Cinema e Argumento

Oscar 2015: melhor atriz coadjuvante

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Entre as categorias de atuação, esta é certamente a mais fraca de 2015. Nenhum desempenho memorável está listado aqui e é muito claro o porquê de Patricia Arquette ser a favorita por seu desempenho em Boyhood: Da Infância à Juventude. Excetuando merecimentos (que serão comentados abaixo), seria muito improvável qualquer uma das outras concorrentes vencer, seja pelo número de estatuetas em casa (Meryl Streep nunca ganharia um quarto prêmio tão cedo, independente do papel) ou pelo timing (Emma Stone, uma atriz de comédias, ainda tem muito o que provar para ser consagrada a esse nível). Já Arquette vem de uma carreira tímida, finalmente se revelando com um papel agradável em um dos filmes mais badalados do ano. É fácil simpatizar com ela e sua personagem repleta de transformações ao longo da história.

Entretanto, assim como a própria situação de Boyhood, é estranho ver a Academia celebrando tão decididamente um estilo de interpretação que normalmente não é festejado. Foram inúmeras as atrizes preteridas e subestimadas pelo prêmio em função de seus papeis sutis e contidos. Se em 2013 os votantes preferiram a única cena avassaladora de Anne Hathaway em Os Miseráveis ao desempenho minucioso de Helen Hunt em As Sessões, por exemplo, fica complicado entender o porquê de agora terem mudado de ideia, especialmente em um ano em que todas as outras interpretações favoritas ao Oscar nas demais categorias refletem exatamente o que as premiações gostam de celebrar: deficiências, biografias e papeis viscerais.

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EMMA STONE (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)): É bom ver que Emma Stone conseguiu distinguir sua carreira cômica da dramática, não repetindo qualquer tique das comédias que lhe lançaram ao sucesso. A atriz deve ter apenas um momento mais notável em todo o longa (aquele em que discute com o pai), mas sua presença é sempre um ponto positivo em Birdman, mesmo nas passagens mas corriqueiras. Ainda assim, é estranho vê-la indicada aqui enquanto Naomi Watts, sua companheira de elenco, tem basicamente as mesmas proporções de chance e destaque. Seria muito mais justo ter as duas concorrendo na categoria.

LAURA DERN (Livre): Tem apenas oito minutos em cena durante um filme de quase duas horas e suas cenas são distribuídas de modo que nenhuma delas dura mais do que 90 segundos. E mesmo assim é a indicada que mais me encantou. Todo mundo sabe que Laura Dern é grande atriz e capaz de iluminar qualquer filme. Por isso, sua escolha é tão perfeita para o que o papel representa: as lembranças como ela de fato são na vida. Dern surge aos poucos, em momentos breves, em pequenas memórias. Ninguém guarda cenas completas como recordações, e sim pequenos carinhos, saudades isoladas, sensações de pura emoção e afeto. É pela compreensão de tudo isso que Laura Dern em Livre me comove tanto.

KEIRA KNIGHTLEY (O Jogo da Imitação): Tenho grandes problemas com Keira Knightley, uma atriz que sempre me pareceu muito careteira e repetitiva (particularmente não consigo perceber qualquer criação da atriz que diferencie as suas personagens de época, por exemplo), mas aqui ela ela está notavelmente controlada. Muita de toda simpatia que Keira conquista no espectador vem de sua personagem, uma jovem prodígia e muito a frente de seu tempo, mas ela também tem seus méritos nessa construção. Discreta e eficiente, é um dos aspectos mais positivos dessa biografia que, assim como A Teoria de Tudo, não passa do nível convencional agradável. 

MERYL STREEP (Caminhos da Floresta): Dificilmente qualquer outra atriz que fizesse exatamente o mesmo papel seria indicada, mas esse é um dos benefícios de ser Meryl Streep. A Bruxa de Caminhos da Floresta está longe de figurar entre os papeis mais marcantes da atriz, mas o ano permite a lembrança em função do nível mediano de indicadas. Meryl tem pelo menos dois momentos bastante especiais: o de pura emoção em Stay With Me e o de fazer todo um elenco ficar parado observando seu talento em Last Midnight. Com humor e a devida malícia, a primeira bruxa da carreira de Meryl Streep é o ponto alto de um filme profundamente decepcionante.

