações de Shrek. Ao contrário das últimas aventuras do ogro verde, Como Treinar o Seu Dragão é interessante do início ao fim e vai além dos meros personagens simpáticos. Essa animação da dulpa Dean DeBlois e Chris Sanders pode até trazer algumas lições batidas e uma história cheia de conflitos repetidos, mas é bom constatar que a equipe lidou com isso da forma mais agradávei possível. Ou seja, Como Treinar o Seu Dragão não é o estouro que muitos apontam, mas, sem dúvida, é uma animação super recomendável!

FILME: 8.0

Brilho de Uma Paixão, de Jane Campion

Com Abbie Cornish, Ben Whishaw e Paul Schneider

Ainda existem bons filmes de época sobre amores cheios de poesia? Sim. Brilho de Uma Paixão é um deles. Podemos encontrar nesse filme de Jane Campion o tradicional estilo narrativo desse tipo de história e algumas resoluções bem previsíveis. Mas quem gosta do formato certamente vai apreciar o que esse filme tem a oferecer. Já quem não consegue embarcar pode se incomodar com o ritmo lento e a falta de inovação. Entretanto, Brilho de Uma Paixão funciona como romance e ainda traz uma excelente interpretação de Abbie Cornish, bem como um excelente trabalho técnico – principalmente no que se refere aos figurinos. Resumindo: um filme que acerta em cheio no gosto dos apaixonados por filmes de época e romances intelectuais.

FILME: 8.0

Recontagem, de Jay Roach

Com Kevin Spacey, Tom Wilkinson e Laura Dern

Outro satisfatório telefilme da HBO, que tem se especializado em reunir nomes notáveis para suas produções. Mesmo que traga Kevin Spacey, Tom Wilkinson e Laura Dern em bons momentos (a última impecável na sua ótima caricatura), Recontagem é um filme mais de roteiro do que de atuações. Narrando toda a roubalheira que foi a eleição de George W. Bush nas eleições de 2000, o longa de Jay Roach utiliza uma estrutura bem acadêmica para desenvolver a história. Isso, inclusive, tira um pouco do ritmo da história, que, em diversos momentos, torna-se cansativa e repetitiva. Mas a boa notícia é que Recontagem tem uma trama que sempre prende o espectador. Todos nós queremos saber os bastidores de toda aquela confusão nas eleições. E esse é o maior mérito do filme.

FILME: 8.0

Terapia do Amor, de Ben Younger (revisto)

Com Uma Thurman, Meryl Streep e Bryan Greenberg

Foi com esse filme que Meryl Streep começou a sua atual onda de comédias. O início dessa fase foi positivo, uma vez que ela já demonstrava muita naturalidade e desenvoltura para o humor em Terapia do Amor. Ela não é a estrela do filme, mas conseguiu brilhar lado a lado junto com a verdadeira protagonista, Uma Thurman (que aqui está em uma interpretação bem satisfatória). Terapia do Amor é previsível e fala sobre alguns temas que já foram trabalhados à exaustão nas comédias românticas. Mas é difícil resistir ao ótimo trabalho de Meryl e Uma nesse longa simpático e que, inclusive, possui um final bittersweet e até mesmo maduro para esse tipo de história.

FILME: 7.5


Tron – Uma Odisséia Eletrônica, de Steven Lisberger

Com Jeff Bridges, Bruce Boxleitner e David Warner

Digam o que quiser (incluindo que os efeitos foram ótimos para década e que a concepção visual foi ideal para a época do lançamento), mas Tron – Uma Odisseia Eletrônica é um filme que não soube envelhecer. O trabalho do diretor Steve Lisberger ficou parado no tempo e hoje tem pouco a mostrar em valores cinematográficos e até mesmo tecnológicos. A história não poderia ser mais simples e se o recente Tron – O Legado consegue tapar os buracos do roteiro falho com o uso extraordinário de efeitos, esse filme original não consegue porque simplesmente não tem qualquer tipo de impacto nos dias de hoje. Portanto, fica fácil evidenciar os problemas desse trabalho mediano e que não passa de apenas uma boa ideia.

