Cinema e Argumento

Três atores, três filmes… com José Luís

tresjoseO último convidado do Três atores, três filmes de 2014 tem minha total identificação quando o assunto é listar filmes e interpretações que marcam preferências cinematográficas. Sempre acreditei que os filmes mais presentes em nossas lembranças são aqueles que dialogam de forma muito íntima e profunda com o que sentimos ou vivenciamos e não necessariamente em função da perfeição técnica ou da assinatura de um diretor. Tenho a total impressão de que, assim como é comigo, a situação é exatamente a mesma com o José, cuja lista que vocês podem conferir abaixo reflete, como ele mesmo aponta, uma série de identificações pessoais com os personagens escolhidos ou até mesmo com as histórias vividas por eles. E as justificativas certamente estão entre as mais interessantes que já passaram por aqui. Uma curiosidade sobre as escolhas: esta é a segunda vez que o desempenho de Kate Winslet em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças  é selecionado (e a terceira do filme, que também já foi lembrado pelo desempenho de Jim Carrey). Fiquem abaixo com as escolhas do nosso último convidado do ano, que encerra o ano da seção em alto estilo!

Angelina Jolie (Garota, Interrompida)
Garota, Interrompida é um filme baseado em eventos reais, onde encontramos uma Angelina Jolie jovem e destemida atuando com uma força selvagem, viva e decadentemente deslumbrante. Apesar de não ocupar o posto principal da história, a personagem de Jolie – Lisa Rowe – rouba a cena de todo e qualquer desavisado. Uma atuação digna do Oscar prematuro com o qual ela foi agraciada. Uma atuação corajosa de uma atriz que viria a ser uma das maiores celebridades do mundo. Particularmente, a personagem, em um primeiro momento, me desconcertou, me quebrou e me partiu em mil pedaços com diálogos provocadores e uma postura visceral. O espectador acaba seduzido pela fratura exposta que é Lisa. O filme em si é um aviso, um retrato do cotidiano assintomático da família do comercial de margarina, e traz uma reviravolta quando as personagens – assim como na vida real – passam a questionar suas existências. Talvez Angelina tenha atingido a perfeição em sua atuação devido às semelhanças que a personagem apresentava com uma Jolie adolescente, no inicio da carreira. Na minha opinião, é seu papel mais corajoso em um filme que eu sempre recomendo.

Kate Winslet (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças)
Kate Winslet obteve notoriedade mundial após sua excelente atuação em Titanic, porém, do meu ponto de vista, essa fase foi apenas uma passagem para o que a grande Kate poderia realizar ao longo de sua carreira. Assim como Natalie Portman, Kate, além de ter suas personagens habitando minha lista de atuações preferidas, também tem seus diversos filmes perambulando pela minha coleção de favoritos. Obviamente, uma personagem em especifico me marcou, profundamente. Clementine Kruczynski tinge seus cabelos de acordo com as fases de sua vida e apaga suas memórias como quem clama pelo novo. Winslet, em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, além de contar com um roteiro único é presenteada com uma fotografia e direção de arte incríveis, o que torna o pacote uma obra-prima cinematográfica. Brilho Eterno, em sua essência, trata de um cotidiano improvável entre dois desconhecidos que se conhecem muito bem, e Kate é feliz em transpor os sentimentos que presenciamos diariamente em nossas vidas com uma verdade comovente. A beleza das cenas é cotidiana: cabelos bagunçados, não penteados, corpos pouco esculturais… Assim como na vida real, o brilho está na única sedução a qual nos é inerente: a vida. A atuação é linda, pois passa ao espectador um aspecto genuína e sem enfeites sobre como, muitas vezes, agimos em nossas relações. Clementine diz “I feel like I’m disappearing” – pois é assim que nos sentimos ao tentar apagar o que não pode ser apagado.

