Cinema e Argumento

A esperança dos miseráveis

Oscars injustos para o diretor Tom Hooper à parte, devemos ser sinceros: que emocionante esse trailer de Les Misérables! Além de ficar claro que o britânico responsável por O Discurso do Rei sabe exatamente quais são os elementos mais adorados pelos votantes da Academia, parece que, dessa vez, ele tem intenções bem maiores.

Com Hugh Jackman, Anne Hathaway, Russell Crowe, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter no elenco, o longa é um musical baseado na clássica obra homônima de Victor Hugo. Na história, acompanhamos o prisioneiro Jean Valjean (Jackman) indo atrás de sua redenção, além da “miserável” população francesa do século XIX que luta por dias melhores.

Especula-se que os atores teriam cantado as músicas ao vivo durante as gravações e não previamente, como acontece na maioria dos musicais. Hathaway e Jackman, por sinal, já cantaram juntos na 61ª edição do Oscar. Cohen e Bonham Carter soltaram a voz em Sweeney Todd, e Seyfried já mostrou seus talentos vocais ao lado de Meryl Streep em Mamma Mia!.

É verdade que Les Misérables pode ser uma espécie de Nine, parecendo bom demais para ser verdade (e todos sabem no que deu o longa de Rob Marshall), mas, até agora, essa prévia com a belíssima I Dreamed a Dream entoada por Hathaway foi para deixar qualquer um ansioso. Fica registrada, então, a nossa torcida: boa sorte, mr. Hooper, o seu Les Misérables tem tudo para dar certo!

Melhores de 2011 – Balanço Final

Foram 18 categorias e, ao total, quase 700 votos nas enquetes realizadas pelo blog. A premiação de melhores do ano do Cinema e Argumento foi, mais uma vez, um sucesso! O grande vencedor foi Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, vitorioso em cinco categorias: filme, ator coadjuvante, direção de arte, edição/mixagem de som e efeitos especiais. Logo depois vem O Discurso do Rei, que levou ator e figurino. Todos os outros vencedores conquistaram apenas uma categoria.

Fica registrado, novamente, o meu agradecimento a todos que participaram desse “evento” do blog e também, claro, aos que sempre nos acompanham. Abaixo, a lista completa com todos os vencedores, categoria por categoria, incluindo as escolhas de vocês (que realmente ficaram encantados com Cisne Negro, hein?). Sugestões e críticas para a próxima edição de melhores do ano são sempre bem-vindas. Até lá!

FILME: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (escolha do público: Cisne Negro)

DIRETOR: Darren Aronofsky, por Cisne Negro (escolha do público: idem)

ELENCO: Tudo Pelo Poder (escolha do público: idem)

ATOR: Colin Firth, por O Discurso do Rei (escolha do público: Ryan Gosling, por Namorados Para Sempre)

ATRIZ: Charlotte Gainsbourg e Kirsten Dunst, por Melancolia (escolha do público: Natalie Portman, por Cisne Negro)

ATOR COADJUVANTE: Alan Rickman, por Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (escolha do público: idem)

ATRIZ COADJUVANTE: Amy Adams, por O Vencedor (escolha do público: idem)

ROTEIRO ORIGINAL: Melancolia (escolha do público: idem)

ROTEIRO ADAPTADO: A Pele Que Habito (escolha do público: idem)

MONTAGEM: 127 Horas (escolha do público: Cisne Negro)

FOTOGRAFIA: A Árvore da Vida (escolha do público: idem)

TRILHA SONORA: A Última Estação (escolha do público: Cisne Negro)

DIREÇÃO DE ARTE: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (escolha do público: idem)

FIGURINO: O Discurso do Rei (escolha do público: Cisne Negro)

EDIÇÃO/MIXAGEM DE SOM: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (escolha do público: idem)

CANÇÃO ORIGINAL: “Life’s a Happy Song”, de Os Muppets (escolha do público: “You Haven’t Seen the Last of Me”, de Burlesque)

EFEITOS ESPECIAIS: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (escolha do público: idem)

ANIMAÇÃO: O Ursinho Pooh (escolha do público: Rio)

Já curtiu…

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Habemus Papam

Direção: Nanni Moretti

Roteiro: Nanni Moretti, Francesco Piccolo e Federica Pontremoli

Elenco: Michel Piccoli, Nanni Moretti, Renato Scarpa, Franco Graziosi, Camilo Milli, Roberto Nobile, Margherita Buy, Ulrich Von Dobschütz, Camilla Ridolfi

