Cinema e Argumento

Melhores de 2011 – Figurino

Jenny Beaven é uma especialista em filmes de época. Figurinista de produções como Retorno a Howards EndRazão e Sensibilidade, a vencedora do Oscar por Uma Janela Para o Amor foi uma escolha certeira para O Discurso do Rei. Beaven, que nunca se rende a excessos ou a roupagens exageradas, foi extremamente sutil ao criar os figurinos do filme de Tom Hooper. Além de reproduzir com bastante fidelidade o mundo do rei George VI (Colin Firth), o trabalho de Beaven fala muito sobre os próprios personagens, desde tonalidades até desenhos cheios de elegância. É um exemplo de como figurinos de filmes desse gênero não precisam ser cheios de adereços, cores vibrantes ou alegorias. Menos é mais no guarda-roupa de O Discurso do Rei, especialmente quando ele dialoga diretamente com a também satisfatória direção de arte.

BURLESQUE

Se não fosse pelos figurinos e pela direção de arte, Burlesque seria ainda mais inexpressivo. Claro que muito do que se vê na tela é mera reprodução do que já vimos em outros filmes do gênero (mas, ora, até os números musicais da história são!), mas eles se encaixam com a proposta do longa. Figurinos satisfatórios e que, de certa forma, dão um pouco de vida para esse musical carente de diferenciais.

UM SONHO DE AMOR

Merecidamente indicado ao Oscar 2012, o trabalho de figurinos de Um Sonho de Amor é essencial para representar o mundo burguês da protagonista vivida por Tilda Swinton. A figurinista Antonella Cannarozzi alcança um resultado elegante, mas nunca caindo em exageros – o que por si só já justifica qualquer elogio para esse trabalho certeiro em sua contemporaneidade.

 

ÁGUA PARA ELEFANTES

Assim como a direção de arte, os figurinos de Água Para Elefantes são dignos de mais atenção. Se o filme estrelado por Robert Pattinson e Reese Witherspoon não é lá muito interessante, temos que reconhecer que, tecnicamente, tem seus atrativos. E os figurinos cumprem sua missão de reproduzir com realismo o mundo circense.

CISNE NEGRO

Se a trilha sonora de Clint Mansell e a precisa direção de Darren Aronofsky são fundamentais para ambientar o espectador no mundo do balé, tal missão também é cumprida com louvor pelos figurinos criados por Amy Wescott. A transformação de Nina (Natalie Portman) também é sentida através desse setor de Cisne Negro.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – A Jovem Rainha Victoria

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Escolha do público:

1. Cisne Negro (41,46%, 17 votos)

2. Um Sonho de Amor (26,83%, 11 votos)

3. O Discurso do Rei (19,51%, 8 votos)

4. Água Para Elefantes (7,32%, 3 votos)

5. Burlesque (4,88%, 2 votos)

Jornalismo em Convergência

No primeiro semestre de 2011, finalmente me deparei com um desafio que tanto esperava: a monografia. O tema, claro, era óbvio: crítica de cinema. Problema de pesquisa, hipótese e objetivos, por exemplo, ainda não eram claros para mim. Mas logo tudo foi se encaminhando e, no final do ano, tive a honra de receber o grau máximo pelo trabalho que desenvolvi em Jornalismo em Convergência: As diferentes linguagens a partir do trabalho da crítica de cinema Isabela Boscov.

Na monografia, que totalizou 58 páginas, um comparativo entre os trabalhos que a jornalista Isabela Boscov realiza para as versões impressa e online da revista VEJA. A pergunta era: afinal, em qual meio de comunicação ela consegue expressar melhor as suas opiniões? Resolvi publicar esse trabalho porque, ao longo do semestre em que realizei pesquisas, tive imensa dificuldade em encontrar referências sobre produção de conteúdo para a web (2.0, para ser mais exato) e, principalmente, sobre videocasts. Segue o resumo da monografia:

O presente estudo pretende identificar os elementos e recursos que a crítica de cinema da Revista VEJA, Isabela Boscov, utiliza para desenvolver o que pensa sobre determinado filme e, a partir daí, indicar em qual das mídias a opinião da jornalista está mais desenvolvida e com maior qualidade de comunicação: versão impressa ou eletrônica. Utilizamos como objeto os textos e videocasts sobre os filmes Amor Sem Escalas e 72 Horas, e, como metodologia, a Análise de Conteúdo. Nosso foco está no aspecto qualitativo, tendo como referencial a linguagem, o verbal e o não-verbal no que diz respeito à construção dos produtos publicados, seja na mídia impressa ou nos vídeos presentes na Web. A pesquisa aponta que Isabela Boscov desenvolve e consegue comunicar melhor sua visão dos filmes nas críticas que faz para a mídia impressa.