PATRICIA ARQUETTE (Boyhood: Da Infância à Juventude): Sou grande fã do estilo de interpretação que Patricia Arquette representa em Boyhood. Menos é sempre mais e essa é certamente a lógica que Richard Linklater adotou em seu mais novo projeto. O problema é que Boyhood não dá um material lá muito interessante para Arquette desenvolver algo marcante. É quase primário, por exemplo, o seu drama de mãe que foge do marido abusivo (a pior parte do filme). Para realmente merecer alguma coisa, deveria ter mais passagens sinceras e tocantes como a em que fez um retrospecto de sua vida ao se despedir do filho. Do jeito que ficou, o menos de Arquette aqui é quase nada.

Na TV… “Transparent” e a verdadeira família moderna

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“Este sou eu”. Em Transparent, primeira série da Amazon, Jeffrey Tambor vive um pai de família que assume para a família a sua vida transgênera.

Ao vencer o Globo de Ouro 2015 de melhor série cômica (uma classificação de gênero um tanto questionável, diga-se de passagem), Transparent foi saudada como mais um marco nas revoluções envolvendo a produção de seriados. O programa criado por Jill Solloway está para a Amazon assim como House of Cards está para a Netflix. Ou seja, não é exibido originalmente na TV e nos mostra como é amplo o número de plataformas onde pode existir a realização de audiovisual atualmente. Não podemos negar a mudança desse panorama e muito menos o fato de Transparent ter novamente suscitado nossa atenção para este mercado, mas, na realidade, o principal parece ter ficado em segundo plano: a história estrelada por Jeffrey Tambor (também vencedor do Globo de Ouro por seu desempenho) coloca valiosíssimas questões envolvendo sexualidade e transgeneridade em pauta, mostrando como são realmente constituídas as verdadeiras famílias modernas dos dias de hoje.

Discussões como o fato de um homem mais velho ser casado com uma mulher décadas mais jovem, um estadunidense pedir uma latina em casamento ou um casal gay entrar com os papeis de um pedido de adoção já são ultrapassadas. Precisamos avançar no que é mostrado na dramaturgia. E Transparent o faz com uma sutileza rara. A premissa é bastante simples: o pai de família (Tambor) que, após anos vivendo uma vida que claramente não era a sua, resolve assumir para a família que há anos se veste secretamente como mulher. Não, ele não quer trocar de sexo. Também não passou a gostar de homens. Morton, agora Maura, simplesmente se sente melhor circulando com apliques no cabelo, vestidos, aneis, brincos, maquiagens e unhas pintadas. Simples assim. A partir de sua revelação, a série acompanha todos os efeitos que a mudança surte no clã dos Pfeffermans. Para não estragar as gratas surpresas, não citarei nomes, mas é lindo ver a filha assumindo sua longa paixão com uma mulher após ser de certa forma inspirada pela coragem do pai ou simplesmente a que, totalmente desprovida de julgamentos, acha o máximo ir a um shopping comprar roupas e perfumes com a sua mais nova “mãe”.

Em programas mais convencionais, a mudança de Maura resultaria em infinitos episódios onde uma família seria plenamente desestabilizada pela revelação e personagens passariam por crises existenciais intermináveis. Transparent não se exime de mostrar a confusão de algumas figuras, mas usa este turbilhão de questões com outros propósitos: certo personagem, por exemplo, chega inclusive a ter despertada uma grande curiosidade pelo universo transgênero, procurando, até mesmo em relações sexuais, uma resposta para as suas próprias indagações físicas e sentimentais. Não é apenas um choro aqui e outro lá. Ver um pai de família abandonando os hábitos masculinos não é necessariamente o fim do mundo para os personagens de Transparent. É, na realidade, uma chance para que eles se tornem mais generosos e humanos em relação ao próximo – e também mais suscetíveis a se darem o benefício da dúvida. Quando Maura pergunta a um familiar em determinado momento como ele se sente em relação a sua nova vida, recebe a seguinte resposta: “Estou feliz por você ter se tornado quem realmente você sempre quis ser. Deveria ser assim com todo mundo”. E, nesta frase, está sintetizada toda a beleza singular do seriado.

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Transparent impulsionou a trajetória dos estúdios Amazon ao vencer o Globo de Ouro 2015 nas categorias de melhor série e ator de comédia/musical.