Natalie Portman (Closer – Perto Demais)
Natalie Portman, em suas diversas interpretações, habita minha coleção de filmes preferidos e também um lugar entre minhas atrizes favoritas, posição que foi conquistada anos atrás ainda na minha adolescência. Closer é um filme de 2004 que, 10 anos depois, continua encantando espectadores com sua beleza e ousadia. N ano do seu lançamento, eu tinha apenas 13 anos, então, algum tempo depois, com alguma maturidade adquirida e na faixa etária para assistir o filme, o fiz. Closer, para uma geração criada assistindo aos filmes da Disney, em um primeiro momento não faz sentido algum, afinal, se trata de um retrato maduro, lúcido e cru sobre uma realidade amorosa do século XXI. Porém, aos poucos, o balé das idas e vindas, os segredos e a imensidão oculta que o ser humano possui em seu interior… Tudo ganha sentido. Talvez uma visão pessimista dos relacionamentos na vida adulta que, mais cedo ou mais tarde, visitamos por aí. A personagem de Portman, Jane Jones, Alice Ayres – ou como preferir chamar – tem um espírito livre, ousado e direto. As falas são dotadas de franqueza e eloquência e muitas delas nunca deixaram minha cabeça, uma atuação impecável, uma personagem que nasce, se desenvolve e morre – “I don’t love you anymore, goodbye” – em frente ao espectador.

Rapidamente

Praia do Futuro é um dos filmes mais difíceis do ano, mas também um dos mais recompensadores para quem conseguir embarcar na proposta do diretor Karim Aïnouz

Praia do Futuro é um dos filmes mais difíceis do ano, mas também um dos mais recompensadores para quem embarca na proposta do diretor Karim Aïnouz

A 100 PASSOS DE UM SONHO (The Hundred-Foot Journey, de Lasse Hallström): O sueco Lasse Hallström, ao contrário do que as premiações já celebraram, nunca foi um grande diretor, mas é verdade que ele tem capacidade de fazer coisas muito melhores do que esse A 100 Passos de Um Sonho. Ok, o filme estrelado por Helen Mirren (indicada ao Globo de Ouro 2015 de atriz comédia/musical por seu trabalho aqui só para completar a fraca lista) é leve e inofensivo, só que não custava o roteiro ser pelo menos um pouquinho mais original. Previsível do início ao fim, o longa de Hallström cai no velho clichê da família indiana que muda de país sem nada na bagagem além de sonhos, boas intenções e um filho primogênito cheio de talento para culinária. Na França, eles se instalam frente ao restaurante de uma mulher rica que, após a morte do marido, controla os negócios com mãos de ferro e, claro, não deseja que ninguém ameace o seu negócio. Só que a família indiana, claro, vai movimentar as águas do local e, principalmente, a vida da tal senhora. O ritmo por si só já é arrastado e o fato de A 100 Passos de Um Sonho seguir todos os passos da cartilha de um filme com essa premissa não ajuda. Hallström não chega a abusar da paciência do espectador com grandes melodramas ou forçações de barra como em outros filmes que já realizou, mas bem que poderia, pelo menos, mostrar que ainda tem um pouquinho das habilidades que anos atrás lhe trouxeram tanto prestígio. Isto porque o Hallström de Regras da Vida, Chegadas e Partidas e Chocolate pode até ser subestimado, mas é, sem dúvida, melhor do que esse nada inspirado de Querido John, Amor Impossível e, agora, A 100 Passos de Um Sonho.