FILME: 6.5

Nine, de Rob Marshall (revisto)

Com Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard e Penélope Cruz

Em uma revisão, Nine caiu no meu conceito. Mas não esqueçam: acho que o filme está longe de ser esse horor que todos apontam. Rob Marshall sempre foi um péssimo diretor (não sei o que enxergam de especial no igualmente irregular Chicago) e esperar que Nine fosse o musical da década era pura ilusão. O filme impressiona com a quantidade de atores talentosos (e o elenco é, sem dúvida, um destaque), mas é uma pena que todos os atores sejam tão mal aproveitados em participações passageiras. A única que consegue se sobressair e realmente ter momentos de puro destaque é a francesa Marion Cotillard, que é o coração do filme e que tem os números musicais mais interessantes. Era Marion que merecia reconhecimento por esse filme, e não Penélope Cruz, que está apenas satisfatória mas que acabou recebendo, inexplicavelmente, indicações a diversos prêmios. Nine, no final das contas, sofre por não ter um argumento consistente nem uma história sequencial. Tudo parece solto e com clipes musicais mal costurados.

FILME: 6.0

O Sequestro do Metrô 123, de Tony Scott

Com Denzel Washington, John Travolta e James Gandolfini

Não sei como um bom ator como Denzel Washington resolveu resumir sua atual carreira a esses filmes de ação/suspense de segunda categoria. O Sequestro do Metrô 123 é previsível do início ao fim, apostando nas mais clichês escolhas desse tipo de produção. Todo mundo sabe o que vai acontecer e como cada cena vai se suceder. Denzel parece muito acomodado e nem parece se esforçar, como se soubesse que está participando de um filme sem importância. O problema, no entanto, é que John Travolta acha que está arrasando com um personagem caricato e que o ator faz questão de enfeitar com muitos exageros. Tony Scott e Denzel Washington já haviam trabalhado juntos anteriormente e agora chegam aos cinemas com Incontrolável. A amizade dos dois deve ser forte, porque, se depender do que vimos aqui, estamos prestes a encontrar uma dupla que só faz filmes sem emoção e datados como O Sequestro do Metrô 123.

FILME: 5.5

Melhores de 2010 – Ator Coadjuvante

O Oscar que Michael Douglas recebeu por Wall Street – Poder e Cobiça foi meio questionável. Ora, ele nem era o verdadeiro protagonista da história! Mais um daqueles casos em que certa interpretação é maximizada pelas premiações só para que algum ator conceituado consiga um prêmio mais “importante”. Dessa vez, na continuação de subtítulo O Dinheiro Nunca Dorme, colocaram Michael Douglas no lugar certo e ajustaram o personagem à posição de coadjuvante. Os anos se passaram e o ator permanece impecável como o ganancioso Gordon Gekko. Contudo, a situação aqui é diferente. Gekko acaba de sair da prisão e, ao que tudo indica, está arrependido das escolhas erradas que fez no passado e quer se redimir. Só que a dúvida continua no ar e não sabemos se as atitudes dele são confiáveis ou não. Douglas trabalha com extremo talento esse personagem, deixando o espectador o tempo inteiro em dúvida sobre o caráter de Gekko. O ator sabe exatamente o que fazer com ele e, durante cada minuto que aparece em cena, todos os holofotes pairam sobre Douglas. Nada mais justo, já que seu personagem é o que existe de mais sofisticado no filme.

ANDREW GARFIELD (A Rede Social)

Se todos os personagens de A Rede Social parecem unidimensionais, Andrew Garfield se destaca justamente por ter o único personagem que não parece um robô desprovido de emoções. Enquanto todas as outras figuras do filme de David Fincher são frias e mecânicas, o Eduardo Saverin de Garfield tem fúria, coragem e arrependimento. O ator é uma das revelações da temporada e, de todos do elenco, é o que tem a melhor interpretação. Ele é um sopro de humanidade num filme seco e frio, onde apenas a figura de Garfield traz humanidade para o enredo. O ator é uma grata surpresa que merece ter seu devido reconhecimento.

