Os piores filmes de 2012
A minha lista de piores do ano não tem Battleship – A Batalha dos Mares, As Aventuras de Agamenon ou Abraham Lincoln – O Caçador de Vampiros. Eles não estão presentes porque sempre procuro sofrer o menos possível quando vou ao cinema. Não preciso ver esses filmes para saber que são péssimos. Simples assim. E com o ingresso do cinema cada vez mais caro, fico ainda mais atento quanto aos filmes que escolho ver. É economia de tempo, dinheiro e paciência. Por isso, a minha lista de piores do ano – que segue abaixo, em ordem alfabética – pode ser um pouco diferente do que você está acostumado a ver por aí. Dentro do universo de longas que assisti em 2012, selecionei dez que me irritaram profundamente – alguns por serem inquestionavelmente ruins mesmo e outros por serem grandes decepções. De Steven Spielberg a Phyllida Lloyd, o que eu vi de mais insuportável no cinema em 2012:

AMOR IMPOSSÍVEL, de Lasse Hallström: E pensar que, um dia, o sueco Lasse Hallström já reuniu nomes de calibre como Judi Dench em filmes que volta e meia eram celebrados pelo Oscar. Mas a verdade é que ele nunca foi um grande diretor. E Amor Impossível traz toda a sua mediocridade como cineasta. Culpa também do roteiro horroroso escrito por Simon Beaufoy (festejado mundialmente por seu trabalho em Quem Quer Ser Um Milionário?), que em nada ajuda a proposta desinteressante e monótona. Não sei quem disse aos envolvidos que uma história sobre pesca de salmão no Iêmen era um assunto estimulante. Até o elenco está murcho aqui, incluindo Kristin Scott Thomas, frequentemente beirando a caricatura. De cortar os pulsos.

CAVALO DE GUERRA, de Steven Spielberg: Talvez seja mais por implicância mesmo, mas não tenho muita paciência com esses filmes açucarados que brincam com a boa vontade do espectador. Cavalo de Guerra pede que eu acredite demais em coincidências e que, em consequência disso, eu embarque em um clima excessivamente manipulador. Há quem goste. Não é o meu caso. E, por isso, Cavalo de Guerra é o meu filme menos favorito do Spielberg em anos. Para agravar a situação, a Primeira Guerra Mundial é mal situada e retratada com todas as formalidade do gênero. Ah, e ainda tem espaço para alívio cômico, aqui representado por um “divertido” ganso… Dessa vez não deu, Spielberg.

A DAMA DE FERRO, de Phyllida Lloyd: Nunca pensei que Meryl Streep fosse ganhar o seu tão aguardado terceiro Oscar por um filme ruim. Não era nenhuma novidade que Phyllida Lloyd não tinha currículo para dirigir a cinebiografia de uma polêmica figura política, mas aqui ela impressionou – no sentido negativo – não só por trazer uma abordagem completamente neutra de Margaret Thatcher (uma personagem que merecia complexidades em função de seus posicionamentos fortes) – mas por cometer o erro de achar que, para conhecermos por completo a protagonista, precisamos acompanhar toda a sua vida. Sem falar que A Dama de Ferro é contado do ponto de vista errado, repleto de alucinações cansativas e irrelevantes de uma idosa Thatcher.

A HORA DA ESCURIDÃO, de Chris Gorak: Os filmes sobre o fim do mundo estão em crise. Já não bastasse o péssimo 2012, outro exemplar mostra que esse cenário pode ser bem tedioso. É A Hora da Escuridão, que até consegue criar certo clima de suspense em seus primeiros momentos, mas que, aos poucos, perde o fôlego e cai na monotonia. É uma pena ver o talentoso Emile Hirsch envolvido nesse filme B que não chega nem perto de empolgar. Exibido nos cinemas em cópias 3D e convencionais, passou completamente despercebido por todos. Também pudera: se é pra mostrar uma trama batida, que pelo menos seja de forma divertida.

MAGIC MIKE, de Steven Soderbergh: Particularmente, uma das grandes decepções do ano. Primeiro porque falta diversão: Magic Mike não é pop, descontraído ou sequer um guilty pleasure. Segundo porque perde muitas oportunidades, como a de quebrar o preconceito com a nudez masculina no cinema. Infelizmente – principalmente depois do ótimo Contágio -, é mais um atestado de que Steven Soderbergh tem pouca personalidade e não consegue mais manter uma boa média nos trabalhos que realiza. Foi lembrado em algumas associações de críticos em função do desempenho de Matthew McCounaghey – o que é um mistério, já que nada nesse filme é digno de honrarias.