PRAIA DO FUTURO (idem, de Karim Aïnouz): Só mesmo a desinformação – aliada ao conservadorismo – fez com que pessoas assistissem a Praia do Futuro e pedissem o ingresso de volta em função das cenas de sexo gay. Até porque basta investigar um pouco a filmografia de Karim Aïnouz para deduzir que este seu novo filme tinha grandes chances de não ser uma experiência fácil ou comercial. E de fato não é. Para muito além das cenas de sexo envolvendo dois homens (que estão longe de ser o escândalo apontado por aí), Praia do Futuro é um filme bastante lento e complexo – mas também um dos mais recompensadores que o cinema brasileiro entregou em 2014. Wagner Moura está especialmente bem aqui, distanciando-se um pouco do cinema mais acessível que tem cercado suas últimas escolhas. Ele enfrenta um dos personagens mais desafiadores de sua recente carreira, e, como o grande ator que é, não desaponta. O filme em si é estruturado em três capítulos, todos separados por avanços no tempo. Isso não quer dizer, porém, que Praia do Futuro seja um filme sobre grandes acontecimentos ou mudanças que se intercalam em cada um deles. Pelo contrário. Todas as transformações dos personagens acontecem de forma sutil e silenciosa – o que faz com que o resultado seja para um público bem específico. Entretanto, mesmo entre quem supostamente gostaria, Praia do Futuro não foi muito bem sucedido. Ao mesmo tempo em que a reação seja de certa forma compreensível, também era de se esperar maior boa vontade com o filme, que tem diversos méritos inegáveis (a cena final é um deles, permanecendo com o espectador durante um bom tempo).

YVES SAINT-LAURENT (idem, de Jalil Lespert): Antes de Saint-Laurent estrear na competição de Cannes trazendo os galãs Gaspard Ulliel e Louis Garrel no elenco, o mundo já havia conferido – também em 2014 – outra cinebiografia do famoso estilista francês. Yves-Saint Laurent chegou ao Brasil, por exemplo, bem antes, ainda que seja uma produção idealizada após as tratativas do filme com Ulliel e Garrel. Certamente fizeram uma corrida para ver quem chegaria aos cinemas primeiro e se este longa dirigido por Lespert achou que apressar o calendário para estrear antes era sinônimo de sucesso, o tiro saiu pela culatra. Isto porque Yves Saint Laurent passou timidamente pelos cinemas e foi definido apenas como uma biografia convencional e pouco ousada. De fato, o filme protagonizado por um satisfatório Pierre Niney acerta no diálogo entre elegância e simplicidade de visual, mas não é nada consistente na parte em que precisa desenvolver a vida conturbada de Laurent. Se a transição de um menino talentoso mas jovem demais e inseguro para um verdadeiro ícone da moda funciona, sua vida após não chega a ser bem desenvolvida em termos dramáticas. A tardia libertação pessoal e sexual de um homem que assumiu responsabilidades muito cedo não ganha a devida profundidade dramática – e, neste sentido, a breve duração de 105 minutos é um problema pois deixa a sensação de que Yves Saint-Laurent poderia se estender mais um pouco para dar detalhes que fazem muita falta. Não chega a ser animador ter que ver outra biografia de Laurent futuramente (a versão protagonizada por Ulliel já passou rapidamente por aqui recentemente), mas, dada a incompletude do filme de Lespert em seu terço final, talvez seja uma chance de entender melhor a vida do icônico estilista.

Os indicados ao Globo de Ouro 2015

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Leves surpresas e confirmações marcaram o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro 2015 na manhã de hoje. Enquanto no SAG Selma foi totalmente esnobado, aqui conquistou indicações a melhor filme, direção, ator e canção original, o que deve impulsionar sua trajetória nas premiações. Quem também sai ganhando nesta lista é O Grande Hotel Budapeste, que, fora as esperadas indicações a  filme, ator e roteiro, teve uma inesperada (e grata) lembrança na categoria de direção. Entre as interpretações, Jessica Chastain finalmente entra no circuito das coadjuvantes com A Most Violent Year, enquanto Laura Dern já pode dar adeus aos prêmios por sua interpretação em Livre.