Itália/França, 2011, Drama, 102 minutos

Sinopse: Após a morte do Papa, o conclave do Vaticano se reúne para escolher seu sucessor. Após várias votações, enfim há um eleito. Os fiéis, amontoados na Praça de São Pedro, aguardam a primeira aparição do escolhido (Michel Piccoli), mas ele não vem a público por não suportar o peso da responsabilidade. Tentando resolver a crise, os demais cardeais resolvem chamar um psicanalista (Nanni Moretti) para tratar o novo Papa. (Adoro Cinema)

Algo está muito errado se você é fã de cinema italiano e não conhece Nanni Moretti. Entre curtas e longas-metragens, ele já tem 20 títulos em seu currículo – inclusive, o mais célebre e arrebatador deles, O Quarto do Filho, chegou a vencer a Palma de Ouro em Cannes. Com uma carreira bem ativa, Moretti sempre desperta curiosidade quando lança um novo filme. E, com Habemus Papam, talvez, nunca tenha despertado tanta expectativa. Afinal, o que ele estaria planejando com uma história passada no Vaticano sobre a eleição de um papa que não está pronto para exercer o cargo?

Vendido por alguns como uma comédia dramática, Habemus Papam não tem nada de polêmico. Quem espera uma abordagem ousada sobre assuntos religiosos ou uma trama complexa com o tema poderá se decepcionar. O novo filme de Moretti é contido e totalmente despreocupado em ter que falar sobre religião. Aqui, estamos diante de uma história sobre um homem despreparado em circunstâncias desafiadoras. E, talvez, esse seja o erro: ao despertar tamanha curiosidade com sua proposta curiosa e, principalmente, ao envolver com maestria o espectador nos bastidores da igreja, Habemus Papam perde pontos, justamente, por ser um filme que segue o caminho oposto quando desenvolve sua história com uma cautela excessiva que leva tudo ao rumo da normalidade.

Nanni Moretti, portanto, instiga mais o espectador na proposta do que na execução. Em seu primeiro terço, Habemus Papam parece ser um filme marcante: a maravilhosa direção de arte de Erminio Lauri e as intrigantes formalidades da igreja (religioso ou não, há de se reconhecer o poder dessa temática) constroem um clima eficiente, quase documental de tão próximo à realidade. No sentindo de ambientação, missão mais do que cumprida. Os problemas começam a surgir mais ou menos depois da metade, quando o filme não vai além dos dilemas do papa sobre ir ou não em frente com o que lhe foi designado por seus colegas de sacerdócio. A relação dele com o psicanalista vivido por Moretti é subutilizada e todos os seus questionamentos são retratados através de momentos vividos por ele em uma espécie de viagem interior pelas ruas do Vaticano enquanto todos aguardam sua aparição.

Paralelo ao mundo de dúvidas do protagonista, Habemus Papam também mostra a situação daqueles que esperam pela decisão do papa recém-eleito, desde o psicanalista que ficou impossibilitado de fazer qualquer contato com o mundo exterior por saber da identidade do novo pontífice até os outros padres que não devem retomar sua rotina enquanto a situação não for normalizada. É uma pena, afinal, que o diretor não se aproveite desse rico ambiente e da situação interessante do protagonista para criar um grande filme. Há quem possa defendê-lo, dizendo que Habemus Papam é um filme de sutilezas (e, em determinados momentos, ele é cheio delas), mas desperdiça discussões importantes (o fato do psicanalista ser ateu nada importa) e, no geral, não é tão interessante quanto prometia. Diferente em sua concepção, mas banalizado em seu desenvolvimento. Dessa vez, foi na trave, Moretti…

FILME: 7.0

Melhores de 2011 – Filme

Talvez eleger Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 como o melhor filme do ano seja uma atitude baseada muito mais na minha emoção do que na razão. Mas qual o verdadeiro prazer do cinema se não a entrega total às emoções? Assistir a um filme é algo extremamente sensorial. E o último filme da saga Harry Potter foi, até hoje, o que consegui presenciar de mais emocionante dentro de uma sala de cinema. Nunca me senti tão envolvido com uma história, arrepiado com sua estética e emocionado com cada rumo tomado pela história. Claro que existe muito de nostalgia nesse longa que conclui uma trama que comecei a acompanhar lá na minha infância. Mas não consegui ficar indiferente ao que Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 me proporcionou no sentido emocional. No final das contas, algumas pontas mal amarradas sequer me incomodaram. Para mim, o filme é uma experiência única, perfeita. E não tenho medo de confessar todo esse meu amor “cego” por ele. David Yates, como já mencionado, me proporcionou a sessão de cinema mais extraordinária da minha vida – até agora, claro. Ainda hoje As Relíquias da Morte – Parte 2 está comigo. E isso não quer dizer pouca coisa. Bem pelo contrário…

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2. A PELE QUE HABITO, de Pedro Almodóvar

“A Pele Que Habito vem para provar que, além de dominar a arte de dirigir, Almodóvar vai além: é um mestre que faz questão de se reinventar. No seu mais novo filme, ele quebra barreiras, arrisca no bizarro e flerta com insanidades, mas sempre mantendo sua ligação com os elementos que formaram sua reputação. E o resultado não é menos que excepcional”.