NA TERRA DE AMOR E ÓDIO, de Angelina Jolie: Alguns defenderam que tem o seu valor histórico e de denúncia, mas eu só consegui ter sono. As ideias e as propostas de Angelina Jolie são nobres, mas ela falha imensamente como diretora e roteirista. No romance, erra ao não fazer o espectador torcer pelo amor impossível do casal. Na guerra, apenas choca com as cenas mais fortes, sem fazer com que alguém realmente se interesse pelos conflitos da Guerra Iugoslava. Não à toa, só foi lembrado pelo Globo de Ouro na categoria de filme estrangeiro. E foi lembrado por ser de Angelina Jolie, já que, como todos nós sabemos, o Globo de Ouro nunca perde a chance de bajular uma grande celebridade.

A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER – PARTE 2, de Bill Condon: A Saga Crepúsculo não poderia chegar ao fim sem, claro, estar entre os piores do ano. Apesar de ser considerado o “melhor” da série, Amanhecer – Parte 2 é repleto de falhas como qualquer outro longa protagonizado por Edward (Robert Pattinson) e Bella (Kristen Stewart). Falta consistência, desculpas convincentes e, principalmente, um fechamento que dê sentido à existência de tantos filmes. Tem uma boa cena de batalha na neve, mas até ela está cercada de decisões bastante questionáveis. É o mais açucarado e direcionado aos fãs, mas isso não justifica muita coisa.

SOMBRAS DA NOITE, de Tim Burton: Possivelmente, o pior filme de toda a carreira de Tim Burton. Além de ser extremamente repetitivo (quem ainda consegue ver algo de positivo nas recicladas interpretações de Johnny Depp, por exemplo?), o filme tem um humor batido e uma história extremamente dispersa, prejudicada pelo excesso de personagens. Copiando descaradamente longas como A Morte Lhe Cai Bem, Sombras da Noite é uma das experiências mais aborrecidas de 2012. Sorte que Burton conseguiu se reerguer posteriormente com o excelente Frankenweenie.

TED, de Seth MacFarlane: Ainda tento entender como conseguem defender essa comédia que não passa de um completo besteirol americano de mau gosto. Inclusive, também tento entender como um prêmio tão quadrado como o Oscar convocou o diretor e roteirista Seth MacFarlane para apresentar a próxima cerimônia. Rotulado como politicamente incorreto, Ted não tem ritmo e não escapa dos clichês da história do homem que não cresce e é influenciado por um amigo imaturo. Chega dar até pena ver Mila Kunis perdida no meio dessa bobagem. Lamentável.

W.E. – O ROMANCE DO SÉCULO, de Madonna: As intenções são louváveis e o requinte da parte técnica é exemplar (figurinos e trilha são o ponto alto), mas W.E. – O Romance do Século é muito e mal desenvolvido. Culpa da megalomania de Madonna, aqui exercendo total controle sobre o filme, ocupando os cargos de diretora, roteirista e produtora – o que certamente se reflete no resultado final, que deixa bem claro suas limitações em função de uma comandante que pode até ser boa na música, mas que ainda não está nem perto de ser uma cineasta de confiança. A história merecia mais.



Tive a sensação que 2012 passou voando… Pessoalmente, foi um ano de desafios, mas também de muitas recompensas. Quanto ao cinema, creio que 2012 teve períodos de grandes decepções (da temporada do Oscar até mais ou menos a metade do ano, os lançamentos, em sua maioria, não cumpriram expectativas) e outros de várias surpresas (os últimos meses foram particularmente interessantes). Foi um ano que valeu – antes de mais nada – por dois momentos muito esperados pelo escriba que vos fala: o terceiro Oscar de Meryl Streep (nunca comemorei tanto frente a uma TV!) e o primeiro prêmio importante para Julianne Moore, uma atriz singular que só agora foi reconhecida – dessa vez, pelo retrato impecável da republicana Sarah Palin em Virada no Jogo. Considerando os lançamentos do circuito comercial brasileiro, conferi 69 filmes – o que é um índice relativamente satisfatório, já que, entre trabalho e faculdade, sempre escrevi sobre tudo que assisti. Agora, como de costume, encerro o ano listando os meus dez momentos favoritos dos filmes que vi durante os doze meses que passaram. A relação que segue abaixo não segue nenhuma ordem. No mais, um excelente 2013 a todos e que a paixão pela sétima arte continue sempre viva dentro de todos nós. Afinal, vale sempre lembrar, esse blog não seria possível sem vocês, leitores. Um forte abraço! =)