Ainda nas atrizes, é realmente um grande ano para Julianne Moore. Já não bastasse seu pleno favoritismo na categoria de melhor atriz em drama por Para Sempre Alice, agora ela deve repetir o feito alcançado por Kate Winslet anos atrás com uma vitória dupla. Não é apenas em função de estar excepcional em Mapa Para as Estrelas que Moore deve ganhar como atriz em comédia/musical. A verdade é que a seleção está realmente fraca, até porque não foi um bom ano para as intérpretes deste segmento (o que em nada desmerece uma possível vitória de Moore). Entre as canções, as cantoras em destaque no cenário musical atual tem vez. Pelo menos três nomes em evidência ganharam lembrança: Sia com Opportunity (Annie), Lorde com Yellow Flicker Beat (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1) e Lana del Rey com Big Eyes (Grandes Olhos).

Já na TV, são tempos difíceis para quem acompanha premiações. Mas a boa notícia é que o Globo de Ouro conseguiu, de certa forma, fazer uma boa limpa em listas que já estavam pra lá de defasadas. É o caso de comédia/musical, onde The Big Bang Theory e Modern Family finalmente foram deixadas completamente de lado. E o melhor: para dar lugar a Transparent, por exemplo. Entre os dramas, a situação já é menos interessante. Mad Men parece não ter mais vez nas premiações, enquanto as frequentes lembranças a House of Cards, Game of Thrones  e Downton Abbey refletem o fato de que, sim, estamos carentes de novos dramas de qualidade. Particularmente, fiquei muito feliz com as indicações de The Good Wife, que, volto a repetir, é uma das melhores séries de TV aberta em exibição. A cerimônia de premiação do Globo de Ouro acontece no dia 11 de janeiro.

MELHOR FILME DRAMA
Boyhood: Da Infância à Juventude
Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo

O Jogo da Imitação
Selma

A Teoria de Tudo

MELHOR ATOR DRAMA
Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
David Oyelowo (Selma)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Steve Carell (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo)

MELHOR ATRIZ DRAMA
Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Jennifer Aniston (Cake)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)
Reese Witherspoon (Livre)

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
Birdman
Caminhos da Floresta

O Grande Hotel Budapeste
Pride

Um Santo Vizinho

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Bill Murray (Um Santo Vizinho)
Christoph Waltz (Grandes Olhos)
Joaquin Phoenix (Vício Inerente)
Michael Keaton (Birdman)
Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Amy Adams (Grandes Olhos)
Emily Blunt (Caminhos da Floresta)
Helen Mirren (A 100 Passos de Um Sonho)
Julianne Moore (Mapa Para as Estrelas)
Quvanzhané Wallis (Annie)

MELHOR DIREÇÃO
Alejandro González-Inárritu (Birdman)
Ava DuVernay (Selma)
David Fincher (Garota Exemplar)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Emma Stone (Birdman)
Jessica Chastain (A Most Violent Year)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Edward Norton (Birdman)
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
Mark Ruffalo (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo)
Robert Duvall (O Juiz)

MELHOR ROTEIRO
Birdman
Boyhood: Da Infância à Juventude
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação

MELHOR TRILHA SONORA
Birdman
Garota Exemplar
Interestelar
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Big Eyes” (Grandes Olhos)
“Glory” (Selma)
“Mercy is” (Noé)
“Opportunity” (Annie)
“Yellow Flicker Beat” (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Force Majeure (Suécia)
Gett: The Trial of Viviane Amsalem (Israel)
Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Tangerines (Estônia)

MELHOR ANIMAÇÃO
Uma Aventura Lego
Os Boxtrolls
Como Treinar o Seu Dragão 2
Festa no Céu
Operação Big Hero

MELHOR SÉRIE DRAMA
The Affair
Downton Abbey
Game of Thrones
The Good Wife
House of Cards

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Clive Owen (The Knick)
Dominic West (The Affair)
Kevin Spacey (House of Cards)
James Spader (The Blacklist)
Liev Schreiber (Ray Donovan)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Claire Danes (Homeland)
Julianna Margulies (The Good Wife)
Robin Wright (House of Cards)
Ruth Wilson (The Affair)
Viola Davis (How to Get Away With Murder)

MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Girls
Jane, The Virgin
Orange is the New Black
Sillicon Valley
Transparent