A trama de Transparent só poderia vir de alguém como Jill Solloway. Não só a criadora tem uma vasta experiência com dramas sobre pessoas comuns (esteve envolvida como produtora ou roteirista em mais de 30 episódios da excepcional Six Feet Under) como também se inspirou em sua própria viada para narrar a vida da família Pfefferman: dois anos atrás, na vida real, o pai de Solloway se assumiu para a família exatamente como o protagonista de Transparent, fazendo com que ela passasse a encarar o mundo de uma outra forma. Uma história biográfica, então. E talvez somente ela, tão próxima de uma situação como essa, pudesse narrar com tanta sutileza a jornada de aceitação dos personagens e também as próprias evoluções do protagonista. Em um misto de comédia e drama, Solloway, porém, não cambaleia no balanço entre os dois gêneros: ela sabe muito bem a hora certa de extrair humor de uma situação ou até que ponto deve explorar os dramas de determinados personagens. Não existem excessos em Transparent.

Por mais que seja um seriado sobre a universalização de importantes temas, Transparent, contudo, não é uma série necessariamente popular. Mas, por trás da leveza dos episódios e da extrema discrição do texto, existem situações muito belas, daquelas em que a lógica de que pequenos momentos podem também ser grandes prevalece. O auge desta primeira temporada de dez episódios encomendada pela Amazon é, sem dúvida, o episódio Best New Girl, dirigido pela própria Jill Solloway. Nele, acompanhamos o momento em que, pela primeira vez, Morton foi Maura em um local onde isso não era problema algum. Ainda que o capítulo acompanhe também um recorte da vida dos filhos e apresente diversas situações que os ajudaram a moldar suas respectivas personalidades, é no olhar encantado de Maura em uma festa ou a sua naturalidade em finalmente poder transitar livremente de salto alto sem julgamentos que Best New Girl alcança uma beleza singular.

Com um elenco altamente entrosado, Transparent consegue dar ainda mais verossimilhança ao seu enredo por meio dos atores. Da naturalidade de Amy Landencker interpretando a filha mais interessante e melhor explorada ao bom humor de Judith Light como a mãe de família que foge totalmente dos padrões vistos em seriados, não existe, no entanto, quem supere o show de Jeffrey Tambor. Conseguindo se libertar de qualquer efeito colateral de sua carreira cômica (foram cerca de 60 episódios de Arrested Development ao longo de dez anos), Tambor encontra o tom ideal para a sua Maura Pfefferman. Intenso na hora de um confronto (a briga com a filha Ali no último episódio é o seu ponto alto nesse sentido), mas econômico e eficiente quando precisa comunicar tudo com uma simples expressão ou olhar (impossível não se comover com a sua apresentação em The Symbolic Exemplar), o ator compreendeu sua personagem em corpo, mente e espírito. Mesmo que algumas construções de personagens se mostrem tortuosas, como a da filha Ali – que, com o passar dos episódios, se torna facilmente a figura menos interessante do clã -, e que certas dinâmicas não rendam resultados muito instigantes (Josh com a tal rabina), nada, porém, remete ao clichê, ao forçado ou muito menos ao desnecessário. Transparent, em sua simplicidade, realmente é uma preciosidade. Estávamos precisando de uma série sobre todos nós. Confira o trailer da primeira temporada:

Caminhos da Floresta

Children can only grow from something you love to something you lose…

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Direção: Rob Marshall

Roteiro: James Lepine, baseado em musical de autoria própria e de Stephen Sondheim

Elenco: Emily Blunt, James Corden, Meryl Streep, Anna Kendrick, Chris Pine, Johnny Depp, Christine Baranski, Tracey Ullman, Lilla Crawford, Daniel Huttlestone, Tammy Blanchard, Lucy Punch, Mackenzie Mauzy, Billy Magnussen, Joanna Riding

Into the Woods, EUA/Reino Unido/Canadá, 2014, Musical, 125 minutos

Sinopse: Um padeiro e sua mulher (James Corden e Emily Blunt) vivem em um vilarejo, onde lidam com vários personagens famosos dos contos de fadas, como Chapeuzinho Vermelho (Lila Crawford). Um dia, eles recebem a visita da bruxa (Meryl Streep), que é sua vizinha. Ela avisa que lançou um feitiço sobre o casal para que não tenha filhos, como castigo por algo feito pelo pai do padeiro, décadas atrás. Ao mesmo tempo, a bruxa avisa que o feitiço pode ser desfeito caso eles lhe tragam quatro objetos: um capuz vermelho como sangue, cabelo amarelo como espiga de milho, um sapato dourado como ouro e um cavalo branco como o leite. Eles têm apenas três dias para encontrar tudo, caso contrário o feitiço será eterno. Decididos a cumprir o objetivo, o padeiro e sua esposa adentram na floresta. (Adoro Cinema)