STANLEY TUCCI (Um Olhar do Paraíso)

Um Olhar do Paraíso foi uma das maiores frustrações de 2010. Além de estragar uma excelente história, não trabalhou de forma mais interessante as ótimas atrizes que tinha em mãos, como Saoirse Ronan e Susan Sarandon. Entretanto, foi bom ver um irreconhecível Stanley Tucci sendo o total destaque entre o elenco. Alguns dizem que Tucci beira o caricatural e que, em diveros momentos, cai em exageros. Não vejo dessa forma. Intenso e eficiente como o problemático vizinho que assassina a protagonista, o ator demonstrou versatilidade e competência no papel que é a verdadeira engrenagem de Um Olhar do Paraíso.

EWAN MCGREGOR (O Golpista do Ano)

Ewan McGregor já foi um sujeito promissor. Hoje, ele amarga participações em filmes que não fazem sucesso e que nem ganham muita repercussão. É o caso de O Golpista do Ano. O filme estrelado por Jim Carrey realmente não é grande coisa, mas tem um Ewan McGregor cheio de inspiração. Como o delicado presidiário gay que se apaixona pelo vigarista Steven Russell (Jim Carrey), McGregor encontrou o tom certo para representar seu personagem. Traduzido toda a paixão incondicional que seu Phillip Morris possui por seu namorado vigarista, McGregor, sem dúvida, é uma das razões para se assistir O Golpista do Ano.

JEREMY RENNER (Atração Perigosa)

Não sou um dos maiores fãs de Jeremy Renner. Inclusive, nem teria indicado o ator ao Oscar por Guerra ao Terror. Mas não dá para ignorar o desempenho dele em Atração Perigosa. Se Ben Affleck ainda deve muito como ator, Renner supriu as necessidades do longa de um bom desempenho masculino. Além de ter uma das cenas mais intensas do filme, Renner construiu um personagem decidido e que, ao contrário do protagonista, não se rende a sentimentos ou arrependimentos. Ele não abre mão de seus princípios, custe o que custar. E isso está muito bem representado na performance do ator.

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Escolha do público:

1. Andrew Garfield (22 votos, 53.66%)

2. Michael Douglas (7 votos, 17.07%)

3. Jeremy Renner (7 votos, 17.07%)

4. Stanley Tucci (4 votos, 9.76%)

5. Ewan McGregor (1 voto, 2.44%)

Enrolados

Does your mother deserve it? No. Would this break her heart and crush her soul? Of course, but you just got to do it.

Direção: Byron Howard e Nathan Greno

Com as vozes de Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy, Ron Perlman, M.C. Gainey, Jeffrey Tambor, Brad Garrett, Richard Kiel

Tangled, EUA, 2010, Animação, 100 minutos

Sinopse: Flynn Ryder (Zachary Levi) é o bandido mais procurado e sedutor do reino. Um dia, em plena fuga, ele se esconde em uma torre. Lá conhece Rapunzel (Mandy Moore), uma jovem prestes a completar 18 anos que tem um enorme cabelo dourado, de 21 metros de comprimento. Rapunzel deseja deixar seu confinamento na torre para ver as luzes que sempre surgem no dia de seu aniversário. Para tanto, faz um acordo com Flynn. Ele a ajuda a fugir e ela lhe devolve a valiosa tiara que tinha roubado. Só que a mamãe Gothel (Donna Murphy), que manteve Rapunzel na torre durante toda a sua vida, não quer que ela deixe o local de jeito nenhum.