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Don Cheadle (House of Lies)
Jeffrey Tambor (Transparent)
Louis C.K. (Louie)
Ricky Gervais (Derek)
William H. Macy (Shameless)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Edie Falco (Nurse Jackie)
Gina Rodriguez (Jane, The Virgin)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Lena Dunham (Girls)
Taylor Schilling (Orange is the New Black)

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
Fargo
The Missing

The Normal Heart
Olive Kitteridge
True Detective

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Billy Bob Thornton (Fargo)
Mark Ruffalo (The Normal Heart)
Martin Freeman (Fargo)
Matthew McConaughey (True Detective)
Woody Harrelson (True Detective)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Allison Tolman (Fargo)
Frances McDormand (Olive Kitteridge)
Frances O’Connor (The Missing)
Jessica Lange (American Horror Story: Freak Show)
Maggie Gyllenhaal (The Honorable Woman)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Alan Cumming (The Good Wife)
Bill Murray (Olive Kitteridge)
Colin Hanks (Fargo)
Jon Voight (Ray Donovan)
Matt Bomer (The Normal Heart)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Allison Janney (Mom)
Joane Fragott (Downton Abbey)
Kathy Bates (American Horror Story: Freak Show)
Michelle Monaghan (True Detective)
Uzo Aduba (Orange is the New Black)

Os indicados ao Screen Actors Guild Awards 2015

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Preparados para mais uma temporada de premiações sem grandes surpresas? Pois é isso o que indica a lista divulgada hoje pelo Screen Actors Guild Awards, a primeira grande premiação a revelar seus indicados. Se na categoria principal a grande disputa está claramente entre os elencos de Birdman e Boyhood (com uma leve vantagem do primeiro), também nada é muito misterioso entre os outros indicados. A lista serviu mais para algumas confirmações, como Steve Carell (Foxcatcher) e Meryl Streep (Caminhos da Floresta) superando papeis que normalmente não são indicados (no caso de Meryl uma bruxa horrorosa que canta em um conto de fadas!) e currículos normalmente esnobados oros prêmios (Carell, vindo da comédia e principalmente da TV).

As surpresas ficam por conta de A Teoria de Tudo em melhor elenco (nunca subestime o poder de uma biografia! – até porque essa parece ótima), Robert Duvall em ator coadjuvante por O Juiz (SAG sempre indica um veterano que ninguém esperava), Naomi Watts como atriz coadjuvante por Um Santo Vizinho (pesquisei um pouco sobre o filme e sinceramente não sei bem como ela veio parar aqui) e Jennifer Aniston finalista em melhor atriz por Cake (mais uma que superou o preconceito por sua carreira cômica televisiva). Particularmente, fiquei bastante contente com a lembrança de Rosamund Pike (Garota Exemplar), que poderia não entrar pelo papel difícil e atípico para prêmios. Por outro lado, bate a decepção pelo esquecimento de Laura Dern, ótima em Livre.

Já na TV, há pouco o que dizer, já que as premiações não parecem acompanhar a genialidade de novos programas que invadem as grades das emissoras. Não sei quem ainda aguenta Modern Family e The Big Bang Theory em tempos que séries cômicas excepcionais como Getting On dão um banho de qualidade. Ou, então, que indicassem Transparent, onde Jeffrey Tambor interpreta com notável sutileza um pai de família que, depois de velho, resolve assumir para a família seu lado travesti. Também é triste ver que ainda não superaram Homeland quando The Good Wife tem o melhor elenco atualmente de um drama na TV aberta. Pouco inventiva essa lista do SAG. Mas cá estamos mais uma vez para outra divertida maratona de apostas e bolões. A cerimônia de premiação do SAG acontece no dia 25 de janeiro.