A parte de Jornalismo em Convergência relacionada ao mundo virtual foi construída a partir de artigos e pesquisas – a maioria encontrada em endereços eletrônicos. Portanto, a publicação desse estudo também tem como objetivo poder contribuir, de um jeito ou de outro, para futuros projetos sobre o tema. E, lembrando, a reprodução é autorizada, desde que citada a fonte. Clique aqui para ler.

Albert Nobbs

You don’t have to be anything but who you are.

Direção: Rodrigo García

Elenco: Glenn Close, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Janet McTeer, Brendan Gleeson, Jonathan Rhys Meyers, Mark Williams, Brenda Fricker, Pauline Collins

Inglaterra/Irlanda, 2011, Drama, 113 minutos

Sinopse: Irlanda, século XIX. Albert Nobbs (Glenn Close) trabalha como garçom em um hotel. Reservado e econômico com palavras, é o funcionário exemplar. No entanto, à noite, quando está sozinho em seu quarto, tira o seu uniforme e deixa de lado a identidade que assume durante o dia. Albert, na realidade, é uma mulher que se passa por homem para sobreviver numa época marcada pela inferioridade feminina. Com a chegada de Hubert (Janet McTeer), que também esconde um segredo, Albert passa a vislumbrar novos caminhos para sua vida.

É impossível falar de atores da década de 1980 sem mencionar Glenn Close. Marcante figura de longas de destaque daquela época, Glenn é considerada uma das grandes atrizes de seu tempo – e também uma das mais injustiçadas: são várias indicações ao Oscar sem vitória. De O Mundo Segundo Garp até Ligações Perigosas (seu melhor trabalho), a atriz permaneceu sem a cobiçada estatueta dourada. No entanto, já foi celebrada na TV (recentemente, premiada durante dois anos seguidos no Emmy pelo seriado Damages) e no teatro. Aliás, foi nos palcos que Glenn Close interpretou um dos papeis mais importantes de sua carreira: o de Albert Nobbs, um garçom que, na realidade, é uma mulher que tenta sobreviver na machista Irlanda do século XIX sob esse disfarce. Reprisando seu papel de The Singular Life of Albert Nobbs a atriz tentou recuperar seus dias de glória no cinema com a adaptação da peça. O filme, no entanto, não foi bem sucedido.

Glenn Close está ali, sensacional em sua caracterização e contundente na composição do personagem. Porém, é uma composição solitária: o filme é completamente convencional e até mesmo antiquado. Não seria justo culpar apenas García, já que ele, nos seus trabalhos anteriores como diretor, em marcantes séries como Six Feet Under e In Treatment, já havia demonstrado seu potencial Na realidade, essa inexpressividade de Albert Nobbs pode ser atribuída ao trabalho de Glenn Close – não como atriz, mas como roteirista e produtora do longa. A sensação que essa história passa é de que a equipe não queria se aventurar em discussões mais complexas. Tudo em Albert Nobbs é mastigado (notem como o protagonista fala sozinho diversas vezes para deixar o espectador a par de seus sentimentos), linear e… óbvio. Temáticas como a identidade interior e exterior da protagonista são tratadas de forma rasa – e isso é uma pena, uma vez que, recentemente, fomos brindados com um excelente estudo sobre esse assunto em A Pele Que Habito.