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Rob Marshall sempre dá um jeito de voltar aos musicais. Entre filmes como Memórias de Uma Gueixa e Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, sempre existiu uma nova investida do diretor no gênero. Nenhuma de suas realizações, entretanto, conseguiu sequer chegar perto do prestígio e do suposto brilhantismo de Chicago, longa-metragem de estreia de Marshall nos cinemas que, inclusive, chegou a lhe render uma indicação ao Oscar de melhor diretor. Já não compartilho qualquer entusiasmo pelo musical estrelado por Renée Zellweger e Catherine Zeta-Jones (lá já era possível ver os defeitos que afundariam outros trabalhos do diretor como a excessiva teatralidade e os números ambientados praticamente todos em um mesmo ambiente), mas é consenso geral que sua filmografia nunca mais decolou depois desse projeto. Infelizmente Caminhos da Floresta, outra investida em musicais de Marshall, é mais uma prova – e talvez a mais contundente delas – de que Chicago realmente foi um golpe de sorte. Ou de que o diretor foi, desde sempre, uma farsa que sabe-se lá como o mundo comprou entusiasmadamente.

Adaptado do tradicional espetáculo homônimo tão popular nos Estados Unidos, Caminhos da Floresta se tornou a maior estreia de uma versão cinematográfica da Broadway no país, faturando 46 milhões de dólares somente no primeiro final de semana. Claro que o sucesso está aliado ao fato de que o filme também é da Disney, tem apelo infantil e ainda brinca com várias figuras dos contos de fada, mas as grandes referências vêm mesmo da origem teatral, já que Caminhos da Floresta já foi encenado por muitas gerações nas escolas estadunidenses. Não se engane, no entanto, ao pensar que este é um filme meramente de fantasia que reúne várias figuras clássicas como Rapunzel e Cinderela. Não. Caminhos da Floresta é obviamente um musical nato, de diálogos cantados e canções que estão longe de serem melódicas ou grudentas (Sweeney ToddOs Miseráveis são os exemplares mais próximos conceitualmente deste filme no cinema recente). Ou seja, sente na poltrona com bastante paciência (caso você não curta o gênero) porque lá vem muita cantoria! Todas as referências de respeito, as possibilidades musicais e as ideias potencialmente criativas são, contudo, perdidas pela má direção de Marshall e pelo roteiro empoeirado de James Lepine (autor do espetáculo original ao lado de Stephen Sondheim).

Caminhos da Floresta é repleto de conceitos errados, indo totalmente contra a onda de subversão de ideias e valores que a Disney vinha trabalhando em produções como Frozen – Uma Aventura CongelanteMalévola. Enquanto no primeiro a mocinha da história descobria que o amor verdadeiro não precisa vir necessariamente de um homem, no segundo a vilã de A Bela Adormecida se humanizava e tinha seu outro lado da moeda revelado. Já em Caminhos da Floresta, se um personagem trai alguém, morre logo na cena seguinte (só se for uma mulher, claro). Na composição da família, o clã feminino serve só para cuidar dos filhos e faxinar. Quando começa uma batalha, os homens tomam as rédeas e as mulheres só ficam encolhidas embaixo da árvore sem qualquer utilidade. Se existe qualquer abordagem além desse sexismo, o filme vai a extremos: a ambição é algo descabido e caricatural como na personagem de Christine Baranski e a interessante superproteção de uma mãe em relação a filha vem apenas de uma bruxa velha e horrorosa. Tudo é um retrocesso gigantesco que em nada parece ter sido pensado para as plateias de hoje e, principalmente, para os padrões de conceitos que a Disney vinha quebrando.

O musical de Rob Marshall traz a sempre bem-vinda lógica de que é a música que deve guiar a história e não o inverso, mas nem isso ajuda Caminhos da Floresta a impressionar narrativamente. Tudo é muito antiquado (e não em um sentido de homenagem clássica, como poderia ser), com uma miscelânea de contos que curiosamente não instiga e muito menos se mostra prolífera em ideias. Encontrar Chapeuzinho Vermelho, João e seu pé de feijão, Rapunzel, a Bruxa, o Lobo Mau e tantas outras figuras icônicas não empolga em momento algum. Inclusive, agrupar todos em um mesmo filme deixa vários como coadjuvantes ou então figurantes (a pobre Rapunzel nada pode fazer além de dizer uma ou duas frases quando é trancafiada em casa pela mãe ou tentar chorar enquanto Meryl Streep arrasa com Stay With Me, uma das mais belas canções do repertório). O visual tampouco impressiona, dos figurinos à direção de arte – o que é um grande problema.