MELHOR ELENCO
Birdman
Boyhood: Da Infância à Juventude
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

MELHOR ATOR
Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Michael Keaton (Birdman)
Steve Carell (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo)

MELHOR ATRIZ
Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Jennifer Aniston (Cake)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Reese Witherspoon (Livre)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Edward Norton (Birdman)
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
Mark Ruffalo (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo)
Robert Duvall (O Juiz)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Emma Stone (Birdman)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
Naomi Watts (Um Santo Vizinho)
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DRAMA
Boardwalk Empire
Downton Abbey
Game of Thrones
Homeland
House of Cards

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Kevin Spacey (House of Cards)
Matthew McCounaghey (True Detective)
Peter Dinklage (Game of Thrones)
Steve Buscemi (Boardwalk Empire)
Woody Harrelson (True Detective)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Claire Danes (Homeland)
Juliana Margulies (The Good Wife)
Maggie Smith (Downton Abbey)
Robin Wright (House of Cards)
Tatiana Maslany (Black Orphan)
Viola Davis (How to Get Away With Murder)

MELHOR ELENCO DE SÉRIE COMÉDIA
The Big Bang Theory
Brooklyn Nine-Nine

Modern Family
Orange is the New Black
Veep

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA
Eric Stonestreet (Modern Family)
Jim Parsons (The Big Bang Theory)
Louis C.K. (Louie)
Ty Burell (Modern Family)
William H. Macy (Shameless)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA
Amy Poehler (Parks and Recreation)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Julie Bowen (Modern Family)
Uzo Aduba (Orange is the New Black)

MELHOR ATOR EM TELEFILME/MINISSÉRIE
Adrien Brody (Houdini)
Billy Bob Thornton (Fargo)
Benedict Cumberbatch (Sherlock: His Last Vow)
Mark Ruffalo (The Normal Heart)
Richard Jenkins (Olive Kitteridge)

MELHOR ATRIZ EM TELEFILME/MINISSÉRIE
Cicely Tyson (The Trip to Bountiful)
Ellen Burstyn (O Jardim dos Esquecidos)
Frances McDormand (Olive Kitteridge)
Julia Roberts (The Normal Heart)
Maggie Gyllenhaal (The Honorable Woman)

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

It’s the things we love most that destroy us.

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Direção: Francis Lawrence

Roteiro: Danny Strong e Peter Craig, com adaptação de Suzanne Collins, baseado no livro “Mockingjay”, de Suzanne Collins

Elenco: Jennifer Lawrence, Julianne Moore, Philip Seymour Hoffman, Liam Hemsworth, Donald Sutherland, Elizabeth Banks, Josh Hutcherson, Jeffrey Wright, Stanley Tucci, Woody Harrelson, Willow Shields

The Hunger Games: Mockingjay – Part 1, EUA, 2014, Aventura, 123 minutos

Sinopse: Após ser resgatada do Massacre Quaternário pela resistência ao governo tirânico do presidente Snow (Donald Sutherland), Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está abalada. Temerosa e sem confiança, ela agora vive no Distrito 13 ao lado da mãe (Paula Malcomson) e da irmã, Prim (Willow Shields). A presidente Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) querem que Katniss assuma o papel do tordo, o símbolo que a resistência precisa para mobilizar a população. Após uma certa relutância, Katniss aceita a proposta desde que a resistência se comprometa a resgatar Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e os demais Vitoriosos, mantidos prisioneiros pela Capital. (Adoro Cinema)

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O salto de qualidade que Jogos Vorazes: Em Chamas deu em relação ao primeiro filme foi fundamental para que eu finalmente conseguisse embarcar na história de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence). Se do primeiro filme para o segundo as minhas expectativas eram baixíssimas, o oposto aconteceu entre Em Chamas e A Esperança – Parte 1, mesmo sabendo que este novo filme dirigido por Francis Lawrence poderia ser prejudicado pela nova moda de dividir últimos capítulos de franquias. Quem, assim como eu, se entusiasmou com o longa anterior, é bom conferir a primeira parte de A Esperança com as expectativas moderadas, já que o tom da saga muda completamente aqui e o resultado passa a trazer um novo tipo de abordagem para o universo da jovem Katniss.