É por se desviar de questões tão importantes e que trariam complexidade para a trama que Albert Nobbs resulta passageiro e esquecível. O assunto só consegue trazer certo encantamento em função de Glenn Close, que, em m ótimo trabalho de mudança de voz, postura e expressões, consegue fazer o espectador torcer por aquele personagem que não chega a ser explicado de forma aprofundada – as razões de Nobbs se vestir de homem, por exemplo, deveriam ter mais presença (até porque a proposta é, justamente, mostrar como ser homem, naquela época, era infinitamente mais vantajoso). É por Nobbs que ficamos curiosos não pela história, que, como o próprio título já aponta, é de um personagem só. As figuras de suporte são completamente irregulares, variando da repetitiva Mia Wasikowska até Aaron Johnson (que está menos eficiente do que habitual com um personagem detestável). Quem se salva nisso tudo, ajudando Glenn Close a dar propulsão ao filme, é Janet McTeer, figura fundamental na jornada de Nobbs – e que, mais uma vez, o roteiro não explora da devida maneira a personagem e, principalmente, a relação que ela estabelece com a protagonista.

Culminando em um desfecho que podemos chamar de repentino e até mesmo mal planejado por não ter a emoção necessária, Albert Nobbs, estranhamente, é o trabalho menos interessante do diretor Rodrigo García. Se não fosse pelo buzz em torno da atuação de Glenn Close, teria sido lançado diretamente em dvd ou, então, produzido para a TV. Não é um filme que chega a ser ruim, mas peca por ter várias necessidades que nunca são atendidas. Albert Nobbs não foi explorado o suficiente porque a história, narrada de uma forma excessivamente correta, merecia maiores detalhes e, acima de tudo, complexidade. Tudo aquilo que García apresentou em Six Feet Under e In Treatment, séries cheias de maestria ao construir personagens, poderia estar presente aqui. Não é o que acontece: Albert Nobbs é raso, mal explorado nos seus dramas em potencial. Fica, portanto, a decepção de ver que o diretor não fez um grande filme para marcar o retorno de uma grande atriz ao cinema. Glenn Close está praticamente sozinha em Albert Nobbs. Ainda bem que nas atuações da atriz sempre podemos confiar.

FILME: 6.5

Melhores de 2011 – Ator Coadjuvante

Alan Rickman sempre foi um dos grandes méritos da série Harry Potter. Alguns podem argumentar que isso se deve apenas ao ótimo personagem criado por J.K. Rowling. Errado. Rickman criou uma personificação tão impecável de Severo Snape que é impossível imaginar qualquer outro ator em seu lugar. Se em O Enigma do Príncipe o roteiro desperdiçou o personagem de uma maneira brutal (na obra original, era um dos principais momentos dele), tudo é recompensando em As Relíquias da Morte – Parte 2. Snape continua tendo poucas aparições se comparado aos personagens principais, mas, agora, ele assume uma importância fundamental na história. Ou seja, já não bastasse a excelente composição de Rickman, ainda somos brindados com resoluções que aproveitam de forma brilhante o personagem. E o ator aproveita cada segundo. Logo na primeira cena do filme, sem uma única palavra sequer, já conseguimos prever o ótimo trabalho que está por vir. Tudo confirmado ao longo de As Relíquias da Morte – Parte 2: o ator emociona e humaniza seu personagem com grande impacto em poucos minutos, tornando-se dono de vários dos melhores momentos do filme de David Yates. Por isso e por todo o seu trabalho na saga Harry Potter, Alan Rickman merece todos os reconhecimentos possíveis. Pena que o preconceito pela série o impediu de chegar entre os finalistas de qualquer premiação…

GEOFFREY RUSH (O Discurso do Rei)

Colin Firth não alcançaria o mesmo resultado em O Discurso do Rei sem o seu colega Geoffrey Rush. O filme de Tom Hooper, que vale essencialmente pelas atuações, acertou em cheio ao escolher o veterano ator para o papel do fonoaudiólogo que muda para sempre a vida do rei George VI. Com muito humor (sem ser forçado) e naturalidade, Rush brilha toda vez que aparece em cena e, junto com Firth, formou uma das grandes duplas do ano. Por seu desempenho, ganhou o BAFTA de ator coadjuvante e, sinceramente, não seria injusto se também tivesse levado o Oscar.

CHRISTIAN BALE (O Vencedor)

Rush não levou o Oscar, que foi parar nas mãos de um certo Christian Bale. Em O Vencedor, mais uma vez, o Batman de Christopher Nolan mostra a sua versatilidade. Sua atuação vai além da transformação física (até porque, antes, ele já tinha emagrecido de forma impressionante para O Operário): Bale rouba a cena e, toda vez que entra em cena, toma as rédeas que eram para ser do protagonista vivido por Mark Wahlberg. Apesar do papel não ser o mais simpático (é aquele tipo que não merece qualquer confiança), o ator conseguiu quebrar barreiras e se tornar um dos principais atrativos do filme. Reconhecimento merecido.