No texto que escrevi para Encantada, comentei que a infância dos dias de hoje não é mais a mesma e que histórias clássicas de princesas já não encantam mais as crianças como antigamente. Três anos se passaram desde que fiz meu post sobre Encantada e ainda permaneço com essa visão. Mas se com o filme de Kevin Lima a Disney parecia estar querendo abraçar um novo estilo de contar histórias sobre princesas, com Enrolados o estúdio volta ao convencional. E é exatamente por ter essa estrutura tão “clássica” que o filme da dupla Byron Howard e Nathan Greno funciona.

Não sei até que ponto ou qual a faixa etária que vai abraçar o jeito Enrolados de contar história. Ainda assim, é sempre gratificante ver a Disney apostando no bom e velho jeito de mostrar a jornada de uma princesa solitária que, de repente, está envolvida com um sujeito que é completamente diferente dela mas que, depois, vai roubar seu coração. Sem falar, claro, dos vilões bem definidos e que executam bem os seus papéis. Ou seja, Enrolados não agrada aqueles que não têm mais paciência para esse tipo de história. Deve ser conferido exclusivamente por aqueles que estão dispostos a acompanhar um enredo assim.

Trazendo as habituais músicas de Alan Menken (que aqui são bem simples, mas, como sempre, efetivas), o filme todo é cheio de carisma. Não só no que se refere aos personagens engraçados, mas também ao próprio modo como cada cena se desenvolve. Longe de ser uma animação marcante ou sequer excepcional em algum aspecto, Enrolados é uma homenagem aos tipos de história que fizeram tanto a Disney dar certo. Uma homenagem que tem suas obviedades, é verdade, mas que nunca deixa de divertir ou de fazer jus ao estilo narrativo proposto pelo estúdio.

FILME: 8.0


Melhores de 2010 – Edição/Mixagem de Som

Tron – O Legado é aquele tipo de filme para se assistir em uma grande tela de cinema, com óculos 3D, aproveitando toda a tecnologia que uma sala bem equipada pode trazer. Sorte que consegui assistir o filme de Joseph Kosinski nessas condições. Assim, fiquei impressionado com a potência sonora do longa-metragem, bem como pude perceber melhor o bom uso desse setor para a construção técnica da história. Alguns podem dizer que o resultado não passa do básico e que nem a parte técnica de Tron – O Legado consegue minimizar os erros do roteiro. Discordo completamente. Além dos já comentados maravilhosos efeitos especiais, a edição e a mixagem de som cumprem muito bem a sua missão de trazer ainda mais detalhes para o mundo tecnológico concebido por essa produção da Disney. Isso fica evidente não apenas nas cenas de ação, mas durante o filme inteiro. Todo o setor sonoro é acertado – e vale lembrar, também, da surpreendente trilha do Daft Punk, que ajuda a deixar essa impressão.

COMO TREINAR O SEU DRAGÃO

Bons filmes de animação já possuem um ótimo trabalho de edição e mixagem de som. Como Treinar o Seu Dragão não foge à regra. Principalmente por ter vários momentos de aventura, o longa se utiliza bastante do setor sonoro não só para trazer vida aos personagens e aos dragões da trama, mas também para pontuar o dinamismo de cada cena.

LUNAR

Impressiona a quantidade de detalhes que Lunar apresenta no seu trabalho de som. Se já não bastasse a espetacular trilha sonora de Clint Mansell, a edição e a mixagem de som também conseguem ser minuciosos na hora de retratar a solitária vida do astronauta Sam Bell (Sam Rockwell) na lua. Trabalho que, inclusive, ajuda na hora de estruturar o certo suspense que o longa cria.

TOY STORY 3

O mundo dos brinquedos de Andy não teria a mesma eficiência se não fosse o excelente trabalho de som. Cada personagem possui suas particularidades sonoras, o que contribui para a sempre ótima diversão proporcionada por Toy Story 3. Vale lembrar que, assim como em Como Treinar o Seu Dragão a mixagem e a edição de som também são fundamentais na hora da aventura.