Para começo de conversa, já fica dado o aviso: Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 sequer se passa dentro das arenas que tanto traziam tensão nos filmes anteriores (no meu caso, só no segundo capítulo). Todos os conflitos agora estão do lado de fora, onde a protagonista passa a ser a líder da revolução de seu distrito contra a repressora capital comandada pelo presidente Snow (Donald Sutherland). Mesmo com a mudança, a série continua mantendo a boa média impulsionada por Em Chamas, mas aqui  de forma bastante diferente, com um tom mais sóbrio em termos de ação e mais intenso em conflitos políticos e sociais. Desta forma, A Esperança – Parte 1 reduz a marcha para contextualizar uma guerra, um confronto de ideais. Ao mesmo tempo que ganha muitos pontos dramaticamente com tal escolha, também pode frustrar quem espera uma história tão movimentada quanto a dos outros filmes.

A divisão do capítulo final ajuda a trazer a sensação de um tom mais pausado, até porque o longa, às vezes, parece se repetir, reforçando os tradicionais problemas de uma obra de transição como essa. Ainda assim, impressiona como Jogos Vorazes mantem sua reputação e qualidade mesmo com uma passagem menos movimentada e que se encontra em uma verdadeira enxurrada de adaptações de best sellers infanto-juvenis. A febre começou com Vorazes e muitos filmes foram produzidos desde então, mas, com A Esperança – Parte 1, fica a certeza de que nenhum chegou ao nível de seriedade e respeito que essa franquia em questão conquistou. Inclusive porque não é qualquer saga que traz Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman e Julianne Moore em papeis coadjuvantes bem aproveitados e com funções importantes na história.

O clima que se instala no segundo filme de Jogos Vorazes dirigido por Francis Lawrence é muito parecido com o que tomou conta dos últimos capítulos de Harry Potter no sentido de trazer um mundo cada vez mais confuso, perigoso e difícil para seus protagonistas. É certo que a guerra travada entre os distritos contra a capital aqui está mais na teoria do que na guerra propriamente dita (o que deve ficar para o próximo longa). Só que é fácil perceber grandes méritos como a  bem sucedida questão da construção de uma líder, a reinvenção de algumas figuras (Elizabeth Banks, agora controlada e abandonando o papel de boba da corte) e o sólido desenvolvimento dos personagens diante da nova situação quase desesperançosa.

A protagonista Jennifer Lawrence segue conduzindo muito bem a trama, especialmente aqui, quando a história lhe exige mais em termos dramáticos do que físicos. Ela tem total segurança frente a monstros da atuação como Moore e Hoffman – este segundo um pouco menos aproveitado agora, mas uma figura sempre envolvente (e a quem o filme é dedicado logo quando a tela escurece para os créditos finais). O problema no elenco ainda se concentra em Josh Hutcherson, que, no capítulo anterior, já era reduzido ao coadjuvante indefeso que só se machucava e atrasava a jornada dos outros. Seu personagem neste capítulo é a chave para desencadear diversas situações – especialmente no final -, mas ator e personagem continuam subutilizados proporcionalmente falando (são duas horas de duração onde Hutcherson deve aparecer apenas três ou quatro vezes).

Ademais, toda e qualquer falha que possa existir no filme de Francis Lawrence (que, lembremos, demonstra exímia segurança ao transitar da aventura para o drama sem cambalear nos tons empregados) deve ser perdoada, pois vem unica e exclusivamente da decisão comercial de dividir a parte final em dois capítulos. Se tudo der certo, o segundo capítulo deve concluir com chave de ouro o pensamento deste que, sim, funciona isoladamente, mas de forma menos eficiente. Resta saber, no entanto, o quanto de A Esperança – Parte 1 vai ficar na memória até a estreia da conclusão, que está programada para chegar aos cinemas apenas em novembro de 2015.