CHRISTOPHER PLUMMER (Toda Forma de Amor)

Talvez nem chegue a ser uma grande atuação, mas existe algo de muito afetivo no trabalho que Christopher Plummer fez para Toda Forma de Amor. O personagem é um achado, principalmente por ser tratado com muita sensibilidade – tanto pelo ator quanto pelo filme. Se o modo como ele aparece é um tanto discutível (flashbacks curtíssimos que atrapalham um pouco o aprofundamento do personagem), Plummer não sei deixa abalar por isso. Em cada momento, gestos e olhares dele sempre significam algo. Uma simplicidade que marca. E devemos também aplaudir a total falta de preconceito do ator. Afinal, qual veterano de 82 anos toparia interpretar um homossexual e ainda beijar outro homem para um filme sem grandes pretensões?

JEREMY IRONS (Margin Call – O Dia Antes do Fim)

Dá gosto de ver Jeremy Irons em Margin Call – O Dia Antes do Fim. É um exemplo atuação onde fica evidente o talento de um ator. Com muita desenvoltura, Irons, nas poucas cenas que tem, consegue ser superior a qualquer outro ator do elenco estrelar do filme. Impressiona pela facilidade com que lida com as palavras e pela facilidade em criar um personagem cheio de personalidade sem nunca parecer forçado. Ou seja, é um papel que só poderia ser destinado a um ator com boa trajetória e de muito talento. Irons, claro, é um deles. E cumpriu sua missão com louvor.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)

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Escolha do público:

1. Alan Rickman, por Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (41,18%, 21 votos)

2. Christian Bale, por O Vencedor (25,49%, 13 votos)

3. Geoffrey Rush, por O Discurso do Rei (15,69%, 8 votos)

4. Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor (11,76%, 6 votos)

5. Jeremy Irons, por Margin Call – O Dia Antes do Fim (5,88%, 3 votos)

O que passou…

Abaixo, breves comentários sobre filmes que vi recentemente ou que, por alguma razão, não foram comentados anteriormente aqui no blog. A lista está organizada em ordem alfabética:

CANÇÕES DE AMOR (Les Chansons d’Amour, 2007, de Christophe Honoré): Apesar de ser um dos diretores franceses mais ativos da atualidade, Christophe Honoré está longe de merecer os infinitos elogios que recebe – ele, inclusive, consegue ser extremamente pretensioso em certas ocasiões, a exemplo do péssimo Ma Mère. No entanto, Canções de Amor é uma ótima surpresa. O longa estrelado por Louis Garrel (que também nunca esteve tão livre e com tanta desenvoltura) é o mais espontâneo do diretor, que consegue despertar o interesse do espectador com esse dinâmico e bem realizado musical que, no fundo, conta uma história que não teria muito a dizer de diferente se não fosse o lado musical. 8.0/10

ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS (All Good Things, 2010, de Andrew Jarecki): Filme realizado antes do grande boom de Ryan Gosling e que, na realidade, mostra que o ator não é 100% certeiro em suas escolhas. Entre Segredos e Mentiras começa bem, especialmente ao criar curiosidade por essa história sobre um relacionamento extremamente complicado. Porém, o último ato é particularmente perdido e desinteressante. Saindo dos trilhos em uma abordagem mal construída de um homem problemático, o longa dirigido por Andrew Jarecki termina bem aquém do que era esperado no início. E, nos momentos finais, o próprio Gosling não é capaz de diminuir essa sensação. 6.0/10

UM GATO EM PARIS (Une Vie de Chat, 2010, de Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol): Chegou a concorrer ao Oscar de melhor animação esse trabalho francês que, na realidade, é destinado mais aos adultos. Dificilmente as crianças conseguirão compreender a história da mulher que perdeu o marido e que agora procura justiça. Ou muito menos os problemas que ela enfrenta com a solitária filha. Um Gato em Paris, focado no animal do título que convive com a tal garotinha, tem muito de assalto, suspense e até mesmo aventura. Tudo bem simples, sem exageros. Pena que esteja longe de ser marcante ou mais consistente. 7.0/10