(crítica publicada no dia 05/11/2011)

3. MELANCOLIA, de Lars Von Trier

“Melancolia é, na realidade, um drama bem conduzido em todos os sentidos: os personagens são aprofundados na medida exata e os acontecimentos possuem o teor necessário de dramaticidade. Gratificante ver um Lars Von Trier mais acessível e que apresenta complexidades mais atraentes para o público que não se identifica tanto com sua filmografia”.

(crítica publicada no dia 19/08/2011)

4. CISNE NEGRO, de Darren Aronofsky

“O diretor [Darren Aronofsky] sabe como ninguém selecionar um tema aparententemente normal e transformá-lo em um verdadeiro espetáculo sensitivo. Bem como Réquiem Para Um Sonho, Cisne Negro mexe com todos os sentidos do espectador, que pode se arrepiar com a beleza de um balé incrivelmente bem fotografado ou morrer de agonia em cenas de dor física da personagem”.

(crítica publicada no dia 05/02/2011)

5. TUDO PELO PODER, de George Clooney

“O que existe de mais atraente em Tudo Pelo Poder é essa habilidade de falar sobre política levantando outras importantes questões que norteiam esse mundo. É um texto sem excessos, onde cada cena tem significado e nada parece estar ali para dar um tom mais sério ou para tornar tudo mais intelectual. A vontade de Tudo Pelo Poder é de dialogar com todos”.

(crítica publicada no dia 30/12/2011)

6. MEDIANERAS – BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR VIRTUAL, de Gustavo Taretto

“Deve ser um consenso que esse filme é mais uma prova de talento dos nossos vizinhos argentinos… Porque, sinceramente, dá gosto de ver um trabalho tão atual e dinâmico, que, além de mexer com algumas lembranças (a referência ao livro Onde Está Wally? é ótima), encerra tudo de forma incrivelmente agradável ao som de Ain’t No Moutain High Enough. Mais do que recomendado”.

(crítica publicada no dia 14/08/2011)

7. VEJO VOCÊ NO PRÓXIMO VERÃO, de Philip Seymour Hoffman

“Vejo Você no Próximo Verão, além de ter excelentes interpretações de Philip Seymour Hoffman e Amy Ryan, é uma obra muito melancólica, principalmente porque a trilha instrumental de Grizzly Bear e a coletânea que traz Cat Power, DeVotchKa, entre outros, faz questão de dar esse tom junto junto com o roteiro e a direção”.

(crítica publicada no dia 25/07/2011)

8. AS CANÇÕES, de Eduardo Coutinho

“Porque é exatamente assim que fiquei depois de As Canções: querendo contar uma história, cantar uma música que marcou a minha vida e ouvir tudo isso de mais outras pessoas. Coutinho, de novo, mergulhando na humanidade de seus entrevistados! Ótimo!”

(crítica publicada no dia 15/12/2011)

9. NAMORADOS PARA SEMPRE, de Derek Cianfrance

“Essa história está longe de ser romântica ou de falar sobre a felicidade de um relacionamento a dois. Namorados Para Sempre traz um olhar desesperançoso e amargo do amor, onde o roteiro está preocupado em mostrar o cotidiano de um casal que está desmoronando um pouco mais a cada dia”.

(crítica publicada no dia 09/06/2011)

10. MEIA-NOITE EM PARIS, de Woody Allen

“Funciona de forma ainda mais prazerosa para os intelectuais que conhecem, por exemplo, Dalí, Picasso, Hemingway e afins. Assim, com propostas interessantes, belíssimas imagens de Paris e seu habitual humor, Woody Allen realizou uma obra muito agradável e que deve ficar entre os mais satisfatórios de seus trabalhos contemporâneos”.

(crítica publicada no dia 05/07/2011)

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Escolha do público:

1. Cisne Negro (38,24%, 13 votos)

2. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (14,71%, 5 votos)

3. Melancolia (14,71%, 5 votos)

4. Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual (11,76%, 4 votos)

5. Namorados Para Sempre (11,76%, 4 votos)

6. Meia-Noite em Paris (5,88%, 2 votos)

7. As Canções (2,94%, 1 voto)

8. A Pele Que Habito (0%, 0 votos)

9. Tudo Pelo Poder (0%, 0 votos)

10. Vejo Você no Próximo Verão (0%, 0 votos)