A ORIGEM

Muito mais do que uma ótima ideia bem desenvolvida pelo roteiro, A Origem também é um excelente trabalho técnico. No setor de edição e mixagem de som não foi diferente. Se a construção visual de Christopher Nolan é extremamente satisfatória, a sonora também consegue esse feito. Mais um acerto desse filme que é um dos melhores de 2010.

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Escolha do público:

1. A Origem (19 votos, 55.88%)

2. Tron – O Legado (9 votos, 26.47%)

3. Toy Story 3 (4 votos, 11.76%)

4. Lunar (1 voto, 2.94%)

5. Como Treinar o Seu Dragão (1 voto, 2.94%)

Nosso Lar

Um dia você vai entender. Sempre há tempo para recomeçar.

Direção: Wagner de Assis

Elenco: Renato Prieto, Othon Bastos, Ana Rosa, Paulo Goulart, Werner Schünemann, Lu Grimaldi, Rosane Mulholland, Helena Varvaki

Brasil, 2010, Drama, 109 minutos

Sinopse: Ao abrir os olhos, André Luiz (Renato Prieto) sabe que não está mais vivo, apesar de ainda sentir sede e fome. Ao seu redor ele apenas vê uma planície escura e desértica, marcada por gritos e seres que vivem na sombra. Após passar pelo sofrimento no purgatório, André é levado para a cidade de Nosso Lar. Lá ele tem acesso a novas lições e conhecimentos, enquanto aprende como é a vida em outra dimensão.

Chega ser até irônico como uma personagem de Nosso Lar compreendeu a minha agonia ao assistir o filme. Em certa passagem, uma moça (desculpem, não vou perder mais do meu tempo com esse filme procurando o nome dela) diz: “Aposto que você também está louco para ir embora. Aposto que você não aguenta mais esse moralismo. Todo mundo tem algum conselho para te dar, né?”. A tal personagem faz esses comentários justamente quando está abandonando o chamado “Nosso Lar” da trama. Durante todo o filme, fiquei com a mesma sensação que ela.

O principal problema de Nosso Lar é que ninguém parece normal. Todo mundo na história tem alguma filosofia para ensinar ou alguma lição de moral para mudar o jeito de pensar do protagonista. Todos com aquela expressão de sabedoria, como se toda a população formasse um grupo de auto-ajuda incomparável. São essas representações, junto com os diálogos enfadonhos, que conferem ao longa-metragem de Wagner de Assis um caráter forçado. Nada é dito com naturalidade e os atores parecem simplesmente ter decorado as falas, sem se preocupar em sair do piloto automático.

Outro agravante é que Nosso Lar não sabe dialogar com outro público a não ser aquele que acredita em doutrinas espíritas. Infelizmente, não é um filme que sabe desviar da barreira temática e realizar algo universal. Pelo contrário. Acho difícil algum leigo no assunto conseguir se envolver com o enredo – principalmente quando ele é encenado tão sem naturalidade pelo elenco e pelo roteiro. Junte a isso efeitos especiais que, ao invés de encantarem, só plastificam ainda mais toda a situação. De destacável mesmo só a trilha do sempre mestre Philip Glass – mas nem ele sai ileso, uma vez que nada fez além de reciclar outros trabalhos seus como Notas Sobre Um Escândalo e Sob a Névoa da Guerra.

Se formos comparar Nosso Lar com o trágico trabalho anterior do diretor Wagner de Assis, A Cartomante, podemos notar uma certa evolução dele como diretor. Por mais que esse filme baseado na obra de Chico Xavier seja cheio de problemas estéticos e narrativos, pelo menos não estamos diante de um trabalho histérico como A Cartomante. Creio que Nosso Lar até seja um filme satisfatório para quem acredita no espiritismo. Como não sou desse ramo, fui avaliar o filme apenas como cinema e me decepcionei bastante. Faltou um texto mais abrangente e que não excluísse tanto quem está de fora do assunto. Numa tentantiva, então, de atrair o espectador pelo visual, também falhou. Uma pena. Nosso Lar é uma sucessão de tentativas que não deram certo.

FILME: 5.0