NORMAL (idem, 2007, de Carl Bessai): Catherine (Carrie-Anne Moss) perde o filho em um acidente de carro. Perto dali, Jordie (Kevin Zegers) vive com a culpa de ter atropelado o garoto. Com outras histórias paralelas, Normal, com o perdão do trocadilho, está sempre no caminho da normalidade. Não existe nada na história comandada pelo diretor Carl Bessai que seja diferente do que já vimos nesse tipo de enredo. A sensação é de que Normal se enquadra naquele tipo de drama para ser assistido de madrugada na televisão sem muitos critérios. Experiência passageira do cinema canadense. 6.5/10

PROFESSORA SEM CLASSE (Bad Teacher, 2011, de Jake Kasdan): Se não fosse a presença de algumas piadas grosseiras ou de situações mais apelativas, Professora Sem Classe poderia ser mais interessante do que realmente é. Contando com uma Cameron Diaz totalmente ciente do tom exigido para sua personagem, essa comédia ganha pontos por trazer uma anti-heroína que consegue vencer as barreiras da antipatia. Pena que o roteiro seja tão genérico no humor, reduzindo Professora Sem Classe ao que estamos acostumados a ver no cinema comercial estado-unidense. Bastava ser mais inteligente em sua acidez e sutil nas ironia para conseguir se diferenciar. Do jeito que ficou, é apenas uma história com alguns momentos divertidos que são obrigados a dividir a tela com escolhas desnecessárias. 6.0/10

REINO ANIMAL (Animal Kingdom, 2010, de David Michôd): Reverenciado no Oscar com uma merecida indicação ao Oscar de atriz coadjuvante para Jacki Weaver, Reino Animal é um filme estranho. Excetuando a história que não é tão envolvente para o gênero, o que existe de mais incômodo aqui é o jovem protagonista James Frecheville. É um daqueles casos em que não dá para entender como conseguiram escalar um ator tão ineficiente e problemático para um papel tão importante. Tramas sobre famílias criminosas já foram mais instigantes (tanto em suspense quanto em drama) do que essa. Quem sabe na próxima, quando não cometerem esse erro tão amador de escalar o ator errado para um personagem fundamental? 6.0/10

UM SONHO DE AMOR (Io Sono L’Amore, 2009, de Luca Guadagnino): As locações na Itália são fundamentais para toda a beleza estética de Um Sonho de Amor, que acerta especialmente na ótima fotografia e no trabalho certeiro de figurinos. Também é necessário destacar o empenho de Tilda Swinton (ela aprendeu a falar italiano e russo para o papel), que nunca esteve tão radiante e bem fotografada. O que falta, no trabalho do diretor Luca Guadagnino, é justamente aquilo que está presente na sequência final: emoção intensa e vibração. Ou melhor, a sensação de que algo está, de fato, acontecendo – porque, de resto, apesar do ótimo visual, Um Sonho de Amor aposta demais na subjetividade – o que, nesse caso, tira bastante o ritmo da história. 6.5/10

SUPER 8 (idem, 2011, de J.J. Abrams): J.J. Abrams continua com a sua reputação intacta. Só que, dessa vez, em Super 8, ele não acertou no roteiro. O problema desse filme que tem um clima muito interessante na forma como desenvolve a relação entre os personagens principais é a total virada da história a partir de certo ponto. Super 8 funciona melhor quando não explicita o suspense e a ação. A partir do momento em que coloca exércitos e os protagonistas para combater uma certa ameaça, torna-se longo, repetitivo e até mesmo histriônico. O diretor ficou na metade do caminho. 6.0/10

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE (X-Men: First Class, 2011, de Matthew Vaughn): Reboots não são muito animadores. Até porque essa ideia de reviver franquias relativamente novas sempre parece meio oportunista. A diferença é que, mesmo que esteja longe de ser o arraso que alguns apontaram, X-Men: Primeira Classe tem algo a acrescentar. Quer dizer, a história do preconceito por mutantes já foi trabalhada nos filmes anteriores – o que deixa a trama relativamente sem novidades – mas o conjunto de personagens funciona tão bem que podemos até relevar esse detalhe. Um bom blockbuster. 7.0/10