Em Caminhos da Floresta ainda existem dois filmes dentro de um: a partir do momento em que a trama se movimenta com o surgimento de uma gigante, a sensação é de que outro longa muito menos interessante se inicia, com conflitos bastante pobres, acontecimentos tratados com descaso (a morte de uma personagem sequer tem um pingo de dramaticidade) e obviamente o auge dos já comentados sexismos e moralismos. O elenco até que se esforça para segurar a barra e quem mais se garante entre os protagonistas é certamente a adorável dupla James Corden e Emily Blunt. Mas é fácil ver que Marshall também parece ter perdido o tino para dirigir atores (em Nine ele já desperdiçava Judi Dench e deixava Penélope Cruz fazer mais do mesmo, por exemplo) e aqui parece não ter estabelecido nenhum diálogo de criação com diversos atores, sendo o pior caso o de Chris Pine, que, além de ter o número musical mais vergonhoso da história (aquele em que canta Agony! na cachoeira), consegue ser incrivelmente canastrão em cada segundo de suas aparições.

Com esse acúmulo enorme de erros, só a presença de Meryl Streep já seria o suficiente para oxigenar Caminhos da Floresta em certas passagens.  Só que, independente do resto do filme, a atriz realmente ficou com as melhores músicas e os melhores momentos. Ela é o grande destaque do musical não só por ser uma cantora nata (desde criança já estava no mundo das artes fazendo aulas de canto), mas porque sua personagem é realmente a que tem o contexto mais marcante. Torcer por vilões já é fácil por si só e o que dizer, então, quando a antagonista da história é a personagem que tem o melhor arco? Não à toa, quando a Bruxa não está em cena, é bem provável que você se pegue ansioso por sua próxima aparição. Talvez seja Meryl a única responsável por nos dar força para continuar acompanhando Caminhos da Floresta até o final. Sem ela, este seria um dos musicais mais desastrosos em sabe-se lá quanto tempo. Novamente, Meryl veio para (quase) salvar o dia.

Os vencedores do BAFTA 2015

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Julianne Moore e o seu BAFTA de melhor atriz por Para Sempre Alice: tal consagração, assim como várias outras concedidas pelos britânicos, atesta que, talvez, a disputa como um todo não esteja tão imprevisível assim.

Se a vitória do mexicano Alejandro González Iñárritu no DGA parece ter embolado de vez a disputa pelo o Oscar, o BAFTA veio para mostrar que talvez essa concorrência acirradíssima venha apenas do nosso eterno desejo de que os votantes da Academia surpreendam. Não sei até que ponto Birdman pode ser um favorito quando é muito complicado vê-lo vencendo em categorias como direção (será mesmo que um mexicano venceria pelo segundo ano consecutivo e só tendo o DGA na bagagem?), roteiro (este é o prêmio máximo que Wes Anderson pode ganhar na vida considerando o Oscar) ou montagem (lembrando que…ops, Birdman nem concorre aqui!). Alie tudo isso ao fato de que Michael Keaton já está morto na corrida de melhor ator com mais esta vitória de Eddie Redmayne no BAFTA. 

É muito mais fácil o Oscar se entregar a Boyhood mesmo: o filme de Linklater venceu o Globo de Ouro e agora foi comprado até pelos tradicionais britânicos! E isso que estamos falando de um filme bastante estadunidense. Perdeu o SAG, é verdade, mas esse era um prêmio de elenco – e, caso tivesse vencido, seria uma vitória bastante errada. Cada um interpreta de forma diferente, mas não vejo tanto mistério assim em 2015, e a lista do BAFTA corrobora tal opinião. Ela ainda serviu para nos dar um bom panorama das categorias técnicas: O Grande Hotel Budapeste deve mesmo reinar em várias delas (merecidamente, diga-se de passagem) e existe até mesmo a possibilidade de Whiplash ganhar com louvor um ou dois prêmios de som e montagem. Com um quarteto de atores fechado para o Oscar e Richard Linklater e seu Boyhood repetindo novamente vitórias, a moral da história talvez seja mesmo que estamos superestimando a ideia de que a Academia ainda pode fazer algo de novo. Confira abaixo a lista completa de vencedores:

MELHOR FILME: Boyhood: Da Infância à Juventude
MELHOR FILME BRITÂNICO: A Teoria de Tudo
MELHOR DIREÇÃO: Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
MELHOR ATRIZ: Julianne Moore (Para Sempre Alice)
MELHOR ATOR: Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: A Teoria de Tudo
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Citizenfour
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Ida (Polônia)
MELHOR FIGURINO: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR FOTOGRAFIA: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
MELHOR ANIMAÇÃO: Uma Aventura Lego
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Interestelar
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR MONTAGEM: Whiplash: Em Busca da Perfeição
MELHOR SOM: Whiplash: Em Busca da Perfeição
MELHOR TRILHA SONORA: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR CURTA BRITÂNICO: Boogaloo and Graham
MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: The Bigger Picture
RISING STAR: Jack O’Connell

BAFTA 2015: apostas

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A temporada de premiações já se encaminha para a reta final e amanhã (08) é dia de conhecer os vencedores do último prêmio que reúne atores, diretores, produtores e outros profissionais em um grande evento antes do Oscar. A cerimônia do BAFTA, sempre rápida, dinâmica e objetiva, ajudará também a nos dar um panorama das categorias técnicas, que inexistem em outros prêmios como o Globo de Ouro e o Screen Actors Guild Awards. Por se tratar de um corpo de votantes formado por britânicos, é um tanto complicado que Boyhood, um filme legitimamente estadunidense, se consagre com total favoritismo.

Nas nossas apostas, O Grande Hotel Budapeste será o grande vencedor. Além de conquistar várias e óbvias categorias técnicas, o filme deve surpreender como no Globo de Ouro e conquistar a categoria principal. A história do longa pode até ser dirigida por um americano, mas vale lembrar que ela é construída a partir de universos do escritor Stefan Zweig, nascido na Áustria e cujo senso europeu também está presente no filme como um todo. Entre os outros títulos, A Teoria de Tudo tem tudo para levar importantes prêmios como melhor ator (mais um passo de Eddie Redmayne rumo ao Oscar) e roteiro adaptado, além dos esperados troféus de melhor filme britânico e trilha sonora.

Ainda na nossa lista de apostas, Boyhood leva apenas os prêmios de direção e atriz coadjuvante enquanto Birdman sai da festa de mãos abanando. O homenageado deste ano é o diretor Mike Leigh, que já se consagrou três vezes no BAFTA com estatuetas por O Segredo de Vera DrakeSegredos e Mentiras. No Brasil, nenhuma emissora transmite a cerimônia do BAFTA, que começa a ser transmitida no Reino Unido às 19h (horário de Brasília). Mas, na realidade, o evento começa às 17h (também horário de Brasília). Ou seja, para quem curte conferir os resultados em tempo real, a melhor opção é ficar conectado para se atualizar. 

MELHOR FILME
O Grande Hotel Budapeste
alt: Boyhood: Da Infância à Juventude

MELHOR FILME BRITÂNICO
A Teoria de Tudo
alt: O Jogo da Imitação

MELHOR DIREÇÃO
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
alt: Alejandro González-Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))

MELHOR ATOR
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
alt: Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ATRIZ
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
alt: Rosamund Pike (Garota Exemplar)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
alt: Steve Carell (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
alt: Keira Knightley (O Jogo da Imitação)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
O Grande Hotel Budapeste
alt: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Teoria de Tudo
alt: O Jogo da Imitação

MELHOR FOTOGRAFIA
O Grande Hotel Budapeste
alt: Ida

MELHOR FIGURINO
O Grande Hotel Budapeste
alt: Sr. Turner

MELHOR SOM
Whiplash: Em Busca da Perfeição
alt: Sniper Americano

MELHOR MONTAGEM
Whiplash: Em Busca da Perfeição
alt: O Grande Hotel Budapeste

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Ida
alt: Leviatã

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Planeta dos Macacos: O Confronto
alt: Interestelar

MELHOR TRILHA SONORA
A Teoria de Tudo
alt: O Grande Hotel Budapeste

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A Fotografia Oculta de Vivian Maier
alt: Virunga

MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS
O Grande Hotel Budapeste
alt: Caminhos da Floresta

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
O Grande Hotel Budapeste
alt: O Jogo da Imitação

MELHOR ANIMAÇÃO
Uma Aventura Lego
alt: Operação Big Hero